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Pitty & as simulações

Às vésperas do vestibular - o ENEM acontecerá no início do próximo mês -, um aluno me traz um exame simulado (de literatura) elaborado numa outra escola, cujo nome omito por questões éticas. De cara, boquiabri-me. A primeira questão trazia um texto de Pitty. Eu não sabia quem era Pitty. Não sabia e teria sido melhor continuar ignorando, mas o aluno esclareceu-me: é uma cantora de rock. Bem, antes de emitir qualquer opinião, valho-me das ferramentas de informação. Algumas horas depois, no recesso sacrossanto de meu escritório, descobri quem era a dita cuja, e minhas suspeitas, claro, concretizaram-se: não vale a pena ler o que a moça escreve.

Mas esse não é o ponto da postagem. O ponto resume-se a um questionamento tão simples quanto essencial: por que, numa prova de literatura brasileira, um texto da referida cantora se faz presente? Pergunto eu: Drummond, Bandeira, Cabral, Oswald, Gregório, Tomás Antônio, Castro Alves, Murilo, Jorge de Lima, Vinícius, Bilac, Cruz e Souza, Mário e Gullar não são dignos de constarem dos exames de treinamento? E os irmãos Campos, Mario Chamie, Edgar Braga, Pignatari, Geir Campos, Carlos Nejar e os componentes da Poesia Jovem dos anos 70? Tornaram-se, por acaso, passadistas? Não seria melhor usar textos desta senhora aí embaixo?

Pois é, Cecília. E aí vai a pergunta que não cala: qual o objetivo de uma figura como Pitty estrelar um teste simulado? Realmente não sei, mas arrisco um palpite: tentam fazer o adolescente interessar-se por literatura, lançando mão dos referenciais que ele conhece e com os quais ele simpatiza. Bem, aí se instaura o paradoxo: como fazê-lo interessar-se por literatura se os exemplos utilizados a contradizem? Recuso-me a pensar, por exemplo, que um professor de literatura, após anos e anos de boa leitura - é o mínimo que se espera dele -, considere Pitty um expoente das letras brasileiras, capaz de dividir espaço com os grandes criadores do país.

Sim, sim. Vão me chamar de velho, de purista, de conservador. Posso até ser, mas não mereço os epítetos citados por valorizar (e reconhecer) o que realmente possui valor. O aluno, por mais cansativo que isso possa lhe parecer, precisa ter contato com os grandes autores, com criadores que ousaram recriar a realidade, que mostraram caminhos, que foram além da estética, da política e do sentimento. Aqueles que contribuíram, de uma forma ou de outra, para que as letras deste país fossem respeitadas. Pitty não contribui. A moça pode até ter seu mérito, divertir adolescentes e fazê-los dançar, mas literariamente é nula. Fui ler alguns de seus textos na web. Quando muito, são sofríveis.

À parte os poetas citados, se agrada a professores conectar literatura e composições musicais (letras), por que não Chico Buarque, Caetano, Gilberto Gil, Tom Jobim, Belchior, Edu Lobo, Fernando Brant, Geraldo Vandré, Paulinho da Viola, Ronaldo Bastos, Francis Hime? Ou os mais antigos - mas não menos fundamentais -: Lupicínio, Herivelto, Cartola, Assis Valente, Noel, Lamartine? O valor literário deles é inquestionável. Já espero o contra-ataque: vão afirmar que a linguagem desses compositores não seduz o estudante. Desculpe-me, mas quem seduz é o professor. É ele o responsável por estimular (ou desestimular) o aluno. É ele que, conhecendo minimamente a obra desses senhores citados, e utilizando as habilidades que o tornam apto a estar diante de seus pupilos, mostrará a eles que um texto de Pitty não precisa constar de um exame literário. Mesmo daqueles que não valem ponto.

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50 Comments on “Pitty & as simulações”

  1. #1 Mário
    on Sep 18th, 2009 at 2:47 pm

    A típica questão da USP, como dizia Tolentino…

    [Reply]

    grijo Reply:

    É, Mário. Ele lançou essa bola e o povinho da Veja também deu-lhe porrada.

