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O fim dos tempos

Vi mais uma vez Apocalypto, de Mel Gibson. Filmão, mas agora visto no formato tevê, por canal fechado. Não é a mesma coisa, claro. No cinema a floresta tropical mexicana torna-se personagem, que atua sob a mira precisa do diretor. Espantei-me mais uma vez. É a terceira ou quarta vez que assisto à perseguição sob a chuva e pelos caminhos do matagal. Mel Gibson me surpreende. Não me disse muito em a Paixão de Cristo, nem nos filmes em que atuou, com exceção do excelente Gallipoli, fantástico filme em que o ator está muitíssimo bem. Algum mais? Não vou consultar o wiki para ver o que esqueci.

Apocalypto é cinema puro - principalmente a grande cena do filme, quando, diante da praia, os guerreiros maias vêem a chegada dos europeus, com seus barcos, velas, mantos e a cruz do nazareno. Ali, sim, começa o apocalipse, a matança, o fim dos tempos em nome da nova civilização. É um épico - e dos bons. O ponto de vista do nativo, assim como a linguagem maia, é a grande trunfo do filme. Dá credibilidade a uma película cheia de hipóteses que a história real pode ou não confirmar. Não importa.

E os atores? Bem, confesso que fui à web para saber quem são Rudy YoungbloodRaoul Trujillo  e Gerardo Taracena - o trio que manda no filme. É bom que se diga: Trujillo - como o mau pai vingativo - é o que há de melhor. O filme tem cenas que farão parte de uma futura antologia: a criança contaminada que vaticina o apocalipse, a perseguição do jaguar ao mocinho, as cabeças rolando templo abaixo durante o sacrifício e, claro, a citada cena diante dos conquistadores que desembocam na praia. Há outras, naturalmente.

Sem história, o filme não anda - todos sabem disso. Mel Gibson teve ajuda para escrever: Farhad Safinia, iraniano, foi fundamental na jornada. Sem ele, sem sua visão sobre o paradoxo maia (cultura riquíssima mas violenta), o filme certamente teria menos força. Ainda bem que esteve por perto.

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33 Comments on “O fim dos tempos”

  1. #1 Antonio Caglias
    on Jun 22nd, 2009 at 1:15 pm

    Um grande filme! vi no cinema, então tenho mais sorte…gostei demais das interpretações de sujeitos que nem eram atores, pelo menos alguns deles.
    “Filmão” mesmo, Grijó.
    Sds

    [Reply]

  2. #2 Vanessa C
    on Jun 22nd, 2009 at 6:37 pm

    Hummm… sei não. Entretenimento por entretenimento, prefiro um livro, dos bons.
    Embora não esteja a fim, gosto se discute mesmo, afinal, seu blog está aqui para isto. Valeu para os fãs do gênero.

    um bom abraço, mestre.

    [Reply]

    grijo Reply:

    Não sei, Vanessa.
    Há momentos para livros; há momentos para filmes. E para nenhum dos dois.
    Abraço.

    [Reply]

  3. #3 ED
    on Jun 22nd, 2009 at 7:53 pm

    Vi esse filme duas vezes em devedê e gostei bastante. Prende a atenção do começo ao fim. Além da cena que você citou, eu destaco a sequência em que o nativo foge das flechas e cai numa vala de corpos. Sinistro, como dizem por aí!

    [Reply]

    grijo Reply:

    A cena é boa mesmo, Ed.
    Dura.

    [Reply]

  4. #4 marton
    on Jun 22nd, 2009 at 8:10 pm

    Realmente a evolução de Mel Gsbison com diretor é impressionante.
    Mas pensar se merece um Oscar, principalmente por um filme tão fraco (não este, o outro) é lamentável.
    Gostei deste filme tb,.
    Mas não sei se veria de novo.

    [Reply]

  5. #5 Inez
    on Jun 22nd, 2009 at 8:21 pm

    Eu não assisti esse filme, na verdade nem tenho a intenção de assistir é muito forte e se for como dizem 2012 está chegando né, não quero pensar a respeito.

