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Afastai-vos, pobretões!

Em A Gazeta, jornal local, de domingo, dia 7:

“(…) De tão competitivo, até o mercado da música passou a exigir ‘nível superior’, e, tal qual o forró e o pagode, o sertanejo também entrou para a vida universitária.”

Está dizendo o quê, realmente? O nível da música subiu ou a exigência da juventude universitária desceu a degraus baixíssimos? Acho que a coisa vai mais além. Lembro-me de que a expressão “universitário”, hoje banalizada pelo Pró-Uni e pelas milhares de faculdades particulares (muitas delas de qualidade duvidosa) espalhadas pelo país, era sinônimo de status intelectual e, acima de tudo, resultado de dedicação aos estudos. A expressão “universitário” tornou-se álibi, parece-me. Álibi?

Pode ser que tudo seja apenas uma questão de mercado - mas não é algo tão simples quanto parece. Posso me equivocar, mas, pelo que sei, duplas sertanejas (ou caipiras) sempre tiveram apelo com camadas sociais populares, cujo grau de instrução, via de regra, nunca foi quesito essencial. Diante disso, que público consumia shows sertanejos? Na maioria dos casos, os pobres.

E agora? Pelo que pude perceber, patricinhas e mauricinhos, dondocas e marombados, gente rica ou remediada, emergentes e bem-nascidos, todos esses se dirigem a boates - ou casas de shows - nas quais duplas sertanejas percebem que, ao autodenominar-se “universitárias”, delimitam o poder aquisitivo do público consumidor do evento. Ou seja, pobre não entra. Fui verificar o álbum de fotos disponibilizado no site. Todos, sem exceção, não parecem dar duro para sobreviver. São oriundos de boas famílias e curtem a balada com disposição. E sem a aporrinhação de um pobretão mal vestido (ou cafona) tentando aproximar-se. Chamam isso de segurança, conforto. Nada contra, claro.

 Bom para os investidores dos shows. Essa rapaziada toma long-neck superfaturada, fuma cigarros caros, não pergunta preço do tira-gosto, usa roupas de marca e geralmente sai desses ambientes durante a madrugada, satisfeitos da vida, prontos para retornar em breve. Todos estão felizes, mesmo sabendo que a segregação come solta. Mas não é assim em todos os setores? Na matéria, afirma-se que o público consumidor é de classe média urbana. Há poucos anos o público rural lotava shows sertanejos. Bem, os ruralistas ricos chegam do interior com sua picapes e não perdem um show, afirmam. E até se orgulham disso. 

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28 Comments on “Afastai-vos, pobretões!”

  1. #1 Everaldo Dumas
    on Jun 9th, 2009 at 2:05 pm

    Pode esperar, Grijó…em breve teremos “funk universitário”, e as meninas que criticam as “moças da periferia” vão sem calcinha pros shows, hehe, vão quebrar tudo, popozudas, etc, etc. Aliás, já fazem isso em churrascos de turma…forte abraço, até.

    [Reply]

    grijo Reply:

    Funk universitário?
    O fim da picada…

    [Reply]

    Chicão Reply:

    Vi, certa vez na tv, um programa da furacão 2000 (tenho uma mórbida curiosidade sobre este tipo de idiotice) onde Verônica Costa, a Mãe Loura do Funk, perguntava: Cadê os universitários do funk?
    E eu pensando: No inferno. Óbvio.
    Triste engano. No inferno estou eu. No caminho que estamos meu filho provavelmente estudará o movimento “pocotoísta”.

    [Reply]

  2. #2 Tania
    on Jun 9th, 2009 at 5:32 pm

    De mal a pior! Não sei se é meu ouvido que tem defeito mas nunca consegui apreciar sertanejas, talvez pq sou típica urbana, nasci e moro em cidade movimentada, mas já morei em fazenda e gostava de rock na fazenda, de clássicas na fazenda, fora o gosto, nada contra. Mas não entendo essa lógica do ‘’status” na educação brasileira nem acho q entenderei algum dia. Poderiam ao menos diversificar e colocar todossssssss os gêneros na universidade então, essa coisa de modinhas é um atraso geral!

    Boa crítica , professor!
    beijo

    [Reply]

    grijo Reply:

    Tania, embora eu seja nascido e criado na área urbana, até que tenho ouvido para caras como Almir Sater e Geraldo Azevedo. Não estão entre minhas preferências, mas respeito-lhes o trabalho.
    As duplas sertanejas em si nada me dizem. O que não dá para agüentar é a legitimação delas pela rapaziada pós-18 anos.

    Ainda bem que, quando amadurecerem, sentirão vergonha do que ouviram. Esperança há.

