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O Jazz, Bob!

Robert Hanley Willoughby - ou Bob Willoughby - morreu há pouco menos de dois meses, em solo francês. Era norte-americano, nascido e criado em Los Angeles, de onde saiu para não ir muito longe: manteve-se na Califórnia, fez o curso de fotografia, cinema e arte e acabou, por muita sorte, trabalhando com Saul Bass, o lendário designer gráfico e criador de no mínimo três obras-primas: os pôsteres dos filmes Anatomia de um Crime e O Homem do Braço de Ouro, ambos de Otto Preminger, e Um Corpo que Cai, de Hitchcock.

Durante os anos 50, após libertar-se de Bass, Bob Willoughby encontrou o jazz. Transformou sua garagem e estúdio e, durante as madrugadas em night clubs, fotografou o que havia de mais intenso na performance jazzística. Conseguiu, aos poucos e com razoável sorte, o que poucos fotógrafos conseguiam: participar de gravações em estúdios fechados, o que lhe proporcionou instantâneos que o tornaram famoso, a ponto de conseguir, além de uma exposição no Cornet Theatre, além de um contrato com a Globe Photos. Eis alguns exemplos do que digo:

Gerry Mulligan, 1953

Chet Baker por Bob Willoughby.

Chet Baker, 1953

Louis Armstrong, 1956

Big Jay McNeely, up close, Olympic Auditorium, Los Angeles, 1951 por Bob Willoughby.

Big Jay McNeely, 1951

Miles Davis, 1950

Cole Porter in his Beverly Hills home, 1954 por Bob Willoughby.

Cole Porter, 1954

Art Pepper, 1950

Chet Baker & Bud Shank, 1954

Paul Desmond & Dave por Bob Willoughby.

Paul Desmond & Dave Brubeck, 1951

Dave Brubeck, 1951

Frank Sinatra, 1955

Billie Holiday, 1953

Bob Willoughby fotografou para o cinema. Registrou, além de cenas de filmes, closes de Marilyn Monroe, Audrey Hepburn, Liz Taylor, Sophia Loren, Ali McGraw, Judy Garland e Jane Fonda - o que é uma demonstração de que a sorte nunca o abandonou. Registrou a dança, o lirismo do balé, sua coreografia e seus componentes. Registrou o que ele considerava belo e sublime e, como tinha olhar certeiro, quem deu sorte, de fato, fomos nós..

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200 mil visitas, hoje

Bem, eu resolvi comemorar - mais um vez. E mantenho o agradecimento a todos pelas 200.000 visitas ao IPSIS LITTERIS que, há quase 30 meses (desde 17/07/2007), vem fazendo o que lhe vem à cabeça - como se ele fosse uma entidade independente. Agradeço os comentários, as críticas, os elogios, os puxões de orelha, as sugestões, as correções, o debate saudável. A imagem acima traz (de costas) o extraordinário escritor de ficção-científica Ray Bradbury numa conferência em NYC, em 1974. É só uma brincadeira despretensiosa. Talvez digam o mesmo deste blog daqui a alguns anos.

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No canto direito #5 : Someday My Prince Will Come

Someday My Prince Will Come tornou-se um tema jazzístico, embora tenha, originalmente, sido escrito para o desenho animado Branca de Neve e os Sete Anões. Frank Churchill, autor da melodia - e também autor do clássico Quem tem Medo do Lobo Mau? -, mal podia imaginar que, alguns anos depois, o tema se consagraria, para um seleto grupo de admiradores do jazz, pelas mãos de Miles Davis. embora, quatro anos antes, no fenomenal disco Dave Digs Disney, Dave Brubeck tenha posto os dedos em ação e apresentado uma alegre e extraordinariamente lírica versão do clássico.

Tenho várias gravações do tema: com o sexteto de Miles - do disco acima -, com Dave Brubeck, com Chet Baker, com Anita O’Day, cuja voz, em muitos casos, deve ter sido responsável pelo aumento da natalidade. Sou-lhe fã, como já escrevi, neste blog. Seu disco Anita O’Day & The Three Sounds é um primor (da escolha do repertório à execução dele). A gravação com Ernestine Anderson - a qual eu não conhecia - está aí ao lado, no canto, substituindo a gravação de Anita, cujas imagens desconheço.

