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Caetano, Rosemary & o ancião Grijó

coracao_vagabundo_blog.jpg image by cinemando

Caetano Veloso sentenciou, nesta matéria sobre o documentário Coração Vagabundo:

“Viajando pelo mundo, eu vejo que há pessoas que adoram música brasileira. No entanto, o que eu falei no filme é uma evidência indescritível em qualquer parte do mundo. É uma situação incrível de superioridade.”

O compositor refere-se à música popular norte-americana, e possivelmente leva em conta compositores como Cole Porter, George Gershwin, Harold Arlen, Duke Ellington e Irving Berlin, geniais - sim, geniais! - criadores de temas imortais que, infelizmente, são deixados em segundo plano em benefício de rappers e popstars de qualidade duvidosa. Como não assisti ao filme, e por ter Caetano em alta conta, não me passa pela cabeça que ele se refira a Eminem ou Mariah Carey. Caetano fala dos grandes nomes que, infelizmente, por uma questão de opção - a indústria fonográfica prefere dedicar-se ao mercado adolescente -, caíram em desuso.

Caetano Veloso fez um disco inusitado: A Foreign Sound (2004). Arriscou-se a ser tachado de pedante, de vendido, de antibrasileiro, pernóstico, megalomaníaco. Tom Jobim sofreu isso também, mas a implicância com o maestro carioca era menor. Caetano gravou So in Love e Love for Sale, de Cole Porter, The Man I Love, dos irmãos Gershwin, Smoke Gets in Your Eyes, de Jerome Kern, Sophisticated Lady, de Ellington, Something Good, de Richard Rodgers, Stardust, de Hoagy Carmichael, e Blue Skies, de Irving Berlin. Todos clássicos e todos inesquecíveis - alguns deles com mais de 80 anos e nenhum com menos de 50. Música de velho, alguém dirá.

Passei a tarde de sábado ouvindo Rosemary Clooney cantando temas de Irving Berlin. Uma grande cantora que, hoje, lamentavelmente, é (re)conhecida como a tia de George. Sei que Ella Fitzgerald imortalizou a canção Cheek to Cheek, mas experimente ouvir no andamento que Mrs. Clooney impôs à música e tente ficar impassível ao sax tenor de Scott Hamilton  e à guitarra de Chris Flory . A gravação é de 1984. Não é tão velha assim.

E, se tempo vos sobrar - e espero que sobre -, ouça repetidamente a melhor faixa do disco: There’s no Business like Show Business. Os duelos entre sax e contrabaixo, seguidos de uma contenda sensacional entre o flugel de Warren Vaché e a bateria de Gus Johnson , provam que são temas assim que proporcionam aos grandes instrumentistas as melhores execuções. Sim, Caetano tem razão, mesmo que os nacionalistas adquiram úlceras ao ouvi-lo.

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46 Comments on “Caetano, Rosemary & o ancião Grijó”

  1. #1 JH
    on Jul 19th, 2009 at 4:05 am

    Sou grande fã de Mano Caetano, mas já é público e notório as besteiras(muitas delas propositadamente) que fala.
    Como citastes cinco, tb vou de cinco:
    Noel Rosa, Paulinho da Viola, Pixinguinha, Moacir Santos, Luiz Gonzaga.
    A frase dele é tão certa como dois e dois são cinco.
    Bem estranho esse complexo de vira lata, logo ele, tão desprovido de modéstia.
    Quando os EUA inventarem um cara como Jorge Ben eu mudo de opinião.
    E, pra finalizar, como dizia o genial sambista Candeia:
    Pra acabar com o tal de soul, basta um ponto de macumba.

