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Alice para adultos

Alice

Sempre que leio (releio) Alice no País das Maravilhas, de Carroll, tenho a impressão do inalcançável, a impressão de que falta algo – ou muito. Geralmente releio – seja trecho, seja por inteiro – em alternados janeiros, desde 1984, quando comprei o exemplar da Summus Editorial, traduzido e organizado por Sebastião Uchoa Leite. Capa verde, com nota introdutória, cartas escolhidas, fotografias (sempre de meninas entre oito e doze anos, incluindo aí Alice Liddell, a quem se atribui a inspiração textual) e, o que é melhor, Alice através do Espelho, outra obra-prima desse craque do nonsense, matemático, diácono alglicano, fotógrafo, poeta. Alice tornou-se conhecida dos brasileiros por meio da produção cinematográfica de 1951, de Disney, e por uma ou outra adaptação esporádica em texto.

Aliás, adianto: adaptações textuais, por mais que se tente manter fidelidade à essência original, sempre se suprime muito do que realmente importa. É uma reescritura, quase sempre mal-sucedida, de um texto imortal. E tudo em nome da garotada. Explico. Afirmam educadores que a meninada entre 10 e 15 anos não gosta de ler os clássicos: são entediantes, suas linguagens são inacessíveis, suas tramas são temporalizadas demais, as edições têm páginas em excesso, blá, blá, blá. Há controvérsias quanto a isso, mas vou abordar esse assunto em outra postagem. Voltando a LC (que, lido em inglês, gera o nome Alice): a edição da qual falo é leitura para adultos.

LewisCarroll

Por ser matemático – acredito eu -, Lewis Carroll apreciava jogos, fossem eles verbais, fossem eles numéricos. Usou e abusou disso não somente em Alice (nos dois livros), mas em Caça ao Turpente e Silvia e Bruno, sem contar Matemática Demente, uma compilação de textos lógicos organizados de forma lúdica, tendo como carro-chefe o famoso O que a Tartaruga disse a Euclides.

Ler Alice é entrar num mundo de paródias, de referências históricas, musicais, literárias, geográficas, científicas (há quem diga que os crescimentos e diminuições da personagem são referências cosmológicas do universo em expansão). A linguagem é outro patrimônio valioso, os jogos sonoros, as palavras-valise (duas palavras formando uma terceira), os anagramas.

Críticos, psicanalistas, historiadores e sociólogos debruçaram-se sobre as páginas de Carroll e de lá muito extraíram, porque assim é a obra de arte em sua amplitude: quanto mais se consome, mais é dado a consumir. O mesmo acontece comigo, mesmo que de forma diletante.

Reler as duas Alices é descobrir que há algo a ser descoberto, numa próxima leitura, mas, no meu caso, repito, é ter a certeza de que o inalcançável está diante de mim. Mas vou em frente porque ainda é janeiro.

59 Comentários on “Alice para adultos”

  1. #1 ROBERTA
    on Jan 25th, 2008 at 5:08 pm

    ”é ter a certeza de que o inalcançável está diante de mim. Mas vou em frente porque ainda é janeiro”
    Cara! de onde tu tirou inspiração pra isso? muito bom.

    !!!

    bju

    Reply

  2. #2 Rafael
    on Jan 25th, 2008 at 5:12 pm

    Porque assim é a obra de arte em sua amplitude: quanto mais se consome, mais é dado a consumir.

    PS: sem hipocrisia, esse blog me faz bem.

    Reply

  3. #3 Marcel Ayres
    on Jan 25th, 2008 at 5:33 pm

    em relação ao posto abaixo, sobre Chema Madoz… vi a exposição dele aqui em Salvador ano passado.

    Gostei da perspectiva pouco convencional a qual ele trabalha, usando objetos do cotidiano …

    Reply

  4. #4 melissa
    on Jan 25th, 2008 at 5:35 pm

    Sempre ouvi que Alice no país das maravilhas era um texto para crianças. Sem dúvida que o desenho é o grande culpado disso, mas nem imaginava que houvesse tanto a descobrir se lermos com olhos adultos.
    Dizem que ele era pedófilo, é verdade?
    Não sei dizer se é um grande escritor, como vc afirma porque não li nada dele, nem os livros de Alice. Esse Caça ao Turpente é um poema, não é? (li na net…rsrsrsr)
    Poste sobre isso Grijó.

    bjussssss

    Reply

  5. #5 Anonymous
    on Jan 25th, 2008 at 5:43 pm

    Lewis Carrol é talvez o melhor autor da Inglaterra vitoriana. Um mago do deboche, da ironia e veja só! Era padre.
    Pedófilo tb?

