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Remakes #2: Acossado

Acossado Poster01

Se um nada tivesse a ver com o outro, compará-los seria uma brutal injustiça. Mas têm a ver porque Jim McBride assim o quis. Resolveu refilmar o único divertido filme de Godard, A Bout de Souffle, (Acossado, para nós). Godard deu sorte: tinha em mãos uma boa história, tinha Jean-Paul Belmondo como o charmoso bandido e tinha, claro, Jean Seberg para iluminar cenas e seduzir platéias (de todos os sexos). McBride, em seu Breathless (A Força de um Amor, para nós), tenta convencer o público de que Richard Gere é capaz de atuar sem os maneirismos que trouxe de American Gigolo. Não é nem nunca será. Vai continuar fechando os olhinhos seja em filmes policiais, seja em produções musicais. Para contrabalançar, apresenta-nos Valérie Kaprisky, a atriz francesa de vinte anos (à época, 1983). Uma beleza, embora não se pudesse encontrar nela a refulgência de Seberg.

Godard filmou uma aventura, um jogo de velocidade contida, à moda européia e – por que não? – à nouvelle vague, o movimento chatíssimo que os intelectuais veneram. Mas o filme é de uma elegância que somente os franceses são capazes de criar. Jim McBride fez um filme sem beleza cênica – exceto, claro, a cena do chuveiro entre mocinha e mocinho -, sem o frescor que um filme em que a juventude de um assassino acidental deveria ser a tônica. Ainda mais num filme em que o personagem central dirige um porsche e ouve rock & roll.

Breathless1

Sei que há críticos ao trabalho de Godard. Sou um deles. Acho muitos de seus filmes chatos, sonolentos, alguns cheios de lacunas. Mas não esse, que é de prima. É bem feito, a despeito de Godard não ter o roteiro pronto durante as filmagens e, segundo a Cahiers du Cinéma dedicada a ele, escrevê-lo durante a manhã para que fosse filmado à tarde. Se é lenda, publique-se. Mas Jim McBride tem um ponto a seu favor: ele escolheu a trilha sonora, que vai de Sam Cooke, Bob Fripp, Brian Eno, Jerry Lee Lewis e Pretenders. Quer mais? Elvis está lá também.

39 Comentários on “Remakes #2: Acossado”

  1. #1 Paco
    on Apr 30th, 2008 at 12:03 am

    Vi os 2 Grijó.
    Sou mais o americano. Pô, godard é chato de doer. Vc viu O Desprezo? ele conseguiu fazer BB ficar chata. Viu Detetive, o pior filme de todos os tempos?
    Não aguento esses intelectualóides que idolatram Godard.
    Chato, chato.

    Reply

  2. #2 vanessa
    on Apr 30th, 2008 at 12:06 am

    Adorei O Corte, professor. Maravilhoso, debochado, irônico, sarcástico.
    Não vi nenhum desses dois (nem o original nem a refilmagem), mas vou correr até a locadora.
    Lembro que vc falou de Godard na postagem sobre Brigitte Bardot.

    Bjus

    Reply

  3. #3 Tarinis
    on Apr 30th, 2008 at 3:31 am

    ai…
    Não sei absolutamente nada de cinema! x.x
    Queria muito entender mas não sei absolutamente nada!
    Não sei reconhecer um bom filme
    pelo menos não do ponto de vista crítico
    me sinto meio leiga no assunto pra comentar algo a respeito do post

    Mas já que estou aqui, no blog de alguem que parece entender bastante de cinema me diga, o julgamente do Oscar é realmente válido?
    Porque os filmes que ganham Oscar são sempre os que me fazem dormiir!

    :)

    Reply

  4. #4 Biajoni
    on Apr 30th, 2008 at 3:32 am

    dois filmes diferentíssimos, vai dizer?
    :^)
    o frescor do acossado de godard, com aqueles cortes descontinuados, tem tudo a ver com o momento do cinema. o remake nem chega a sê-lo.
    ;^)

    Reply

  5. #5 Grijó
    on Apr 30th, 2008 at 3:49 am

    Completamente diferentes.
    Um com alma, apesar de Godard e suas lacunas célebres.
    O outro, bem, o outro é apenas remake.