    Um abraço

    [Reply]

    grijo Reply:

    Opa. Discordamos feio, JH.
    Parece que Caetano tornou-se um Pelé, no sentido de que existe uma predisposição a considerar besteira tudo o que ele fala; ou, se não tudo, ao menos há uma desconfiança sobre seu discurso, não importando a matéria de que trate.
    Neste quesito – a música popular –, prefiro evitar comparações entre o que se faz (e se fez) no Brasil e o que foi feito nos EE.UU., mas, se é para estabelecer “rivalidades” e “confrontos”, acredito mesmo que haja superioridade deles. Claro que não se pode descartar – ao contrário, aliás – a subjetividade. O gosto pessoal conta muito, mas, como “gosto” é ponto de vista, é plenamente discutível e sujeito a debates. Não sou daqueles que afirma puerilmente “gosto não se discute”. Claro que se discute, e não vejo qualquer problema nisso.

    Pixinguinha, Gonzagão e Moacir Santos são supremos. São artistas geniais, não discordo. Noel era um ótimo letrista, mas não reconheço nele uma elaboração melódica tão destacada, mas isso não chega a ser um problema. Paulinho da Viola, de quem possuo rigorosamente todos os discos, é um dos meus preferidos. Há outros que eu acrescentaria a sua lista, como Radamés Gnatali, Egberto Gismonti e por aí vai. Mas quando vou ouvir detidamente (dentro de parâmetros pessoais, mas também técnicos) as composições de Jerome Kern, Harold Arlen, George Gershwin, Duke Ellington, Inving Berlin, Cole Porter, Johnny Mercer, Hoagy Carmichael, Stephen Sondheim (mais recentemente), Richard Rodgers e outros menos citados, percebo uma sofisticação melódica e textual que não enxergo em outras de sua época. Não sei se eles têm rivais.

    Tenho plena consciência de que se não fosse a indústria cinematográfica, que difundiu a grande música norte-americana da primeira metade do século XX, as coisas poderiam ter sido diferentes. É possível até que não houvesse tanta qualidade nas composições, até porque a competição se daria em nível doméstico. Mas isso é uma outra discussão.

    Quanto a Jorge Ben, nada digo - a não ser que seja um artista que nada me diz.

    Que alívio saber que existam adeptos das coisas de Moacir Santos. Escrevi sobre ele, ano passado:

    http://ipsislitteris.opsblog.org/2008/01/26/coisas-de-moacir/

    Abraço, camarada.

    [Reply]

    JH Reply:

    Discordar é sempre bonito, Grijo.
    Tb sou da opinião que gosto se discute, aliás, acho que tudo se discute.
    Quanto a essa disputa entre Mano Caetano e Pelé pra ver quem consegue falar mais besteira, é jogo duro. Mas o Pelé vence com um gol de bicicleta(pra depois ser garoto/coroa propaganda da marca) aos 44 do segundo tempo, coisa de Rei.
    Caetano concentra, quase todas, suas besteiras na música.
    Com essa coisa boboca de querer referendar todo mundo, de que tudo é “divino e maravilhoso”. Até hoje não entendi o porquê dele não ter feito nenhum elogio ao Tiririca.
    Por outro lado, admiro o seu interesse pelo novo.
    Enfim, é gênio, mas os gênios tb falam besteira. Oh, se falam!
    Eu sou de Recife, e só aqui em Pernambuco nós temos três estilos próprios(ciranda - frevo - maracatu), o Brasil dá um banho nos EUA em variedade de ritmos.
    Nosso samba tem muito mais variações do que o Blues…
    Estamos basicamente falando da música, mas não separo a poesia dela. E nesse quesito vc há de concordar, nínguem coloca letra numa melodia com tamanha maestria quanto um brasileiro.
    A música brasileira é uma coisa(Moacir), cara! :>)
    Experimente o “Tábua de Esmeraldas” e o “Samba Esquema Novo” do Jorge Ben.
    Não sou nem um pouco nacionalista, pelo contrario.
    “Pernambuco embaixo dos pés e a mente na imensidão” Chico Science
    O mote de Chico é o meu tb, não pertenço a turma de avestruzes do Ariano Suassuna. Mas…
    Mano Caetano disse certa vez:
    “Os americanos representam boa parte da alegria existente neste mundo”
    Prefiro os Trapalhões. :>)

    Um abraço.