Chet Baker juntou-se ao baixista dinamarquês Niels-Henning Ørsted Pedersen e à guitarra - a meu ver superestimada - de Doug Haney e compôs um belo disco cujo título é o motivo desta postagem. Mas devo dizer que, ao ouvir o tema In Your Own Sweet Way, última faixa do disco, esquece-se de tudo. A gravação com Bill Evans é antológica. No disco abaixo, um dos maiores pianistas do jazz em todas as épocas se faz acompanhar por aquele que é seu melhor trio: o baixista Scott LaFaro e o grande baterista Paul Motian.

Lá no começo da postagem falei em Miles Davis. Pois é. Wynton Kelly, pianista que participa da sessão, gravou, algum tempo depois, um álbum como líder, intitulado Someday My Prince Will Come. Infelizmente não conheço, mas permito-me supor que seja artigo de primeira. Wynton era o pianista preferido de gente como Dinah Washington e Dizzy Gillespie. Dá para imaginar o que esse disco tem de especial? Talvez dê.

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Somos todos tolos?

A imprensa brasileira mantém sua postura em relação ao futebol do país: mascarar uma realidade ao mesmo tempo em que considera os leitores uns debilóides sem visão crítica. Leio que jogadores brasileiros resolvem retornar ao país. Segundo a matéria, a opção foi deles. Passa realmente pela cabeça de qualquer indivíduo, com um mínimo de capacidade analítica, que esses jogadores preferem abandonar o status (em todos os sentidos) de jogar na Europa para voltar a jogar num futebol desorganizado e corrompido como o do Brasil?

Passa pelos neurônios de qualquer vertebrado pensante que é preferível jogar nos gramados esburacados dos estádios brasileiros a tocar a bola nos tapetes verdes europeus? Ou que o calendário esportivo nacional facilita a vida do atleta? Ou ainda que as possibilidades de merchandising - e, portanto, muita grana nos bolsos - são infinitamente maiores no Brasil? Alguém realmente pensa assim? Com exceção de Adriano, cujos motivos para retornar ao país ainda são obscuros, algum jogador brasileiro voltou ao país no apogeu de sua forma física, sendo merecidamente enaltecido pela imprensa do país ou sendo verdadeiramente seduzido por uma grande equipe européia?

E ainda vêm jornalistas afirmar que os craques retornam ao país para terem maior visibilidade e, portanto, mais chances no escrete nacional? Sou um tolo ou, nas últimas quatro copas do mundo a predominância dos “estrangeiros” na equipe titular era acachapante? E mais: há quem diga (e há certa razão nisso) que a arrogância do jogador brasileiro não lhe permite ficar na reserva, mesmo quando sua produção deixa a desejar. E será que Nilmar e Luís Fabiano, ambos em atividade pra lá de satisfatória em seus clubes, deixarão de ser convocados porque Robinho, Fred, Ronaldo e Adriano jogam em terras pátrias?

Ok, alguém dirá: Robinho abriu mão de 20 milhões de dólares quando foi transferido do Santos para o Real Madri. Sim, é fato, mas abriu porque tinha a esperança de se tornar o melhor do mundo, título que só é possível se o atleta atuar na Europa. Era esse seu projeto, e os tais 20 milhões seriam apenas um detalhe, mas o naufrágio foi inevitável - o que desencadeou um retorno ao país. Estou falando o óbvio, eu sei. Então, imaginemos uma outra situação óbvia: Robinho eleito o melhor do mundo, titular absoluto do Real Madri, os holofotes sobre ele, grandes marcas mundiais querendo pôr-lhe a chancela. Por mais que seu contrato tenha robustez econômica, alguém acha mesmo que ele estaria na Vila Belmiro?

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O alvo, agora, é o folclore

Não tenho religião, embora a fé seja algo a que me acostumei. Fé nutre, é bom alimento e cada um faz com ela sua digestão pessoal. Sempre que posso, visito o site Século Diário, do meu amigo Rogério Medeiros, jornalista que assina uma matéria sobre o prejuízo que algumas igrejas evangélicas trouxeram ao folclore do norte do ES. A matéria é brilhante, traz boa análise sobre “as novas concepções de poder”, e pode ser lida, na íntegra, AQUI. Aí vai um trecho dela:

A escalada de conquista na região se dá por diferentes métodos. As igrejas mais tradicionais, como o caso da Batista, se fazem presentes dentro dos seus cânones, sem correr atrás ou abrir combate ao folclore. Enquanto ela foi rival da católica, na companhia da Pentecostal, travou-se sempre o bom confronto. Elegante. Mas, com a chegada das novas, com os seus deuses aterrorizantes, a situação mudou. Ganhou outra proporção. Os brincantes do folclore são apresentados como se fossem demônios e os pastores com palavras como armas, como se fossem pistolas automáticas.