    Reply

  6. #6 > bob.loco .... ! A VIDA EH LOKA MANO!
    on Apr 30th, 2008 at 4:18 am

    sempre com seus filmes desconhecidos hehehe

    abração

    http://ehtudoloco.blogspot.com

    Reply

  7. #7 F. Grijó
    on Apr 30th, 2008 at 4:34 am

    Que é isso, Bob?
    “Acossado” é um dos filmes mais conhecidos de Godard. É bem popular.

    Tarínis, esse negócio de “entender de filmes” é papo furado. Escrevo aqui no blog o que penso de um ou outro filme, mas é apenas uma opinião (que, claro, está aberta a debates, discordâncias, etc.). Não sou crítico especializado. Acredito mesmo que se deve ir ao cinema (sempre) e, após o filme, saber exatamente por que gostou ou por que não gostou.
    Essa é a melhor crítica que há.

    Quanto ao Oscar, bem, muita gente considera um prêmio duvidoso – e talvez até seja, mas há muitos filmes bons que não o ganharam. E há muitos filmes bons que receberam a estatueta.
    Eu, de minha parte, ainda prefiro dar mais crédito aos festivais europeus – Cannes, Berlin.

    Abraço

    Reply

  8. #8 F. Grijó
    on Apr 30th, 2008 at 4:38 am

    Paco, concordo que Godard é meio chato. Inclusive disse isso na postagem.
    Mas esse filme, em especial, é bem interessante.
    A meus olhos, naturalmente.

    Vi “O Desprezo”, sim. Gostei, e não achei Brigitte Bardot chata. Aliás, ela só fica chata quando entra numa de proteger galinhas, gambás e rinocerontes.
    “Detetive” eu parei na metade. Não consegui continuar.
    E “Je Vous Salue Marie”? Só Caetano…

    Abraço, camarada.

    Reply

  9. #9 LI-VERISSIMO
    on Apr 30th, 2008 at 12:49 pm

    Olá…

    É bastante complicado falar em Jean-Luc Godard. Ele é um (se não for o) dos mais controversos diretores da história. Seus filmes são dificílimos de serem categorizados, todos sofrem de uma mistura de gêneros e idéias, que acaba se tornando desagradável. Para uns ele é um gênio, subvertendo a arte de fazer filmes e ousando ao máximo, para outros, apenas um pseudo-intelectual sem nada pra dizer. De qualquer jeito deve se dar crédito para alguém que traga tanta discussão e fãs e detratores igualmente ardorosos.

    GOSTEI DO TEXTO!

    BJS!!!

    Reply

  10. #10 Lucas Conrado
    on Apr 30th, 2008 at 1:09 pm

    Olha, tbm não conheço esse filme não. E me ficou uma dúvida, do que ele trata? Sou fã de filmes de ação, ficção científica e outros gêneros que intelectuais torcem o nariz…
    É, mas a trilha sonora é interessante.

    Me perdoe pelo meu comentário vazio, é que eu não conheço mesmo o filme…

    Reply

  11. #11 a ghost in the machine
    on Apr 30th, 2008 at 1:28 pm

    vou ser sincero: não conheço muito sobre cinema. mas lendo o seu texto sobre o Acossado, foi possível enxergar uma lógica na sua análise. só não tenho a capacidade de concordar ou discordar, justamente por causa de minha ignorância.
    com relação ao post sobre chico buarque (é, em letra minúscula mesmo), de novo sou ignorante com relação a sua obra. essa ignorância é em grande parte motivada por esse culto todo em volte dele. lógico, não posso opinar sobre a obra dele, se é
    boa ou ruim, porque não a conheço. mas eu tenho esse posicionamento, eu meio que rejeito “algumas” figuras pop.
    gostaría de comentar sobre o livro da semana. dele, eu só li o capítulo “o realismo e a forma romance”. gostei bastante da da teorização do Ian Watt. o texto é muito bom. não é de leitura muito difícil.
    bom, é só isso. gostaria de ter mais conhecimento para poder trazer a tona discussões mais ricas, mas, infelizmente(ou felizmente) não me é possível conhecer muitas coisas.
    ah, me esqueci.
    muito legal seu blog. auhahuahuahuah
    té a próxima.

    Reply

  12. #12 Vanessa
    on Apr 30th, 2008 at 1:52 pm

    Eu não entendo nada de filmes, não consigo ver se um filme é bom ou não. Só sei que gostro de filmes de comédia. É o punico filme que eu sei reconhecer se é bom ou não. Se me fez rir, é bom. COmigo é assim..