    [Reply]

  2. #2 Veridiana
    on Sep 18th, 2009 at 6:15 pm

    É certo de que há muito a ser explorado na Literatura Brasileira. Creio, no entanto, que o professor, ao tentar criar uma questão de conteúdo mais “jovem e atual”, concluiu que Pitty era, talvez, a “melhor” produção musical em tempos em que Ivete e Babado são mais que suficiente para a juventude.

    Se a questão dele foi infeliz? Não sei. A fertilidade da cultura brasileira da minha geração, no entanto, é questionável.

    [Reply]

    grijo Reply:

    Ainda bem que vc colocou a palavra melhor entre aspas, Veridiana.

    [Reply]

  3. #3 Rafael Assis
    on Sep 18th, 2009 at 6:45 pm

    Olá, professor!
    Ao ler a postagem anterior, retomei um questionamento que a algum tempo venho me fazendo: Qual é a barreira que separa algo literário de algo não literário? O que faz com que músicos como Chico Buarque, Gil e Edu Lobo sejam compositores literários? E ainda, quais são os compositores da atual geração que produzem literatura?

    Desde já, obrigado!

    [Reply]

    grijo Reply:

    É difícil falar disso sem ser “acadêmico”, Rafael. E há quem defenda a idéia de que essa fronteira não existe. Há quem diga que o “valor” de um texto de Renato Russo é o mesmo de um Caetano Veloso. Bem, eu discordo.

    Há que se levar em conta - penso eu - a elaboração da linguagem. Literatura é linguagem. Contar uma história, expor uma idéia, elaborar um verso são coisas relativamente fáceis. Fazer isso com qualidade é que é difícil. Daí dizer que literatura é muito mais o “como” do que o “quê”. Chico, Edu, Gil, Caetano, Belchior e outros compositores de emepebê souberam - mas não sempre - elaborar seus textos de forma hábil tanto esteticamente quanto em termos de significado. São hábeis nas construções e aliam uma rara sensibilidade a isso.

    Acho que a coisa é por aí, mas isso é uma opinião sujeita a debates. E veja bem: sou um saudosista (e já fui severamente criticado por isso aqui no blog) e, embora eu tenha observado detidamente a produção das gerações mais atuais, meus patamares continuam inabaláveis, e fincados em fins dos anos 60/início dos 70.

    Abraço, camarada.

    [Reply]

  4. #4 ♪ Samela Fonseca
    on Sep 18th, 2009 at 6:49 pm

    Bem, primeiro quero dizer que vc dá suporte às afirmações, e considero isso fundamental no debate. Muito concordo com o que vc disse. Realmente por que compositores como Pitty, Renato Russo e Gabriel o Pensador (já apareceu em prova da PUC) “invadem” o mundo acadêmico? Acho que é mais ou menos o que vc afirmou. A estudantada não lê nada, ou lê pouco e é mal orientada. Qual o resultado? quando lêem, são leitores de bestsellers (A Cabana, A Menina que roubava livros, O Caçador de pipas, etc, etc,) e adoradores de quem se mantém na mídia de MTV, Multishow e outros formadores de opinião.

    Pitty não é de toda ruim. Tem coisa pior, mas concordo com o que vc disse. Tem tantas opções por aí, por que colocar logo um texto (poesia, sei lá) de alguém cujos textos são feitos pro marcado infanto-juvenil. Entendo o que vc diz. Agora me diz aqui, vi que alguém citou Bruno Tolentino, o grande polêmico. Ele foi contra os textos de Caetano, Gilberto Gil e Chico Buarque terem o “status” literário. Pra ele é tudo entretenimento…o que vc acha?

    Parabéns pelo blog, bem versátil.
    Sâmela

    [Reply]

    grijo Reply:

    Postei sobre o Tolentino, Samela.
    Respeito a opinião dele, embora discorde em alguns pontos.

    Dá uma checada aqui:

    http://ipsislitteris.opsblog.org/2009/03/25/fala-tolentino/

    Abraço e apareça sempre!

