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Cine Paissandu, Mamíferos, biografia

Tenho lido um bocado sobre os anos 60 - sejam eles referentes ao Brasil ou a outras terras. Leituras que fazem parte, na verdade, de um projeto-encomenda: um livro sobre o grupo de rock Mamíferos, a primeira relevante manifestação contracultural capixaba. O livro deve estar nas livrarias em dois anos, talvez um pouco mais. Garanto que menos que isso não dá. Enfim, o que quero dizer, de fato, é que, mais uma vez, escrevo sobre um livro cuja leitura não foi terminada ainda. Estou quase no desfecho do ótimo Geração Paissandu, do jornalista Rogério Durst. Bem, o Paissandu é um símbolo dos anos 60, de modo que faz sentido - e muito! - obter informações sobre ele.

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Rogério Durst é, além de jornalista, crítico de cinema, resenhista do JB e esteve ligado ao projeto do cine Estação Botafogo - o qual, diga-se, freqüentei em meados dos anos 80. Não é beócio. Sabe o que fala e sabe mais ainda o que escreve. Ao menos por enquanto - passei um pouco da metade do livro -, conseguiu divertir, informar e, como se isso não fosse suficiente, soube refletir acerca da importância do cinema para uma juventude que se dizia “faminta de cultura” e que, angustiada, encarava a melancolia como “mãe da criação”. E isso durante os anos de ditadura no Brasil. Parece simples e óbvio, mas não é.

Não há juventude, em qualquer época, que não se sinta capaz de mudar o mundo. Ou que não tenha se sentido ungida por forças superiores - ideológicas ou espirituais - para isso. E essa juventude, basicamente universitária e antenada com as mudanças sociais que arrastavam o mundo ocidental para caminhos tortuosos, via no Paissandu um ponto de encontro. Ali podiam, de certa forma, dialogar com a Nouvelle Vague, com Herbert Marcuse e com o teórico da comunicação Marshall McLuhan. Sinceramente? Acredito que tenham se divertido mais do que eu.

Bem, vou lendo o livro com calma, de forma homeopática, saboreando-o devagar. Há muito o que compreender numa época de efervescência cultural que não envergonhava aqueles que se interessavam por política, cinema, livros, música engajada - e que não eram, de forma alguma, considerados chatos, nerds ou inconvenientes. Os tempos mudam mesmo. Mas voltarei ao livro e, assim que der, retorno ao texto.

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15 Comments on “Cine Paissandu, Mamíferos, biografia”

  1. #1 Ella
    on Sep 25th, 2009 at 11:41 am

    Conheço o livro, mas não é só a nouvelle vague que foi adorada pelos jovens da intelligentsia. Ou foi?
    Bjos

    [Reply]

    grijo Reply:

    Segundo o livro, não, Ella. Polanski e o Neo-realismo italiano também entraram na dança. É o filme-cabeça.
    Bjo.

    [Reply]

  2. #2 Savio Moura
    on Sep 25th, 2009 at 7:01 pm

    Grijo, o cine Paissandu foi um foco de resistencia, um local de pensamento e inteligencia. Meu irmao era cinefilo e estudante na puc e afirmava que aprendia mais nos batepapos depois das sessoes do que nas salas de aula, haha. Tenho certeza que sim. Falta um paissandu em nossas vidas.
    Ate +, Savio

    [Reply]

    grijo Reply:

    Os tempos eram outros também, Savio. Não que o regime militar e todas as limitações que ele impôs tenham valido a pena, mas é provável que esse foco de resistência só seja realmente “foco” porque houve uma ação que o proporcionasse. Não sei se existe espaço para um outro “Paissandu”. Acho que não. A demanda é outra.

    Abraço.

    [Reply]

  3. #3 Savio Moura
    on Sep 25th, 2009 at 7:02 pm

    E este livro sobre esta banda…sai em dois anos mesmo.

    [Reply]

    grijo Reply:

    Trabalho para isso. Vamos ver.

    [Reply]

  4. #4 vanessa
    on Sep 26th, 2009 at 4:18 am

    Nao conheço o livro, mas me interessou muito, sou de uma geraçao que questionava e argumentava bem mais que a de hoje…
    saudade dos tempos quando um leitor assiduo era bem visto (sera?) ,creio que “questionadores” serao sempre vistos como perigosos kkk!

    [Reply]

    grijo Reply:

    Perigosos mas necessários, Vanessa.
    Dependendo da faixa etária, há poucos.

    [Reply]

  5. #5 Mulherices, o Blog!
    on Sep 26th, 2009 at 4:22 am

    Bati o olho na foto em preto e branco, com o fusca, e achei que se tratava do Cine Payssandu aqui de São Paulo, há uns vinte e tantos anos atrás.

    Não é, é outro lugar.

    De toda maneira, seu artigo tem uma frase que me diz muito: “não há juventude, em qualquer época, que não se sinta capaz de mudar o mundo” … verdade, ainda que os métodos e os “inimigos” tenham mudado tanto!

    [Reply]

    grijo Reply:

    Sim, os inimigos são outros, mas será que a juventude é outra?

    [Reply]

  6. #6 Diego Janjão
    on Sep 26th, 2009 at 4:53 am

    Caramba, essa vc tirou do fundo do baú!

    Mas é uma bela história e um importante ponto a se pensar!

    [Reply]

  7. #7 Fabrício Bezerra da Guia
    on Sep 26th, 2009 at 8:21 am

    sabe ,eu tinha vontade de frequentar os cinemas antigamtente,mas eu não podia por que não era nascido.Isso me lembra o filme Cinema Paradiso

    [Reply]

  8. #8 Suzanne
    on Sep 26th, 2009 at 10:21 am

    Não, li o livro, mas tem uma coisa que é quase permanente neste blog. Parece que os anos passados, as décadas de 60 e 70, são muito mais criativas, em termos artísticos, de expressão artística, do que os tempos atuais. Pelo menos é que vc pensa, né? Não te parece um pouco de saudosismo?

    De vez em quando fico lendo umas postagens antigas suas sobre livros, filmes etc., e percebo que vc valoriza muito mais o que se produziu a 30 ou 40 anos do que as conquistas artísticas de nossos tempos. Eu até gosto de ler sobre umas coisas que vc escreve, vc levanta umas questões bacanas, mas acho que tem uma pontinha de ressentimento em relação à obscuridade e mediocridade de agora…ou estou errada?

    [Reply]

    grijo Reply:

    É bem provável que vc esteja certa, Suzanne. Em termos artísticos, acredito realmente que os tempos auais são menos criativos, até porque não há muita coisa nova a ser criada. E tenho, sim, uma ligação especial com os anos 60 e 70, embora tivesse sido apenas uma criança na época. Ressentimento? Não, não poderia me ressentir de algo cuja responsabilidade não é minha, mas confesso que - em relação à arte, repito - vejo muito mais mediocridade (principalmente aqui, no Brasil) do que algo ue valha a pena. Mas o conceito, claro, é subjetivo.
    Abraço.

    [Reply]

  9. #9 everaldoygor
    on Sep 27th, 2009 at 8:12 pm

    Olá, Grijó!
    Nas caçadas do Rio de Janeiro, nos cafés da França, na primavera de Praga, alguns perseguiram sonhos, até viveram a utopia, hoje vivemos esse deserto mental…
    Abraços
    Everaldo ygor

    [Reply]

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