    [Reply]

  3. #3 Pobre Esponja
    on Jun 9th, 2009 at 6:00 pm

    Cara, isso vem de encontro ao que comentei num blog ontem. Ao invés de falarem “Traficante” é preso, em alguns casos, só porque a figura tem capacidade de pagar uma facu de merda, a notícia é “Estudante Universitário é preso”. Com o nível das facus, e podendo pagar uma mixaria em algumas, todos são universitários? Ao pé da letra sim, mas sairão sem saber se educação é com c cedilha ou dois esses.É uma vergonha.
    Ps: Claro que há - raríssimas - exceções.

    Belo Post
    abç
    Pobre Esponja

    [Reply]

    grijo Reply:

    Sim, a coisa banalizou.
    Lamentável. E pior para mim, que trabalho com uma clientela que, no fundo, sabe que a universidade pública é melhor, mas muitos - há, claro, exceções - acham que ter um diploma, não importa de onde ele venha, é essencial.
    Num país como o Brasil, é mesmo.
    Valeu.
    Abraço.

    [Reply]

  4. #4 Guilherme Sanper
    on Jun 9th, 2009 at 6:23 pm

    Concordo, antigamente as duplas sertanejas faziam mais sucesso entre os de baixa renda, agora com o tal Sertanejo universitário a coisa começou a ficar mais chique, ahh não é “sertanejo”, é “serrrrrtanejo uniiiversitário” como se o que não fosse universitário remete-se ao caipira pobretão.

    Sabe que uma vez descobri que o Mano Lima, figura carimbada da minha terra pelo seu jeito grosso e gauchão de ser era um cara formado em diversas faculdades e bem culto, e apenas usava de um personagem para usar na sua carreira musical.

    [Reply]

  5. #5 Fran
    on Jun 9th, 2009 at 7:32 pm

    Adoro sertanejo universitário. Eu e minhas amigas frequentamos e a música é show. O que acho é que existe muito preconceito por parte dos intelectuais pra esse tipo de música. Porque vc não vai a um show pra ver?

    [Reply]

    grijo Reply:

    É um convite, Fran?

    [Reply]

  6. #6 Charlles Campos
    on Jun 9th, 2009 at 7:46 pm

    Por favor, façam um minuto de silêncio em sinal de pesar por mim: moro a 165 km de… Goiânia, numa cidade que tem três festas pecuárias por ano.

    [Reply]

    grijo Reply:

    Rezarei por vc, Charlles, se bem que não adianta muito.

    [Reply]

  7. #7 Cris Rubi
    on Jun 9th, 2009 at 8:17 pm

    Era só o que faltava né, e é a mais pura verdade, antigamnete aconteciam shows sertanejos pra todo lugar de ” grátis” rsrs, hoje em dia cobram um absurdo, só entra quem pode ou tem coragem.
    Adorei tudo por aqui
    grande beijo

    [Reply]

  8. #8 matyah
    on Jun 9th, 2009 at 10:49 pm

    Olá Grijó,
    Crítica perfeita a sua, concordo plenamente. Entretanto, faço uma outra associação q acho q completa a sua. Essa galera que frequenta esse tipo de evento, essa rapaziada q toma long-neck superfaturada, como vc diz, está pouco se lixando para o que estão ouvindo nesse lugares - pelomenos a maioria é assim, acredito. Querem mesmo esbanjar a riqueza q possuem e agarrar uma bela loura q passa o dia inteiro malhando. A meninas, por sua vez, também jovens de classe média, querem esnobar e agarrar o “garanhão” bombadinho, q ela sabe q tem condições ($) de leva-la a lugares “sofisticados”, à uma temakeria bacana na Praia do Canto e a uma das boates da moda. E acho q esse é o ponto crucial para q eventos desse tipo façam sucesso, a moda. O pessoal vai pq sabe q vão encontrar a turminha deles lá, q vão se identificar com o público, vão poder fazer sua “pegação” e, como você disse, não vao ser incomodados por algum pobretão. Pronto. Está aí a receita pro sucesso: pessoas superficiais + música superficial + consumo conspícuo = relações superficiais e modinha.
    Agora uma coisa ainda não consegui entender muito bem. Se o que menos interessa para esses universitários é a musica a qual estão ouvindo, então por que não frequentar e fazer as mesmas coisas em locais culturalmente mais sofisticados? Será q é porque eles, na verdade, não são tão “universitários” quanto imaginavam?

    [Reply]

    grijo Reply:

    Complementou magnificamente bem, Matyah.
    A superficialidade parece ser a ordem do dia mesmo.

    Acho que sei a resposta a sua pergunta. Em locais culturalmente mais sofisticados, o espaço para a superficialidade é mais restrito, já que há muito mais gente interessada em música de qualidade e dispensando as “pegações”.
    Mas, como eu disse anteriormente: o termo “universitário” foi para o brejo. Qualquer um, hoje, pode ser chamado assim.

