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Livros para quê? (parte VI)

Insone, numa manhã de sábado, assisto a um programa de tevê de nome Ação, com apresentação de Sérgio Groisman - aquele mesmo, do Altas Horas, madrugueiro, em que a gurizada protesta contra os altos preços do chicabom e assim por diante. Pois bem, o programa Ação - que, confesso, nunca tinha visto - dedicou seus poucos minutos ao livro, à leitura, à importância da família e da escola na formação do leitor-mirim, às bibliotecas etc. Excelente, mesmo falando o óbvio: os livros ensinam, fundamentam, divertem, sensibilizam, desvendam. Todos sabem, até mesmo os que insistem em descartá-los de seu dia-a-dia.

Sérgio Groisman entrevistou Ignácio de Loyola Brandão, escritor que foi sensação nos anos 70. Divertido, sensato, inteligente, insiste na idéia correta de que literatura é memória, fantasia, realidade e criação. Por isso tão humana e tão importante, tão essencial à criança, ao adolescente, ao jovem e à vida adulta, épocas em que somos humanos, ou que insistimos nessa idéia. Loyola falou também o óbvio: família e escola podem ser um suporte ou levar tudo a perder. A despeito de algumas exceções, aprende-se a ler vendo os pais lerem. Na escola, se o professor não amar os livros, se não respeitar seu conteúdo, é muito provável que o aluno não desperte para a leitura. Estou falando o óbvio também.

Não sabia que a rede Globo investia nesse filão. Claro que o investimento é tímido, afinal o horário de 7 e 45 da manhã, de sábado, é algo pouco convidativo, principalmente para o indivíduo entre 15 e 20 anos. Horário ingrato, claro. Então, por que não veicular esse programa - e outros, como Globo Ciência - em horários mais convidativos? Problemas mercadológicos, naturalmente. Pode-se imaginar grandes empresas - refrigerante, automóveis, material de construção, bancos - investindo em leitura? Eu posso, mas eles não. E, já que esta é uma postagem sobre o óbvio, responderão com uma pergunta: livros para quê?

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20 Comments on “Livros para quê? (parte VI)”

  1. #1 charlles campos
    on Jun 27th, 2009 at 6:47 pm

    Minha resposta para tua pergunta, copia a de dois escritores notáveis:

    Ricardo Piglia, que disse que o livro não nos torna melhores, mas mais ricos.

    E a do mestre Millõr, na boa falta de cerimônia: por que ler? porque é o maior barato!

    abraço.

    [Reply]

    grijo Reply:

    Boa, Charlles.
    Aliás, boas.
    Abraço.

    [Reply]

  2. #2 Tálib
    on Jun 27th, 2009 at 9:37 pm

    Sinceramente, nunca soube que Sergio Groisman fizesse algum programa bom. Acho-o um chato. Mas, se vc está me dizendo que ele fez um programa nesse nível, reconsidero o que eu disse.
    O hábito da leitura não é fácil de se fazer penetrar na mente do cidadão brasileiro. Infelizmente, não temos (ao contrário de nossos vizinhos argentinos), o saudável hábito de ler.
    Estive semana passada em São Paulo, revisitando antigos amigos que deixei do tempo que lá morei. Minha maior constatação: realmente, o Brasil é um país de contrastes.
    A Livraria Cultura no Conjunto Nacional - depois da reforma que não conhecia - se tornou um ponto turístico. Está perfeita, com espaços, sofás, colchões e todo o tipo de conforto para que os clientes possam desfrutar dos livros e todo o tipo de CDs e DVDs. Fiquei satisfeito ao ver uma livraria gigante completamente repleta de pessoas das mais diversas faixas etárias se divertindo com cultura - propriamente dita.
    É lamentável que Vitória não tenha um espaço como aquele. Parece que há um certo medo (até certo ponto justificável) de se investir e, pelo hábito da nossa terra, ter que fechar as portas por falta de movimento.

    [Reply]

    grijo Reply:

    Tb acho o Groisman chato, Tálib. Mas achei o programa, e sua proposta, bastante válida.
    Estive na Cultura de São Paulo ano passado. Esplêndida. Pena que o contraste a que vc se referiu mostra qque há milhões de não-leitores contra alguns poucos milhares de seu oposto.

    Abraço.

    [Reply]

  3. #3 Filipe R. ( clorofila )
    on Jun 28th, 2009 at 3:48 am

    Gostei demias da postagem e me espantei com o conteúdo desse programa, sobre a leitura principalmente..
    Mas eu ainda to rindo da parte ‘gurizada que protesta os altos preços do chicabom’, é exatamente isso que o altas horas faz, além de apoiar radicalmente as cotas racias e nunca levar ao programa uma alma que seja contra, só convidam astros e estudantes que apoiam a medida.

    Abraço

    [Reply]

    grijo Reply:

    Disso eu não sabia, Filipe. Preciso me inteirar mais sobre esse programa. Quer dizer que a moçada não se interessa somente pelo chicabom?

    [Reply]

    Filipe R. ( clorofila ) Reply:

    Claro que não. Nem todos vão lá pra protestar sobre o sorvete, alguns vão para reclamar do tamanho do nariz, outros do professor de química chato. É bem educativo. ¬¬

    Haushuashuahsua

    Abraço

    [Reply]

  4. #4 Felipe Mansur
    on Jun 28th, 2009 at 10:15 am

    Pena o desprezo de muita gente por esse tipo de programa.

    É de lamentar.

