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Olé, Coltrane!

Ol%C3%A9

O Jazzseen é, disparado, o melhor blog jazzístico da Nova Era. Opinião pessoal, naturalmente. Freqüento-o com a disposição de um infante que quer aprender - e o que é melhor: aprendo. Vou discordando aqui e ali, mas, grosso modo, assisto às aulas com a dedicação necessária dos diletantes. Após o justo elogio, vou ao que interessa.

A última enquete proposta pelo referido blog envolve um dos componentes da Santíssima Tríade do jazz: John Coltrane, cujos discos - ao menos em sua maioria - são marcas absolutas da música como um todo. Obras como Giant Steps, My Favorite Things, Blue Train e A Love Supreme são masterpieces que honrariam Deus - se Ele existisse e se as tivesse composto.

Questionei meu amigo John Lester - ponta-de-lança do Jazzseen, junto com o músico Salsa - sobre ausência de um disco, Olé Coltrane (Atlantic 1373-2), exemplar que considero, entre tantos do próprio saxofonista, um dos melhores. Deixei de lado qualquer questionamento acerca das sessões no Village Vanguard, os discos ao vivo em Seattle, no Japão ou na Birdland, o The Believer, o Black Pearls e o Coltrane’s Sound. Fica difícil escolher - sei disso. Mas por que Olé?

Bem, primeiro por conta da faixa-título, que é, a meu ver, a expressão máxima de alguém que quer conhecer o próprio limite, e fica sem saber se o conheceu. É uma faixa de dezoito minutos em que o soprano Coltrane parece contar uma história espanhola - daquelas aparentemente lineares, com início, meio e fim. Inicia o tema, pede ajuda ao co-narrador (seu esplêndido pianista McCoy Tyner) e, ao final, surpreende a todos com um longo parágrafo de muitas páginas cuja leitura exige, de qualquer um, atenção multiplicada, para, depois de terminada a tarefa de lê-la, recomeçar tudo. E, durante: Eric Dolphy na flauta, Reggie Workman e Art Davis nos contrabaixos - usando os arcos - e Elvin Jones na cozinha, criando iguarias. Sem contar, logo o início da execução, o solo reto como uma linha perfeita de Freddie Hubbard - que, dizem, só tocava realmente bem ao lado de Coltrane. Papo.

A gravação é de 1961, quando as coisas ainda iam bem para Coltrane, mas ele já conhecia seu destino: sabia que o inevitável batia à porta, seu limite estava próximo. É só ouvir os últimos dois minutos da faixa, que você entenderá o que digo.

Ol%C3%A9 Foto

É um disco especial para mim: foi o primeiro comprado em terras estrangeiras, na Tower nova-iorquina, em meados dos anos 90. As outras faixas - Dahomey Dance, Aisha e a bônus To Her Ladyship - merecem resenhas particulares, como se fossem histórias independentes nas quais os personagens se repetem, mas que expressam, sempre, algo que inevitavelmente desconhecerei.

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5 Comments on “Olé, Coltrane!”

  1. #1 John Lester
    on Aug 28th, 2007 at 6:51 pm

    Bem, para mim, o canto do cisne se deu em Ascension. Mas concordo que Olé! é um excelente álbum. Merecia estar entre os 11 mais.

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  2. #2 F. Grijó
    on Aug 29th, 2007 at 1:06 am

    Não seja tão rígido, JL.

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  3. #3 Jazz & Bossa
    on Aug 29th, 2007 at 2:25 am

    Salsa tem razão, o seu blog é um lugar bom de visitar. Há pouco eu visitei o jazzseen e votei em My favorite things. A fase cogumelo indiano eu dispenso.
    Estou retomando o trabalho no meu blog. Aguardo uma visita e sugestões.

    [Reply]

  4. #4 Jazz & Bossa
    on Aug 29th, 2007 at 2:25 am

    Salsa tem razão, o seu blog é um lugar bom de visitar. Há pouco eu visitei o jazzseen e votei em My favorite things. A fase cogumelo indiano eu dispenso.
    Estou retomando o trabalho no meu blog. Aguardo uma visita e sugestões.

    [Reply]

  5. #5 Oswaldo
    on Dec 4th, 2007 at 5:00 pm

    discão.
    Mas prefiro giant Steps e aquele com Milt Jackson.
    ponto.

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