O tradicionalíssimo time argentino River Plate está sofrendo o diabo. Seu atual plantel está sendo chamado de “o pior time da história”, por conta dos péssimos resultados no difícil campeonato nacional. Enquanto isso, o rival Boca faz a festa: é uma das melhores equipes do mundo. Não é fácil agüentar. O River é o maior campeão argentino. Tem 33 campeonatos, contra 23 de seu rival maior, mas a torcida não quer saber. Eu sei o que é isso. Torço para o Rio Branco Atlético Clube, equipe local, capixaba. Fui educado para não torcer para time que ultrapassasse as fronteiras estaduais. Como qualquer adolescente rebelde, eu deveria ter mandado a educação às favas e ter-me tornado um torcedor do Flamengo, do Cruzeiro, do São Paulo. Hoje eu estaria melhor. Não me sentiria tão solitário em rodas de amigos que afirmam nunca ter visto um rio que fosse branco.
O Rio Branco não vence um campeonato estadual desde 1985. Além disso, seus torcedores - eu, principalmente - foram obrigados a presenciar o maior rival, a Desportiva, vencer o torneio por seis vezes desde então. Torci para que a Desportiva caísse para a segunda divisão com o mesmo fôlego e disposição com que torço para que o Rio Branco vença o campeonato. A isso chamo rivalidade. Pergunte a um torcedor do River que destino ele gostaria de ver o Boca trilhando. Não vá muito longe: pergunte a um flamenguista se ele sofreu pelo fato de o Vasco amargar uma vaga na segunda divisão do Brasileiro. Quando a Desportiva participa do campeonato brasileiro, torço sempre pelos times que ela enfrenta.
Em conversas com um primo botafoguense, perguntei-lhe como se sentia vendo seu time do coração ser derrotado três vezes consecutivas pelo Flamengo. “Tão ruim quanto perder o título é ver um flamenguista rindo de cabeça erguida. Prefiro morrer a ver isso pela quarta vez”, disse-me ele. Sei o que é isso. Convivi com algo próximo dessa realidade. Ver a Desportiva campeã doía-me tanto quando presenciar a derrota rio-branquense. Mas, diferentemente de meu primo, que insiste em torcer por um Botafogo saco-de-pancadas, penso seriamente em deixar de torcer pelo Rio Branco, caso ele não seja campeão em 2009. Não vejo mal nisso.

Nada me obriga amar alguém que não me devolve esse amor. Minha fidelidade tem limites. Não serei mais torcedor; nenhum time merecerá minha paixão. Continuarei gostando de futebol, assistindo a jogos, apreciando belas jogadas, continuarei enaltecendo craques e rindo dos cabeças-de-bagre, das vacas-bravas (como dizia meu pai, ex-jogador do Rio Branco). Sem um time de preferência - e desiludido com a equipe que não vence há 24 anos -, vou me sentir mais solitário ainda em roda de amigos. Vou propor que conversemos sobre culinária.

;)








on May 11th, 2009 at 11:33 am
Me parece que vc não é um torcedor de verdade. Meu irmão torce pelo Fogão e mesmo sendo saco de pancadas, como vc diz, ele continua fiel. Meu irmão disse que a gente pode abandonar mulher, família, religião, tudo. Menos seu time do coração.
Bjus
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grijo Reply:
May 11th, 2009 at 5:27 pm
Concordo com o quesito “religião”, Giulia. Mas “mulher” e “família” eu coloco em grau de importância maior.
Seu irmão não? Nem mulher?
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on May 11th, 2009 at 1:59 pm
É uma interessante visão sobre a paixão de torcedor. Ela pode acabar mesmo se não for recíproca. Será que o brasileiro pensa assim? rsrs
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grijo Reply:
May 11th, 2009 at 5:27 pm
Os botafoguenses, certamente, não.
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on May 11th, 2009 at 2:04 pm
estive no estádio do Boca em Buenos Aires.
e eu que achava que brasileiro que era louco por futebol.
não mesmo
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grijo Reply:
May 11th, 2009 at 5:29 pm
Também estive, Cruela. E assisti ao clássico Boca versus River. Nunca vi coisa igual. Flamengo X Vasco parece festinha de nenê de 1 ano.
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on May 11th, 2009 at 3:03 pm
Torcedor de coração é doido, eu adoro meu time viajo para ver jogo, vendo até alguma coisa pra comprar ingresso gosto mesmo, mas as vezes nos dá uns desgostos que vou te contar.