O direito de manifestar-se religiosamente é assegurado, é lícito. Mas a agressividade com que alguns profissionais da religião (e apoiados por uma ideologia em muitos casos duvidosa) lidam com as diferenças é algo assustador, temível. Quem não sai aos seus é monstro - e como monstro deve ser devidamente aniquilado. Nada tenho contra o radicalismo. Acredito realmente que se deva defender idéias nas quais se acredita, e defendê-las com todo o corpo - e não somente com unhas e dentes.

Sectarismo é outra coisa. Revela, de imediato - mas não o mais importante -, o desrespeito à dialética, ao debate saudável e abstém-se de alicerçar, por meio da lógica, um ponto de vista. Ok, religião e lógica são incompatíveis - concordo. Mas o sectarismo revela também a arrogância em julgar, de forma definitiva, quem lhe é avesso, demonizando-o. Dia desses, numa daquelas zapeadas irresponsáveis diante da tevê, deparei-me com um pastor evangélico que, aos gritos, preconizava que o Apocalipse era inevitável - e que era responsabilidade de quem praticava a homossexualidade, o candomblé e de quem não ofertava o dízimo à igreja. Ao menos deixou as bandas de congo de fora.

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Descanse em paz, Jerome!

Interrompendo a programação: Jerome David Salinger, ou simplesmente J.D. Salinger, morreu aos 91 anos. Escrevi sobre sua biografia que, à época, não havia lido. Continuo sem lê-la. Sua pequena - e ao mesmo tempo vasta - obra fala por si com tanta franqueza que fica difícil crer nela como ficção. Se foi realmente a Greta Garbo da literatura, como foi chamado, não importa. Sua reclusão serviu-lhe: alimentou o mito sobre si. Que descanse em qualquer lugar para qual se dirija.

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Onde estão as mulheres #1

Brigitte Bardot & Jane Birkin

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Com os dias contados

Quem, atualmente, contrariando toda a lógica comercial, é capaz de investir na abertura de uma loja que venda exclusivamente cedês e devedês? E mais: que essa loja não divida com outras o espaço vantajoso de um shopping center. Pois é. Nesses tempos de downloads grátis e a pirataria agindo como se fosse uma função orgânica, abir uma loja de discos equivale a um lento e triste suicídio. O estabelecimento chama-se Vox Musing Store.

CD Eric Clapton e Steve Winwood - Live from New York (Duplo)

Pois bem. Dirigi-me à loja sem muitas esperanças, afinal a sobrevivência de um estabelecimento dessa natureza não depende dos discos que consumo, mas de sertanejo universitário, axé, Jota Quest, cantores eclesiásticos e outras inutilidades. Qual a minha surpresa! De imediato, o disco duplo do show capitaneado por Eric Clapton e Steve Winwood, no Madison Square Garden, estava diante de mim. Devidamente comprado, decidi que só adentraria o gabinete do cd player em meados de fevereiro. Motivos pessoais. Aproveitei para comprar também o devedê Carioca ao Vivo, de Chico Buarque.

A questão é que me tornei motivo de riso. Assim como abrir uma loja de discos assemelha-se a ir pela contramão - com o risco de acidentar-se -, comprar discos e devedês originais, em vez de baixá-los na web, parece ser atitude de um bocó, de um idiota que fomenta a cupidez das gravadoras. Ouço de um amigo que comprar devedês piratas é uma forma de protestar contra os altos e injustos preços da mercadoria, e que eu deveria, já que me julgo um homem esclarecido, aderir à sua cruzada. Economizaria alguns reais nessa empreitada (palavras dele). Recuso-me.

Há algum tempo escrevi sobre o fato de haver poucas livrarias no país. Lê-se pouco, de modo que o tempo entre o nascimento e a morte de uma livriaria é brevíssimo. As lojas de discos vão pelo mesmo caminho, mas por motivos distintos. Ouve-se muita música, mas tudo está praticamente disponível na web. É claro que em muitos casos a qualidade da gravação é discutível, mas isso pouco interessa a muitos dos que consomem música via internet ou àqueles que compram discos em camelôs. A estes últimos o que interessa é economizar, e ter aquela sensaçãozinha particular de quem se considera um espertíssimo burlador do sistema.

