
Meu querido amigo Sérgio Bichara, maiúsculo conhecedor da obra dos Beatles, certa vez afirmou que o grupo inglês havia feito a melhor música, e nessa afirmação - imaginei eu, à época - havia uma abrangência perigosa, tão hiperbólica quanto absurda. Hoje já não sei mais se discordaria por completo, e se consideraria o vaticÃnio um exagero. Acabei de assistir - serôdio que sou - ao filme Across the Universe, o filme-tributo de Julie Taymor, feito em 2007. Um bombardeio de citações. Não é um filme que ficará para sempre, mas habitará um pequeno cômodo na memória dos aficionados por boa música, principalmente a dos Beatles.
Sem a desnecessária delonga, apreciei ver Joe Cocker cantando Come Together, assim como gerou imensa satisfação ver os closes no rosto de Evan Rachel Wood. E é sempre bom lembrar que histórias de amor, principalmente aquelas que encontram obstáculos - e saem deles vencedoras - vão agradar sempre: a troianos ou não. Esse é um dos ingredientes que colaboram para que o filme dê certo, e que se possa prever isso antes do vigésimo minuto da pelÃcula. É simples e certeiro. Claro, sempre há um desajuste: por que traduzir “while my guitar gently weeps” como “enquanto minha guitarra gentilmente pranteia”? “Pranteia”? Enfim, nem tudo é perfeito. Não chore por isso, George!








on Nov 5th, 2009 at 9:03 am
Gostei desse filme, Grijó. Achei-o despretensioso, o que acabou por alcançar a eficácia de um filme sobre a música da década de 60 onde não há ideologia nenhuma, revolta contra o sistema, e criação de um modo de vida alternativa_ ou seja, não é o Hair, e não procura a polêmica de um Jesus Christ Superstar. Não é culpa da obra, mas de nossos tempos onde, para lembrar Adorno, tudo é cercado pela arte de mercado da indústria cultural. A única aproximação de um politicamente incorreto é “I want a hold your hand” cantada por uma lésbica ( é essa canção mesmo?); mas isso, como sabemos, não é a contradição, mas o seguimento natural desses nossos tempos encantados.
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on Nov 5th, 2009 at 1:50 pm
Quando assisti esse filme pela primeira vez tinha achado muito bacana, de uma sensibilidade muito grande. Realmente é um filme muito bonito e uma enxurrada de citações, simbologias, etc. Mas acredito que nao passa muito disso. Percebi que não fossem as músicas dos Beatles, o filme muito provavelmente terÃa passado despercebido por mim. Mas o que mais decepcionou é que o roteiro claramente se desenvolve de forma que se encaixe as músicas que a diretora selecionou. Tem cenas muito desnecessárias que só estão lá pra poder inserir a música. Pessoalmente acho que num filme de qualidade, com um bom roteiro, bem coeso, deve acontecer exatamente o contrário. A musica, a trilha, os efeitos sonoros, etc, tem de encaixar perfeitamente na história, e não o contrário.
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grijo Reply:
November 5th, 2009 at 4:58 pm
Mas me pareceu, Matyah, que a proposa é exatamente essa. A partir das músicas contar uma história de amor tendo como pano de fundo os anos 60. E não o contrário. O elemento que dá base ao filme não é a imagem ou a narrativa, mas a música.
Mas digo também que não passa de um bom filme, e que ficará na memória dos beatlemanÃacos justamente porque a música do quarteto é a essência - e não a história de amor.
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on Nov 5th, 2009 at 5:01 pm
Escrevi sobre esse filme lá no Jornália ano passado. Fui assistir com um pé atrás, achei que a obra seria mais um filme sobre os Beatles e, felizmente, verifiquei que não era. O filme, na verdade, além da bela história de amor, é uma crÃtica a máquina de guerra dos Estados Unidos. Gostei também dos arranjos caprichados para os clássicos dos Beatles. Aquela abertura com Girl (que é uma música simples) ficou belÃssima. Conseguiram inovar sem deturpar. Só isso já vale o filme!
PS: Bono como Dr. Robert, muito legal!
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grijo Reply:
November 5th, 2009 at 9:56 pm
E pensar que “Girl” foi hit de Ronnie Von durante a Jovem Guarda, Ed. O tÃtulo era “Meu Bem”.
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on Nov 5th, 2009 at 5:11 pm
Eu já tinha visto um filme dessa diretora e não havia gostado. Frida, lembra? Achei chato, mas tudo bem, é questão de opinião mesmo. Este Across the universe meio que redimiu o anterior. Um belo tributo (vc disse bem) às canções imortais do Fab4. gostei de ouvir joe cocker e de ver Bono tb, de quem sou fã.
A propósito, Grijó, Joe cocker bem que merecia uma postagen, não?
Até.
Saulo, o Cupim.
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grijo Reply:
November 5th, 2009 at 9:53 pm
Térmita, dê uma olhada nisto:
http://ipsislitteris.opsblog.org/2007/09/07/por-onde-anda-joe-cocker/
Está lá. O velho merece.
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on Nov 5th, 2009 at 5:12 pm
Sem a desnecessária delonga, apreciei ver Joe Cocker cantando…
Só por isso, já deve valer a pena hem?
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on Nov 5th, 2009 at 7:03 pm
sim, um bom filme psicodélico, com seus contragostos como por exemplo o exagero na cena dos morangos, mas um bom filme…
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on Nov 6th, 2009 at 12:41 am
E para aqueles que, como eu, acham a música dos beatles muito fraquinha?
Devo assistir o filme?
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grijo Reply:
November 8th, 2009 at 12:59 am
Fraquinha?
Ok, então.
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on Nov 7th, 2009 at 10:05 pm
Que bom que gostou Grijó…
Em pensar que tive medo de te indicar um filme….
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grijo Reply:
November 8th, 2009 at 12:59 am
É verdade, charles…vc havia recomendado. Valeu.
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on Nov 8th, 2009 at 12:43 am
Across The Universe sem dúvidas ficará em minha memória. Um bom filme em um bom contexto com uma boa história de amor e uma linda trilha sonora.
A parte de Girl foi milimétricamente feita para fazer garotas de 17 anos se derreterem pelo o Jim Sturgess e eu não consegui fugir disso.
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on Nov 11th, 2009 at 9:14 am
Grijó, meu amigo querido;
Vou repetir sempre o que comentei com você: os Beatles não fizeram apenas boa música, fizeram a melhor. Tal opinião surgiu depois de um comentário que você fez, de que os americanos foram responsáveis pela melhor literatura, melhor música e melhor cinema do século. Lembra? Devo acrescentar que, de uma forma abrangente, eu concordo com você.
Sérgio Luiz
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on Nov 19th, 2009 at 6:04 pm
tem tempo q n visito seu blogue…e logo quando visito tenho a oportunidade de me deparar com across the universe! é um dos meus filmes favoritos. a trilha, obviamente, está maravilhosa. Gostei muito de algumas coisas que vi no filme hair, e que o autor reutilizou. aravilhoso, sem dúvidas.
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grijo Reply:
November 19th, 2009 at 8:29 pm
“Hair” é clássico, Marcela.
Absoluto.
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