    [Reply]

    grijo Reply:

    Não sei dizer se existe quem coloque melhor letra numa melodia do que um brasileiro. Estamos falando de quem? Chico Buarque, Gil, Lupicínio, Caetano, Noel, Belchior, Edu Lobo, Vinícius? São muito bons mesmo. Mas seriam eles melhores do que Cole Porter, George Gershwin, Irving Berlin?
    É difícil estabelecer esses parâmetros considerando que existem variações lingüísticas e melódicas. Alguns ritmos “aceitam” melhor letra do que outros. Não reconheço nenhum compositor popular norte-americano que seja melhor com as palavras do que Chico Buarque. É possível - e provável - que um norte-americano diga o mesmo: sobre Cole Porter. Estamos mais aptos a perceber a boa elaboração textual em nossa língua.

    Rapaz, eu devo ter problema. Não engulo Jorge Ben nem esses dois discos que vc citou. Não dá para ouvir alguém cantando “Por voxê eu me enamorei/ por voxê eu me enfeiticei”. Numa boa, acho que no quesito “texto”, Jorge Ben é das piores coisas que já apareceram na emepebê.

    E Ariano é um pé-no-saco mesmo. Para mim, é fascista.

    Abraço, camarada.

  2. #2 Camila M.
    on Jul 19th, 2009 at 11:40 am

    Ah, Caetano… Antes odiado por mim, hoje amado. Antes sua voz me irritava profundamente, hoje não passo muito tempo sem ouvi-lo.

    Neste documentário não seria o mesmo se faltasse os famosos comentários de Caetano.

    [Reply]

  3. #3 Salsa
    on Jul 19th, 2009 at 1:27 pm

    Não possuo os últimos discos de Caetano, mas normalmente ele faz boas versões dos standards (incluo aí aqueles teminhas dos Beatles). Eu, ancião que sou, não deixo fora do meu repertório nenhum dos compositores citados por você.
    Beleza, o disco da Rosemary. É som pra mais de metro.

    [Reply]

  4. #4 Thiago Gregório
    on Jul 19th, 2009 at 6:02 pm

    Nunca parei para escutar A Foreign Sound de Caetano. Embora tenha o disco aqui no pc, sei lá não me despertou muito interesse, pode ser que mais pra frente eu dê um valor maior para ele. Isso acontece também com a música norte-americana, conheço um pouco da história, dos standards, mas até hoje não me encantou realmente, pode ser que mais pra frente eu passe a gostar e ouvir com maior freqüência. Confesso que a música francesa me agradou mais até hoje.
    Como não sou expert no assunto então não posso falar muito, mas para mim, hoje, não existe música melhor do que a de Tom Jobim, seja bossa nova ou não. Ele é o compositor que eu mais admiro no Brasil, e acredito que foi e é um dos melhores do mundo. Gosto muito mais de bossa nova do que jazz embora ela não seja nada mais do que samba com pitadas de jazz. Acontece que somente o jazz não me causa tanto interesse como a bossa nova.
    Quanto a Caetano, não penso que ele fale tanta besteira assim como dizem, acho ele um artista muito bom e muito corajoso - me surpreendi com o disco Cê. Talvez ele tenha mesmo razão, embora eu ainda não compreenda. Sei que os EUA é um país muito musical, não foi atoa que eles “roubaram” nosso Tom e se encantaram tanto com a bossa nova, muito mais que os brasileiros, isso até hoje. Por ai você vê se um país e seu povo leve ou não música a sério.

    Abraço, Grijó.

