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A Melhor Música

Aí vai Carpeaux, Otto Maria, ipsis litteris:

“Bach escreve música perfeitamente absoluta, que tem seu sentido em si própria. O cume dessa música absoluta são os seis Concerti grossi que Bach dedicou ao Marcgrave de Brandenburgo: os Concertos de Brandenburgo (1721). É música brilhantemente festiva, às vezes de nobreza aristocrática, outras vezes de alegria folclórica, com efusões profundamente líricas no meio. As possibilidades do gênero, o contraste entre vários solistas e os tutti da orquestra de cordas, são esgotadas até as últimas sutilezas. O tecido polifônico da escritura é de densidade extraordinária. Ninguém conseguiria descobrir idéias poéticas ou movimentos psicológicos nessa música absoluta. (…) Quanto à substância musical dessas obras, falham as palavras: é a música mais perfeita que jamais se escreveu.” (Uma Nova História da Música, pp. 86-87)

Branden1

Não há mesmo nada que se compare, nem antes nem depois, na música erudita (ou clássica) - nem Beethoven ou Mozart ou Wagner, só para citar os três gigantes. Além dessa gravação com Harnoncourt, destaco mais quatro: com Sir Neville Marriner e a Academy of St. Martin in the Fields; com Bodhan Warchal e a Slovak Philarmonic Chamber Orchestra; com Trevor Pinnock regendo o English Concert e, finalmente, com Mogens Wöldike, à frente da Orchestra of The Copenhagen Chapel Royal. São as que possuo, e as ouço sempre que possível, com a mesma devoção de um crente diante da Bíblia: é a fé que não se abala. Segundo a maioria dos brasileiros, música erudita é esnobismo - daí se satisfazerem, em sua mediocridade travestida de falsa humildade, com micaretas, pagodes, sertanices e roquezinhos país afora. Ou, para os menos nacionalistas, com o arremedo de funk. Lamentável.

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17 Comments on “A Melhor Música”

  1. #1 talibmoussallem
    on Nov 15th, 2007 at 1:54 pm

    Concordo em gênero, número e grau com você, Grijó. Nada, nem antes, nem depois de Bach, se compara ao mesmo.
    Na minha opinião, a música perfeita de Bach (sem querer puxar a sardinha para o meu lado do piano) chama-se “O Cravo Bem Temperado” (Hans von Bullow o classificou como O Velho Testamento do piano - e , com justiça, as Sonatas para piano de Beethoven, como o Novo). Os Prelúdios e Fugas são simplesmente perfeitos. Os contrapontos, impecáveis.
    Apesar de praticar muito mais Chopin, Rachmaninov e Villa-Lobos, endosso as suas palavras quanto à perfeição da música bachiana. Talvez não pratique mais Bach por medo da dificuldade (não sou pianista profissional) ou por respeito (mãos não-profissionais talvez sejam indignas).
    OBS: já ouviu Glenn Gould e Sviatoslav Richter tocando obras do mestre???

    [Reply]

  2. #2 John Lester
    on Nov 15th, 2007 at 3:06 pm

    Coisas curiosas: passei a madrugada ouvindo Bach e, quando entro no ipsis! Só gostaria de recomendar mais uma gravação, entre as excelentes já recomendadas por Mr. Grijó. É uma da década de 1970, com o fabuloso flautista Frans Brüggen. Originalmente lançada em long play pelo selo Sion, está disponível em cd da Sony (SB2K 62946). E não apenas por ser excelente, mas por determinar o início da utilização de instrumentos de época nas interpretações barrocas, prática hoje bastante usual.

    Grande abraço, JL.

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  3. #3 F. Grijó
    on Nov 15th, 2007 at 7:50 pm

    Valeu a dica, JL.

    Tálib, conheço algumas coisas com Gould, principalmente as Variações Goldberg, que são fabulosas.
    Richter é imbatível.
    Tenho uma gravação dele do concerto nº 1 de Prokofiev que é uma coisa, cara! Sem contar as sonatas de Haydn.
    O Cravo Bem Temperado é de uma beleza excepcional. Deus deve ouvi-lo, no Ipod.

    [Reply]

  4. #4 Antonoly
    on Nov 15th, 2007 at 8:16 pm

    Eu gosto muito do Mozart e do Beethoven, esses gravaram os seus nomes no mundo da música clássica, para sempre.

    http://www.ooohay.wordpress.com

    [Reply]

  5. #5 Johnny M.
    on Nov 15th, 2007 at 8:18 pm

    Eu gosto de música clássica, ou erudita, embora não conheça muito. Valeu por compartilhar conosco o teu conhecimento.

    [Reply]

  6. #6 John Lester
    on Nov 15th, 2007 at 8:35 pm

    Só para retificar: o nome do selo é Seon.

    E não podemos esquecer, nesse contexto, das gravações clássicas de Keith Jarrett. Tenho, dele, gravando Bach, o cravo bem temperado e as variações goldberg. Acho muito boas, embora o cravo, por vezes, belisque meus nervos. Prefiro o piano de Gould.

