
Eu disse certa vez - aqui, no Ipsis litteris - que o encontro entre Sinatra e Ella Fitzgerald resultava na combinação do melhor cantor com a melhor cantora. Mantenho a afirmação, mas pergunto a mim mesmo: e após os melhores, Grijó, quem se apresenta? Pois bem: já ouviram o disco Boy Meets Girl, o espetacular encontro de Sammy Davis, Jr. com Carmen McRae? Se não ouviu, está perdendo um evento de proporções galáticas. Isso mesmo: um disco como esse assemelha-se àqueles cometas que dão as caras de duzentos em duzentos anos.
Mas o que há de tão especial? Primeiramente: as composições pertencem nomes como Jerome Kern, Vincent Youmans, Cole Porter, Irving Berlin, Hoagy Carmichael, a dupla Richard Rodgers & Lorenz Hart, Oscar Hammerstein. Quer mais? Pois tome: as canções de Porgy & Bess, de George Gershwin estão lá, executadas em sensacional dueto para quem quiser (e puder) ouvir. Constam do raro disco homônimo de Sammy Davis. Pois afirmo: poucos compositores são capazes de garantir qualidade em tudo o que fazem. Esses distintos senhores citados fazem parte desse selecionado grupo.
Só isso? Não. Os arranjos e as regências ficam a cargo de Buddy Bregman - que, com Ella Fitzgerald, fez discos sublimes para a Verve -, Jack Pleis e Morty Stevens, cuja orquestra era a preferida de Sammy Davis. E, como se não bastasse tudo isso, a seleção musical é de primeiríssima. Cheek to Cheek, Tea for Two, Summertime, You’re the Top, Baby, It’s Cold Outside e A Fine Romance são as mais conhecidas, mas devem-se ouvir todas elas com dedicada atenção, deixando de lado compromissos, horários e telefonemas. Tudo o que colaborar para os intervalos da audição dessa obra-prima é indevido.
Já escrevi sobre Sammy Davis e sobre Carmen McRae, separadamente. São duas figuras que, segundo críticos venenosos, viveram à sombra respectiva de Frank Sinatra e Billie Holiday. Bem, com exceção de Bing Crosby, quem no métier não sofreu influências do maior cantor popular? Ainda mais considerando a proximidade entre os dois. E Carmen, a meu ver, é única. Embora fosse uma fã declarada de Lady Day - e tenha, inclusive, gravado temas que Billie imortalizou -, a grande dama swingava melhor. Um pecado dizer isso? Então ouça Yesterdays, Trav’lin’ Light, I Cried for You e Them There Eyes com as duas e depois me diga quem é superior.
E há quem exercite a imaginação: e um disco feito com Nat King e Sarah Vaughan? Ou outro, com Johnny Hartman e Julie London? E que tal um álbum duplo com sessões que reúnam Billie Holiday, Bing Crosby, Tony Bennett e Dinah Washington - todos juntos num disco a se chamar Boys Meet Girls?








on Nov 16th, 2009 at 7:20 am
Sou um fã de fila de gargarejo tanto de um quanto de outro, e este disco é realmente indiscutível tanto na qualidade técnica dos músicos envolvidos quanto a escolha do repertório, que é de primeira grandeza. Inigualável. Depois que vc conjeturou as possíveis, porém improváveis, gravações, fiquei imaginando como big Crosby se daria bem com aquela voz poderosa de Dinah Washington. E se puder sugerir uma outra possibilidade, já imaginaste Nina Simone com J. Hartman? Ou Aretha Franklin cheia de soul com Joe Williams ou Joe Turner?
Tenho grandes discos do SDJ, incluindo um que vc já postou, ele cantando com um pessoal da igreja e tal. Olha, depois de Sinatra e Crosby, não tem melhor cantor na música americana. Sua forma de “swingar” não tem pares no cancioneiro ianque, e além do mais era um showman requisitado por todos. Não sei se vc leu a biografia dele, Yes I Can (parece coisa de Obama, rsrs), em que ele trata de questões como convrsões ao judaísmo e amor pelas louras. Muito bom. E Carmen McRae o que se pode dizer dela? É a substituta de Ella e resume todas as outras. Abraço, Cronelius.
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grijo Reply:
November 16th, 2009 at 11:33 am
Vc disse bem, Cornelius. Carmen resume todas as outras - ou quase todas.
Será que daria certo um dueto entre Joe Turner com Aretha Franklin?
Abraço.
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on Nov 16th, 2009 at 11:56 am
Qualidades vocais à parte, Sammy Davis Jr. foi também um grande sapateador, comparável a Fred Astaire e a Gene Kelly.
Carmen McRae, por sua vez, era boa pianista e só não se destacou mais porque não se interessou.
Danem-se os críticos venenosos.
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on Nov 16th, 2009 at 1:56 pm
Mr. Grijó,
Impecável a escolha.
Sammy Davis Jr. é daquela raríssima estirpe de artistas que consegue chegar à excelência em qualquer área - atuando, cantando, dançando, contando piadas. Uma voz fabulosa, versátil, afinadíssima, cheia de swing, malandra como um bom carioca da Lapa dos anos 30.
Tenho um dvd, fabuloso, em que ele imita os grandes cantores da sua época (na música One for my baby) - são impagáveis suas versões de Billy Eckstine, Nat King Cole e, sobretudo, do amigo Dean Martin (que “bebe” no microfone e “canta” no copo).