    Grande post!

    Hélio

    Reply

  6. #6 Fer-Nando Cabral
    on Jan 25th, 2008 at 5:55 pm

    Lewis Carroll é, realmente, genial. Alice foi uma das melhores leituras da minha vida… Tanto o país das maravilhas quanto através do espelho!

    Incríveis, mesmo.

    E você, escreve bem, rapaz…

    Reply

  7. #7 Lalo Oliveira
    on Jan 25th, 2008 at 5:58 pm

    Cara, deve ser supimpa! Detesto coisas infantis: livros, filmes, músicas… seja lá o que for, mas esta versão de APM, pelo que vc falou, deve ser extraordinária.
    Me empresta? rsrsrs

    Abraço.

    Reply

  8. #8 F. Grijó
    on Jan 25th, 2008 at 6:13 pm

    Melissa e Hélio,
    essa história de LC ser pedófilo é um tanto quanto controversa. Sabe-se que ele dizia “Adoro crianças, exceto meninos!”, mas não sei se chegou a consumar o ato (e o fato) com alguma criança. Fofografava meninas com a aquiescência das mães, gostava de contar histórias para elas (para as meninas), freqüentava-lhes as casas, era amigo da família.
    Se houve algum fato pedófílico (adjetivo que não existe), eu ignoro.
    Mas um tanto pervertido, claro, isso ele era, afinal era padre.

    Reply

  9. #9 Jeff...
    on Jan 25th, 2008 at 6:18 pm

    Eu acho que adaptações dão o que quem adapta sentiu ou entendeu lendo ou vendo algo (que em boa parte das vezes, não é o que o autor queria passar).
    Mas ver algumas coisas mais de uma vez sempre nos dão uma nova visão das coisas. Ja li O Homem Que Matou Getúlio Vargas do Jô Soares três vezes e ainda acho coisas novas quando abro ele.

    Abraço

    Reply

  10. #10 Leandro Bastos
    on Jan 25th, 2008 at 6:24 pm

    alice é ótimo e marcou muito minha infância. Preciso ler mais obras de Lewis Carrol. Agora que passei aqui me senti mais motivado. ^^

    Reply

  11. #11 Johnny M.
    on Jan 25th, 2008 at 7:22 pm

    Alice é, sem sombra de dúvida, um livro muito complexo e saboroso de se ler. Eu o releio sempre. Faço o mesmo com outros livros, como O Apanhador no Campo de Centeio, que releio sistematicamente todo fim de ano.
    Você conhece a Graphic Novel “Lost Girls”, do Alan Moore?

    Reply

  12. #12 Marcel Ayres
    on Jan 25th, 2008 at 5:31 pm

    Gostei do blog, já adicionei entre os favoritos.não pude deixar de notar o poster ao lado “Poucas e Boas” de woody Allen… ótimo filme.

    Reply

  13. #13 Fábio Buchecha
    on Jan 25th, 2008 at 6:15 pm

    Tenho alguns amigos americanos e elez dizem que lá nos E.E.U.U. o verdadeiro motivo de as crianças não lerem são os pais. Eles não estimulam as crianças a lê-los por causa do conteúdo, digamos, psicodélico da trama (a cigarra fumando nárguile é mais que uma alusão, é quase uma apologia às drogas…). É claro que é um puritanismo bobo, mas não deixa de ser um filtro.Aqui no Brasil o problema da não-leitura é outro, mas eu nem quero discorrer sobre isso. Tomaria muito tempo e muito espaço na sua folha de comentários.=]Mais um excelente post Grijó!

    Reply

  14. #14 F. Grijó
    on Jan 25th, 2008 at 10:17 pm

    Conheço, Johnny.
    A sensualidade pseudo-infantil. Uma beleza.

    Leio, sempre que possível, o Catcher também. É um livro soberbo e necessário. Holden Caufield é um de meus heróis prediletos. E toda a família Glass tb.