    [Reply]

  5. #5 Inez
    on Sep 18th, 2009 at 7:12 pm

    Infelizmente tem muita gente deixando a boa literatura de lado em prol de artistas conhecidos e concordo plenamente com você quando diz que o professor é que estimula o aluno.
    Um outro problema que vejo é na prova do ENEM, nos últimos anos a rpova tem sido meramente ideologica.
    No meu ponto de vista a prova deve buscar medir conhecimento, o aproveitamento escolar e não difundir ideologia ou querer saber a do estudante.

    [Reply]

    grijo Reply:

    Esse é um bom ponto de discussão, Inez. Quando se privilegiam ideologias numa prova, seria muito mais justo que o exame fosse subjetivo. Quando se estabelecem alternativas, a hipocrisia pode prevalecer.

    [Reply]

    Tixa Falchetto Reply:

    Concordo plenamente com você, Amigo (chamar você de Grijó me soa distante…).
    Mas seria difícil preencher as vagas das universidades se as provas fossem subjetivas.
    E teríamos alunos e futuros profissionais pensantes e bem preparados para alavancar a educação neste país.
    Infelizmente esse é um desejo utópico…
    beijo, saudade e parabéns pelo blog!

    [Reply]

  6. #6 Gabriel
    on Sep 18th, 2009 at 7:54 pm

    Grijó,
    acho que o maior problema é visar apenas um bom resultado no Enem, e desperdiçar a chance de formar um leitor. Muto se fala sobre a falta de leitura das gerações atuais. Mas, pouco ouço sobre a responsabilidade das escolas nesse problema. A diversidade de professores me fez concluir que qualquer matéria tem seu lado fascinante (a literatura em primeiro lugar). Como você colocou, cabe ao professor mostrar esse mundo ao aluno. Aliás, aproveito para (mais uma vez) agradecer por ter me arremessado nesse universo.

    P.S: vi o filme “Fale Comigo” ontem. Realmente excelente. Obrigado pela dica.

    Abraço

    [Reply]

    grijo Reply:

    Gabriel, meu caro, agradeço o que vc disse principalmente porque conheço sua sinceridade.

    Só discordo num ponto: a escola realmente tem responsabilidade no que diz respeito à formação de leitores, mas o primeiro exemplo, o fundamental, vem da família. Se o aluno não trouxer de casa o respeito pelos livros e pelo conhecimento que advém deles, fica muito difícil um professor “seduzir” esse indivíduo.

    Já escrevi sobre isso aqui no blog, na série “livros para quê”.
    Abraço, amigo.

    [Reply]

  7. #7 Érico Cordeiro
    on Sep 18th, 2009 at 8:04 pm

    Irretocável o texto, Mr. Grijó,
    Concordo com absolutamente tudo o que você escreveu. Como bom maranhense que sou, complementaria apenas as referências feitas com os nossos mui dignos Gonçalves Dias, Sousândrade e Aluísio de Azevedo.
    E deixem os Portugais morrerem à míngua…
    Abraços!

    [Reply]

    grijo Reply:

    Três grandes maranhenses, concordo. Gullar constou da postagem, certo? Zé dos marimbondos, não.

    Abraço.

    [Reply]

  8. #8 Will
    on Sep 18th, 2009 at 8:33 pm

    Obrigado, Grijous, por falar aquilo que muita gente tem de ouvir. O que é legal é que o debate vem junto, com respeito aos comements contrários…by the way: Pitty é lixo da mtv.

    [Reply]

    Ricardo Moura Reply:

    Vc precisa se informar mais.
    Pitty é deusa!

    [Reply]

    grijo Reply:

    Ok, Ricardo.

    [Reply]

    grijo Reply:

    Não sei se é “lixo”, mas, pelo que pude observar, não vale a pena. Critério pessoal, naturalmente.