Grande sujeito e, ainda por cima, grande pegador!!!! E no palco ficava tão bonito quanto Sinatra.
Carmen McRae é outra paixão, sua voz metálica, às vezes áspera, de enorme personalidade… Ninguém canta “Who Can I Turn To?” como ela!!!
Um encontro fabuloso, de fato!!!
Parabéns!
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grijo Reply:
November 16th, 2009 at 4:02 pm
Érico, meu amigo, onde eu encontro esse devedê? Essa imitação do Dean Martin deve ser impagável.
Valeu, camarada.
Grande abraço.
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on Nov 16th, 2009 at 2:12 pm
Mr. Grijó, good job!
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on Nov 16th, 2009 at 2:59 pm
Mestre Grijó, não sei se vc pode fazer algo a respeito, mas desde a sua postagem “Em algumas horas, Elisa” o Blogger não registra em meu blog as suas atualizações aqui; estranho, né?
Demorei um tempo e só alguns dias depois descobri que vc havia voltado a postar. Então, continuei vindo aqui, mesmo não sendo registrado lá que sairam novas matérias.
Um abraço!
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grijo Reply:
November 16th, 2009 at 4:01 pm
Não sei por quê, Olney. Acredito que sejam essas estranhas perversões da web. Sem problemas, amigo. O importante é que vc está de volta.
Abraço.
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on Nov 16th, 2009 at 7:10 pm
Grijó,
Comprei em uma banca de revistas.
Como estou em Pinheiro e não em São Luís, sexta-feira eu dou uma procurada no nome e no selo que o lançou, ok?
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grijo Reply:
November 16th, 2009 at 9:09 pm
Fico na espera.
Puxa, numa banca? Até onde sei, essas coisas não aparecem por Vitória. Uma pena.
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on Nov 16th, 2009 at 7:36 pm
Nossa, grijo, temos que marcar um encontro na sua casa para poder ouvir tudo isso. Será que alguém tem essas preciosidades, além de você? Eu levo um banquinho e o meu bloco de notas, pois não posso perder tempo e nem deixar de lado a biografia “histórica” do sr. Tálib, um amigo recente e de grande valor. Se ele for, melhor ainda.
abraços
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grijo Reply:
November 16th, 2009 at 9:08 pm
Sejam bem-vindos à minha humilde morada, Vanessa. Tálib é amigo de longa data, e, claro, é muito bem-vindo também. Podemos ouvir boa parte do repertório de Carmen McRae e um bocado de Sammy.
Abraços.
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Tálib Reply:
November 16th, 2009 at 11:23 pm
Opa!!! Faço das palavras dos dois, as minhas. Grijó meu grande professor e amigo de longa data. Vanessa, uma das coisas raras de conhecer, que a internet nos presenteia.
Rasgações de seda à parte, acho que a segunda melhor dupla seria Ella com Louis Armstrong.
Ouvi Carmen McRae por curiosidade de sua postagem, Grijó. Ela cantava “It’s like reaching for the Moon”. Simplesmente maravilhosa, mas me acostumei a ouvi-la com Billie Holiday, de quem também sou fã.
Coloquei a segunda dupla com Ella para lembrar sua paráfrase em relação a Tony Bennett, onde disse que Carmen deu azar de nascer no mesmo século de Ella. E é verdade, pois aquela tem uma voz espetacular também.
É covardia colocá-”lla” em comparação com as outras. Não há concorrência. Quanto mais se ouve, mais se quer ouvir.
Prefiro sua voz mil vezes à de Sinatra. Meu carro já não agüenta mais ouvir “Cry Me a River”. Tenho manias com músicas e, no momento, esta é a bola da vez!
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on Nov 17th, 2009 at 11:28 am
Não sou um ouvinte do Sammy, mais por falta de oportunidade do que por outro motivo qualquer. Carmen é minha heroína - o disco em que ela interpreta os temas de Monk é singular. Tentarei descolar uma cópia.
Abraços,
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Claudio Moura Reply:
November 17th, 2009 at 5:59 pm
Este disco com composicoes do Monk e maravilhoso, soberbo!
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on Nov 17th, 2009 at 12:14 pm
Sammy Davis não significa muito para mim, que sou fã do rock & roll, mas já ouvi muita gente dizendo que o gogó dele é dos melhores, mas desses que vc falou, (Frank Sinatra, Tony Bennett etc.) não sou conhecedor. Já Carmen Mc Rae, Ella Fitsgerald, Billie Holiday e outras eu conheço. Respeito. Mas não sou muito chegado a vocais femininos. Aquele abraço!
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on Nov 17th, 2009 at 5:06 pm
Grijó,
ainda no “boy meets girl” leio que Tony Bennett chamou Leny Andrade para cantar em seu show (que parece ter sido excelente)
“Antes de iniciar “But Beautiful”, Tony dedicou a canção a Leny Andrade, convidando a cantora a subir ao palco: “Ela é a Ella Fitzgerald brasileira. Eu e minha esposa somos fãs dela”, disse Bennett. Leny subiu acompanhada de seu pianista João Carlos Coutinho e cantou “Dindi”"
http://almanaquevirtual.uol.com.br/ler.php?id=21971
Aliás, ao que parece ela deve vir cantar em Vitória brevemente, na comemoração de um ano do Espírito Jazz. Espero poder comparecer.
Abrá
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