Jane Birkin podia não ter uma voz poderosa mas era bonita de doer. O compositor Serge Gainsbourg - seu marido por doze anos - sabia disso. O diretor Jaques Doillon, outro sortudo cônjuge, também. Aliás, todos aqueles que se interessam por cinema sabem disso - e me incluo nessa lista de pasmos súditos. Jane apareceu na telona, pela primeira vez, numa ponta em Blow-Up, do recém-falecido Antonioni, fazendo papel de modelo loura. Nada que significasse muito.
O que significou muito foi sua relação com Serge Gainsboug, que começou sendo seu mentor e acabou em sua cama. Não há como culpá-lo. No ano de 1969, o mundo artístico conheceu a polêmica: Jane e Gainsbourg gravaram a canção Je t’aime…moi non plus, que se tornou um escândalo pelo seu conteúdo de sexo explícito, muitos gemidos e respiração arfante. Isso, naturalmente, projetou-a. Incrível como em tempos de Woodstock, Flower Power, Women’s Liberation, Maio de 68 e revoluções sexuais a cada semana, um orgasmo feminino causasse comoção.
Várias estações de rádio - por toda a Europa - criaram caso, banindo a música de sua programação, o que fez o tema tornar-se ainda mais famoso e encheu os bolsos de Gainsbourg de dinheiro. Mas não é só isso: contracenou com o mito Brigitte Bardot em Don Juan ou Si Don Juan était une femme… em que fazia o papel de amante da loura musa francesa. Quer mais?
Jane foi mais atriz que cantora - ainda bem, pois somente assim sua beleza podia ser vislumbrada com a dedicação e a calma necessárias, além de permitir que ela revelasse não somente sua indefectível antomia mas também seu talento. Concorreu ao César como melhor atriz por Je t’aime…moi non plus (filme de Gainsbourg), fez o papel da deliciosa Louise Bourget em Morte sobre o Nilo, além de gravar discos com títulos que sugeriam seu jeito de menina traquinas: Lolita Go Home e Baby Alone in Babylone - este último contendo várias faixas compostas por Gainsbourg, embora a faixa mais bem acabada seja a coleportiana What Is This Thing Called Love? Mas o que terá acontecido a Babe Jane?
Seu envolvimento com causas sociais levaram-na a militar na Anistia Internacional ajudando vítimas da aids e trabalhando com crianças refugiadas na Bósnia e em Ruanda, sendo condecorada com a Ordem do Império Britânico e com a Ordem Nacional do Mérito, francesa. Mas não desapareceu de cena, como fez sua amiga Brigitte: Jane participou, ano passado, da montagem de Elektra, de Sófocles, sob a direção de Phillipe Calvario, além de gravar participações em shows do grupo Franz Ferdinand e em companhia de Bryan Ferry.
De quebra, o clip polêmico de Je t’aime…moi no plus.









on Aug 3rd, 2007 at 8:07 pm
Olá professor,
como fez propaganda de seu blog em sala de aula e me mandou um e-mail com o endereço, aqui estou. A Carol ou a “namorada”, como preferir, do terceiro ano de vila velha, a “menina do Demian”. Talvez já deva saber quem é…paremos com as descrições por aqui então.
Conheço a música, acho-a no mínimo interessante. A atriz, conheço de Blow Up…bem, acho que esse conceito de musa está além de minhas avaliações, a beleza dela não me chamou muita atenção. Já a seção fotográfica sim…sem contar o belo final do filme…mas talvez isso já seja papo para outra conversa…
Beijos professor
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on Aug 3rd, 2007 at 8:15 pm
É, lua.
É um conceito subjetivo, esse de musa. É pessoal realmente.
Jane está sumida, mas fez parte de minha adolescência de forma definitiva.
Recuperei-a.
Pelo menos para mim.
Valeu o comentário, querida.
E, claro, sei quem vc é.
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on Aug 3rd, 2007 at 9:08 pm
Acho que não necessário dizer que “Je t’aime…moi non plus” é mais que uma canção cheia de impropérios. Há uma ambigüidade no próprio título: no francês, o “non” por vezes pode fazer a negativa tanto com a primeira como com a segunda oração. Ou seja, não se sabe quem já não mais ama quem. Além do mais, Birkin é também “mais que uma mulher”, destruindo os valores impostos pela hipócrita França pré-68.
Para mim, ela também quebra o conceito “atrás de um grande homem, está uma grande mulher” sendo ela a Grande Mulher, com um grande homem por trás: Serge Gainsbourg, o qual só não conquistou definitivamente o mundo por duas razões: não possuir as voluptosas curvas femininas e não conhecer inglês. Mas, em inglês cantaria uma das bandas da atualidade a intertextualizar suas letras no mais puro Rock Alternativo: Franz Ferdinand (explícito em “Take me Out”, primeiro single da banda); Mas, enfim, acho que já falei demais (¬¬)
Grijó, esse post ainda vai render muitos. Mas, só mais uma coisa: dizem que a música “La Javanaise” de Gainsbourg foi escrita justamente para Birkin, mesmo após toda a crise do casal.
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on Aug 3rd, 2007 at 10:55 pm
Olá Grijó..
Conforme havia prometido estou passando por aqui!
Extremamente interessante a maneira que está adotando para abordar parte de sua paixão!
Meus parabéns pela iniciativa, e com certeza retornarei inúmeras vezes!! Conforme já disse, achei sensacional!
Além do mais, é uma maneira mais “simples” de ter acesso à curiosidades e culturas do ramo, o qual me interessa muito!
Adorei…
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on Aug 4th, 2007 at 10:44 pm
Ei Grijó…
cara, olha só que engraçado…eu costumava ouvir essa música quando eu era pequena…lógico que eu nem me tocava do que a música falava…
e pra falar a verdade, eu também nao sabia que quem fazia esses suspiros era de Jane Birkin…conheço ela por causa dos meus pais…
e em relação a beleza, acho que isso é coisa pessoal…sua…e do meu pai…hahaha…
Inclusive, acho que a Brigitte B. muito mais bonita que ela…e mesmo depois de ter envelhecido, não perdeu a aquela mesma graciosidade de antigamente!
E outra coisa…acho q a sexualidade sempre foi explorada como um meio de ganhar dinheiro. E acho que sempre vai ser…até que o tabú “sexo” seja quebrado…
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on Aug 11th, 2007 at 12:06 am
“As feias que me perdoem, mas beleza é fundamental!”
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