    [Reply]

  9. #9 charlles campos
    on Sep 18th, 2009 at 8:43 pm

    Em meu último ano do curso de História, tive de preparar uma aula expositiva para uma comissão de professores sobre um tema específico. Já tenho experiência de mais de seis anos como professor, daí então preparei o tema, entrei na sala e o desenvolvi. No final, as críticas: não recorri a nenhuma tecnologia além do quadro e giz; por que não usei data-show, por que não passei músicas sobre o assunto (Vargas). Contendo meu ódio pela hipocrisia da banca, disse com palavras mais que claras que acreditava em uma máxima pessoal, que era: o professor não deve se render ao aluno, mas o aluno ao professor. Professor não precisa dançar, fazer cabriolas, piadinhas, mendigando a atenção do aluno. Citei o exemplo da Coréia do Sul, o melhor sistema de ensino do mundo, em que se dava aulas em cavernas, e as avós acompanhavam os alunos de fora da sala. Citei os dois anos que dei aula de filosofia no melhor colégio particular da cidade, que tive de abdicar-me por os outros empregos que tenho tomar todo meu tempo, mas que fiz os alunos acompanharem textos relevantes de literatura, além de dar uma aula extra sobre contracultura, onde levei gravações de Coltrane, Miles, Parker, Herbie Mann, Beatles, do Velvet, etc. Os alunos curtiram, com suspeita, mas comprovei posteriormente que havia criado adeptos, pois dois ou três passaram a ouvir a boa música do século XX, além de um ter radicalizado comprando_ e lendo_ o Ser e o Nada. Daí que quem limita o aluno por baixo_Pitty_, reflete, em meu entendimento, essa síndrome do professor moderninho e superficial, que quer “falar a lingua dos jovens”, que se julga culto por, afinal não estar propagandeando o axé ou o rap, mas uma cantora de certa forma marginal no panteão midiático. Haja paciência. Como você bem disse, por que não um dos vários poetas boêmios excelentes que o país tem (ou existe, entre as desgarradas letras de uma Pitty, ou uma Danni Carlos, uma beleza tão viril, sensível e honesta como “retire seu sorriso do caminho que quero passar com a minha dor”? ), ou as bandas independentes como a maravilhosa Teatro Mágico?

    Confira os dois discos do Teatro Mágico, Grijó, e seu DVD, e me diga se os caras não merecem ter uma letra no vestibular.

    [Reply]

    grijo Reply:

    É isso, Charlles. Ou pode ser.
    Professores que querem aparecer como “moderninhos” mas que, de fato, acabam por prejudicar o aluno numa questão muito simples: substituir Drummond, Cabral e Cecília por Pitty, Renato Russo e Zeca Baleiro é, além de uma afronta à inteligência alheia, uma humilhação à literatura como um todo.

    Acredito (como um fanático) no fato de que um professor deve nivelar seus alunos por cima. Deve, se sua disciplina assim o permitir, exigir do aluno uma visão crítica sobre a realidade e que ele, o aluno, utilize as ferramentas de conhecimento de forma honesta e útil. Claro que aí entramos numa encruzilhada: defina “útil”! Acho que útil é aquilo que servirá ao aluno de forma positiva. A questão é que boa parte dos alunos não quer ser cobrada, já que isso implica um abandono da criancice, da infância, do juvenismo banal. Sem contar que papai e mamãe não cobram dele; por que um professor cobrará? Mas sempre há aquele - ou aqueles - que ouve, que dá crédito, que se sente estimulkado para ir adiante. é por isso que ser professor ainda vale a pena.

    Sim, Teatro Mágico. Conheço, mas não muito. Tenho apreço por “A Primeira Semana”, que é quase barroca em sua construção lingüística.
    Valeu, camarada.

    [Reply]

  10. #10 David Aragon
    on Sep 18th, 2009 at 8:45 pm

    As concessões que a educação no Brasil vem fazendo à cultura pop estão se aproximando do absurdo. Outro dia um colega meu de profissão (professor de literatura), resolveu levar a letra de uma banda emo para analisar em sala de aula. Até os alunos dele acharam que era demais e vieram falar comigo.

    Como diz a música da Banda Engenheiros do Hawaii, “O pop não poupa ninguèm”, nem o ENEM.

    [Reply]

    grijo Reply:

    Triste, David.
    Bom saber que os alunos se insurgiram.