    [Reply]

    grijo Reply:

    Tom é um titã musical, Thiago, mas fico a pensar: se ele não tivesse sido “roubado’ pelos norte-americanos, ele teria tido a visibilidade mundial que teve? Sei que é difícil afirmar porque hipóteses são exercícios que não devem ser levados muito a sério, mas, partindo do pressuposto de que os grandes compositores norte-americanos só se tornaram conhecidos em nível global por conta do cinema - e, depois, por conta do progresso na fonografia -, o que seria do velho maestro se tivesse ficado apenas na cena doméstica? E em que isso ajudou Tom a se tornar “Tom”?
    (Concordo com vc: a bossa nova é samba com pitadas de jazz. Muitos discordam, mas eu não)

    Abraço.

    [Reply]

  5. #5 Maria Lorena
    on Jul 19th, 2009 at 6:14 pm

    Caetano já disse muita bobagem sim, chegava a me irritar o fato, mas foi lendo neste blog aqui, em edições passadas, que descobri que ele incluia no repertório de seus shows, músicas de gosto duvidoso para irritar a elite. Partindo desta descoberta, passei a dar uma melhor atenção ao que Caetano tem falado, preocupada em avaliar melhor minha visão sobre determinados artistas. Muitas vezes precisamos dar uma chacoalhada na cabeça ( mesmo já tendo sido decapitada) para fazer esvoaçarem as teias de aranhas que atrapalham a capacidade de sermos revisionistas, cristalizando opiniões estereotipadas sobre artistas e estilos musicais. Por essas e outras é que tenho entendido melhor o baiano em algumas de suas declarações ( não todas). No caso desta última citação, em que ele reconhece a superioridade das músicas americanas sobre a mpb, estou de pleno acordo em relação às “músicas de velhos” sobre as nossas. Com ele e com você, Grijó.

    Li, na rede, uma entrevista sua sobre a revitalização do centro de Vitória. Que interessante, Grijó. Fiquei imaginando você jovem, por ali. Bacana.Adorei.

    kisses ( black)

    [Reply]

    grijo Reply:

    Sim, é uma entrevista que já deve ter uns 3 ou 4 anos.
    Andei muito pelo centro, há uns 20 anos. Bons tempos. Vc conhece o centro de Vitória?
    Já foi um bom lugar.

    Abraços.

    [Reply]

  6. #6 Maria Lorena
    on Jul 19th, 2009 at 7:43 pm

    Não conheço não.

    Mas a entrevista já tem três anos? Sério? Não reparei nas datas. Espero que a sua “mão” tenha dado iniciativa significantes ao centro.

    [Reply]

  7. #7 JH
    on Jul 20th, 2009 at 2:40 am

    Sim, Grijo, estou falando desses letristas que vc citou e outros tantos.
    Os de lá podem até serem tão bom quanto os de cá, mas, debaixo da linha do Equador a profusão de notáveis é bem maior.
    Só no samba tem os 5 ou 6 desse nível.
    Os EUA têm alguma coisa parecida com Nelson Cavaquinho?
    Não curte o “voxê” do Jorge? ahahaahahha
    Pô, a genialidade dele está na simplicidade, presente tanto na batida do seu violão quanto nas suas rimas e nos seus trocadilhos espirituosos.
    Enfim, tudo bem, como vc mesmo disse o problema é seu. :>)

    PS: Uma cabeça decapitada chacoalhando? Deve ser encosto! heheheh

    Um abraço, esse tema é muito controverso, sendo assim, muito bom.

    [Reply]

    Maria Lorena Reply:

    Grijoe, meu querido, vamos tornar seu blog bem divertido.

    Caro Jane e Herondy ( JH, pois pois…), acho que seu caso é de amor. Vou deixar meu telefone: 6666-6666 .
    Não esquece de colocar o DDI francês.

