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Fidelidade limitada #2 (outro desabafo)

Há pouco mais de um ano escrevi um desabafo neste blog: uma paixão não-correspondida, que me trazia tristeza e desolação. Fui criticado, como se a ruptura de um relacionamento fosse algo tão inconcebível quanto um assassinato – o que, aliás, pareceu a alguns, que me taxaram de hipócrita e de nunca ter amado de verdade. Mentira. Amei por mais de quarenta anos, e fui fiel como um protestante. Rompi porque não aguentava mais sofrer, essa é a verdade.

Pois eis que, fora de Vitória durante o feriado, sofrendo com o clima frio das montanhas e sem comunicação com o mundo civilizado, fico sabendo que aquele antigo amor quer reconciliações. Faz-me promessas de que mudará o comportamento e de que, já que os tempos são outros, há motivos de sobra para uma definitiva reaproximação. Promete-me beijos e abraços e carinhos e dedicação extrema. Os tempos podem até ser outros, mas a mágoa, devo confessar, não se desfaz assim tão facilmente, não é algo que se despreze como se fosse feita de pífio material descartável.

 Não posso afirmar que o amor acabou. Nelson Rodrigues tinha razão ao afirmar que o amor é eterno, mas penso que, mesmo calcado na eternidade, o sentimento pode esmorecer, tornar-se frágil como graveto quebrável, e não caracterizar um grande motivo para relacionamentos. É possível amar com tal desleixo e displicência que o ser amado nem tenha noção de que lhe devotam apenas o necessário para manter acesa a flama da paixão.

Pois é. Não dá mais – eis a verdade. Satisfaço-me (não plenamente) em saber que o Rio Branco Atlético Clube tornou-se campeão, assim como me traz tamanha alegria saber que a equipe da Desportiva caminha a passos larguíssimos para a segunda divisão. Segundo minha mulher, isso caracteriza um paradoxo. Concordo com ela. Como posso deixar de amar um time e satisfazer-me com a derrocada de seu maior rival? Mas nessa seara – amor, ciúmes, frustração, paixão, decepções – tudo é possível, e eu diria até permitido. E digo mais: nem todos compreendem o quase ex-amor que, ainda de acordo com minha mulher, nesse caso, é algo que não existe.

16 Comentários on “Fidelidade limitada #2 (outro desabafo)”

  1. #1 Felipe Lopes
    on Jun 9th, 2010 at 12:09 pm

    Não só compreendo como concordo. Sofri com algo muito semelhante em um relacionamento que tive e ainda nutro um sentimento parecido com amor, se não ele próprio, onde meu maior desejo é da felicidade de minha ex-namorada. Muito embora saiba que um relacionamento, ao menos por enquanto, seria algo impossível de se concretizar.

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  2. #2 Francisco Campos
    on Jun 9th, 2010 at 1:25 pm

    Acho que o cara aí de cima não entendeu bem o espírito da coisa…mas tudo bem. Agora, vou te dizer, Grijó, e não se ofenda: vc nunca foi um torcedor de verdade…abrç

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    grijo Reply:

    Não me ofendo, Francisco. Já ouvi isso. Fico imaginando que os milhões de homens divorciados tenham ouvido de seus amigos: “Vc não foi marido de verdade!”
    Trocar de mulher pode. De time, não.
    Ok, então.

    abraço.

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  3. #3 Yellow Jacket
    on Jun 9th, 2010 at 3:57 pm

    Já imaginou se todo mundo pensasse assim? Os corintianos, na época de Pelé, teriam deserdado do posto…quem sobraria?

  4. #4 Tálib
    on Jun 9th, 2010 at 6:23 pm

    Nada contra seu desencanto, Grijó. Mas, meu Flamengo pode ir para a terceira divisão que não deixarei nunca de considerar a camisa rubro-negra minha segunda pele.

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  5. #5 érico cordeiro
    on Jun 9th, 2010 at 11:17 pm

    O amor é lindo, mas ambobece a gente, Mr. Grijó.
    Tô quase desistindo do meu vasquinho…
    Feliz reconciliação!

    Reply

    grijo Reply:

    Acho que não rola, Érico.
    Abraço.

    Reply

  6. #6 Douglas
    on Jun 9th, 2010 at 11:56 pm

    Fui ver o Brancão e não imorta se ele perde ou ganha. A mágica do futebol, está nesta fidelidade desenfreada, nessa paixão alucinante que alguém tem por seu time…nem mulher é melhor!!!!

    D.

    Reply

    grijo Reply:

    Já experimentei os dois, Douglas. E mulher dá de dez.
    Mas aí é questão de preferência.

    Reply

  7. #7 charles mattos
    on Jun 10th, 2010 at 12:58 am

    futebol e mulher sao bem diferentes…mulheres me deram muitaas alegrias
    mas poucas mulheres me deram mais alegrias que o flamengo e o rio branco…

    gostaria de ver vc no dia 25/07 as 16:00 para ver Rio Branco x Democrata
    primeiro jogo do capa preta na serie d em territorio capixaba!

    Reply

    grijo Reply:

    Vai ser difícil, Charles.

    Reply

  8. #8 Felipe
    on Jun 10th, 2010 at 10:05 am

    É o que sinto pela Seleção. Um certo distanciamento.

    Claro que não vou torcer contra.

    Mas, a grande verdade é que o time de Mr.Dunga não têm carisma (talvez por sua truculência e de sua comissão técnica).

    Além disso, os jogadores são europeus. Não há identificação com os ídolos (ou carrascos) nacionais.

    Nem me lembro de ter visto o Michel Bastos em campo no Brasil, por exemplo. Se ele não fosse para Copa, acho que nem o reconheceria.

    Abraço.

    Reply

  9. #9 Geremias Pignaton
    on Jun 10th, 2010 at 11:52 am

    Grijó, homônimos à parte, acho que fomos colegas no 2º grau do Salesiano. Você era um gordinho chato que me pertubava por eu ser de Ibiraçu. Depois, muitos anos, li nas páginas culturais dos jornais capixabas que você é escritor. Agora, acessando a revista Graciano, encontrei o seu blog e estou entrando em contato. ///É você mesmo, ou trata-se de um outro Francisco Grijó? ///Hoje, moro em Brasília e tenho um blog, não tão bem escrito quanto o seu, mas dá para ler. Nesse meu blog, publico uns continhos. Espero que você os leia para pagar o “bulling” que fez com este pobre caipira. Abs. Geremias.

    Reply

    grijo Reply:

    Geremias, é bem provável que o “gordinho chato” seja eu, mas é praticamente impossível eu ter praticado “bullying” com vc. Eu tinha um metro e cinqüenta quando estudei no Salesiano, em 1976. Imagine um cara com esse tamanho dar uma de valentão! (A não ser que vc fosse menor ainda…) De qq forma, vou checar seu blog com prazer.
    Abraço.

    Reply

  10. #10 pituco
    on Jun 11th, 2010 at 1:24 am

    sr.grijó,

    crise na relação torcedor e time sempre existiu…passo por uma brava, que começou ano passado…mas, minha amante esperança…

    e nesses momentos, faço uma troca justa, priorizando a esposa, até em dia de jogo…rs

    abraçsons alviverdes

    Reply

  11. #11 Girls Wireless
    on Jun 13th, 2010 at 10:49 pm

    Juro que nunca entendi como pode um homem (macho) de verdade ser mais fiel a um time do que com as mulheres.

    Reply

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