    [Reply]

  11. #11 Francisco
    on Sep 19th, 2009 at 1:58 am

    Grijó,
    fui aluno seu em 2003 e acompanho seu blog há alguns meses mas só hoje acabei por comentar aqui. Na verdade, meu comentário ficou um pouco grande e eu publiquei como post no meu blog(que ainda engatinha) mas seria um prazer ter a sua opinião por lá.
    http://parabolyca.wordpress.com/2009/09/19/um-comentario-sobre-o-pop/

    [Reply]

    grijo Reply:

    Vou checar, Francisco.
    Abraço.

    [Reply]

  12. #12 Branca Brazil
    on Sep 19th, 2009 at 2:06 am

    Putz, coitada da Pitty. Ela só faz lá a música dela, e nem teve culpa de colocarem uma delas numa prova de acadêmica por aí. E agora estão metendo o pau nela. A gente tem que se lembrar antes de tudo que é preciso respeitar o trabalho de cada um. Tenho certeza de que a Pitty não tem o objetivo de agradar a 100% da nação, mas ela tem o público dela, então vamos tomar cuidado para não estamos sendo contaminados pelo preconceito dentro da nossa rica cultura. Tem espaço para todo mundo.
    Tudo bem, eu entendi o que o senhor quis dizer, e a Pitty nem faz meu estilo, mas odeio qualquer tipo de preconceito. Acho que essa discussão poderia ter sido abordada de uma forma mais ética.

    Bom, é só a minha opinião.

    [Reply]

    grijo Reply:

    Mas Branca, se vc leu o texto com atenção, deve ter percebido que em nenhum momento pré-conceituei Pitty. Na verdade eu conceituei, baseando-me, claro, na proposta da postagem. Por que ela constar numa prova de literatura se ela não representa valor literário. E levei o questionamento adiante trazendo à tona representantes da real literatura feita no Brasil. Deixei alguns nomes de fora, naturalmente.
    A crítica é muito mais direcionada ao professor.

    Somente isso.

    Quanto à ética. Tento sempre me guiar por ela. O espaço aqui não permite grosserias, oportunismos, abusos.
    Volte sempre.
    Abraços.

    [Reply]

  13. #13 Diogo C. Sccoby
    on Sep 19th, 2009 at 2:08 am

    Fazem isso pra tentar se aproximar dos jovens, não vejo problemas, já fiz provas com a música dos titãs por exemplo. Mas tem um porém infelizmente fazem isso “nivelando por baixo”, certamente há opções mais interessantes que a Pitty atualmente….bem pensando bem não há muitas não… é..danou-se!

    [Reply]

  14. #14 Gustavo
    on Sep 19th, 2009 at 3:48 am

    Bom… eu sou jovem e aí vai a minha experiência:

    Eu acho que esse negócio de “interessar os jovens” é balela. O aluno que está pré disposto a aprender vai se interessar por qualquer coisa se o professor for bom - não precisa mais que isso. E quanto àqueles mais rebeldes - em sentido amplo -, é mais fácil ele ser seduzido por algo para ele diferente e chocante do que pelas mesmas coisas que ele vê na televisão todos os dias. É claro que o segundo caso já exige um professor muito bom, senão o efeito acaba sendo o oposto.

    Esse é o grande mérito, a meu ver, do Professor Grijó: do pit boy ao metaleiro, todos saem ao menos respeitando a literatura - algo que muitas vezes eles nem tinham noção do que era.

    Abraço

    [Reply]

  15. #15 Mário
    on Sep 19th, 2009 at 3:27 pm

    Depois de botarem tati quebra barraco ao lado de Machado, eu desisto do Brasil( não vai demorar a acontecer).

    [Reply]

    grijo Reply:

    É o que dizem os profetas sobre o Armagedom.

    [Reply]

  16. #16 Caio F.
    on Sep 20th, 2009 at 2:53 am

    Eu já acho válido. Infelizmente válido.
    Acho que textos de alta subjetividade causam um certo “medo”. Por ser algo quase totalmente distante da realidade da maioria, acho que o uso de textos mais ricos seria até negativo. A cultura, na minha opinião, deve invadir devagarinho. Alguém que nunca esteve em contato com algo mais rebuscado econtra dificuldade ao se deparar com isso numa prova. Essa dificuldade vira frustração, que vira desestimulo.

