Tudo está tão certo que parece haver algo errado, mas não há. Os atores moldaram personagens tão verossímeis que a idéia do cinema, em si, não importa muito; a ficção fica (aparentemente, apenas) em segundo plano. A trama - terrível ao mesmo tempo que original - leva o espectador a pensar nos seus pecados familiares, sejam eles horrendos ou banais. No final das contas, chega-se à conclusão absoluta: Sidney Lumet é um craque aos 84 anos. Eternizado por Doze Homens e uma Sentença, Serpico, Equus e Um Dia de Cão, o homem ainda tem fôlego para montar Antes que o Diabo saiba que Você está Morto.
Albert Finney - na foto abaixo, entre os policiais - é o que há de melhor na história. É o pai que sofre duplamente: perde a esposa - vítima de um assalto - e executa o primogênito, principal responsável por tal situação. É o sofrimento encarnado. A tele se enche com sua dor, e olhe que ele nem é o personagem central, de modo que não há tantas cenas nas quais atue. A dupla de filhos - Philip S. Hoffman e Ethan Hawke, ambos excelentes - faz a festa ao contracenar. Hawke é o inseguro de lábios tremidos, frouxo de dar pena, mas que papa a deliciosa cunhada Marisa Tomei. Hoffman é o executivo viciado em heroína que, no desespero, não hesita em tirar a vida alheia. A cena do duplo assassinato no apartamento do traficante gay é dos melhores momentos de ação dos últimos anos.
Mas a grande violência do filme não reside nas cenas de pontapés, socos e assassinatos. A violência está na culpa, e de como ela pode carcomer o indivíduo, de como ela pode gerar o desespero e a dor pofunda. Ninguém está feliz. A cena inicial - com P. Hoffman e Marisa Tomei na cama, em silêncio durante o coito - ludibria o espectador. No mínimo leva-o a interessar-se pela incongruência entre cena e título do filme. Merece ser visto algumas vezes, e na escuridão dos cinemas, diante da telona. É, mas o bobão aqui acabou vendo o filme em devedê, e somente agora, não sei quantos meses após ter sido lançado nas salas brasileiras. Sidney Lumet é perfeito; eu, não.
Se quiser ver o trailer legendado do filme, clique aqui.










on Jan 3rd, 2009 at 1:29 am
Cara, já vi nas prateleiras duas vezes e peguei coisa diferente, mas agora vou fichar… Hehehehehe… Valeu a dica…
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on Jan 3rd, 2009 at 9:16 am
Não gosto muito de assistir filmes violentos, mas este, me parece muito bom. “Volência familiar” é algo que tem acontecido demais… vou assistir.
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on Jan 3rd, 2009 at 9:43 am
Posso concordar com vc, mas não vou hehehe. De fato, achei que a trama tem uns pontos comuns com Cassandra’s Dream, de Woody Allen, e fiquei um tanto decepcionado com a interpretação caricatural de Phillip Seymour Hoffman, muito afetado, rindo de maneira esquisita, artificial. Pro filme eu dou nota 6. Agora, Serpico, o policial anti-corrupção (com ou sem hífem, professor?), é um filmaço.
Té+ Grijó.
Feliz 2009 prá vc.
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on Jan 3rd, 2009 at 9:54 am
Interessante, Oswaldo. Eu achei “O Sonho de Cassandra” mal resolvido, como se Woody Allen tivesse de terminar o filme com certa urgência, como se faltasse grana para maior desenvolvimento. Pode ser apenas impressão. “Interpretação caricatural”? Mas o personagem de P. S. Hoffman, o filho um tanto rejeitado, marido traído, executivo fracassado dado a intorpecências, pareceu-me até contido demais, exceto no dedfecho, em que entra na casa do traficante e mata até o cliente desacordado. Não deu pra observar caricaturas aí.
“Serpico” é filmão, de primeira linha. Não gosto de comparações, mas é um dos meus filmes policiais preferidos.
“Anticorrupção” é sem hífem, camarada.
Abraço, e feliz 2009 para vc tb.
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on Jan 3rd, 2009 at 2:42 pm
vou anotar na minha cadernetinha agora, meu caro.
