Submarino.com.br
Ipsis Litteris Rotating Header Image

Pelé, aos 70! (e o espetáculo)

Ouvi num canal pago que Ronaldo Fenômeno foi o jogador mais votado numa enquete sobre quem é o maior ídolo da história do Corinthians. Desbancou Sócrates e Rivelino, notáveis craques cujos nomes praticamente se confundem com a história do clube paulista. A enquete, claro, desconsiderou o mundo adulto e foi arguir justamente a petizada, para quem Sócrates e Rivellino são personagens de um passado longínquo – e o que é pior: insignificante. São antigos como Marechal Deodoro. Vale o presente.

Mas por que digo isso? Se desconsiderássemos as ferramentas tecnológicas – tevê paga, internet -, ficaria realmente difícil à meninada ter acesso aos magníficos feitos da citada dupla corintiana, já que Rivelino deixou os gramados no fim dos anos 70, e Sócrates dez anos depois. E quanto a Pelé, o chamado Rei do futebol? O último grande espetáculo por ele proporcionado foi durante a copa de 70, quando, em companhia de outros craques (Rivelino incluído), deu o tricampeonato do Brasil. Depois disso, ficou mais alguns anos à frente do ataque do Santos e adentrou uma jornada de 40 meses, no NY Cosmos, ensinando os norte-americanos a bater certo na pelota.

Pelé foi a melhor coisa que o futebol produziu. E vale dizer que os nacionalistas podem gritar, de peito estufado, que ele é nosso trunfo imbatível, nossa primazia. O Brasil ainda está longe de produzir grande arte, grande ciência, grande esporte (como um todo). Nos últimos tempos, nem o futebol brasileiro é tão temido quanto foi, há 40 anos. Mas a figura de Pelé – e seus números impressionantes – mantém-se como um destaque incontestável, o número 1.

Além do talento de Pelé para o futebol, é admirável que ele se mantenha na mídia após tanto tempo fora dos campos. Aos 70 anos, comemorados sábado, dia 23, continua a ser um ícone imortalizado, ainda capaz de ser notícia e de polemizar por – penso eu – absoluta ingenuidade. A mídia brasileira regozija-se com suas declarações sobre política e sobre futebol – o que para Pelé, no fim das contas, acaba por ser positivo. É como se houvesse uma indulgência automática: não se pode exigir dele, fora dos campos, em assuntos alheios ao futebol, a mesma eficiência que ele produzia dentro das quatro linhas.

Não há muito o que dizer sobre Pelé que já não tenha sido dito. Aqui e fora do Brasil. Mas fica a necessidade de repassar às novas gerações o que ele significou para um país que, durante muito tempo, pôde se orgulhar de pouca coisa. É o ícone irrefutável, mas não se deve facilitar. Fosse ele argentino ou uruguaio, norte-americano ou europeu, teria se tornado guia espiritual, daqueles que guardam as chaves do Céu. Mas é brasileiro, e sempre correrá o risco de perder o posto – mesmo que numa enquete dirigida à garotada – para um Neymar da vida, um Ganso. Talvez eu esteja exagerando. Sim, estou. Então, parabéns, e obrigado, Pelé, pelo espetáculo!

22 Comentários on “Pelé, aos 70! (e o espetáculo)”

  1. #1 Moralina 10 mg
    on Oct 21st, 2010 at 8:40 pm

    Grande craque!!!
    Foi comparado a eusébio, Di Stefano, Cruiff, Maradona, e um tanto de outros.
    Superou a todos, com louvor, sejas pelos números, como vc disse (impressionantes), seja pela técnicas e pelo carisma nos gramados.

    Sim, vc exagerou quando disse que Neymar pode ser lembrado pelos meninos e Pelé não.
    Ninguém deixaria isto acontecer!

    Reply

    Grijó Reply:

    Não sei.
    Tomara que não.