    Bjos

    [Reply]

    JH Reply:

    Ahhhh, o inconsciente coletivo é mesmo uma maravilha.
    Lorena traz a tona Jane e Herondy, pois não é que na maravilhosa trilha sonora do filme Domésticas(o filme é ótimo e a trilha brega melhor ainda) tem uma música deles chamada “Ama-me”.
    Ainda não é amor, és uma mocinha um pouco dada, mas com esse número de telefone de diabinha(666), eu relevo. :>)

    Beijoca

    [Reply]

  8. #8 Avassaladoras Rio
    on Jul 20th, 2009 at 11:18 am

    Querido amigo avassalador… Não me lembro que disse algo sobre gostar de Boa musica e que esta não tem nacionalidade, temporalidade … é imortal e todos os ouvidos estão avidos dela…
    Nem preciso alongar-me no comentario, musica boa é boa e pronto.
    Se ela vende ou não, se está nas paradas ou não.. isso neçao tem a menor importancia… porque daqui a milhoes de anos, ninguem vai se lembrar desses “neologismos” rappers… mas garanto que Porter e os demais citados por vc serão sempre lembrados.

    [Reply]

    grijo Reply:

    No fundo é isso, Avassaladora. A boa música não precisa de nação, mas levantam esta bola - de superioridade de uma em relação a outras - sempre. Vamos indo na discussão.
    Abraço.

    [Reply]

  9. #9 Diogo
    on Jul 20th, 2009 at 11:57 am

    Eu não curto muito o trabalho dele, mas não é porque ele gravou um CD com música internacional que ele está desvalorizando a música brasileira (que vamos combinar, é incomparável né?)

    [Reply]

    grijo Reply:

    Não sei não.

    [Reply]

  10. #10 Pobre Esponja
    on Jul 20th, 2009 at 11:59 am

    Nem tava sabendo desse filme.
    Nem acho que o caetano se acha o Pelé, ele fala o que ele quiser, e ponto - assim como todos nós.
    Com certeza ele não se refere a essa lixaiada da MTV, tudo igual e monótono.
    Ps: Mas gosto do Enimem, acho o cara super original.

    abç
    Pobre Esponja

    [Reply]

  11. #11 Francisco Campos
    on Jul 20th, 2009 at 12:00 pm

    Para mim Caetano deixou de representar o grande compositor/poeta/filósofo quando subiu em trio elétrico e cantou “só um tapinha não dói”. Se desmoralizou, traiu aqueles fãs, como eu, que tinham ele em grande conceito. Depois disso veio a decadência, eu acho. Mas tudo bem, o que ele fez no passado pode redimi-lo, desde que ele ficasse de boca fechada. Nenhum desses compositores que vc citou chega aos pés de ANTONIO CARLOS JOBIM. Bem, é minha opinião.
    Abraço, Grijó.

    [Reply]

    grijo Reply:

    Disseram-me (ou li em algum lugar) que Caetano possui uma gravadora chamada Natasha Enterprises, em parceria com a ex-mulher (acho isso perigoso!), que se dedica a gravar rappers e outras coisas imencionáveis. Parece que o baiano sobe em trios elétricos para divulgar seus contratados. Se for isso, é válido. Se não, é válido também porque ele pode cantar o que quiser, Francisco. Assim como vc (e eu também) tem direito a decepções.

    Agora, dizer que Cole Porter e George Gershwin não chegam aos pés de Jobim é dureza!
    Abraço.

    [Reply]

  12. #12 rosangela
    on Jul 20th, 2009 at 12:08 pm

    Sinceramente não sou interada no mundo da musica mas acho o Caetano um grande cantor e compositor, mesmo conhecendo pouco de suas musicas não tem como não admitir.
    Eu acabo escutando as musicas que são ‘imposta” pelas radios que escuto, feio né?? rsrs ..

    Abç

    [Reply]

  13. #13 carlam
    on Jul 20th, 2009 at 1:33 pm

    Oi Grijó!

    Nossa, tu sempre tem uma dica boa. E dessa vez acertou. Acabei de escutar Mrs. Clooney e me encantei. Quem sabe ela não é boa companhia pro meu momento de instrospecção…

    Só pra tu não achar que estou sumida, estou mesmo é quieta. Elaborando um novo projeto e isso exige o tempo das concentrações.

    Beijo!