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on May 11th, 2009 at 3:10 pm
É por isso entre outras coisas que desisti de ter um time para torçer. Porque eu não serei torçedora se eu fingir, nem vale a pena dizer que torce para um time que perdeu mas que voê não saberia defender. Talvez eu deva virar torcedora do confiança ou Sergipe, mais próximo, menos problemático. E menos zoado, uma vez que poucos conhecem=D
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on May 11th, 2009 at 3:12 pm
Olhe só, acho que vc tem razão, mas essa postura é, como eu disse, racional demais. Imagino o que vc sofre porque sou atleticano mineiro de coração, e só estou vendo o time do inferno (cruzeiro) vencer e vencer. Mas não abandono minha paixão…lamento por ti.
Até+
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on May 11th, 2009 at 3:33 pm
Grijó, meu caro,
não sei se você se lembra desse seu amigo publicitário, amigo de Murilo, filho de Afonso Abreu. Há muito acompanho seu blog e estava esperando a hora certa de me manifestar (quase o fiz no post sobre o Rubem fonseca, que você me apresentou). Pois bem , acho que chegou o momento, porque tenho a alegria de comunicar que o Brancão está praticamente classificado para a final, depois de derrotar o Jaguaré por 4 a 2 fora de casa. Ou seja, essa zica e essa fila têm tudo para acabar em 2009.
Abraço!
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grijo Reply:
May 11th, 2009 at 5:34 pm
Porra, Gabriel, levo uma garrafa de uísque especialíssimo para vc na formatura e vc vem me perguntar se me lembro?
A postagem, amigo, é justamente por conta de o RB estar com um pé na final. Quase fui a Jaguaré assistir aos 4 a 2. Sábado estarei nas arquibancadas, torcendo como um energúmeno diante de um profeta.
Espero que essa “zica”, como vc chama, acabe. Caso contrário, não torcerei mais. Sofro há 24 anos, cara. Só mulher merece isso.
Grande abraço.
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on May 11th, 2009 at 4:04 pm
Eu deixei de torcer pro meu time por causa da arrogância com que a torcida se manifestava. Fui corintiano até os vinte e poucos, mas depois que vi aquela gentalha da Fiel cobrando dinheiro dos dirigentes e sacaneando quem não torcia pro Coringa, achei demais. Fiz minha parte, e mandei o time pro raio que o partisse…nenhum clube merece essa fé cega.
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on May 11th, 2009 at 4:34 pm
Bem eu não tenho time de coração por opção propria pq não saberia torcer por ele na derrota ou na vitória e tbm pq não sou fanatica pelo esporte.
Mas eu acho que um verdadeiro torcedor não abandona o time por pior que ele esteja, mas 24 anos sem ganhar é um pouco d+
escolha sua.
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grijo Reply:
May 11th, 2009 at 5:35 pm
É uma decisão duríssima, Manúh.
Mas assim será.
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on May 11th, 2009 at 5:54 pm
É… infelizmente o futebol é assim… os títulos valem mais do que qualquer outra coisa e o passado não serve de nada…
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on May 11th, 2009 at 6:04 pm
Ahahahahah! Vc pensa que pode parar de torcer, pode até fingir que parou, mas acho que uma paixão dessas, que vem da infância, ficam no máximo escondidas e, na primeira oportunidade, vc vai ter uma recaída…rsrs
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grijo Reply:
May 11th, 2009 at 7:12 pm
Não sei, Olney.
Sem recaídas. Chega uma hora que não dá mais para torcer. Vamos ver…
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on May 11th, 2009 at 6:06 pm
Realmente não da para entender como uma time de tradição como o River passa por uma fase como esta…
Você devia ter torcido pelo cruzeiro, só da alegria.
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grijo Reply:
May 11th, 2009 at 7:11 pm
É verdade, Máfia. O Cruzeiro só dá alegrias.
Ainda mais em se tratando dos anos 80, em que o Atlético foi campeão oito vezes - em dez possíveis.
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on May 11th, 2009 at 6:26 pm
Muito bom e falando com clareza por muitos de nós!
Sim, fidelidade tem limite e como tem!