    [Reply]

    grijo Reply:

    Inez, esse filme, “Apocalypto” fala do fim dos tempos do império maia, assim como prevê a chegada de Colombo à nova terra. Nada tem a ver com 2012.

    [Reply]

  6. #6 Heraldo J.
    on Jun 22nd, 2009 at 8:59 pm

    Depois de A paixão do Cristo fiquei com um gosto amargo na boca por causa dos filmes do Mel Gibson. Nem quis ver Apocalypto, embora tenham dito pra mim que era imperdível. Preferi não, mas depois de ler essa pequena resenha, talvez eu até reconsidere. O problema é que Mel gibson está estigmatizado pelos filmes pancadaria e pelas comédias chatinhas, tipo O que as mulheres gostam. Bem, talvez eu dê uma chance a ele, hehe

    [Reply]

  7. #7 Everaldo Dumas
    on Jun 23rd, 2009 at 12:31 am

    Gostei do filme e por coincidência comprei neste domingo o DVD, junto com Terminator 2 e Pulp Fiction, na Blockbuster/Americanas…tudo a preços bem módicos. Não tinha visto e abri o coração pra esse tipo de filme, que não faz meu estilo…esses épicos do tipo A Conquista do Paraíso não me fazem a cabeça, mas curti o filme em sua integridade. Só faltou uma trilha sonora legal, não achou?

    p.s. Valeu Grijó, pelo toque. e agradeço tb ao Tálib. Estas discussões sempre valem a pena porque se baseiam no respeito mútuo e na valorização do debate. Desculpa qualquer coisa.

    [Reply]

  8. #8 grijo
    on Jun 23rd, 2009 at 12:33 am

    Relaxe, Everaldo. Tálib tb se manifestou na outra postagem. Dê uma checada. O espaço está sempre aberto.
    Grande abraço.

    [Reply]

  9. #9 Bruno Leao
    on Jun 23rd, 2009 at 9:11 am

    Um ótimo filme mesmo, gostei muito. Engraçado que pra um filme do Mel Gibson ele é pouco conhecido. Mas me surpreendeu

    [Reply]

  10. #10 S. Duras
    on Jun 23rd, 2009 at 9:25 am

    Mel Gibson não é muito normal, não. É meio doido, esquisito. Pra ele os homossexuais tem de ser extintos, faz torturas em seus filmes, sempre está dirigindo bêbado e sacaneia quem trabalha em seus filmes. A despeito disso, Mel Gibson é um excelente diretor. Emocionou com maestria no chocante A Paixão de Cristo, filme com grande violência e soberba trilha sonora. Mas nA Paixão de Cristo, a violência era justificável, já em Apocalypto, ela é gratuita. Como diretor, Mel Gibson parece estar amadurecendo através do tempo, Apocalypto é cheio de belas imagens muito bem focadas pela câmera de Gibson. As cenas de ação são dirigidas muito bem e a trilha sonora ajuda (alguém disse aí em cima que a trilha não ajuda…como não?). Mas sabe que achei o roteiro do filme meio oco? O filme demora pra engatar e demora pra acabar, mas sempre encantando com as locações. O filme não é ruim, mas apenas frio e distante. Se Mel Gibson me emocionou e me chocou em A Paixão de Cristo, aqui ele não chega nem a me contagiar.
    Forte abrá, Grijó

    [Reply]

    grijo Reply:

    É verdade, Silvio. No plano pessoal, Mel Gibson é cheio de estranhezas que, muito dizem, brotam do radicalismo religioso dele. É um católico cujo fervor passa das medidas.