    Não defendo o “moderninho”, mas acho inevitável acompanhar o ritmo das coisas para poder trazer a literatura, a leitura ou, simplesmente, a compreensão dos fatos pras vidas dessa gente.

    Mas que Pitty é exagero, é.

    [Reply]

    grijo Reply:

    Caio, acho que vc levantou uma bola bacana. Mas é aí, nessa situação de possível “medo”, que entra a figura do professor. Instrumentalizado, porque é o que se espera dele, e com talento, vai traduzir para o aluno esses textos de “alta subjetividade”. Nem sempre, claro, é fácil. É preciso que o aluno se disponha a ir além.

    E se o trabalho fracassar, a conseqüência - grosso modo - é o desestímulo.
    Abraço.

    [Reply]

  17. #17 Jordelino Azambuja
    on Sep 20th, 2009 at 9:21 am

    Esta história está me fazendo lembrar uma conversa entre Ariano Suassuna e o cantor/compositor Chico César que sugeria ao primeiro tornar mais acessível a sua obra pela adoção do rap.
    “Este menino está querendo que o melhor seja divulgado através do que há de pior” teria replicado Ariano.
    Daí teria nascido o rap de Ariano: “Em volta do buraco só há beira, em volta do buraco só há beira…”.

    [Reply]

    grijo Reply:

    Uma grande sacada do Suassuna. Simples, objetiva e certeira.

    [Reply]

  18. #18 Camila M.
    on Sep 20th, 2009 at 7:08 pm

    O vestibular sendo um processo avaliativo dos conhecimentos de alunos deveria utilizar de meios que estimulassem os jovens a conhecer melhor a literatura brasileira, mas ao contrário disso, trás em suas provas textos com ‘artistas’ de entretenimento que nada acrescentam na vida cultural de uma pessoa. A posição do professor é válida quando apresenta a literatura para seus alunos, depende da sua postura diante deste tema para com os alunos. O que, obviamente, não tira o peso da família na questão de incentivar a ler, entre outras coisas.

    Lembro-me quando mais nova, minha mãe chegando com livros mais livros para ler e com o passar do tempo variando o estilo destes.

    Mas o Brasil é um tanto inerte no que diz respeito a cultura, quando valoriza é sempre a estrageira.

    Beijo prof.!

    [Reply]

  19. #19 Tálib
    on Sep 20th, 2009 at 10:52 pm

    Não acredito que somente os professores devam estimular os alunos. Cabe também às famílias incentivar os filhos. Nada como bons exemplos dentro de casa. Se, numa família, a criança não tem contato com boa literatura (uma constante nas famílias brasileiras) ou só encontra o pai assistindo Faustão, dificilmente o filho se interessará por coisa melhor. E, para descer a ladeira, é facílimo. Difícil é fazer o caminho contrário, de subida de nível.
    Não posso aceitar esta história de que é necessário mostrar a porcaria para o estudante descobrir o que há de bom. Talvez, tendo contato com a porcaria, é bem possível que aquilo aja como uma droga, que seduz, encanta e mata (nesse caso, os neurônios).
    Fazendo o caminho inverso: se alguém ler um livro de Dostoiévski, vai querer ler todos. Se alguém ler Manuel Bandeira, vai querer ler todos os poemas de Manuel Bandeira e vai se interessar pelos demais poetas (já citados).
    Alguém que tenha Pitty como referência muito provavelmente não vai ficar só nela, vai enxergar Renato Russo como algo que preste.
    O mais estranho: no Brasil, algumas pessoas são tidas como deuses intocáveis (geralmente, os que não acrescentam nada a ninguém). Se vc falar ou criticar aquela pessoa, é tido como um idiota, uma pessoa fora da normalidade (quem critica Renato Russo, por exemplo, é um ser fora da realidade no Brasil). Como prefiro ser chamado de idiota/anormal (neste caso), continuo achando Renato Russo e Pitty horríveis e tendo certeza que nada acrescentam a ninguém.