    Reply

  2. #2 Neimar, com "i"
    on Oct 21st, 2010 at 9:44 pm

    Confesso que só soube recentemente o que realmente foi, ou é, Pelé. O primeiro passo, e aí vai uma dica para a nova geração, foi assistir ao excelente Pelé Eterno, recomendação de Vossa Senhoria. Uma excelente forma de começar a entender o gigantismo do rei. A homenagem é justíssima. Parabéns pelos 70 anos.

    Reply

    Grijó Reply:

    Um grande documentário, embora documentários sob encomenda pequem por excesso de zelo e pouca crítica, mas alguém se interessa pelo homem Edson Arantes? Prefiro Pelé.

    Reply

  3. #3 pituco
    on Oct 22nd, 2010 at 1:48 pm

    sr.grijó,

    post bacanudo, sempre…o desportista do século xx com mil gols registrados em sua carreira…tô com o peito estufado, também…rs

    abraçsonoros

    Reply

    Grijó Reply:

    Quase 1.300 gols, Pituco.
    Danado.

    Reply

  4. #4 Laio
    on Oct 22nd, 2010 at 4:40 pm

    Grijó, não é de hoje que a molecada atropela os fatos e suprimi a realidade inconteste. A minha geração – considerando por geração sujeitos dos 20 aos 25, hoje – cresceu com referências como Edilson, Marcelinho Carioca, Raí, Taffarel, R.Carlos, Edmundo (o animal) Djalminha, Romário e por aí vai, mas teve o tempo de, digamos, se reformular e pensar num passado não muito distante para reconhecer os verdadeiros “ídolos”. Poucos são os que não conhecem pelo menos uns dois grandes ícones de décadas mais distantes. Aqui em Viçosa, até alguns arriscados torcedores do CAM sabem algo sobre seu passado pouco glorioso – afinal, estaduais não enchem a barriga de ninguém, só de quem joga.

    Creio que a geração atual não terá essa oportunidade. Pois terão de olhar mais para um passado ainda mais distante distante para reconhecer os verdadeiros grandes, pois esses dos últimos 20 anos, apesar de terem jogado alguma bola, não eram lá exemplo de contuda e “atleta”. Continuarão sustentando a idolatria de Robinhos e Ronaldos, com o alicerce da mídia, à revelia de Rivelinos e Pelés.

    Há ainda este fator, a mídia, que ao contrário de cumprir seu papel de construtora de uma memória torna-se arquivista em função da necessidade (?) da constante renovação do consumo. Exemplos claros foram Júnior Capacete e Zico, algo que poderia se chamar de “a dupla” – num time antológico – e que foram tripudiados de maneira vexatória (júnior duas vezes, no Flamengo e no Cotinthians) até mesmo por marmanjos desavisados e incautos de memória caduca que sabiam o que eles respresentavam, certamente se esqueceram (melhor pensar assim).

    Me parece que a melhor maneira de preservar os grandes é realmente blindá-los. Pois nesses critérios comparativos/competitivos, eles só tem a perder, quanto mais o tempo passa.

    Hasta!

    Reply

    Grijó Reply:

    Perfeito, Laio.

    A blindagem é necessária à preservação, embora ela seja utilizada, quase sempre, em prol de interesses patrocinadores (caso de Ronaldo Fenômeno/travestis ou de Neymar/ego), que exigem que seus patrocinados não tenham a imagem maculada.

    Li uma entrevista com o Massaini, que dirigiu “Pelé Eterno”, em que ele afirma ter feito o filme também para que a imagem de Pelé não se perdesse com o tempo e deixasse de ter a devida importância. Na verdade, penso eu, isso já está acontecendo.

    Abraço.

    Reply

  5. #5 Jaime Guimarães
    on Oct 23rd, 2010 at 2:35 pm

    Salve, Grijó, camisa 10 das letras!

