A Irlanda é um país de proporções humildes: pouco mais de 70 mil quilômetros quadrados e quase 5 milhões de habitantes – o que é pouco, mas a concentração de grandes escritores/poetas nascidos na ilha é a maior da Europa. Duvida? Então vou citar apenas os mais famosos: Johnathan Swift, Samuel Beckett, Bram Stoker, Oscar Wilde, James Joyce, G. B. Shaw, Seamus Heaney e William Butler Yeats, que morreu num final de mês de janeiro há 70 anos. Ei-lo, à direita do visor:

A Cia. das Letras publicou, em 1994, um volume de seus poemas, selecionados e competentemente traduzidos por Paulo Vizioli, embora ele tenha escolhido poucos textos do mais interessante – daqueles que conheço, claro – livro de Yeats, The Green Helmet and Other Poems. Busquei na web poemas traduzidos desse grande criador, cuja voz não deveria ser corrompida pela preocupação com rimas e ritmos. Tradução de poemas é sempre algo perigoso, mas, em muitos casos, necessário. Encontrei alguns poucos bons exemplos aqui e aqui. E vários poemas escolhidos, em língua nativa, numa coletânea criteriosa, aqui.
Yeats foi um dramaturgo de voz contundente que, a exemplo de seus conterrâneos, em especial G. B. Shaw, voltou-se para a própria terra natal e observou-a de maneira crítica, mesmo sendo ele mesmo um adepto da espiritualidade e do ocultismo que, mais tarde, ele mesmo negaria – ou pelo menos seria vítima de uma dura autocrítica. Essa mesma voz lançou as bases para a poesia do século passado, seja ela em língua inglesa ou não, e, por incrível que possa parecer, contrariando a proposta modernista, Yeats mantém uma preocupação formal que, antes de prejudicar – porque há quem erroneamemente o chame neoparnasiano -, solidifica ainda mais seus textos.

A edição bilíngüe da Cia das Letras, citada acima e ilustrada à esquerda, é um bom começo, para quem não conhece Yeats. Ter contato com sua sensibilidade e com seu senso estético é uma experiência estimulante para quem aprecia a leitura de poemas que vão além do que se mostra de imediato. Poucos poetas souberam lidar com a metáfora como Yeats, e é justamente essa capacidade de fazer do leitor seu cúmplice, permitindo-lhe desenvolver interpretações variadas, que faz dele um poeta eterno, como foram eternizados alguns de seus conterrâneos citados lá no ínício da postagem.








on Mar 16th, 2010 at 10:53 am
Eu não conheço Yeats, yet, haha
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on Mar 16th, 2010 at 2:44 pm
Dessa coleção da companhia eu teno o do Wallace stevens e da Mariane Moore, que foram presentes de namorada. Vou correr atrás do W. B. Yeats. Os links que vc sugeriu são legais, mas um deles não abre de jeito nenhum, dá erro. Até, Grijó, e obrigado pelas dicas.
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on Mar 16th, 2010 at 3:17 pm
Gostei da síntese. Estou trabalhando com alguns poemas de Yeats na facul, principalmente os de The Wind Among the Reeds, que é o último lançado no século XIX. Vc acertou em cheio ao contrastar o homem crítico e concreto que não conseguiu desfazer-se da espiritualidade. Este é meu tema central, de minha dissertação. O P. Vizioli, que morreu há mais de 10 anos, foi um professor emérito que muito influenciou gerações na literatura em língua inglesa – e eu fui uma delas, felizmente. Abandonei o curso e voltei há alguns anos, e agora tenho me dedicado ao estudo de Shaw e Yeats. Vc está de parabéns pelo blog e pela iniciativa de despertar, como vc mesmo disse numa postagem anterior, o gosto pelas belles lettres.
Lenira Souza
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grijo Reply:
March 16th, 2010 at 4:43 pm
Opa, Lenira. Se publicar a dissertação, avise.
Abraço.
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on Mar 17th, 2010 at 1:36 pm
Olá.
Tenho acompanhado seu blogue mas quase nunca comento. Hj me senti à vontade porque Yeats é um dos meus poetas favoritos, talvez até eu diria que não existe poeta que me agrade mais. Tenho este exemplar da Companhia das Letras, que dá uma amostra da grandiosidade deste poeta com “p” maiúsculo, um homem que se decepcionou no amor e que dedicou à poesia o que ele tinha de mais angustiante, triste e melancólico. Mas não fez uma poesia triste. Pelo contrário, foi feliz e buscou a felicidade espiritual e física nas palavras.
Já ouviu falar de W. Carlos Williams?
Sds, Fabiano.
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grijo Reply:
March 17th, 2010 at 8:04 pm
Claro que já, Fabiano. Aliás, a mesma editora citada publicou, na mesma série, uma coletânea de poemas do Dr. Williams. Um grande poeta, quase que praticamente desconhecido do público brasileiro porque não querem traduzi-lo. Estranho isso.
Tenho a autobu]iografia de William Carlos Williams e nela ele afirma que Yeats é seu poeta preferido. Ele e Whitman.
Abraço.
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on Mar 18th, 2010 at 1:16 am
Boa síntese!
Ivan Galindo Moura Filho
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on Mar 18th, 2010 at 12:27 pm
sr.grijò,
postagem, invariavelmente, piramidal…não sei se sou mais fã de mr.yeats ou teu…rs
abraçsonoros
ps.não conheço w.carlos williams
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grijo Reply:
March 18th, 2010 at 9:13 pm
Não exagere, amigo Pituco.
Abraço.
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