    [Reply]

  7. #7 F. Grijó
    on Nov 15th, 2007 at 9:14 pm

    Acho que o Jarrett, Lester, deveria limitar-se ao jazz.
    Já ouvi essas gravações das quais vc falou. Não me convenceram. Muitas vezes o talento não é suficiente para que a máquina funcione - é preciso algo mais. Alma, eu diria.

    [Reply]

  8. #8 Carolina
    on Nov 16th, 2007 at 3:23 pm

    eii..
    tá muito legal o blog..
    nossa….
    Brigada pela dica, adoro clássicos!!
    bjosss

    [Reply]

  9. #9 Arthurius Maximus
    on Nov 16th, 2007 at 4:14 pm

    Concordo que Bach é muito bom. Porém, pessoalmente, sou fã de carteirinha de Beethoven. Acho a música dele mais forte e vigorosa. Além de me sentir tocado com a luta pessoal verdadeiramente dantesca que ele travou com sua doença destruidora.

    [Reply]

  10. #10 Marlon
    on Nov 18th, 2007 at 2:17 am
  11. #11 melissa
    on Nov 19th, 2007 at 8:20 pm

    Vc coloca Wagner no mesmo patamar de Beethoven?
    Never.

    [Reply]

    grijo Reply:

    Não, claro que não.
    Mas é dos grandes, sim.

    [Reply]

  12. #12 Juarez
    on Nov 29th, 2007 at 4:16 pm

    Senhor, ouça a gravação do Koopman. Já ouvi praticamente todas que você citou e, para meu gosto, é a versão absoluta desses concertos. Não concordo com o Carpeaux quanto a serem os Concertos Brandeburgueses o auge da produção de Bach. Se há um ápice que possa ser apontado esse é definitivamente A Paixão Segundo São Mateus; apontada por muitos como a maior obra musical que o gênio humano já concebeu. Fundamentar que seja assim, não dá. Faltam as palavras.

    [Reply]

  13. #13 F. Grijó
    on Nov 29th, 2007 at 4:37 pm

    Juarez, o Carpeaux não diz que os concertos de Brandemburgo são o ápice da música de Bach. Ele diz que é a melhor música já feita. Conheço (embora não possua em disco) a gravação com o Ton Koopman - que, aliás, é considerada pelo Fürtwangler a melhor que há. Parece que ele concorda com vc. Eu ainda fico com a do Hernoncourt. A Paixão de Mateus é uma obra máxima, um dos pontos altos da música, sem dúvidas. A gravação que prefiro é a - também - com Harnoncourt, com a Concertgebouw. Sem contar que a presença de Arleen Auger abrilhanta qualquer peça.

    Mas ouvirei o Ton mais uma vez.

    [Reply]

  14. #14 Juarez Jandre Azevedo
    on Nov 29th, 2007 at 7:24 pm

    Grijó, essas questões de interpretação são complicadas, mas considerei ter ele dito isso a partir do seguinte período:
    “O cume dessa música absoluta são os seis Concerti grossi que Bach dedicou ao Marcgrave de Brandenburgo”. Primeiro ele se refere à música de Bach como música absoluta (no período imediatamente anterior a esse) e depois fala a respeito de um cume dessa música absoluta: os Concertos de Brandenburgo.
    Eu definitivamente não sou fã do Harnoncourt, apesar de reconhecer a importância colossal dele como um precursor, graças ao que hoje posso ouvir um Pinnock ou um Koopman. Minha gravação favorita da Paixão Segundo São Mateus é DEFINITIVAMENTE a do Herreweghe. Sou fã do Andreas Scholl e prefiro ele a qualquer um desses contraltos que existem por aí. De qualquer forma, se vc não tiver ouvido esta, fica a recomendação. Note que o maestro que citei possui duas gravações: uma da década de 80 e outra da década de 90. É imperioso ouvir a última. A primeira fica a título de curiosidade.
    O Koopman tem uma excelente gravação em DVD da obra, relativamente recente.
    Por fim, me perdoe se falo de coisas que vc já conhece. Às vezes acho conversas sobre qual a melhor gravação tão tolas quanto conversas sobre quem foi o maior escritor da história da literatura e afins.

    Nunca assisti uma aula sua, mas espero um dia ter essa oportunidade.

    Um abraço,
    Juarez.

    [Reply]

  15. #15 F. Grijó
    on Nov 29th, 2007 at 8:19 pm

    Caro Juarez, com o Herreweghe eu só conheço o Réquiem, de Mozart, e a Nona, de Beethoven - da qual, aliás, não gosto muito. Não conheço A Paixão com ele, mas vou tentar ouvir.
    Ao contrário de vc, acho que essas conversas trazem informações mais honestas do que resenhas que se encontram aos montes por aí. Confio mais nos comentários de ouvintes que, como eu, têm impressões sobre a obra. Não acredito em especialistas, mesmo citando o Carpeaux, que sempre foi uma referência para mim, na música e na literatura. Considero-o honesto e aí está o ponto. Considero honesto também o que vc diz, e isso vale.
    O Scholl é excepcional. As cantatas de Bach com ele são memoráveis. Coincidentemente, ontem, enviei a minha filha Ombra Mai Fu.

    Abraço e apareça sempre.

    [Reply]

  16. #16 Phillipe
    on Nov 11th, 2009 at 8:43 pm

    E é mesmo…mas com Harnoncourt tudo é melhor…

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