    [Reply]

  14. #14 Rafael Max
    on Jul 20th, 2009 at 2:55 pm

    Caetano Veloso tem uma variedade musical meio doida. Assim como ele fala de grandes compositores, ele também defende músicas do gênero mais “popular”, como o “Bonde Faz Gostoso” do funk carioca.

    [Reply]

  15. #15 Diego Louzada
    on Jul 20th, 2009 at 3:25 pm

    Caetano eu desprezo, acho um porre! Mas Rosemary Clooney é demais! Conhece o disco dela cantando músicas de Johnny Mercer? Grande!!!

    [Reply]

    grijo Reply:

    Conheço, Diego. Coincidentemente foi o primeiro disco dela que comprei, pela Concord. A melhor gravação de “When October Goes” que existe, sem contar os clássicos “I Remember You” e “Goody Goody”. Discão.

    A Concord lançou também “Rosemary Clooney Sings the Music of Jimmy Van Heusen”, “Rosemary Clooney Sings the Music os Harold Arlen” e “Rosemary Clooney Sings the Lyrics of Ira Gershwin”. todos excelentes também.
    Se interessar.

    Abraço.

    [Reply]

  16. #16 Fábio F.
    on Jul 20th, 2009 at 3:48 pm

    Li esta sua postagem ontem e hoje voltei só pra agradecer a dica sobre Rosemary Clooney. Capturei na net os songbooks dela, incluindo este que vc mencionou. Minha mãe disse que é música de elevador, mas a velha não entende nada, rsrsrs. Valeu a dica!! :-)
    Fábio Feliz

    [Reply]

    grijo Reply:

    “Música de elevador”?
    Não serei tão duro com sua mãe como vc, mas permita que ela ouça Mrs. Clooney com mais critério.
    E depois me diga em que edifício fica esse elevador.
    Abraço.

    [Reply]

  17. #17 BRUNO
    on Jul 20th, 2009 at 6:18 pm

    Achei maravilhosa as dicas dessa postagem. Quanto ao Caetano, ele fez esse disco cantando em inglês justo quando o mundo inteiro protestava contra a Guerra do Iraque, mas ele tem prestígio para fazer o que quiser.

    Abraços!

    [Reply]

  18. #18 Tálib
    on Jul 20th, 2009 at 8:34 pm

    Não sei o motivo, mas acho Caetano um chato.
    Não vou dizer que ele é péssimo, porque não é. Tem coisas muito boas compostas. Mas, no todo, ele consegue me incomodar. A voz dele é trêmula e insegura (muito diferente de vibratos potentes e técnicos, antes que os mais apressados se adiantem a querer contestar)
    Quando ele quer cantar em inglês então…não ouvi estas gravações dele, mas imagino como sejam.
    Enfim, acho que Caetano é um cantor/compositor mediano (já usei esse termo em outras postagens e foi uma confusão só). Se ele fosse o que ele pensa que é, seria sim, um Cole Porter.
    Seguindo na análise das discussões aqui levantadas, embora o nosso cancioneiro seja maravilhoso e muito diversificado, não podemos ser tão prepotentes a ponto de dizer que o Brasil é incomparável.
    Também não diria que os americanos são os melhores.
    Diria que, dentro de seus estilos que melhor exercem (p.ex. samba X jazz), cada um é completo e, mais que isso, se completam para aqueles que apreciam boa música de uma maneira geral.

    [Reply]

    grijo Reply:

    Tálib, geralmente concordamos em muitas coisas, mas não quanto a dizer que Caetano é mau cantor. Considero-o o melhor em atividade. tudo bem que a carência de grandes cantores na emepebê é imensa.

    Abraço.

