Se vivo, Iberê Camargo faria 94 anos hoje. Um puro-sangue cuja inquietação era proporcional a seu talento impressionante. Costuma-se citar - mesmo sem conhecer-lhes os trabalhos - Di Cavalcanti, Tarsila, Anita Malfati, Portinari. Merecem mais do que menção, claro. São o quarteto essencial da pintura brasileira, todos mais ou menos contemporâneos, advindos da recente modernidade, se é que ela existiu, por aqui. Iberê vem depois, do RS, com sua mala e sua cuia, chega ao RJ, instala-se e, recusando academicismos, cria seu próprio destino, que incluirá, como companhias, Portinari, De Chirico e André Lothe. Só feras.
Carretéis, 1927
Paisagem Suburbana, 1949
É só olhar as reproduções acima para comprovar que Iberê Camargo apreciava o não-figurativismo. Eis sua inquietação: a seus olhos o mundo se movia de outra forma, mostrava-se com outra roupa, tinha cores sombrias, ambientes cheios de desilusão. É um dos grandes, junto ao quarteto modernista citado no início da postagem. Só não é tão conhecido, mas isso pouco importa. Sobrevive, mesmo que, na realidade, tenha deixado a vida, em 1994. Aliás, sobre a tal realidade ele tem a dizer (algo que todo verdadeiro artista percebe):
A realidade é um enigma que o tempo não banaliza, e o homem não decifra. Ela é a esfinge que nos devora.











on Nov 18th, 2008 at 6:41 pm
Uau.
Falaste bem sobre Iberê, um dos grandes pintores brasileiros de todos os tempos. Mas ele é bem conhecido, pelo menos aqui no Sul, terra dele.
Gostei das imagens escolhidas.
Não sei se sabes, mas ele envolveu-se numa tragédia nos anos 80, acertando um homem com um tiro. Chegou a ser preso, mas foi solto em pouco tempo. Isso o abalou demais.
Por que não deizer um gênio, não é mesmo?
Parabéns pelo post.
Saudações.
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on Nov 18th, 2008 at 7:41 pm
Grande Iberê! Merece a companhia dos grandes e de Mingus, um artista tão visceral quanto ele.
Grande lembrança.
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on Nov 18th, 2008 at 7:50 pm
Muito bom ter trazido ao nosso conhecimento as imagens Iberê, infelizmente muitas pessoas ainda não conhecem seu trabalho e vale muito a penas as pessoas pesquisarem e conhecerem mais.
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on Nov 18th, 2008 at 8:03 pm
Cara essa frase é de quwm? A realidade é um enigma que o tempo não banaliza, e o homem não decifra. Ela é a esfinge que nos devora.
Adorei :D
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on Nov 18th, 2008 at 11:16 pm
“A realidade é um enigma que o tempo não banaliza, e o homem não decifra. Ela é a esfinge que nos devora.”
Não sou um grande conhecedor de certas artes, mas apenas o que li aqui muito me agradou.
Essa frase é bem profunda, como um homem que via o mundo com olhos de poeta, de artista e principalmente de alguém cuja mente é elevada acima da realidade, criando sua própria “razão”.
abraços^^
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on Nov 19th, 2008 at 5:26 am
Do Iberê Camargo, Dalete.
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on Nov 19th, 2008 at 10:36 am
Eu fui a uma exposição das obras de Iberê Camargo em Salvador, em 1990. Havia uns críticos que afirmavam que ele não conseguia abandonar o expressionismo, e que vivia do passado. Que piada! Vc falou certo quando fez menção ao “não-figurativismo”. Era isso que ele, Iberê, era. um não-figurativista, que via o mundo de forma melancólica, quase triste (mas não necessariamente). Eu o conheci pessoalmente. Era um homem sóbrio, mas um tanto reservado. Um dos maiores pintores de seu tempo. Abraço. CH
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on Nov 19th, 2008 at 4:11 pm
Tenho conhecimento didático sobre Iberê, confesso que nunca prestei a atenção merecida, mea culpa. Mas nossa mídia especializada também não prestou, ao mesmo tempo, as honras que sua obra certamente merece. Grijó, você é daqueles me me tira da escuridão da minha caverna lacrada!
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on Nov 19th, 2008 at 5:38 pm
Mandou bem.
Iberê merece mais mídia, mais informação. Parece que o povo só quer saber da tragédia que o envolveu.
O homem é mosntro com pincéis.
sds
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on Nov 19th, 2008 at 9:47 pm
Agradáveis pinturas. Desconhecia-o. Buscarei informações, não só dele, mas dos outros citados, uma vez que sei tão pouco.
Abç.
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on Nov 19th, 2008 at 9:58 pm
Olha.. eu conheço pouco de Iberê Camargo, mas o pouco que conheço me agrada. Pelo rumo da sua prosa, você propõe que o quarteto clássico da pintura moderna brasileira vire um quinteto…rs
Olha que os outros quatro são peso pesadíssimos..
Abs
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on Nov 19th, 2008 at 10:31 pm
e imprecionante como alguns pintores nao recebem o devido reconhecimento
http://ki-locura.blogspot.com/
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on Nov 20th, 2008 at 10:34 am
Pintura, e artes plásticas em geral, não são meus pontos fortes. Um dia corrijo isso, provavelmente ali pela mesma época em que aprender a tocar algum instrumento e dançar.
Mas não balé, pq já que dizem q todos temos algum tipo de preconceito, vou dizer, o meu é com balé. Sou um fascista anti-balé.
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grijo Reply:
January 28th, 2009 at 1:08 am
Fascista antibalé?
Essa é nova, porque Mussolini adorava dançar.
Abraço.
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