    [Reply]

  20. #20 Branca Brazil
    on Sep 21st, 2009 at 3:48 pm

    “Eu não sabia quem era Pitty. Não sabia e teria sido melhor continuar ignorando, mas o aluno esclareceu-me: é uma cantora de rock. Bem, antes de emitir qualquer opinião, valho-me das ferramentas de informação. Algumas horas depois, no recesso sacrossanto de meu escritório, descobri quem era a dita cuja, e minhas suspeitas, claro, concretizaram-se: não vale a pena ler o que a moça escreve.”

    É nesse ponto acima onde eu achei que houve preconceito e um ataque direto contra a moça.

    Parabéns pela polêmica levantada. Só acho incrível como praticamente todo mundo diz amém só para parecer culto.

    Acho isso pior. Cada um tem uma opinião o que não faz que uma seja a certa e outra a errada. São opiniões, e as pessoas deveriam ter mais coragem de pensar diferente.

    Cordialmente.

    [Reply]

    grijo Reply:

    Branca, primeiramente agradeço seu comentário.

    Depois: veja bem, não houve, de minha parte, qualquer manifestação de preconceito, já que, antes de emitir opiniões - e, portanto, pré-conceituar -, eu recorri às informações disponíveis, principalmente na web, que disponibiliza textos e vídeos de Pitty. Não preconceituei. Eu conceituei, afirmando que o que ela escreve não vale a pena. Mas veja bem, é um conceito puramente subjetivo, e sujeito a discordâncias.

    A polêmica não foi intencional - e nem acho que tenha havido. O blog é um espaço (quase) democrático no qual as opiniões podem (e devem, até) divergir.

    Não entendi uma coisa: o que é dizer “amém”? É concordar com o texto, com meu ponto de vista? Quando vc afirma que “todo mundo diz amém só para parecer culto”, vc não estaria sendo preconceituosa? Vc realmente acha que as pessoas vêm ao blog para concordar com o que é proposto? Eu discordo, mas vou realmente pensar nisso.

    E, claro, cada um tem uma opinião. E, com opiniões são “ontos de vista” elas podem ser defendidas e atacadas. Podem ser justificadas ou ignoradas, e assim por diante. São sujeitas a debate. Dizer puramente “é minha opinião!” como se isso o imunizasse de críticas é, no mínimo, pueril.

    Valeu.

    [Reply]

    Tálib Reply:

    Bom,
    Como fui favorável ao texto de Grijó, me sinto incluído na crítica que todo mundo diz “amém”.
    Provavelmente é recém-chegada ao blog e não acompanha de perto as discussões.
    Se assim fosse, poderia ver que discordamos em alguns pontos. Basta ver o tópico do Belchior ou da fotografia de Arthur Moreira Lima, como exemplo.
    Agora, você há de concordar que bom gosto é algo que tende à convergência. Há um oceano de futilidades e ilhas de boas coisas.
    Não posso fazer nada se concordo com Grijó nas áreas de música, de literatura, de pintura. Tenha certeza que não vou me manifestar contra só porque você fez um comentário perdido e leviano.
    Minhas opiniões continuarão a ser como são. Nada posso fazer se tenho muito em comum com o gosto do autor do blog.
    Quanto ao preconceito, sempre digo que esta é a arma da mediocridade. Para quem não tem como argumentar ou já entra perdido numa discussão, o melhor é acusar o outro de preconceito ou racismo, aí a discussão vai para um outro lado, fugindo ao tema principal, que é o que menos interessa a quem se sentiu “rejeitado”.

    [Reply]

  21. #21 leno
    on Sep 21st, 2009 at 11:10 pm

    egua sou fã da pitty e nunca pensei que as suas letras fossem fazer parte de um simulado

    po blog otimo parabens

    abçs!!!