    [Reply]

  9. #9 Vanessa C
    on Jun 9th, 2009 at 11:02 pm

    Olá, Grijó!

    Bom, eu tenho dúvida se vc gosta mesmo, ou não, de sertanejo. Não era vc que usava um chapelão “dos tais” em uma foto no seu orkut” hahahahahhah Ou era estilo Johnn Wayne ? Ou era a birita na cachola?

    Mas agora, falando sério, já me convidaram trilhões de vezes para assistir ao filme Os dois filhos de….” e tenho o maior orgulho de dizer que não fui, não vou e não irei assistir tal coisa, muito menos ouvir CDs tipo neo-sertanejo ou os tais “universitários”. Xô!!!!!
    E quanto aos que foram e elogiaram o filme, também acho que um dia terão vergonha e se arrependerão.
    Azar deles.

    Embrace.

    [Reply]

    grijo Reply:

    Acho que era a tal birita na cachola, embora eu seja fã dos faroestes de John Wayne, Giuliano Gemma e Audie Murphy.

    [Reply]

  10. #10 Assenav
    on Jun 9th, 2009 at 11:40 pm

    Vou ter de corrigi-lo, Everaldo, não teremos “funk universitário” em breve, já temos! Se duvida, basta dar umas voltas pelo campus da Ufes, principalmente quinta e sexta à noite. Já bebem de tudo, fumam de tudo, ouvem de tudo e dançam de tudo. Como ainda estudo lá, não é raro presenciar isso.
    Recordo do meu primeiro dia de aula na Ufes, quando meu professor, com seus cabelos grisalhos, disse à nossa turma que a partir daquele dia começávamos a fazer parte da “elite intelectual deste país(…).”
    Honestamente, a julgar a realidade de alguns que estudam lá não sei se foi um grande equívoco, ou se teria sido a expressão de uma grande esperança?

    Sim, ser universitário tornou-se um status. Depois de o governo abrir as pernas das escolas públicas e passar lubrificante para que qualquer um entre e saia - qualquer um mesmo, há éticos e bandidos de verdade na escola pública e a única coisa que reprova é ausência. Por “nota”, não. Então, agora o governo preocupado com essa massa com “diproma” de ensino médio começa a seduzir as insituições de ensino superior. (Há damas e putas. Algumas insituições de ensino superior são grandes putas, você paga, usufrui, dispensa e depois se gaba de tê-lo feito)…

    Sobre musicalidade, não sejamos injustos, o sertanejo tinha o seu perfil, o seu público, o seu estilo e charme, hoje qualquer dupla com um violão que arrisca uma rima se diz cantor sertanejo. Não menosprezemos a diversidade musical.

    Penso que isso seja apenas um prólogo do futuro deste país. Pessoas com diplomas, mas sem valor, cultura, perspectiva ou moralidade. E o pior, podendo massificar toda a nova geração.

    Enfim… há muitas coisas a serem ditas sobre isso.

    [Reply]

  11. #11 Fábio Galvão
    on Jun 10th, 2009 at 11:28 am

    Mas quanta diferença entre gerações, não é mesmo? Há 40 anos os estudantes universitários tinham como ídolos Chico buarque, Ivan Lins, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Edu Lôbo. Depois vieram os caras do Ceará, mas a qualidade musical não caiu. Com o passar dos anos a situação só piorou. Os universitários foram baixando de nível, começaram a ouvir Renato Russo, Paralamas, Plebe rude, Ira, Titãs, Lulu Santos e outras farsas musicais. Ninguém mais queria saber de Arrigo Barnabé, que foi um ás pra minha gerração aqui em Sampa ou em qq brejão civilizado. O que se vê nos anos 2000? Os universotários pagam prá assistir shows de Bruno & Marrone, Cesar Menotti, Vinícius & João bosco e outras nulidades que não acrescentam nada a ninguém. Li no comentário de alguém aí em cima que as pessoas vão pra esses luigares apenas pra pegação, pra paquera. Tomara!!!! tomara que esses universotários estejam indo só por conta do sexo, porque se estiverem indo pra ouvir música, danou-se! Tenho 34 anos e sou de uma geração meio sem identidade musical, uma geração que se preocupa somente em se dar bem, com grana, carros e um sexozinho básico e contumaz. Quando olho pros meus amigos e amigas vejo o quanto estou meio fora-dos-eixos, o que não quer dizer que eu seja perfeito! Claro que não!!! Mas pelo menos sei do valor dos bons caras da MPB. Alguém tem de desmascarar esses sertanejos!!!
    Abração & parabéns pela postagem corajosa.
    F. G. R.