    Valeu, um abraço;

    Reply

  13. #13 Beline
    on Apr 30th, 2008 at 2:16 pm

    Godard é tão chato para mim quanto Ingres (o pintor) ou Nadar (o fotografo), são didáticos, mas se não te-los… não saberiamos da história a metade! Por isso julgo pertinente, porém injusta a comparação, já que o mais recente não carrega tal condição da primeira.

    Reply

  14. #14 Fernando
    on Apr 30th, 2008 at 2:33 pm

    Sejamos sinceros: quem ainda fala em Jean-Luc Godard? O que ele tem para acrescentar ao mundo do cinema, a nao ser fazer brotar uma ou outra rcordação de um bom filme? Acho que JLG perdeu o bonde. Claude Chabrol, Gilles Grangier e Jacques Rivette vivem do passado dos filmes. Só sobrevivem porque existe uma parcelinha de “inteligentes” que ainda consome seus filmes. E vc é um deles, Sr. Grijó? (espero que não censure esse comentário).

    Sds

    Reply

  15. #15 F. Grijó
    on Apr 30th, 2008 at 2:41 pm

    Fernando, meu caro, não censuro esse tipo de comentário. Só não publico comentários vazios.

    Vc perguntou se alguém fala em Jean-Luc Godard? Bem, ele continua um dos mais cultuados diretores de todos os tempos. Quando vc diz que ele “perdeu o bonde”, vc se refere a que bonde? O do cinema norte-americano? O cinemão hegemônico? O bonde do novo cinema europeu? Se vc puder ser mais específico, ficarei grato (as janelas estão abertas para vc argumentar à vontade).

    Não sei se vc leu a postagem com atenção. Eu afirmo que acho Godard chato, mas isso não quer dizer que não reconheço nele a importância que ele tem (ou teve) para o cinema como um todo. Acho arriscado dizer que Godard agrada a uma “parcelinha de inteligentes”, como vc afirma.
    Eu, de minha parte, sempre considero a possibilidade de não ter percebido algo que outros conseguiram perceber – de modo que meu juízo pode ser precipitado. Não me fecho a debates. Acho Godard chato, repito, mas estou pronto a ouvir qualquer argumento em prol de seu cinema.
    E refletir sobre ele.

    Valeu o comentário.

    Reply

  16. #16 nanaxinha_dk
    on Apr 30th, 2008 at 2:51 pm

    realmente, muito bom seu blog!

    Reply

  17. #17 C. Colicigno
    on Apr 30th, 2008 at 3:31 pm

    Perfeito, sinto falta de algo com tanta cultura ultimamente.

    Reply

  18. #18 samuel
    on Apr 30th, 2008 at 3:34 pm

    Curioso, eu já acho Kevin Costner o supra-sumo da chatice (interpretando, dirigindo ou apenas respirando) e gosto de quase tudo que o Godard fez de 60 a 68. E tem muita coisa nesses 8 anos. Agora, como alguns comentários são ignorantes, hein? Queria ver um filme do Godard, um só, que tivesse uma gota de didatismo. Gosto do cara pelo entusiasmo com a experimentação, pelo compromisso com um tipo de cinema ilimitado, desenfreado, antenado com a cultura e com a história como poucos. E se vc acha que Acossado é o único divertido do homem, veja Uma Mulher é Uma Mulher ou até mesmo o Pierrot le Fou. Certamente não vai morrer de rir como o faz com Woody Allen, mas ambos os filmes têm um humor delicioso.

    Reply

  19. #19 F. Grijó
    on Apr 30th, 2008 at 5:16 pm

    Samuel, o que me causa estranheza é a forma pouco polida como vc classifica algumas opiniões.

    Asisti a vários filmes do Godard, ainda nos anos 80, quando era moda. Criaram-se mesas redondas para discutir Pierrot Le Fou e as viagens de Belmondo etcetera.
    Não assisto mais a filmes de Godard, embora saiba que ele merece menção.

    E, só para constar, não rio desbragadamente com filmes de Woody Allen.

    abraço

    Reply

  20. #20 Rodrigo
    on Apr 30th, 2008 at 5:21 pm

    Realmente não sei nada de Godard ou de cinema, coisa que provei isso quando decidi reunir as 5 cenas mais assustadores entre os filmes de terror, muita gente falou que faltava algumas e principalmente algumas de jogos mortais.
    Mais agora decidi deixar o cinema para quem sabe.