    Quanto à sua crítica ao roteiro, aí é que está. Achei justamente o contrário. A história é boa: narração sobre a antítese que foi a civilização maia, com sua riqueza cultural e tecnológica mas ao mesmo tempo tremendamente violenta e opressora. E o choque entre o pacifismo de uma aldeia e a transformação desses integrantes em escravos em nome da ascensão de um império. Ao mesmo tempo há uma segunda história - de amor e coragem - sobre um homem em busca da liberdade. Que, ao final, ironicamente, corre perigo. Gostei disso, o que não quer dizer, em absoluto, que vc não possa ter tido outra visão.
    Abraço, camarada.

    [Reply]

  11. #11 Marcus Duarte
    on Jun 23rd, 2009 at 5:58 pm

    Cara, eu tava afinzao de pegar este filme na locadora;
    É daqueles que eu sei que é bom, e sei que um vou pegar, mas na hora, sempre tem outro que chama mais a atenção..

    Com essa dica tua agora, é certo que vou alugar.. Abraço!

    [Reply]

  12. #12 Guttwein
    on Jun 23rd, 2009 at 5:59 pm

    Gibson me surpreendeu nesse filme… a riqueza de detalhes, o enredo… tudo! Filmaço!!
    Só achei que ficou devendo na trilha sonora, mas qto ao resto, muito bom!

    [Reply]

    grijo Reply:

    Interessante esse dado sobre a trilla sonora. Uns dizem que deixou a desejar. Outros, que é excelente.
    Vou rever.

    [Reply]

  13. #13 Tais Cristina
    on Jun 23rd, 2009 at 8:06 pm

    Ainda não cheguei a ver esse filme, mas A-MEI “A Paixão de Cristo”!! Esse é lindo demais e, pra mim, disse muito (afinal, os outros filmes sobre Jesus Cristo quase nem mostram nada a Paixão dele.
    Vou procurar ver “Apocalypto”, dizem que é muito bom, mesmo.
    Ah! E eu vi que vc postou algo sobre “Calígula”, tb, eu gosto desse filme, pois sou grande fã do Malcolm McDowell e da Roma Antiga.
    Beijos

    [Reply]

  14. #14 Fernando
    on Jun 23rd, 2009 at 8:34 pm

    O filme é chocante por muitos motivos, mas em especial por sua capacidade de colocar o espectador dentro da ação. A violência ali é crua e assustadora. E tão chocado quanto o protagonista fiquei eu, quando o filme recebe uma injeção de adrenalina e dispara por uma perseguição louca pela floresta. O rapaz Jaguar Paw corre, pula, a câmera corre, pula, e eu tb tomo fôlego e olho desesperado para trás enquanto os perseguidores continuam apenas alguns metros atrás. A ação é selvagem mas muito bonita, professor…mas é tb angustiante. Filmão, como vc mesmo diz…hehehe, [abs]

    [Reply]

    grijo Reply:

    É uma câmera muito bem usada, Fernando, e talvez seja esse o maior mérito de Mel Gibson. Se o ponto de vista é do herói-rapaz Jaguar Paw, nada mais justo que a câmera o acompanhe na trajetória da fuga e da conquista pela liberdade. Os recursos de Mel Gibson me pareceram ilimitados.

    [Reply]

  15. #15 Karina
    on Jun 23rd, 2009 at 9:33 pm

    Não vi o filme em questão, mas sendo do Mel deve ser bom. Agora, quando vc falou em Gallipoli eu arrepiei…que filme lindo e que final maravilhoso, com Mel correndo e a câmera congelando porque ele não chega a tempo de dar as notícias…sabe que vi esse filme no cinema e nunca vi nem na TV? Adorei o post. Bjos

    [Reply]

    grijo Reply:

    Gallipoli é obra-prima, Karina. Em breve postarei sobre ele.