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A marginalidade tripla

Certa vez me perguntaram por que eu não escrevia poemas. Respondi com a honestidade de costume: porque não sei escrevê-los. É fato. Já tentei produzi-los e a conclusão a que cheguei é tão óbvia quanto infeliz: sou um dos piores - senão o pior - poetas que já existiram. Sou pior que o acreano J. G. de Araújo Jorge, e quase tão ruim quanto algumas nulidades do roquezinho nacional que posam de poetas para adolescentes desinformados e pouco exigentes. Bem, esses, de fato, não contam. Mas não é sobre eles que quero falar, e sim sobre marginalidade.

Soube, ontem, que o cine Metrópolis, ligado à universidade federal local, vai exibir o documentário Só Dez Por Cento é Mentira, sobre o poeta matogrossense Manoel de Barros. Ao ler a notícia, constato que a marginalidade, no caso, é tripla. Explico. Manoel de Barros, independentemente do que você acha de sua poesia, é um marginal. Talvez ele até prefira essa condição, mas a verdade é que não goza das prerrogativas acadêmicas que os poetas de sua geração possuem. É caipira para muitos. Por outro lado, há, por parte da Intelligentsia, uma difusão de seu trabalho, como se fosse de bom tom intelectual apreciar seus livros. É uma atitude um tanto quanto inútil - ele e sua poesia continuam fincados no chão inacessível da badalação literária.

Li Livro Sobre Nada, e não achei excepcional, como alguns afirmam. Li Gramática Expositiva do Chão - e achei chato, embora reconheça o valor de seu trabalho. Um documentário sobre esse poeta poderia, ao menos, servir como divulgação ou, no mínimo, para que se saiba que sua poesia existe e tem qualidade. Mas documentários entram na esfera da marginalidade. São pouco vistos, exceto por um grupinho de interessados que, muitas vezes, orgulham-se de freqüentar eventos ditos “alternativos”. Aliás, muitos desses interessados usam a denominação “alternativos” como se ela fosse garantia de qualidade.

E a terceira marginalidade? Ser poeta, no Brasil, é quase sinônimo de anonimato. Tome-se como base o século XX. Esqueça os poucos poetas consagrados pelo tempo (Gregório, Castro Alves, Gonçalves Dias, Cruz e Sousa, Bilac), e concentre sua atenção nos últimos 70 anos. Que nomes podem ser alçados à categoria de ícones literários? Vamos lá: Drummond, Vinícius, Bandeira, Cecília, Jorge de Lima, Murilo Mendes, Mário, Oswald, João Cabral, Ferreira Gullar. Esqueci alguém? Mas quantos os lêem, de fato?

Editores afirmam que não vale a pena produzir livros de poemas. Professores choram pelos cantos: alunos, quando lêem, preferem prosa. Poetas - muitos deles, ao menos - desistem no meio do caminho: enfrentam dificuldades que fazem a fonte de inspiração secar. Quem quer editá-los, comprar seus livros e lê-los? Então retomo uma informação que deveria desprezar: Renato Russo, Cazuza, Nando Reis e alguns outros tornam-se, aos olhos pouco treinados, poetas, enquanto Manoel de Barros caminha para a escuridão. Aliás, Manoel quem?

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Eu, o cabotino (3)

Naquilo a que se propõe - divulgar uma literatura setorizada -, o site Tertúlia é dos melhores do Brasil. E nem me venham argumentar que essa afirmação é corporativa ou conseqüência da amizade. Seria reduzir demais a importância de um espaço em que o autor capixaba - e aquilo que ele produz - tem visibilidade e no qual se pode colocar a cara para bater. Sim, no fim das contas a arte é isso.

Em 1993, na extinta revista Você, publicação periódica da universidade federal local, foram publicados dois textos meus, na verdade dois ensaios pretensamente bem-humorados acerca de literatura. O primeiro deles, sobre a narrativa de Nelson Rodrigues, não foi publicado na web (não que eu saiba). O segundo está AQUI, e fala basicamente sobre dois livros: Aninhanha, de Pedro Nunes, e Hardcore Blues, de Orlando Lopes.

Em Tertúlia, a NOTA NECESSÁRIA, publicada nas primeiras páginas de meu novo romance, HISTÓRIAS CURTAS PARA MARIANA M. É uma prévia para quem se interessar.

Sim, cada vez mais cabotino.

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