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on Jan 3rd, 2009 at 4:38 pm
Já li sinopses, mas como não assisto coisa nova…
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on Jan 3rd, 2009 at 6:13 pm
Esse aí eu vi no início do ano passado. Como sabia que iria demorar a estrear por aqui acabei fazendo o download.
É, sem dúvida, um filme pesadíssimo. Não por suas cenas gráficas e cruas, mas pelos contornos trágicos resultantes das escolhas dos personagens. O sentimento de culpa e desespero deles também toma conta do espectador. A cena final foi uma das mais fortes que eu vi em 2008.
É uma pena que o filme tenha sido esquecido pelas premiações ano passado.
Só uma dica. Outro filme que se destaca por sua abordagem crua é o italiano “Gomorra”. Vale a pena uma conferida.
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on Jan 3rd, 2009 at 6:31 pm
Sim, Honório.
Estou à espera de “Gomorra”. Li sobre o filme; gostei de saber que o roteiro foi criação coletiva e que a história baseia-se em fatos verídicos da máfia napolitana. Assistirei, claro.
Valeu a dica.
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on Jan 3rd, 2009 at 10:44 pm
Valeu pela visita no Gavetão Fuçado e pela dica do filme (Fui o primeiro a comentar)…
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grijo Reply:
January 28th, 2009 at 1:37 am
Tranqüilo, Juliano.
Abraço.
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on Jan 4th, 2009 at 6:09 am
humm
fiquei interessado no filme
violência, cenas pesadas…
um filme com kra de noir eh sempre bom
tem erro naum
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on Jan 4th, 2009 at 1:43 pm
Não vi esse filme, mas esse tipo de enredo é uma das coisas que me atraem na locadora. Já os dois filmes do Lumet que você citou, assiti. Doze Homens e Uma Sentença eu vi quando era criança e me recordo até hoje. Os bons filmes são eternos, assim como os diamantes.
Abraço!
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on Jan 5th, 2009 at 12:49 am
Antes que o diabo saiba que você está morto é um dos melhores filmes que deu as caras no circuito da sala escura brasileira no falecido an de 2008. A meu ver melhor até que o queridinho do Oscar (o embate é duro - ponto por ponto,nada de nocautes), Onde os fracos não têm vez, que também é outro filmaço com semelhanças temáticas ao filme do Lumet. Esperemos 2009, agora. E o que as telonas nos reservam.
Abraço, Grijó.
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on Jan 5th, 2009 at 7:34 am
acabo de me sentir uma bobona. Aluguei hoje de tarde em DVD o filme, e só agora, às 3 da manhã vou poder ver, longe de ter todas as minhas faculdades visuais em ação.
mas fazer o que, é a vida…
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on Jan 5th, 2009 at 8:12 am
Bernard, gostei muito de “Onde os Fracos não têm Vez”, embora tenha algumas restrições a exageros de interpretação do Javier Barden, mas é filme de primeira. História boa direção melhor ainda. Mas prefiro esse filme do Lumet. Achei mais humano.
Grande abraço, camarada.
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on Jan 5th, 2009 at 6:14 pm
parece bom… assim q possível espero assistir.
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on Jan 5th, 2009 at 6:21 pm
Ok, boa demonstração do teu americanismo!!!!!!
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on Jan 5th, 2009 at 6:37 pm
O mais triste é saber que acontece violência familiar, onde vamos parar??? Beijinhos!!
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on Jan 5th, 2009 at 9:26 pm
tive a gd oportunidade de ver UM DIA DE CAO, e sem sombra de duvida mostra o qto este diretor é diferenciado… ANTES QUE O DIABO SAIBA.. não deve ficar atras e logo assistirei
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on Jan 5th, 2009 at 10:49 pm
E isso quer dizer exatamente o quê, Ademi?
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on Jan 13th, 2009 at 4:22 pm
Enfim, um comentário meu, querido Grijó!
E, é claro, pra concordar que este é um grande filme.
Um filme que poderia beirar o absurdo, mas não o faz, quando se pensa realidade como se desenrola…
Aqui mais uma concordância, este filme é violento, que retrata uma violência humana! Infelizmente…
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on Jan 13th, 2009 at 5:27 pm
Valeu, Débora.
E apareça sempre.
Bjo
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