    [Reply]

  16. #16 Will
    on Jun 23rd, 2009 at 9:58 pm

    Não sei se vc tá sabendo dessa, Grijó, mas Mel gibson foi acusado de plágio pelo diretor mexicano Juan Catlett, que fez um filme chamado Retorno a Aztlan. Ele acusa Mel de usar as idéias dele no filme Apocalypto. Ele declarou que o agente de Gibson pediu uma cópia de seu filme, enquanto Apocalypto estava sendo rodado. O filme de Catlett conta a história dos conflitos envolvendo o antigo império do México, quando guerreiros e sacerdotes estão lutando para obter poder e as pessoas estão morrendo. Mel gibson está enfrentando os tribunais, mas ninguém comenta muito o assunto.
    Abs

    [Reply]

    grijo Reply:

    Não sabia dessa, Will. Valeu a informação.
    Abraço.

    [Reply]

  17. #17 everaldoygor
    on Jun 24th, 2009 at 11:35 pm

    Olá! Grijó…
    Da violência dos antigos - dos novos/velhos invasores, selvageria que deixa dúvidas sobre a verdadeira historia dos Maias e até do exterminio Asteca, enfim um bom triller, velocidade - hipnótico com a narrativa próxima do original… Espanhois dominando e exercendo os principios da globalização pelo cristianismo, a busca da amada, heróis em uma cruzada nas américas…
    Um bom filme!
    Abraços
    Saudações Poéticas

    [Reply]

  18. #18 Fê Sabatini
    on Jun 25th, 2009 at 12:36 am

    Antes de comentar fui ver, porque li seu post ontem. Preferi ver primeiro. Achei bom, Grijó. Apenas bom, nada de tão espetacular. A tal cena de Colombo & cia chegando é bacana pela perplexidade dos índios, mas confesso a vc q o filme não me impressionou…muito violento, muito sangue jorrando e vou te dizer: não tem ninguém bonito no filme, meu Deus!!! rsrsr
    bjoks

    [Reply]

    grijo Reply:

    Sem problemas, Fê. Geralmente não concordam comigo.
    Bjo, querida.

    [Reply]

  19. #19 matyah
    on Jun 25th, 2009 at 1:12 am

    Bacana ver um post sobre esse filme aqui no Ipsis. Já ouvi falar muito bem desse filme e me agrada muito o assunto, mas nunca me prontifiquei a assisti-lo. Acho que a mão de Mel Gibson no filme me faz ter certo preconceito. Mas pelo que vc diz deve ser bom mesmo né. Vou ver se assisto.

    Abraço.

    [Reply]

    grijo Reply:

    Preconceito, Matyah?

    [Reply]

  20. #20 erich
    on Jun 25th, 2009 at 4:56 pm

    Preciso ver este filme urgente … não é a primeira vez q leio críticas positivas.
    Alem de gostar de Mel, eu gosto do assunto em questão

    [Reply]

  21. #21 Edu
    on Jun 26th, 2009 at 1:58 pm

    Bem, quando se fala em holocausto, é bom ter um pouco de respeito. Nenhum povo sofreu tantos horrores quanto o povo judeu. Não vamos deixar que o mundo esqueça.

    [Reply]

  22. #22 Cássio Siquara
    on Jun 27th, 2009 at 3:17 pm

    Grijó, sinto em desmanchar a visão romântica dos Maias vendo as caravelas chegarem, porém a Civilização Maia entrou em decadência por volta do século VIII e como sabe as navegações rumo às Américas começou no final do século XV.

    Não sei se o Mel conhecia essa informação, porém independente disso o final ficou fantástico e não deveria ser alterado apenas para manter a coesão histórica.

    Excelente filme e excelente postagem, parabéns.

    [Reply]

    grijo Reply:

    Sim, Cássio. Essa informação procede, claro, o que nãao impede, em absoluto, que se possa criar sobre e apesar dela. Mas a decadência maia, como a conhecemos, pelos livros e documentários, deu-se de dentro para fora. O que Mel Gibson propõe - ou o que se pode compreender - é que a chegada dos europeus é uma metonímia. Ou seja: não somente a chegada à Guatemala, mas a todo um novo mundo, e as conseqüências disso.
    Abraço, camarada.

    [Reply]

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