    [Reply]

  22. #22 Bryan
    on Sep 22nd, 2009 at 12:41 am

    Ola, eu só gostaria de saber uma coisa: a Pitty pediu para fazerem alguma questão com algum texto dela? aah, acho que não. Essa imagem de textos literarios compostos por ela, foram as pessoas que construiram. Beneficio?! Talvez! Não julge um trabalho limpo e digno, por que uma professora pegou um texto da Pitty e diz ser obra literaria. A culpa não é da cantora, por que ela escreveu o que pensou, trabalhou naquilo e ganha a sua grana com isso. Não julge por prazer. E se não gostou, vá na escola do aluno e diga o que pensa.

    [Reply]

    grijo Reply:

    Justamente por isso, Bryan, o questionamento é direcionado ao professor. A postagem, como se pode ler, é sobre o motivo pelo qual se deixam de lado “grandes nomes” da literatura e opta-se por um texto cujo teor literário é questionável (a meu ver, nulo).

    Julgar por prazer? Essa eu não entendi.

    [Reply]

  23. #23 Branca Brazil
    on Sep 22nd, 2009 at 1:08 am

    Desculpem-me, mas acho que quem criou a polêmica aqui na verdade fui eu, a “rejeitada”.

    Mas adoro e tenho um fraco por defender quem está sem nenhuma defesa. Coisa de advogada.

    Desculpe se ofendi alguem, não foi minha intenção e acabou sobrando pra mim. rsrs

    Realmente eu sou um sapo de fora, uma leiga a emitir uma opinião. Minha opinião foi solitária, infeliz, pueril, leviana e mediocre. Mas tudo bem. Faz parte.

    Encerro por aqui minha participação e encerro reiterando meus pedidos de desculpas, não pela minha opinião, mas por ter ofendido, mesmo que sem querer à alguns.

    bjinhos

    [Reply]

    grijo Reply:

    Nem solitária, nem infeliz, nem pueril, leviana ou medíocre.
    Aoi contrário, Branca.
    (E nem irônica.)
    Apareça quando quiser.
    Abraços.

    [Reply]

    Tálib Reply:

    De minha parte, está desculpada.
    Um abraço

    [Reply]

  24. #24 Sergio raele
    on Sep 23rd, 2009 at 2:02 am

    Concordo plenamente com o Prf. Grijó, falta nesse pais professores que trabalhem com a devida seriedade, talvez isso tenha sido o fator preponderante para chegarem ao ponto de considerar Pitty literatura. Não discuto aqui os motivos que levaram os professores a isso, mas concordo com o Prf. pois vi muitas vezes ele conquistar seus alunos com aulas de literatura memoraveis.

    [Reply]

  25. #25 Dedinhos Nervoss
    on Sep 23rd, 2009 at 6:28 pm

    Oi Grijó! Andei um tempo sem visitar os blogs dos amigos e vi que cheguei em ótimo momento. Eu até entendi a intenção de quem organizou a prova, mas acho que foi um erro. Uma coisa é vc gostar do som da Pitty (e outros cantores), outra é vc usá-la num texto literário. Acho que devemos separar bem as coisas para que fique bem claro quem é quem , a sua importância e o papel desempenhado na cultura. E olha quem eu gosto do Chiclete, Madonna, etc. Mas entendo perfeitamente a diferença, Graças a Deus! Rsrs
    Beijos pra vc! :o)

    [Reply]

    grijo Reply:

    Olá, Dedinhos. Andava sumida mesmo.

    Gosto dessa ponderação que vc apresenta. Mas digo a vc: eu não sei exatamente qual foi a intenção do professor. ´Sim, é de fato importante que se reconheça quem é quem e qual o papel de cada um. Concordo. Mas aí entramos numa outra questão: qual o papel de Pitty?

    Bjo, querida. E não suma.

    [Reply]

  26. #26 Douglas Lopes
    on Sep 30th, 2009 at 3:21 pm

    Caro Grijó,

    atrasadamente ao post e retornando a frequentar o Ipsis após um grande hiato, não discordo nem um pingo do que escreveu, só gostaria de lembrá-lo também dos poetas contemporâneos… Paulinho Moska, Arnaldo Antunes, Juliano Gauche, Zeca Baleiro, Lenine etc.

    Só para constar mesmo.

    Sucesso sempre meu caro! Estou feliz pelo regresso a este blog.

    [Reply]

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