    Abraços

    Reply

  21. #21 DuDu Magalhães
    on Apr 30th, 2008 at 5:43 pm

    xD~~
    Na verdade, prefiro Platão, Sócrates, Aintain, e João Antonio… Já ouviu falar dest ultimo?? O cara é bom, um dos melhores desenhista contemporaneo.
    Mas, vou procurar saber mais sobre Godard
    vlw pela dica

    Reply

  22. #22 Dedinhos Nervosos
    on Apr 30th, 2008 at 7:50 pm

    Vi apenas o 2º, com o Sr. Olhinhos de Mormaço. Na verdade, já tem tanto tempo que nem lembro se gostei ou não. Mas remake é sempre muito arriscado. Ou o diretor segue a risca o que foi feito, ou lança sobre ele um olhar totalmente diferente, mas mantém a classe da idéia inicial.
    Eu sempre acabo comparando.

    Reply

  23. #23 Danilo Bianchi Dualiby - DAN
    on Apr 30th, 2008 at 8:13 pm

    Pra ser sincero eu não assisti a nenhum filme de godard, shame on me… mas pela crítica me pareceu interessante. Considerando que muita gente acha os filmes dele meio massantes…

    http://www.pontodcom.blogspot.com/

    Reply

  24. #24 carla m.
    on Apr 30th, 2008 at 9:47 pm

    Eu tenho que discordar que é o único filme divertido do Godard. Admito que a maioria é chato, mas “Uma mulher é uma mulher” é muito divertido. “Acossado” é bom, mas não seria um filme que eu particularmente indicaria pra qualquer pessoa em qualquer estado de espírito.

    Verdade seja dita. O que encanta em Godard é Anna Karina. Brincadeirinha, mas tem um fundo de verdade. já vi muito marmanjo suspirando por ela, e tenho que admitir que os olhos amendoados dela me causam inveja.

    Mas como todo xodó dos intelectuais de plantão, esses que acham que ditam opinião, Godard é para poucos. E como eu gosto das maiorias, generosas na sua sinceridade…

    Como sempre, muito bom passar por aqui.

    Reply

  25. #25 F. Grijó
    on Apr 30th, 2008 at 10:30 pm

    Dedinhos, a comparação parece-me inevitável: daí ser chamado de remake.
    “Olhinhos de Mormaço”?
    Boa.

    Reply

  26. #26 Leonardo Werneck
    on Apr 30th, 2008 at 11:15 pm

    chatos e sonolentos pra falar dos filmes de Godard

    Reply

  27. #27 Marlon
    on May 1st, 2008 at 2:25 am

    Existe um remake de Acossado e ele chama-se Numéro deux, de 1975, do próprio Godard. Pelo nome você já saca a idéia.

    Grande(s) filmes, mas o Numéro deux é melhor.

    Reply

  28. #28 bernard
    on May 1st, 2008 at 2:45 pm

    Engraçado, não consigo imaginar um remake de Acossado, se seu pincipal atributo foi seu caráter de vanguarda: a temática nova, os cortes anárquicos e etc. Fiquei curioso para ver o remake do qual o Marlon falou.
    E concordo em algumas partes com o Samuel,apesar de não ser dos maiores fãs do francês, “Pierrot le fou” e “Un femme est un femme” são grandes filmes.

    Reply

  29. #29 samuel
    on May 1st, 2008 at 6:53 pm

    Ué, mas falar que o cara é “didático” é coisa de quem não viu um filme sequer dele ou viu enquanto dormia, e aí acordou só pra opinar. Esses sim é que precisam de polidez.

    Entendo perfeitamente quando vc diz que o cara é chato, concordo com a colocação sobre Je Vous Salue, vejo lacunas em vários de seus filmes (embora não encare isso como um fator necessariamente ruim), mas aprecio o fato do Godard não entregar seus filmes mastigados ao espectador, do modo como a maioria hoje espera (e obtém) de um filme. Pra mim a filmografia dele é uma afronta ao cinema, à história e a quem tá ali vendo os filmes. Exige um posicionamento, uma opinião de valor, e isso só se alcança através de uma interpretação sobre a obra, que raramente é coletiva. Não precisa entender nada de cinema pra saber que ali tem um quebra-cabeça a ser montado, e que muitas das peças somos nós que vamos criar para tentar montá-lo. Por isso acho que falar que os filmes do Godard são “didáticos” é uma ignorância tremenda. Talvez o mais linear ou certinho na forma (únicos termos que consigo imaginar com siginficados similares ao dito cujo) seja O Desprezo e Uma Mulher é Uma Mulher. Agora, o que tem de didático em Sympathy for the Devil?