    Mesmo se fosse no horário de pico, eu acredito que a audiência seria baixa. É questão cultural mesmo. Fogo!

    Abraço.

    [Reply]

    grijo Reply:

    Não haveria patrocinadores - isso é certo, Felipe.

    [Reply]

  5. #5 Cláudio Leal
    on Jun 28th, 2009 at 2:45 pm

    Bom, antes a Globo passava um programa de música erudita (”Clássicos para a Juventude” ou algo parecido) e hoje passa Ivete Sangalo cantando no Faustão seguido de entrevista com o ex-namorado da Madonna no Fantástico. É, as coisas mudam.

    A maior parte de minha família não lê, e às vezes me sinto meio mal com isso. Por outro lado, sempre apoiaram meu gosto e nunca me negaram nenhum livro. Acho que posso dizer que tomei gosto pela coisa sozinho. É claro que minha infância foi toda Harry Potter, mas é melhor que nada.

    [Reply]

  6. #6 Maria Lorena
    on Jun 28th, 2009 at 4:36 pm

    É… este programa deve ser dedicado apenas aos insones. Tomara que haja muitos jovens insones também. Eu, por exemplo, jamais assistiria a programas de TV às sete e quarenta e cinco da manhã. Ainda bem que boa parte do dia eu leio de tudo, “tô” salva, portanto.

    M.L.
    kiss

    [Reply]

    grijo Reply:

    Assisti por acidente, Maria. E valeu.

    [Reply]

  7. #7 Everaldo Dumas
    on Jun 28th, 2009 at 4:37 pm

    Já vi este programa. É bem intencionado, mas não chega a fzer coceguinhas na imbecilidade reinante na programação da rede. Sabe o que eu acho? que esse tipo de programa serve pra tentar mostrar que a Globo tem “serviço”. Vc mandou bem: podia ser num horário mais convidativo. Não é porque reflete a prioridade da rede.

    [Reply]

  8. #8 e.
    on Jun 28th, 2009 at 7:02 pm

    Tem um bom tempo que não ligo a televisão, mas fico feliz de saber que existem programas assim.

    [Reply]

    Fabiana Rezende Reply:

    Não há futuro sem educação, e essa é uma premissa básica. Aí vem a Rede Globo, com todo seu cinismo, e faz um programinha xinfrim sobre educação e vc louva?

    [Reply]

    grijo Reply:

    Fabiana, não sou um romântico. Tenho plena consciência de que a rede Globo é cínica, mas, mesmo com todo esse cinismo, considero algo positivo quando ela abre uma discussão sobre a importância dos livros. É melhor do que nada, não acha? Mesmo que seja às 7 e 45 da matina e que algumas pessoas - como eu - vejam por acidente.

    [Reply]

  9. #9 Lorena Rimolo
    on Jun 29th, 2009 at 6:18 pm

    Embora o horário não colabore, já tive a oportunidade de assistir ao programa em algumas “pós noites viradas”.
    E por mais que não seja muito dinâmico, os temas costumam ser interessantes. O lixo urbano já foi um dos assuntos discutidos, e de forma atraente. Ao menos o suficiente para não me fazer trocar de canal ou ir dormir.

    Acredito que o gosto pela leitura, em sua essência, é algo que independe da influência dos pais ou da escola. Estes podem contribuir para o desenvolvimento do “ato de ler”, mas o que leva alguém aos livros, por livre e espontânea vondade, é uma espécie de desejo que bate em quem já leu algo marcante, (sem ser necessariamente um “algo” brilhante aos olhos de todos, mas obrigatoriamente inesquecível aos seus).

    “Livros para quê?”
    Para que aliados à imaginação façam histórias de grandes filmes se tornarem ainda melhores.

    [Reply]

    grijo Reply:

    Lorena, infelizmente não assisti a esse “episódio” do lixo cultural, mas deve ter sido, para dizer o mínimo, interessante. Posso imaginar a autocrítica da rede Globo, grande produtora desse lixo.

    Quando vc afirma que o gosto pela leitura independe da influência dos pais ou da escola, reafirmo o que disse: realmente há exceções, mas ainda insisto na idéia de que as coisas seriam muito mais fáceis se houvesse estímulo doméstico e escolar. Lido com essa triste realidade quotidianamente. A grande maioria dos não-leitores tem pais que desprezam a leitura. E muitos deles - claro que é preciso considerar outras variáveis - não tiveram professores que os estimulassem. Logicamente que não quero encontrar responsáveis pela falta de leitura, mas é possível reconhecer colaboradores no processo de ler e de não ler.

    E concordo plenamente com sua frase final.
    Agradeço seu comentário.

    [Reply]

  10. #10 Carol
    on Jun 29th, 2009 at 7:45 pm

    INFELIZMENTE ( SÓ POR CAUSA DO HORÁRIO), VEJO SEMPRE…RSRS
    ME HABITUEI A ACORDAR CEDO…E TODOS OS MELHORES PROGRAMAS PASSAM A ESSA HORA. UMA PENA

    [Reply]

  11. #11 Filipe R.
    on Jul 1st, 2009 at 12:09 am

    Eu peço desculpas pelo meu primeiro comentário, pois não o formulei muito bem.
    Afirmei que ‘nenhuma alma é contra as cotas raciais’ no Altas horas. Eu me dirigi aos convidados de entrevista e não aos estudantes da platéia ( a maioria contra as cotas ), por isso achei necessário esclarecer.

    Desculpem pelo erro de englobar todo o programa.

    Obrigado

    [Reply]

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