    [Reply]

    grijo Reply:

    É verdade, Fábio, mas parcial.
    Se fosse assim, caberia a pergunta: por que os universitários de “ontem” não influenciam os universitários de “hoje”? Na verdade, a alienação universitária existe em todas as gerações, seja nos anos 60, seja agora.
    Prefiro evitar comparações entre a vida universitária de 40 anos atrás com a de agora. Os tempos são outros, a demanda é outra, as necessidades passaram a distinguir-se.

    Mas não vejo os sertanejos como gente a ser desmascarada. A responsabilidade por eles existirem é de quem consome sua produção. Ouve quem quer, penso eu.

    Abraço.

    [Reply]

  12. #12 Tálib
    on Jun 10th, 2009 at 3:01 pm

    Eu, particularmente, não posso opinar sobre essas coisas universitárias. Não conheço sequer o que significa sertanejo universitário - nem quero conhecer. A classe universitária se banalizou tanto, e de modo progressivo, que qualquer asneira é considerada boa música - já baseado nos comentários de outra postagem que fiz acerca do relativismo.
    Observe, por exemplo, o Festival de Alegre do presente ano. Estive naquela cidade a trabalho. Almoçando, tive o desprazer de ver a programação…descobri que existe Jorge e Mateus (nunca tinha ouvido falar), Victor e Léo, Hudson e Edson (ou Edson e Hudson, sei lá). Imagino que isso tudo seja sertanejo. Não sei uma letra de música deles - e me orgulho disso. E a quantidade de pagodeiros e de axé? Um tal de Sorriso Maroto…já imaginou a desgraça que não deve ser? Já posso até imaginar 1 sujeito cantando com outros 200 atrás fazendo passinhos ensaiados de dança de gosto duvidoso.
    Se os tímpanos pudessem falar, o que diriam aos donos que ouvem isso?
    Vi o comentário de uma participante aqui do blog que há preconceito por parte dos intelectuais para este tipo de música. Não acho que seja bem assim. Nem todo mundo que gosta de boa música é necessariamente um intelectual. Por exemplo, Cartola gostava de boa música e não era (ao menos nos moldes que imaginamos) um intelectual. Mas tem bom gosto.
    E quanto ao preconceito, não utilizaria esta palavra, mas se for inevitável, prefiro - neste caso - ir para a cadeia por crime inafiançável a submeter meus ouvidos a tortura com requintes de crueldade.

    [Reply]

    grijo Reply:

    Faltava você, Tálib.
    Valeu.

    Abraço.

    [Reply]

    Tálib Reply:

    Não há de que Grijó.
    Serve como desabafo, depois de uma merecida homenagem a Nara Leão na postagem passada.
    Abração

    [Reply]

  13. #13 e.
    on Jun 16th, 2009 at 9:39 pm

    Eu encaro como um golpe de marketing, dentro de uma sociedade preguiçosa e superfícial TUDO tem uma aceitação muito grande no mercado. Pricipalmente no mercado musical.
    O fato é: O caos vem da mídia. O brasileiro acomodou-se a comprar, principalmente, o apelo televisivo e esse desastre parte disso, basta ter um bom empresário o “RESTO” é fácil.
    Faço parte dessa geração universitária - se vocês me permitem usar o termo - e acredito que há salvação. Vejo coisas boas oriundas das décadas passadas, entretanto, com pouca expressão.

    p.s: Gostei do blog.

    [Reply]

  14. #14 Débora
    on Jun 21st, 2009 at 9:52 pm

    Um pouco passado o tempo, mas não posso deixar de escrever: ontem, ouvindo a TV, vi um chamado pra mais uma dessas festas.
    Sabe qual era a principal banda??
    O fenômeno do “pagode universitário”, Sorriso Maroto.
    Bom, eu ainda sou universitária - mais uma vez…- e, pra mim, esse grupo, que nem conheço, não é fenômeno nenhum.

    [Reply]

  15. #15 Bastos Tigre
    on Jun 28th, 2009 at 3:04 am

    Sem comentários. A postagem é perfeita. Fico triste por perceber a triste e desgraçada realidade, mas que bom que elaguém a traduz em palavras.
    Até.

    [Reply]

  16. #16 Bernardo Viana
    on Jun 28th, 2009 at 3:05 am

    Caro Grijó,

    Logo após ler esse post, me deparei com esse pequeno texto de Dimenstein. Apesar de não ter muito a ver com o assunto em si, achei interessante e resolvi mostrá-lo a você. O Brasil está tão mal assim para necessitar de ajuda de uma garota de 14 anos da Flórida para ter cultura?

    http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/gilbertodimenstein/ult508u586230.shtml

    [Reply]

    grijo Reply:

    Na verdade, Bernardo, eles necessitam dessa menina para poder envergonhar-se. Mas não se envergonham. Nem eles nem os burocratas do Minc.
    É triste.
    Abraço.

    [Reply]

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