    [Reply]

    Tálib Reply:

    Grijó,
    Realmente aqui discordamos. Acho-o inseguro e exagerado, tal qual a sua irmã (ela é só exagerada).
    O melhor em atividade? Ficaria com João Bosco.
    Mas concordamos mais uma vez: a carência de grandes cantores é enorma na nossa música.
    Abração, meu amigo

    [Reply]

  19. #19 Sandra Leite
    on Jul 20th, 2009 at 9:35 pm

    não consigo ser parcial quando é Caetano. Sou apaixonada. E tudo que ele fala, ainda que discorde , provoca discussao. algumas apenas pela discussao, outras nao. Cae já entrou no hall que chamo ” deixa ele ser chato”, ele é maravilhoso sempre. Com Cole Porter e Chico, 4ever.

    Como nao conhecia seu blog?:)

    [Reply]

    grijo Reply:

    Não acho Caetano tão chato assim, Sandra. Acostumamo-nos a achar, mas talvez haja exagero.
    O blog está apresentado, então. Seja bem-vinda.
    Abraço.

    [Reply]

  20. #20 Augusto Maurer
    on Jul 21st, 2009 at 12:38 am

    Belo texto, Grijó !

    A questão da superioridade que percebes nos clássicos yankees citados não reside em absoluto em sua nacionalidade, que é sempre circunstancial, mas no fato de que todos aqueles compositores foram baladistas, isto é, compunham suas canções em estrita aderência a um esquema de 32 compassos que, como o blues, veio a se constitur numa das formas essenciais do jazz. E se obras de Jobim e da velha guarda do samba de raíz são, na música brasileira, aquelas que mais parecem se ombrear com as dos clássicos yankees, é só por que também aderiam, ao contrário de Jorge Ben (não engulo essa de BenJor) e outros tantos brasucas mais modernos, às mesma formas paradigmáticas. Com efeito, Desafinado, Triste e outros tantos hits da BN aderem estritamente ao protótipo harmônico AABA da balada. Penso, então, que o empobrecimento formal seja antes um fenômeno transcultural global do que específico deste ou daquele gênero.

    Há tempos estou urdindo um ensaio sobre a transnacionalidade e independência de gênero da balada - bem como, devo acrescentar, outro acerca da hierarquia qualitativa entre bateristas, tão bem endereçada por ti neste blog e também por Camila Pavanelli em Recordar, Repetir e Elaborar.

    Mais: acho ótimas as discussões como a suscitada por teu texto, pois evidenciam que muita gente ainda ouve e, sobretudo, pensa sobre o que ouve. Então, só para incendiar um pouco mais as paixões, sustento que gosto não se discute - qualidade sim. Confundi-los é subestimar a inteligência por trás da boa audição musical.

    [Reply]

    grijo Reply:

    Vc tem razão, Augusto, embora os compositores citados não tenham sido somente baladistas. Fizeram de tudo - ou de muito. Muitos beberam na fonte do charleston, do fox-trote, da opereta, mas, sem dúvidas, a balada é o gênero predominante.

    Sobre essa “transnacionalidade” da balada, há alguns anos li uns artigos - vou até procurar na web - sobre a afirmação de que a balada tinha origem renascentista. Verificarei.
    E espero que esse seu ensaio se concretize.
    Concordo plenamente com vc: qualidade se discute. E gosto (que nada mais é que ponto de vista, opinião) também.
    Abraço.

    [Reply]

  21. #21 Monique Graziely Rosa
    on Jul 21st, 2009 at 11:40 am

    E tem gente que se esconde atrás da própria opinião, como se ela valesse alguma coisa. Tem de ter o debate, sim. Qualidade se discute. Mandou bem, Augusto. Adoro este blog, venho pouco aqui mas é blog bom…bjão.

    [Reply]

  22. #22 grijo
    on Jul 21st, 2009 at 12:35 pm

    Escrevi sobre isso aqui, Monique:

    http://ipsislitteris.opsblog.org/2008/03/17/a-blindagem-da-opiniao/

    Deu o que falar.
    Abraço.

    [Reply]

  23. #23 ederdbz
    on Jul 21st, 2009 at 5:50 pm

    posso ser crucificado por isso, mas não gosto de caetano, apesar de achar que este documentario possa ter algo de relevante…
    o blog esta fora de serie realmente… parabens.