Abraços,
Onaldo
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on May 11th, 2009 at 7:58 pm
Mas por que um time precisa ganhar para que mantenhamos nossa fidelidade? Se for para torcer pelo SP, Cruzeiro ou Flamengo só porque eles ganham sempre, equivale a se apaixonar por uma mulher que nasce com “estrela na testa” e vença qualquer das paradas desta vida. Muitas vezes, vale a pena ser fiel a alguém mais simples, que não vença tanto e nem brilhe em todas, mas nos faça felizes algumas vezes, até porque felicidade não é uma sensação constante mesmo. Lealdade é tudo, não concorda? Mesmo que a vitória esteja bem longe. Se chegar, curte-se com mais gosto. Ou não? he he…
abraço.
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grijo Reply:
May 11th, 2009 at 9:04 pm
Vanessa, suas palavras são precisas e carregadas de certa ternura. Mas a decisão está tomada! Alea Jacta Est!
Abraço.
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on May 11th, 2009 at 8:27 pm
Grijó,
perdoe-me por levantar dúvidas sobre sua memória. Se a minha não falha, tratava-se de um lendário Royal Salute. O Chivas Regal dos Whiskies, como dizia um anúncio quase tão clássico quanto a bebida. Aliás, a tal garrafa despertou em mim os piores instintos. Eu a escondi embaixo da mesa no início e terminei a festa caminhando sobre elas depois de beber tudo sozinho.
Quanto ao futebol, veja só: um colega aqui da agência - que é também gerente de marketing do time (sim, há uma gerência de marketing no Rio Branco) - me disse agora que 70% dos torcedores que frequentam o estádio nunca viram o Rio Branco ser campeão. Fenômeno semelhante aconteceu com o Corinthians, em 21 anos de fila, até 1977. Como se explica isso?
Tenho fé no Rio Banco. Mas, parece que o São Mateus é favorito. Conte com minhas preces.
Abraço
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grijo Reply:
May 11th, 2009 at 9:03 pm
Sua memória traiu vc, Gabriel. Foi um “Grants Royal”, aquele que se tornou, mais tarde, acho, “Robbie Dhu”. Vc acertou no “Royal”.
Mas sobre essa semelhança entre Corinthians e RB, há um dado importante. O Corinthians ficou no jejum por conta - principalmente - de Pelé. Enquanto ele atuou pelo Santos o Corinthians não foi campeão. É mole?
E o RB? Bem, o último título foi em 85. Foi a última vez que comemorei. Espero repetir isso. Certamente seu amigo tem razão. Só a velharia se lembra dos tempos de glória.
Estou firme, por enquanto.
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on May 11th, 2009 at 9:47 pm
Grijó, meu nobre, sei do estás falando. Sou torcedor do Santa Cruz, que nos últimos quatro anos despencou da primeira divisão do brasileirão para a desonrosa quarta divisão. O Santa Cruz hoje, apesar da tradição, da imensa torcida, do quarto maior estádio particular do mundo, dá média de público acima de 20 mil, é visto como time pequeno. É muitíssimo duro você encara uma realidade dessas. Seu maior rival, o Sport, ganhou os quatro últimos estaduais, a copa do Brasil e se classificou em primeiro lugar no grupo mais difícil da Libertadores. P* Q* P*!!!!!!!!!!!! Diferentemente de você, meu nobre, continuarei torcendo com mais paixão ainda.
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grijo Reply:
May 12th, 2009 at 12:31 am
Ed, meu amigo, vc me entende. Ou quase.
Abraço.
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on May 11th, 2009 at 11:43 pm
Estou triste pelo River, Ortega eu Sorín são caras que eu realmente gostei de ver jogando!
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grijo Reply:
May 12th, 2009 at 12:31 am
Ortega principalmente. O que acabou com ele foi a imprensa, denominando-o o novo Maradona.
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on May 12th, 2009 at 12:25 am
Grijó, meu caro, sou torcedor do glorioso SantosFC. Que ficou 20 anos na fila para conquistar um campeonato de relevância novamente. Neste período sofri com as gozações sobretudo de corinthianos e são paulinos, mas nem deixei de torcer e de acreditar que um dia, um dia…rsss
E o dia chegou. Na verdade a “seca de títulos” faz parte do histórico de qualquer clube. O Santos ficou 20 anos. O Corinthians quase 24. O Palmeiras passou uns 16 ou 17 anos na fila. O São Paulo, um bom tempo também. Claro que tem filas quilométricas como a da Portuguesa, que o último título foi em 1973 e graças ao Armando Marques que não sabia fazer conta “de mais” e acabou “dividindo” o titulo entre Portuguesa e Santos.