    O problema é que a influência nessas horas pesa bastante, e por mais legal que isso seja em alguns momentos, não livra qualquer um de comprar a sua opinião e sair falando que os filmes do Godard são sonolentos, chatos e didáticos, sem sequer tê-los visto. É perigoso.

    E eu ri tanto em Uma Mulher é Uma Mulher quanto em Zelig, um dos mais geniais e engraçados já feitos.

    Reply

  30. #30 F. Grijó
    on May 1st, 2008 at 11:34 pm

    Acredito que o Beline tenha utilizado o termo de uma forma menos “acadêmica”. Se ele quiser responder a vc, é só escrever.
    Se não, fica por isso mesmo.

    Mas se o que faz Godard ser admirado por vc é ele não entregar os filmes mastigados, então imagino que haja uma série de outros diretores que, pelo mesmo motivo, vc aprecia.

    Gosto muito de diretores que sabem contar histórias. Não desvalorizo, claro, aquilo que os ditos amantes do cinema apreciam (tomadas, fotografia, som, etc.), mas a história, para mim, conta muito. E não precisa ser mastigada.
    Eu mesmo, valendo-me de meu estrondoso anonimato, escrevo histórias que obrigam o leitor a ler sem mexer os lábios.
    Essa minha ligação com a literatura faz de mim um espectador que, em muitos casos, acha Godard chato. Não estou sozinho. Conheço outros como eu.

    Tenho “Simpathy for the Devil” em vídeo-laser, é mole? Ainda mantenho o aparelho (utrapassadíssimo). Vou rever Godard dirigindo as pedras.

    Reply

  31. #31 Marlon
    on May 2nd, 2008 at 6:23 am

    Godard é um cineasta complicado. Me lembra o Dylan.

    O problema é que Godard é um nome comum, e como ele mesmo diz: “Não sei porque sou conhecido. Meus filmes são pouco vistos”. É isso ou algo do tipo. Existe toda uma aura mítica em torno do nome GODARD de cinema-arte/verdade/bom (assim como existe nos nomes Bergman e Fellini para citar exemplos) que me deixa extremamente puto. Mas geralmente as (poucas) pessoas que vêem os filmes dele vêem até 68. E depois dos filmes políticos ele começa a fazer algo tão engenhoso e complicado que você precisa buscar algo além do filme (textos, entrevistas) para compreender o que ele tá fazendo em alguns casos.

    Por essas e outras não se deve começar vendo Je vous salue, Marie ou Passion (filmes que iniciam um cinema NUNCA antes visto, o maneirismo no cinema) e sim pelos anos 60 com Acossado (que aquele famoso filme que as pessoas geralmente gostam pelo motivo errado (errado, eu aqui julgando as pessoas.. sou um patife mesmo)).

    Reply

  32. #32 Marlon
    on May 2nd, 2008 at 6:25 am

    !!!!!

    Li agora o comentário do Fernando.

    Fernando, Godard está vivo. E FAZ FILMES. Chabrol também. Rivette também. Por favor, se não viu os mais recentes filmes desses cineastas, não abra a boca para falar que o cinema deles morreu.

    Reply

  33. #33 Fernando
    on May 3rd, 2008 at 3:12 pm

    Esses caras são hilários. Eu vi, sim, menino. Vi até La Belle Noiseuse e Carrossel, do Rivette. E achei chatos. Vi tb A flor do Mal, de Claude Chabrol – e tb é um saco. Sei que continuam a fazer filmes, menino, mas não deveriam. Mantém aquele mesmo entusiasmo da Nouvelle Vague, são extemporâneos, out of time, se vc me entende. Perderam o vigor, não acompanharam nem o foguetório que se tornou o Novo Cinema Francês (termo da Cahiers, a qual assino).
    O que é mais curioso é que vejo vcs me criticando e o que vcs viram? Hilário, coisa de menino mesmo.
    Acho que essa vc censura, Professor.