    Reply

  15. #15 Flá Romani
    on Jan 25th, 2008 at 10:32 pm

    Eu amo ler. Seu post tem umas dicas maravilhosas!!!!!

    bom fds

    ^^

    Reply

  16. #16 Tiago C. Von Randow
    on Jan 25th, 2008 at 10:46 pm

    Li Alice pela primeira vez ano passado, um livro excelente, de fato. Por esses dias caiu em minhas mãos uma edição da Jorge Zahar Editora cheia de notas e com as ótimas ilustrações de John Tenniel (conhece?). Ainda não li, mas recomendo uma olhada nas ilustrações que estão disponíveis no projeto gutemberg :

    http://www.gutenberg.org/etext/114
    http://www.gutenberg.org/etext/19778

    Parabéns pelo blog, Grijó, está excelente.

    Abraço.

    Reply

  17. #17 Iaiá
    on Jan 25th, 2008 at 10:48 pm

    Po…Esse livro parece muito interessante. Vou procurar, pra ler. Adoro lógica, palavras e paródias.

    :)

    Muito bom texto.

    Beijos

    Reply

  18. #18 CUIDADO
    on Jan 25th, 2008 at 11:02 pm

    “…é ter a certeza de que o inalcançável está diante de mim. Mas vou em frente porque ainda é janeiro.”

    vou tomar sua frase como um lema pra não ficar down,ou pelo menos melhorar um pouco meu estado atual x)

    belas palavras =)
    Beijos

    Reply

  19. #19 Dam Mikháilovicht
    on Jan 25th, 2008 at 11:22 pm

    Assim como Alice, há livros que dizem ser infantis por dois motivos: 1) apresentam crianças como personagens principais e o seu universo como suporte para trama e 2)trazem na capa a indicação para o público infantil.

    O mesmo acontece com o “A Maior Flor do Mundo” do português José Saramago.

    Reply

  20. #20 ♠♠คjคiяσи♠♠
    on Jan 26th, 2008 at 2:11 am

    na verdade n eh intencional!
    muitas vezes uso o vermelho como forma de estetica mesmo, n tenho como finalida induzir o leitor a uma leitura diferenciada.

    mesmo assim, obrigado pelas dicas ,teu blog eh muito bom.

    ah… uma coisa, qdo vc comenta no meu blog q tento retornar pelo link, o mesmo n funciona, leva pra uma pag de erro.

    se era essa a intenção…

    abração cara!

    Reply

  21. #21 Samilla Fonseca
    on Jan 26th, 2008 at 2:11 am

    Já li Alice no país das maravilhas, mas infelizmente não consegui enxergar na alice aumentando e diminuindo a expansão do universo. Malz aê. =D

    Reply

  22. #22 Johnny M.
    on Jan 26th, 2008 at 2:11 am

    O cinismo e a sexualidade reprimida da era vitoriana foram ótimos inspiradores para a sensualide pseudo-infantil de Caroll, que depois viria a inspirar, creio eu, Nabokov com sua Dolorez Haze.

    Reply

  23. #23 John Lester
    on Jan 26th, 2008 at 2:19 am

    Como diria Vinicius: amanhã é domingo, porque hoje é sábado.

    E depois me diz: que diabo de gravata é aquela do LC?

    Grande abraço, JL.

    Reply

  24. #24 bem vindos a mim
    on Jan 26th, 2008 at 2:21 am

    Já tinha tido a oportunidade de ver seu blog e ele é muito bom, interessante, bem feito, bem trabalhado.

    Reply

  25. #25 Regina Malfatti, Paula Soares
    on Jan 26th, 2008 at 2:25 am

    Alice sem duvida é uma obra genuína.
    Quem lê se apaixona,quem lê interpreta re lê e comenta
    Não e apenas um conto infantil,e uma essência para adultas crianças jovens
    Para todos.
    Tão brilhante que de muitos e o livro de cabeceira e debates.

    Beijos e abrç.

    Reply

  26. #26 Kuяoмι Mαrкgrαf
    on Jan 26th, 2008 at 2:52 am

    Sem noção!
    Quero escrever tão bem quanto o senhor um dia!

    De fato, sempre parece que há mais alguma coisa a ser vista, alguma coisa a ser concluida!
    Para conhecer uma obra ao todo, só sendo o autor mesmo. E se não pois o autor, deve explorar todas as arestas para saber quase tudo.
    Afinal, os humanos não têem ainda a habilidade de ler mentes, ver TUDO o que há nas entrelinhas, tão pouco ultrapassar o limite da imaginação indo direto à realidade imaginária.

