Acredito que já se tenha escrito tudo sobre o filme O Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte - falecido no sábado, dia 7, mês corrente -, inclusive que é um dos mais importantes filmes feitos em terras brasileiras. Disparado. O livro, texto dramático de Dias Gomes, será cobrado no vestibular da UFES, a universidade pública local, de modo que, para alguns alunos - aqueles que serão avaliados mais especificamente em literatura brasileira -, além da leitura obrigatória da obra, indiquei o filme. Para mim, é obra-prima absoluta em forma e conteúdo.
À parte o tema central da película - e também do livro -, a intolerância como um todo, gerando seus monstros, suas conseqüências mais torpes, há que se levar em conta o embate cênico entre o sempre excelente Leonardo Vilar, que interpreta Zé do Burro, e Dionísio Azevedo que, na pele do padre Olavo, é das melhores interpretações que o cinema nacional proporcionou. Esse duelo dramático merece apologias e, acima de tudo, deveria nortear aqueles que se aventuram na profissão de ator. A precisão dos diálogos e a restrição do cenário são pontos altíssimos de uma película que merece ser veiculada por famílias, empresas, escolas, comunidades.

Do cinema aos quadrinhos. A Bienal Capixaba do Livro - encerrada há dois fins-de-semana - proporcionou-me encontrar a versão gráfica do drama O Pagador de Promessas, feita por Eloar Guazzelli, um artista de traço aparentemente simples, mas que revela, ao menos neste trabalho, um senso profundo de indentidade: os desenhos espelham a realidade social e humana do homem simplório, além de se assemelharem àqueles bonequinhos de argila tão comuns em feiras nordestinas.
A tonalidade arroxeada de alguns cenários, além de peças de vestuário, conferem o teor angustiado do personagem central diante do impasse provocado pelo representante da Igreja. Mas afirmo que, mesmo proporcionando um trabalho gráfico de rara beleza, o elemento forte da obra ainda é a história. Sem ela não há seqüência gráfica que se sustente. Os artistas Fábio Moon e Gabriel Bá já haviam trabalhado na transposição, para os quadrinhos, da obra literária O Alienista, de Machado de Assis. Saíram-se bem, mas Guazelli fez melhor: seus desenhos são mais melancólicos, mais tristes - mais humanos, portanto.









on Nov 24th, 2009 at 11:05 pm
Olá, Grijó
Tenho vindo a seu blog com regularidade e sempre encontro surpresas. Só faço um adendo. Anselmo Duarte, que era amigo de meu falecido pai, dizia que Dias Gomes dava palpites demais. queria isso e queria aquilo no filme. Foi contra a contratação de Gloria Menezes para fazer a personagem Rosa (ele queria Ioná Magalhães) e ficava ameaçando reescrever diálogos quando tudo estava pronto pra ser filmado. Mas mesmo assim fez um bom trabalho, né? Grande livro!!! Grande peça e grande filme!!!
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grijo Reply:
November 24th, 2009 at 11:27 pm
Não sabia disso, Francisco.
Informação íntima, hem?? Valeu.
De resto, acho que Ioná faria um bom papel também.
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on Nov 24th, 2009 at 11:05 pm
Li O Santo Inquérito com avidez e fui mais sedento ainda no Pagador. Não me decepcionei. Os diálogos da peça e do filme são idênticos, não? Realmente vc tem razão, as interpretações de Villar e de D. Azevedo é que seguram o filme, além da história, magnífica. Agora, vamos e convenhamos: Gloria Menezes é engolida por Norma Bengell não acha? Abraço, Helton.
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grijo Reply:
November 24th, 2009 at 11:26 pm
Helton, acho que Glória Menezes está muito bem no filme. Aliás, quase todos, com poucas exceções - como o ator que faz Dedé Cospe-Rima -, estão em grande forma. Quanto a Norma Belgell, bem, a personagem dela tem muito mais possibilidades dramáticas do que a de Glória Menezes, que faz uma pacata companheira sertaneja que é desvirtuada por um homem da cidade. Não acho que uma “engoliu” a outra.
Abraço.
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on Nov 24th, 2009 at 11:13 pm
Estou doida pra ver esse filme. Intuio que irei gostar bastante, valeu pela resenha e comentário!
beijo
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on Nov 25th, 2009 at 5:30 am
Nunca li a peça do Dias Gomes, mas já assiti a adaptação para o cinema do Anselmo Duarte, é uma grande obra. Único filme brasileiro a ganhar a palma de ouro no festival de Cannes.
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on Nov 25th, 2009 at 3:01 pm
Considero O Pagador de Promessas um dos melhores filmes do cinema nacional de todos os tempos. Têm ótimo elenco, a trama é bem dirigida, muita emoção do começo ao fim. Mas se formos analisar é o único grande filme do diretor Ancelmo Duarte, que na verdade foi muito patrulhado pela esquerda, o que eu acho que é uma bobagem. O indivíduo ser de esquerda não quer dizer que ele é melhor culturalmente de quem é de direita, mas no Brasil ainda existe muita patrulha desta esquerda festiva de Ipanema do qual falava Nelson Rodrigues.
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grijo Reply:
November 25th, 2009 at 5:01 pm
Sem dúvidas, Marcos, mas é aí que entra a patrulhada. Dependendo da época, e das circunstâncias, era quase obrigatório o indivíduo rezar por cartilhas esquerdistas - caso contrário, virava “lacaio do imperialismo”, “alienado” e outras denominações menos citadas.
Não sei se vc sabia, mas atribui-se o termo “esquerda festiva” a José Carlos de Oliveira, o Carlinhos de Oliveira, grande cronista capixaba/carioca que apreciava as mulheres e o álcool. Não sei se é fato.
Abraço.
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on Nov 25th, 2009 at 4:00 pm
Olá Grijó, sempre quis ler esse livro. Qual a editora que reeditou o texto?
Abraços…
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grijo Reply:
November 25th, 2009 at 4:57 pm
George, até onde sei, há edições da Ediouro e da Record.
Abraço
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on Nov 26th, 2009 at 12:12 pm
Curto quadrinhos, mas achei o trabalho dele um pouco fraco.
É questão de opinião, é lógico. Mas vc tem razão: sem uma boa história, não dá.
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grijo Reply:
November 26th, 2009 at 3:22 pm
Ok, Sorocaba.
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Everaldo Dumas Reply:
November 26th, 2009 at 9:22 pm
Ja eu achei obra de genio.
Subjetividades…
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on Nov 26th, 2009 at 10:38 pm
grande filme. com sinceridade, “o pagador de promessas” tá lado a lado com o “deus e o diabo na terra do sol”. com o passar dos anos acho que até ganha do glauber por um nariz de burrico!
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