    [Abs]

    Reply

  34. #34 Marlon
    on May 3rd, 2008 at 7:20 pm

    A Cahiers entrou num buraco incrível. Até o Jean-Michael Frodon que é o editor escreve uns textos horríveis. Sobrou pouca gente que ainda escreve bem ali. A Cahiers é uma revista muito importante mas hoje em dia não é nem sobra do que era. Vale muito mais ler os números antigos do que os atuais. Atualmente Rouge é bem melhor, por ex. Eu não gastaria dinheiro assinando a Cahiers. Prefiro comprar um livro do tag Gallagher sobre o Rossellini ou da Nicole Brenez sobre o Ferrara.

    E não precisa me chamar de menino para tentar deixar-me constrangido não, Fernando. Provavelmente você deve ter visto mais coisa por ser mais velho, mas qual o ponto aqui? “vi mais filmes, sou pauzudo?”, típico de quem quer sustentar as coisas por hierarquia..

    Sobre esse novo cinema francês, penso aqui: “será que esse cara é fã do Luc Besson e do Beineix?”

    Um cineasta não é um invetor de formas. Mizoguchi não foi, Chabrol não foi, Preminger não foi. Se é para acompanhar Luc Besson e Beineix, que continuem fazendo o mesmo cinema.

    Os novos Chabrol são ignorados aqui, por ex: A DAMA DE HONRA, A TEIA DE CHOCOLATE, A COMÉDIA DO PODER. Grandes filmes. Formais. Ignorados pq não estão na listinha-must-see dessa inflação crítica nefasta e idiota.. só se vê e fala Van Sant, Gallo, Desplechin, Claire Denis (que fizeram bons filmes, e gosto deles, mas não há que se abandonar outros cineastas em prol desses).

    Mas diga, tu gosta do cinema de Besson e Beineix mesmo? Pq se for já paro por aqui.

    Reply

  35. #35 Marlon
    on May 3rd, 2008 at 7:21 pm

    Ah, mais uma coisa..

    Until recently, some people might have been surprised to learn that Godard was still active ” especially in Britain, where none of his films was released between 1987 and 2002. Some still think of Godard as a Sixties film-maker, indeed as the Sixties film-maker.

    Even if Godard seemed to vanish from the public eye in the Nineties, he never stopped working prolifically, nor did his ambition decline. His great project of that decade was the eight- part video series Histoire(s) du cinma, a highly personal meditation on the glories of the silver screen and the horrors of 20th-century history; [b]his biographer Colin MacCabe has seriously compared it to Joyce’s Finnegans Wake in ambition and complexity.[/b]

    http://www.redorbit.com/news/health/149953/the_gospel_according_to_jeanluc/

    Reply

  36. #36 Marcos Costa Melo
    on May 3rd, 2008 at 9:46 pm

    Já tentei, mas ainda não encontrei em Godard toda a genialidade que dizem ter.

    abraços

    Reply

  37. #37 Will
    on May 4th, 2008 at 3:19 am

    Vou falar uma coisa. Esse papo é fustigante, mas ficar citando nomes de diretores, de atores é recurso de intelectual de terceira. Tag Gallager, Luc Besson, Cahiers du Cinéma…que papo murcho!!! E ainda tem gente que dá importância pra saber esses nomes? qualquer um vai na net e encontra tudo. O que eu penso é que o bom cinema é aquele que eu curto, que me faz dar umas boas gargalhadas ou me faz ~pensar um pouco mais nas coisas. e ainda por cima ficar citando em inglês? Qual é??!!!
    Fui!!!

    Reply

  38. #38 Fernando
    on May 7th, 2008 at 11:00 am

    Falar mal de A lua na Sarjeta e Loft Paradoxe é que é ignorância. Duas masterpieces (já que gostas do inglês). Beinex pode não ser um estilista, mas passa longe da chatice de muitos de seus compatriotas. Vc precisa rever seus conceitos em relação a Luc Besson, que resolveu romper com a corrente à Resnais que predominava nos dirtores de sua geração (v. Lornelle). Subway é ótimo, assim como L’Avant Dernier.

    Otto Preminger não foi um inventor de formas? Então vc não viu Anatomia de Um Crime nem A Ladra.
    Devia ver antes de falar.
    E sua geração, pelo visto, gosta mesmo é de Van Sant.

    E tu, Will, aonde quer chegar com essa observação-protesto sem nexo?

    Reply

  39. #39 Valéria
    on Apr 30th, 2010 at 12:13 pm

    Não dá nem para comparar. Fazendo isso, estamos ofendendo a memória de Godard.

    Reply

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