    Quem sabe um dia talvez?

    Kuromi Markgraf

    Reply

  27. #27 FaT LoUiE
    on Jan 26th, 2008 at 2:59 am

    wow, finalmente a parte de comentário abriu ^^
    carambolas, perdoe minha ignorância, não sabia que o autor de Alice era matemático U.u
    Já pensei em pegar esse livro, mas passou o 3º ano e a única coisa que peguei para ler foi Clarice Lispector mesmo =DDD
    Estou satisfeita, mas depois de toda essa sua narração, quando minha fome literária retornar, pegarei Alice no País das Maravilhas.

    Reply

  28. #28 Emilene
    on Jan 26th, 2008 at 3:02 am

    Eu tinha feito ouro comentario +deu 1erro aqui e eu nao sei se foi salvo.. enfim vou ver se lembro oque tinha dito…

    Eu nunca li o livro, nem mesmo vi o filme.. na verdade nunca tive paciencia de vez o film pq achava chato, o mesmo aconteceu com o magico de oz que coecei a assistir +nao terminei..
    E eu concordo com voce na questão de que quando fazem 1adptçao de 1livro ocorrem diversas mudanças e as vezes muda tudo.. e eu acho que isso nao deveria ser assim.

    Reply

  29. #29 felipe.faleiro
    on Jan 26th, 2008 at 3:24 am

    Já vi o filme, mas com este post, me senti totalmente interessado em conhecer a versão em livro deste grande clássico de todas as eras. Afinal, é uma história emocionante e que remonte aos velhos contos de fadas, que Carroll resgata de uma forma excelente.

    Parabéns pelo blog, um abraço.

    Reply

  30. #30 Rafael
    on Jan 26th, 2008 at 4:03 am

    Vc é historiador ou matemático?
    Tira essa duvida.
    Grato \o/

    Reply

  31. #31 Guerras Secretas
    on Jan 26th, 2008 at 8:08 am

    Já tive a oportunidade de ler Alice no País das Maravilhas, acabei achando o livro fraco e desconexo de uma forma não-poética se é que me entende. Mas acaba de me ocorrer que de fato edições diferentes devam contar a mesma história de formas diferentes, então vou procurar essas edição que você recomendou e ler novamente com dedos cruzados^^

    Reply

  32. #32 oficioliterario
    on Jan 26th, 2008 at 9:19 am

    Conheço Alice dos meus tempos de Disney, e nunca tive a oportunidade de ler o original. Mas não é a primeira vez que ouço que é um livro maravilhoso, para loucos de todos os gêneros. ^_^

    É uma daquelas coisas que a gente diz que vai fazer e nunca faz… Quem sabe um dia eu ponho em dia minha leitura de clássicos? Alice estará entre os primeiros títulos…

    Reply

  33. #33 Tom
    on Jan 26th, 2008 at 9:38 am

    Alice no País dAS Maravilhas realmente é um grande clássico, muito bem elaborado e criativo.

    Reply

  34. #34 Rafael
    on Jan 26th, 2008 at 10:52 am

    o post: Madoz aos 50 foi um dos que mais gostei desde de qnd visito esse blog.

    Reply

  35. #35 Oswaldo
    on Jan 26th, 2008 at 10:58 am

    Já li The Hunting of the Snark e achei de um psicodelismo alucinante (redundância).
    Ironicamente, nunca li nenhum dos dois livros em que aparece a personagem Alice, mas essa edição eu já tive em mãos.
    E sei lá por quê, não comprei.
    Mas agora corro atrás.

    Reply

  36. #36 oficioliterario
    on Jan 26th, 2008 at 10:59 am

    Obrigado pelo comentário. Assim que puder vou checar suas sugestões.

    Gostaria de convidar você a discordar de mim sempre que achar necessário. Sou jovem e meus conhecimentos são limitados ao que posso assimilar e ao que está ao meu alcance.

    ^_^

    Acredito que visões opostas se complementam e que podem criar novas visões.

    Um abraço.

    Reply

  37. #37 Geovana
    on Jan 26th, 2008 at 11:01 am

    Cada vez que entro aqui fico mais tonta…rsrsrs…vc posta muito rápido. Quanta criatividade!!!
    Lewis Carroll para mim era apenas um autor infantil. Nem sabia que os livros Alice no país das maravilhas e o outro tinham versões para adultos.
    Ou foi escrito para adultos e houve corrupção?