Aí como estou em Salvador lembro-me da torcida do Bahia…o último título importante foi em 1988 e não ganha um campeonato baiano desde 2003. E nas últimas 7 edições, o rival Vitória levou 6 títulos. Mas o povo torce ainda pelo Bahea…
E aposto como tu continuarás torcendo pelo glorioso alvinegro Rio Branco!
abs
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grijo Reply:
May 12th, 2009 at 12:37 am
Há exemplos inúmeros, meu caro Groo. O Ed Cavalcante acabou de me relatar o sofrimento com o Santa. Vc falou do Santos. Sei que há muitos, mas isso não me consola. Racionalmente vou indo.
Se campeão for, continuarei a torcer.
Abraço.
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on May 12th, 2009 at 1:21 am
“Só mulher merece isso” é impagável.
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on May 12th, 2009 at 2:14 am
bem, Grijó, nem preciso relatar minha experiência, vc viu lá no meu blogue, minha foto pagando aposta vestindo aquela camisa ‘deles’.
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on May 12th, 2009 at 12:35 pm
Bacana o post Grijó. Gostaria de sentir, e entender, essa sensação de torcedor. Sou Flamenguista mas raríssimas vezes assisto aos jogos do meu time. Jogo do flamengo pra mim é no máximo desculpa pra tomar uma gelada no bar.
Você fala de amor não correspondido e fidelidade, provalmente por eu nao compreender essa paixão, acho estranho esse sentimento todo. Não consigo enchergar como essa relação pode ser recíproca. Time de futebol, pra mim, é um negócio qualquer, um investimento. Seus jogadores, treinadores, etc, devem apenas aos seus patrocinadores, aos donos do clube que, muito provavelmente, como investidores competentes, nada penssam no futebol em sí e ,algumas vezes, até os prórpios jogadores nada penssam além do limite de seus bolsos.
Algumas vezes me encontrei discutindo isso com amigos apaixonados pelos seus times e sempre questiono-os sobre o que exatamente eles ganham quando seus times são campeões. Não conseguem me responder.
Consigo compreender, e sentir, claro, a paixão de torcer por alguém da família, por algum amigo ou mulher amada, acredito ser mais ou menos essa a senssação de um torcedor cujo time foi campeão. Mas o que não me entendo é como sentir algo assim por um time? por algo tão impalpável, sem “vida”, que não está realmente presente na nossa vida, que não se comunica com você, não te abraça, não te dá carinho?
Claro que o futebol, como entretenimento, dá resposta (ou não) a espectatívas nossa, bem como o cinema, a música, a literatura, a arte de maneira geral. Mas essa relação, normalmente, é um pouco supérflua e na maioria das vezes efêmera. Claro que existem pessoas que mantêm uma relação afetiva intensa com certas peças, mas não é comum ver pessoas enfeitando suas casas, vestindo roupas e acessórios se organizando e até brigando por causa de um livro, um filme ou uma música. Fora que quando isso ocorre, essas pessoas são consideradas doentes, obsessivas. Sería, então, essa a relação do torcedor com o time amado? nada mais que uma obsessão?
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grijo Reply:
May 12th, 2009 at 1:58 pm
É verdade, Matyah. Seu comentário é um estímulo para uma postagem intitulada: “O que o torcedor ganha com isso?” Acredito que seja apenas o prazer de vencer. E para sacanear os amigos que torcem para os times perdedores.
Houve épocas em que imaginei que a relação do brasileiro com o futebol fosse a mais intensa. Descobri que não. Há quem diga que é uma relação de sensualidade, de tesão entre time e torcedor. Não sei como isso acontece.
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on May 12th, 2009 at 12:39 pm
Ah, Grijó, me permita discordar!
Torcer não é racional. Não consigo pensar na palavra “torcida” de modo tão frio. Não consigo pensar em “deixar de torcer” pelas agremiações às quais sou partidário há muitos anos.
Sou tricolor, ou seja, o último título conquistado pelo meu time foi a relativamente inexpressiva Copa do Brasil em 2007. Depois disso foi só decepção, a maior delas, a da Libertadores do ano passado. Mas “deixar de torcer” jamais me passou pela cabeça.
