
Vladimir Nabokov, 1959
“Lolita, luz de minha vida, labareda em minha carne. Minha alma, minha lama. Lo-li-ta: a ponta da língua descendo em três saltos pelo céu da boca para tropeçar de leve, no terceiro, contra os dentes. Lo. Li. Ta. Pela manhã ela era Lô, não mais que Lô, com seu metro e quarenta e sete de altura e calçando uma única meia soquete. Era Lola ao vestir os jeans desbotados. Era Dolly na escola. Era Dolores sobre a linha pontilhada. Mas em meus braços sempre foi Lolita. Será que teve uma precursora? Sim, de fato teve. Na verdade, talvez jamais teria existido uma Lolita se, em certo verão, eu não houvesse amado uma menina primordial. Num principado à beira-mar. Quando foi isso? Cerca de tantos anos antes de Lolita haver nascido quantos eu tinha naquele verão. Ninguém melhor do que um assassino para exibir um estilo floreado. Senhoras e senhores membros do júri, o item número um da acusação é aquilo que invejavam os serafins – os desinformados e simplórios serafins de nobres asas. Vejam este emaranhado de espinhos.” (Lolita, 1955)








on Mar 14th, 2010 at 9:49 am
Eu adoro esse trecho!
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on Mar 14th, 2010 at 10:42 am
Confesso que após a leitura deste, fiquei um pouco mais depravado
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grijo Reply:
March 15th, 2010 at 1:02 pm
Tenho amigos que comungam com essa idéia, Mario.
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on Mar 14th, 2010 at 1:32 pm
sr.grijó,
curti a postagem…não li o livro, mas assisti o filme…a versão de mr.kubrick…com james mason e sue lyon…faz muitos anos, creio que preciso revê-lo.
abraçsons
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grijo Reply:
March 15th, 2010 at 1:03 pm
Um grande filme que conta, também, com a presença de Peter Sellers. Fantástico. Comprei selado.
Abraço.
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on Mar 15th, 2010 at 1:16 am
Um dos melhores livros que li…
O comentário tecido pelo Millôr sobre o Nabokov é emblemático.
“Em 1950, aos 50 anos, Vladimir Nabokov não tinha um só dente, usava dentadura superior e inferior, sofria de várias formas de doenças urinárias, pulmonares, cardíacas. Sofria também de lumbago, psoríase, tinha fraturas de ossos’. Pergunto eu: como, cinco anos depois, aos 55 anos, Nabokov ainda teve tesão pra escrever Lolita?”.
Procuro até hoje alguma edição do PNIM (de que você ja falou aqui em outra oportunidade).Nunca achei…
Acho que Lolita em questão de polemica só fica atrás de “1984″ do George Orwell
Enfim.
Recomendo a todos!
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grijo Reply:
March 15th, 2010 at 1:06 pm
Rapaz, não conhecia esse comentário do Millôr. Ótimo.
“Pnim” é bom, mas Nabokov superou-o em outras obras, como “Fogo Pálido” e “A Verdadeira Vida de Sebastian Knight”.
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on Mar 15th, 2010 at 3:40 pm
Lolita é um dos livros mais representativos e influentes da vigorosa literatura norte-americana. Só se iguala a “O Grande Gatsby”, em estilo e agilidade. Ambos formam uma das pedras das canções de Bellow, e equivalentes, além de toda a geração de ingleses como Martin Amis, McEwan e Barnes.
Mas…tergiversando: busco teu auxílio, Grijó, para socorrer-me da impressão de que estou louco. Neste sábado, ouvindo músicas junto a amigos, surgiu o assunto sobre plágios conscientes ou não. Foi mencionado a semelhança das três primeiras notas de Smoke on the water com Alegria, Alegria, o que todos se surpreenderam mas acabaram concordando. Daí eu revelei uma das descobertas fundamentais da minha adolescência: o famosíssimo riff de guitarra do Peter Frampton em seu hino da década de 70, “Show me the way”, é uma cópia descarada e milimétrica do riff da música “Bitch”, do álbum Sticky Fingers, dos Stones. Ninguém concordou comigo, e chegaram a sugerir minha internação. O que me diz a respeito?
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grijo Reply:
March 15th, 2010 at 5:13 pm
Meu caro amigo, não vou sugerir sua internação porque seu ouvido é dos bons, mas acho que não há muita semelhança entre os riffs de “Bitch” e de “Show me the Way”. Acabei de ouvir os dois, antes de responder. Ouvirei mais algumas vezes.
Quanto às notas primeiras de “Smoke on the Water” e “Alegria, Alegria”, bem, se houve algum plágio, este foi do Deep Purple, afinal foi lançado 5 anos depois. Mas essa coisa de plágio – voluntário ou não – é bastante questionável. Será que existem tantas combinações sonoras capazes de criar originalidade atualmente? Ou nos últimos 50 anos, com a indústria fonográfica indo de vento em popa?
Abraço, camarada.
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charlles campos Reply:
March 16th, 2010 at 8:21 am
Grijó, meu caro, me enganei: a música do Frampton que tem a mesma abertura de Bitch é “Breaking all the rules”. P.f., ouça e me diga.
Claro, claro, Caetano tem a antecedência
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on Mar 15th, 2010 at 5:24 pm
Sem dúvida, Lolita será sempre um “clássico a ser discutido”; A genialidade de Nabokov foi depositada inteira nesta trama que inspirou filmes, séries, seriados e outros muitos livros.
O amor que Humbert deposita em Lolita é ao mesmo tempo chocante e belo, Nojento e gracioso. Para sentir algo assim, deve-se ser Artista ou Louco, e neste livro, não sabe-se bem se o personagem é um ou outro. Ou ambos.
Digno de leituras e releituras.
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on Mar 15th, 2010 at 6:04 pm
Qual o melhor livro de Vladimir que vc leu?
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grijo Reply:
March 16th, 2010 at 11:55 am
“Fogo Pálido”, sem tirar nem pôr.
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on Mar 16th, 2010 at 10:21 am
Para quem não leu Lolita, este trecho é a síntese perfeita.
abç
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on Mar 18th, 2010 at 12:26 am
Grande Nabokov.
Estupendo!!!
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on Mar 22nd, 2010 at 1:17 pm
É, Grijó, estou louco pra ler esse livro. Estou lendo Fogo Pálido, com uma certa dificuldade, confesso, mas estou adorando. É a primeira vez que vejo uma estrutura de narração daquele jeito.
Grande abraço.
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grijo Reply:
March 22nd, 2010 at 2:00 pm
Eu tb, Marcelo. Quando li “Fogo Pálido”, e depois o reli umas duas vezes, fiquei impressionado. As releituras, tenha certeza, foram para compreender melhor. Não é um livro fácil, e a estrutura dele é não somente surpreendente, mas de uma eficácia invejável. Só Nobokov consegue!
Abraço.
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Marcelo Burmann Reply:
March 22nd, 2010 at 5:04 pm
Olha, a questão do prefácio é impressionante. Mas vi algo assim parecido no seu livro, HISTÓRIAS CURTAS PARA MARIANA M, que por sinal é maravilhoso.
Grijó, o que é esse tipo de linguagem- o narrador faz o epílogo- ao certo? É uma metalinguagem? Impressionante para mim.
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grijo Reply:
March 22nd, 2010 at 7:45 pm
É metalinguagem, mas não se preocupe com essas questões acadêmicas, camarada. Bom saber que vc gostou.
Abraço.