    é sempre um prazer passar por aqui e levar um banho de cultura…rsrsrss…

    bjoks

    Reply

  38. #38 CapinaremosRH@gmail.com (Zanfa)
    on Jan 26th, 2008 at 1:04 pm

    Adoro essas análises aprofundadas de contos de fadas, nunca são o que realmetente são.

    Acho que eu devo ler esse livro, e não só ver o filme da Disney. =p

    Reply

  39. #39 Mayara Nogueira
    on Jan 26th, 2008 at 1:30 pm

    Li e reli Alice no País das maravilhas neste janeiro também – com ilustrações de John Tenniel. Leitura e ilustrações de raça. Mas algo me encuca – a Charada do Chapeleiro: “Porque um corvo é parecido com uma escrivaninha?”, conseguiu decifrar?

    Reply

  40. #40 Mazinho
    on Jan 26th, 2008 at 11:37 am

    Lewis alewm de tudo era padre….Muito bom seus livros e esse é um super clássico.Relamente li so o começo de um rrsrs e nem sei dizer qual foi…mais e muito bom…parabens otimo texto

    Reply

  41. #41 Maryah
    on Jan 26th, 2008 at 2:21 pm

    Já estive por aqui! Li o livro mas não tinha notado esse ângulo.
    Cara!!! Tu és escritor!!! E fera!!
    Te linkei!…Bah!

    Reply

  42. #42 :: Ana Paula Barros ::
    on Jan 26th, 2008 at 4:58 pm

    apesar de nem sempre comentar, sempre estou a visitar…

    ainda nao li, mas confesso que fiquei mais curiosa agora…

    valeu a dica!

    Reply

  43. #43 F. Grijó
    on Jan 26th, 2008 at 7:07 pm

    Pô, Zanfa!
    Conto de fadas? Ainda bem que o fantasma de Lewis Carroll não ouviu essa blasfêmia.
    Sacanagem com o velho diácono-fotógrafo.

    Mayara, esse enigma Carroll levou para o túmulo. Não se esqueça de que o chapeleiro é doidão, como dizia a célebre frase da época, “mad as a hatter”, referência direta ao haleto metilato de mercúrio, que atacava os operários que fabricavam chapéus de feltro. É um sal altamente tóxico, se ingerido diariamente.
    Ficavam meio amalucados, tinham alucinações, etc.
    Não exija lógica de um detraquê.

    Reply

  44. #44 Brunella
    on Jan 26th, 2008 at 7:13 pm

    Enquanto existirem versões a molecada não vai ler os clássicos e a cultura e os cérebros continuarão atrofiados.

    E, por coincidência, hoje lia sobre LC e suas fotos, numa dissertação de mestrado que encontrei sem querer na internet, dizia que suas fotos na época não foram vistas como pedófilas porque seguiam as convenções dos motivos artísticos da época Vitoriana, nas quais o corpo de uma criança nua representava a pureza angelical. Posteriormente, as fotografias tornaram-se perversas aos olhos de alguns, afinal, o olhar erótico é culturalmente aprendido, assim como a malícia. (para o pessoal que comentou sobre isso)

    Um abraço!

    Reply

  45. #45 Everaldo Ygor
    on Jan 26th, 2008 at 7:16 pm

    Olá
    Eu diria uma “viagem”… Desde os cogumelos que ela guarda, até as “outras” dimensões por onde passa… Pelas – Portas de Percepção parodiando o velho Aldous Huxley…
    Alice, uma viagem cheia de mensagens ocultas e lisergicas…
    Abraços
    Everaldo Ygor
    http://outrasandancas.blogspot.com/

    Reply

  46. #46 Plynio Lp
    on Jan 26th, 2008 at 7:21 pm

    entao…
    ainda nao li nem um deles, mas agora fikei curioso, ,es,onao gostando muito de ler…
    acho q o unico livro q li e egostei de verdade foi “os tre4s mosqueteiros”, por alexandre dumas, muito massa…

    valew

    Reply

  47. #47 Caroline
    on Jan 26th, 2008 at 7:33 pm

    O mais engraçado é que eu conheço a historia por ter ouvido falar, por ter visto filmes e desenhos, mas… ler Carroll mesmo, não cheguei a fazer e sinto que me privo de uma leitura ímpar.