Talvez porque eu não seja tão apaixonado por futebol. Mas falemos então de F-1 (estava demorando, né?). A Ferrari, minha equipe do coração, passou 21 anos (1979-2000) sem um título de pilotos! E sem jamais ser abandonada pela torcida, que continuava a ir a autódromos com bonés e bandeiras do time vermelho, mesmo que fosse clara a impossibilidade de vitórias.
Imagine se em 21 os torcedores simplesmente abandonassem a mais charmosa e representativa equipe da F-1!
Mesmo agora, época em que a equipe atravessa uma fase de vacas magras, continuo torcendo. E me satisfaço até com constrangedores sextos lugares. Na atual situação, é algo a comemorar.
Acho que torcer é isso. Não consigo me imaginar não-torcendo. E acho que mesmo que você diga que deixará de torcer pelo RB, sempre se interessará pelos resultados e pela performance do time com especial atenção.
Torcer não é racional, caro mestre. É puramente passional.
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grijo Reply:
May 12th, 2009 at 1:46 pm
Perfeito, Fábio. Seu comentário é exato. Torcida implica passionalidade, embora vc possa, claro, torcer por conta da razão. Um exemplo? Por que há tantos cariocas flamenguistas de 40 anos? Porque, quando crianças, assistiram ao time do Flamengo - aquele, com Zico, Adílio, Júnior etc. - vencer tudo o que era possível. Racionalmente escolheram o time vencedor. O mesmo aconteceu com o Santos de Pelé, o Cruzeiro de Tostão e assim por diante.
Abraço.
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on May 12th, 2009 at 2:59 pm
Grijó,
Nasci no interior do Rio de Janeiro e torço para o Flamengo. O seu comentário a respeito de torcer com a razão é muito interessante. O caso do São, por exemplo. De três anos pra cá o que surgiu de são-paulinos é impressionante. Mesmo quem não se interessava muito por futebol resolveu assumir o preto, vermelho e branco. Acho que virou um pouco modismo torcer para o São Paulo.
No Espírito Santo tenho uma afinidade com a Desportiva. Mas se Desportiva e Flamengo jogassem ficaria, sem hesitar, com o Flamengo. Se tivesse que torcer pelo Rio Branco ou qualquer outro time capixaba, sem problemas. Até porque se pelo menos UM time capixaba tivesse sucesso, o futebol daqui teria mais visibilidade.
Abraço.
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grijo Reply:
May 12th, 2009 at 3:49 pm
É aí que entra a questão da rivalidade, Felipe. Já ouvi muita gente dizendo que se algum time do ES representasse, por exemplo, o estado num campeonato brasileiro, deveríamos torcer por tal equipe. Claro que não! Se a Desportiva disputar o Brasileirão da primeira fase - e espero que isso não aconteça de novo, enquanto eu viver -, torcerei por quem jogar contra ela. Sempre. Já aconteceu uma vez e não foi bom.
Abraço, camarada.
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on May 12th, 2009 at 9:16 pm
Minha geração é da época do Flamengo de Zico, Júnior, Adílio, Andrade e de um dos maiores jogadores de todas as épocas e certamente o maior lateral direito de todas as épocas - Leandro. Felizmente, amo o meu Mengão mais que qualquer um possa imaginar.
Aprendi com minha família a amar o Flamengo.
No entanto, curiosamente, ao contrário de minha família - toda Rio Branco - sou Vitória. Mais especificamente - Vitória Futebol Clube. Tenho menos tristeza que vc, Grijó, apesar de meu time ter sido rebaixado, já fomos campeões da série B este ano e fomos da série A em 2006 (há três anos somente).
Curiosidade: se alguém jogar contra o Flamengo, não interessa quem, sou Flamengo, simplesmente porque sei que nunca o Vitória enfrentará o Fla. Ou seja, sou mais o Rio que o ES, neste caso.
Mas, sou Vitória porque sou bairrista (contradição em relação ao Flamengo que é de outro estado), quanto a esta cidade que adoro mais que tudo - me recuso a torcer para um time que seja de Cariacica (embora a sede antiga seja em Vitória)!
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grijo Reply:
May 12th, 2009 at 10:24 pm
O grande clássico estadual era Rio Branco versus Vitória, até os anos 60. Depois, em 63, veio a Desportiva, ligada à CVRD e deu no que deu. Assisti a grandes jogos entre seu time e o meu, mas a rivalidade foi canalizada para os rastaqüeras grenás.
Gosto do Flamengo. Não torço, mas times de massa - com exceção do Corinthians - me agradam.