    [Reply]

  24. #24 Fábio Es¢orpião
    on Jul 26th, 2009 at 6:19 am

    Música boa não tem nacionalidade e a americana (deixando de lado as babaquices comerciais) é das mais ricas, óbvio.

    [Reply]

  25. #25 ZE LUIS
    on Nov 16th, 2009 at 2:33 am

    Caro Grijo, gostei muito do comentario sobre o CHICO.Realmente é sem duvida(para mim)o maior letrista da musica feita no Brasil, já que é dificil opinar sobre a musica(letra) americana , pois não domino o ingles.Acho fantasticas as melodias das musicas americanas citadas(que conheço),mas a melodia brasileira é muitas vezes insuperavel,haja visto que nossas harmonias são elaboradissimas(cristovao bastos,por exemplo).Chico é…(fiquei sem palavras,acredita?).Mas posoo citar”suburbano coraçao”, “mil perdoes” “geni e o zepeli”, “meu guri” e etc,Muitas das suas letras parecem roteiros de filme!!! Como o cara consegue usar a palavra paralelepipedo com tanta maestria numa musica,com uma metrica impecavel e com um swing desse? Perdôe-me se estiver falando besteira, mas falar de Chico me deixa emocionado! Um abraço. PS. tambem adoro caetano(um monstro da interpretação) das antigas até o disco “estrangeiro” que é o que conheço.

    [Reply]

    grijo Reply:

    Claro, Zé Luis, que, ao concordar com Caetano, sobre a música norte-americana, não desprezo a brasileira. Harmonica, ritmica e melodicamente é uma das melhores que conheço. E quanto a Chico, bem, o número de postagens sobre ele - neste blog - supera o número de qualquer outro artista.

    Abraço, camarada. Volte quando quiser.
    É sempre bom ler comentários contundentes.

    [Reply]

  26. #26 ZE LUIS
    on Nov 16th, 2009 at 2:46 am

    Eu gostaria também de comentar a opnião do amigo TALIB sobre a voz trêmula de caetano.Vç já ouviu a maior da mpb de todos os tempos? Elis Incomparavel Regina? A voz é uma marca pessoal e ambos a usam com maestria, imprimindo às cançoes uma emoção unica. Um abraço e adorei o blog.Volto mais vezes.

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  27. #27 Karla
    on Jan 16th, 2010 at 11:31 am

    Oi Grijó
    Adoro seus comentários,especialmente sobre Caetano, para mim o maior artista brasileiro. Mas só uma ressalva, Edu Lobo grande letrista? Não né, estupendo músico.

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    grijo Reply:

    Ei, Karla.

    Há alguns anos li uma entrevista do Chico Buarque em que ele afirmou que os textos de “A Dança da Meia Lua”, de “O Corsário do Rei” e de “O Grande Circo Místico” não eram privilégio dele, mas da parceria com Edu Lobo, a quem Chico considerava um grande letrista. Na época, imaginei que fosse corporativismo de parceiro (meio redundante isso), mas, observando melhor alguns textos de Edu, percebi que o cara é um letrista de primeira. Pode não estar no nível de um Chico, de um Caetano, de um Gil, de um Belchior - até porque ele se dedica muito mais a composições relativas à hermonia e à melodia, deixando as letras para outros artistas.
    Mas o cara é bom, sim.
    E, como vc diz, estupendo músico.

    Valeu.

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  28. #28 antonio carlos novelli
    on Mar 15th, 2010 at 11:59 pm

    Sinceramente, Caetano Veloso não é tudo isso! Talvez, nem metade disso! Éssa badalação toda, tem um nome: Sindrome de brasileirada! O cara abre a bôca e não fala coisa com coisa, é um tremendo chato! Suas composiçôes são chatérrimas! Pra um Sinatrófilo e Jazzófilo de 24 quilates, essa baianada
    é ruim demais!

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