    Mas pretendo fazer!

    Reply

  48. #48 Rodolpho Costa
    on Jan 26th, 2008 at 11:44 pm

    Eu nunca li, mas pelo jeito que vc descreve parece muito bom.
    Se tiver oportunidade, vou ler com certeza.

    Reply

  49. #49 Lu Antunes
    on Jan 26th, 2008 at 11:54 pm

    Bem, comprei esse livro tb!
    realmente Lewis foi um gênio, e eu admiro muitos suas obras, tanto literárias quanto fotográficas
    um bom domingo!

    Reply

  50. #50 Gugu
    on Jan 27th, 2008 at 1:41 am

    Genial a postagem. Muito bom.

    Reply

  51. #51 Alex
    on Jan 27th, 2008 at 2:14 am

    Li o primeiro e estou meio confuso até hoje.

    []

    Reply

  52. #52 Fernando
    on Jan 27th, 2008 at 2:27 am

    Lewis Carroll tem lugar de destaque na literatura britânica e mundial. Estabeleceu os parâmetros do nonsense, da criação fantástica, da narrativa onírica. Não tem pra ninguém, não tinha rivais na Inglaterra da Rainha Victoria. Li um conto, esqueci o autor, em que Lewis se econtrava com Jack O estripador. Engraçado, bem escrito. Esqueci o autor mas vou me lembrar e direi.
    Li Silvia & Bruno e achei estranho, parece inacabado, é mal solucionado, achei. Não li Caça ao Turpente nem Alice no Espelho, mas no País das maravilhas achei fantástico (sem trocadilhos..hehe).

    p.s. eu ficaria puto com esses comentários “legal teu blog”, “muita inspiração”…etc.
    Tanta coisa tem pra dizer e ficam falando isso?

    Reply

  53. #53 Vírgula Antenada
    on Jan 27th, 2008 at 5:03 am

    Nunca li o livro. Sei que não deveria, mas não resisto e serei sincera aqui também (a pouco fui em outro Blog). Conheço a estória toda por desenho, filme, pessoas contando e me lembro vagamente que na quarta série interpretei Alice em teatrinho de sala. Sem ler, é algo que já me enjoou e não vejo esse valor que você, Professor, vê.
    “(há quem diga que os crescimentos e diminuições da personagem são referências cosmológicas do universo em expansão).”
    Me sinto ignorante, pois não entendo as metáforas.
    Sei que também não deveria, mas já que resolvi, escrevo: poderia falar do Oficina Blues Band?

    Reply

  54. #54 Folie a deux
    on Jan 27th, 2008 at 10:55 am

    A parte do livro em que ela encontra a Lagarta (escrevi certo?)é uma das minhas preferidas.

    Reply

  55. #55 Louise Mira (Luly)
    on Jan 27th, 2008 at 2:48 pm

    Tenho uma edição dessas em casa, comentada. Fala cada sacada de Lewis, cada jogo de palavras. Apesar de suposto “pedofilo”, era um gênio!

    Reply

  56. #56 Eliude
    on Jan 27th, 2008 at 5:23 pm

    O jogo com as palavras e o impressionante talento de Lewis Carroll são inegáveis… Fico feliz que tenha se lembrado dele em seu blog!!!
    Quanto à pedofilia, isso não parece ter sido um problema em sua época.

    Reply

  57. #57 Eliude
    on Jan 27th, 2008 at 5:27 pm

    O talento inegável desse mestre da língua ficou eternizado em suas obras. Um autor que trata o mundo infantil com um requinte literário invejável!!!

    Reply

  58. #58 Verônica Martinelli
    on Jan 27th, 2008 at 10:12 pm

    Interessante…não havia pensado em Alice no país das maravilhas desse ponto de vista, pra mim, esse livro é como um labirinto da alma onde Alice precisa superar seus medos e acreditar em si. É como se Carroll estivesse se pondo no lugar daquela menininha e com sua mente infantil desetasse todos os seus “problemas matemáticos”. É muito interessante.
    Adorei esse blog, parabéns^^

    Reply

  59. #59 Matyah
    on Jan 28th, 2008 at 7:46 pm

    Adorei o texto Grijó. Me deu muita vontade de ler os livros. E por falar em matemática e anagramas, vc ja assistiu a Pi? Ótimo filme!!!

    Reply

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