Abraço.
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on May 13th, 2009 at 10:37 am
Torcedore é torcedor na alegria e na tristeza …. !!!!
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on May 15th, 2009 at 2:15 pm
Caro Grijó, sei o que é isso, meu pai me levou com 2 anos de idade ao estádio Kléber Andrade ver o Rio Branco enfrentar e vencer o Vasco. Sempre vou ao estádio ver o Brancão e sinceramente espero que ele este ano ganhe o campeonato, eu tenho 26 anos e e não sei o que é ver o meu time ser campeão. Grande abraço.
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on May 18th, 2009 at 11:46 am
Olá Grijó,
Conheci seu blog através de Gabriel Campos e sou eu o amigo dele assessor de marketing do Rio Branco, trabalho que comecei em janeiro desse ano e tem dado muito resultado. Já temos o programa Sócio-Torcedor, diversos souvenirs na loja do Torcedor em dia de jogo e organizamos a parte de patrocínios e captação. O que mais me impressiona é a paixão dessa torcida que faz de tudo e vai onde for para apoiar o clube, e pode ter certeza que dessa vez o esforço é grande para retribuir isso ao torcedor. Você foi ao estádio no sábado? Gostou? Contra o São Mateus será difícil, mas o que não é difícil no futebol capixaba, né? Então, conto com sua torcida e apoio. Caso tenha alguma ideia, estou à disposição.
p.s.: Amor é eterno. Você pode negá-lo, mas sempre há aquela palpitação ao vê-lo.
Saudações Capa-Preta!
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grijo Reply:
May 18th, 2009 at 12:24 pm
Opa, Flávio.
Rapaz, fico contente que o RB, após tanta tramóia - nos anos 90 principalmente - por parte de alguns dirigentes esteja voltando ao lugar de onde nunca deveria ter saído (se é que um dia saiu): no coração do torcedor. Minha paixão pelo time vem da infância. Meu pai foi ponta-direita do clube nos anos 40, numa época romântica em que o profissionalismo não existia. Fui censurado por muitos por ter escrito esta postagem. Outros compreenderam meus motivos.
Não fui ao campo no sábado porque estive em sala de aula até 5 e 30 da tarde, mas torci em silêncio. E, infelizmente, não poderei ir de novo, sábado que vem.
Bom saber que há quem cuide do clube. Se eu puder ajudar de alguma forma, é só avisar.
Abraço e mesmas saudações!
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on May 26th, 2009 at 1:02 am
Éh Bebé…mamar na vaca vc não quer, né?
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on Dec 9th, 2009 at 11:22 pm
Amigo Grijó,
só espero que esse primo botafoguense a que se refere não seja eu, pois não me lembro de ter dito que prefiro me matar a ver o Flamengo campeão novamente em cima do meu Botafogo… Sinceramente, sou apaixonado por futebol, o negócio mexe com a gente, mas ultimamente tenho olhado esse esporte com uma nova perspectiva.
Quer ver uma coisa. Nos últimos três anos o Flamengo foi campeão em cima do Botafogo. Aí a maioria (pouca informada sobre a história de seu time) vem me sacanear sobre um tri-vice.
Me tornei botafoguense em 89 quando vencemos aquela final do carioca. Sempre busquei me informar sobre a história do meu glorioso e depois dessa coisa de tri-vice descobri que o Flamengo foi o maior vice da história de todos os campeonatos carioca.
Isso reafirma uma lógica que venho aprendendo recentimente: o futebol tem ciclos. Daqui a pouco o Flamengo vai voltar a ser freguês do Botafogo, como foi nas décadas de 50, 60 e 70.
E ai, como bom apreciador do futebol, será a minha vez de sacanear a mulambada, mas com moderação.
[Reply]
grijo Reply:
December 10th, 2009 at 1:18 am
Não, Pablo. O primo não é vc, mas outro, que acompanha futebol desde que o Botafogo tinha aquele timaço com Jairzinho, Fischer e outros. Eram os anos 70.
Sim, vc tem razão. O flamengo foi mais vice do que todos os outros, mas prepare-se para a resposta da mulambada: fomos vice porque chegamos à final”. Velho papo, mas funciona.
Também sou apreciador do futebol - e há pelo menos 40 anos, mas não dá mais para torcer para o RB. Chega! A postagem diz tudo.
Abraço.
[Reply]