Vivo estivesse, Gillo Pontecorvo teria feito, ontem, dia 19 de novembro, 90 anos. A Batalha de Argel, seu filme mais conhecido, destaca-se naquela categoria dos filmes que parecem ser datados, condenados, restritos a um momento, mas que, obras-primas que são, eternizam-se. Mais do que isso, tornam-se seminais.
A Batalha de Argel está na minha lista. Imagino que as escolas de cinema espalhadas pelo mundo venerem o trabalho de Pontecorvo nesse hibridismo de documentário e ficção. Não sei de ninguém que tenha feito isso de forma tão efetiva antes dele. Nem depois. Lembro-me de ter assistido ao filme e sentido o mesmo que senti ao ver Antes da Chuva, de Milcho Manchevski, ou Um Dia, Um Gato, de Vojtech Jasný. Literatura filmada - e da mais alta qualidade. E ponto. Para que dizer mais?














on Nov 20th, 2009 at 2:50 pm
Recentemente, assisti o filme Queimada de Pontecorvo (1969) com o jovem Marlon Brandon. Muito bom o filme.
Por um lado, penso que houve uma simplificação (ou diria uma estilização) do conflito do Haiti colonial (o filme foi baseado no livro “Os Jacobinos Negros”), mas por outro lado, Pontecorvo conseguiu abordar vários aspectos sociais através de simbolismos, que uma simples reprodução histórica não conseguiria abordar.
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grijo Reply:
November 20th, 2009 at 4:35 pm
Tenho restrições a “Queimada”. Embora tenha havido certa sutileza para narrar o colonialismo, acho que o Pontecorvo se perdeu. Num dos inúmeros livros sobre a filmografia de Marlon Brando, há uma informação curiosa: o astro, vaidoso demais, “levou o filme a pique, beirando o ridículo em sua proposta banal.”
Enfim, há quem diga que é um dos mais importantes filmes políticos já feitos. Prefiro “A Batalha de Argel”.
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on Nov 20th, 2009 at 5:40 pm
Filme esplendido. Nao [e meu preferido, mas esta entre os bons da area politica, incluindo Z, de Costa Gavras, e A Historia Oficial (esqueci o diretor).
Abs
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on Nov 20th, 2009 at 7:23 pm
Grijó, eu AINDA não assisti ao A Batalha de Argel, mas estou na mira. Porém, vc citou um filme a que eu assisti ainda adolescente - Um dia, um gato - e achei- o de rara beleza. Sua poesia e lirismo são sublimes. É emocionante ver a máscara das pessoas cair ao serem contempladas pelo gato. Nem sabe como eu queria ter em mãos, um gato daqueles! Passearia por aí, de encontro à hipocrisia das pessoas ( por que será?…).
Vale a pena assistir, mas nunca mais encontrei em lugar algum.
Assim como a Batalha de Argel, são filmes difíceis de se achar nas locadoras. Tem idéia de onde posso achar os dois?
bjos.
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grijo Reply:
November 20th, 2009 at 8:17 pm
Tenho ambos, Vanessa - mas “Um Dia, Um Gato” apenas em VHS. Filmaço. De um lirismo realmente desconcertante. Um filme que me impressionou muito e que tb sofreu do mal de ser “datado”. A questão é que ele vai além das teorias resumitivas de apelo popular contra a burocracia soviética e outras chatices.
Enfim, um clássico.
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on Nov 21st, 2009 at 1:41 pm
Belíssima lembrança. Típico filme que, como bem exposto, eterniza-se pela obra prima que é e, além disso (ou por causa disso), por retratar de maneira intensa e precisa elementos presentes no cerne de qualquer conflito dessa natureza.
Abraços!
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on Nov 24th, 2009 at 1:52 pm
Grijó…dá uma olhada nessas fotos em cores da Rússia de 1900. Não conheço, leigo que sou, o cara que fez as fotos, mas pessoalmente achei-as curiosas.
Aí está o link:
http://blogs.denverpost.com/captured/2009/10/21/color-photography-from-russian-in-the-early-1900s/
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grijo Reply:
November 24th, 2009 at 7:18 pm
Belíssimas.
Difícil crer que o photoshop não incidiu sobre elas. Ao que consta, não.
Valeu, Cassio.
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