    Sabe um aspecto que eu acho maravilhoso no Pelé? É inegável que o homem nasceu com um dom incomum, um talento especial para o futebol, mas ele não se acomodou. Treinava muito, com afinco, dos fundamentos mais básicos ( passe, cabeceio) aos fundamentos que nem eram de sua posição ( goleiro, por exemplo. E não deixava passar nada).

    Vejo esse futebol “moderno” com tantos moleques saindo das categorias de base apenas com força e arranque muscular, mas no trato com a bola deixam muito a desejar. É por isso que ao surgimento de um Paulo Henrique Ganso ou um Neymar ficamos felizes com um jogador que saiba ao menos dominar a pelota.

    Jogador de futebol de hoje nem quer saber de treinar fundamentos básicos. Acham que é um ofensa. E nem os técnicos exigem mais. Nessas horas é que dá saudades de mestre Telê e Cilinho, que exigiam dos seus atletas ao menos o bê-a-bá do futebol.

    Pelé nos dá este exemplo: o talento, onde existe, deve ser burilado, bem trabalhado. Não é à toa que nenhum outro jogador foi tão vencedor quanto o Rei Pelé.

    Quanto às declarações do Pelé/Edson, endosso o que você escreveu: não dá para exigir que o homem seja um gênio em todos os campos. Mas uma verdade ele falou há 30 anos: brasileiro não sabe votar. Taí o Tiririca.

    Pelé eterno!

    Abraço, Grijó!

    Reply

    Grijó Reply:

    Dia desses ouvi aquele beócio do Neto, que se diz comentarista e que os corintianos reverenciam e legitimam, afirmando que Pelé nunca foi verdadeiramente ídolo porque ídolo mesmo não comete erros fora do campo, precisa dar o exemplo, etc. Coisa que, naturalmente, Neto não fez.

    E é aí que entra uma discussão boa. Um cara como Edmundo, assassino confesso, pode ser ídolo? Foi aplaudido por palmeirenses e por vascaínos. Um indivíduo como Romário, notório bad boy que não pagava pensão alimentícia para o filho, pode ser reverenciado como ídolo? E Marcelinho Carioca, Renato Gaúcho, o próprio Neto, jogadores cujo temperamento tempestuoso não poderia ser exemplo nem para um gângster? Foram adorados pelas torcidas dos times em que atuaram. Há uma indulgência muito grande em relação ao jogador de futebol. Reflexo, obviamente, dos investimentos que fazem neles e nos clubes em que atuam.

    “Camisa 10 das letras”? Gostei da ironia.
    Abraço, camarada.

    Reply

  6. #6 Carlos Brito
    on Oct 23rd, 2010 at 2:59 pm

    A primeira vez que ví o Pelé jogar, ao vivo,foi pela TV,uma partida decisiva para o Santos x Portuguesa. Pelé, neste jogo, era o “juiz” da partida. O jogo terminou empatado e ao que parece, os dois clubes dividiram o campeonato paulista. Criança ainda, não tenho precisão do ano da decisão, só sei que o Pelé apitou o jogo todo. Faltou expulsar o juiz principal.
    Outras vezes, anterior a esta partida, era só no rádio. Lembro um jogo da seleção de Pelé e cia x Galo. Dario e toda equipe do Galo vencendo a seleção canarinha – única derrota da seleção brasileira.
    Depois dele, não apareceu mais ninguém.

    Parabéns, Pelé e que juntos, eu aqui, voce aí contaremos histórias e mais histórias sobre futebol, sobre vc e sobre o CAM com seu Rei-naldo para nossos netos e bisnetos.

    @cabrito2606

    Reply

    Grijó Reply:

    Vi Pelé jogar apenas uma vez, Carlos, em 1971, na despedida dele da seleção. Maracanã cheio, acabei vendo em companhia da família de Marco Antonio, lateral do Fluminense que amarelou na copa de 70 e foi substituído por Everaldo. Eu tinha 9 anos, e me lembro bem da volta olímpica etc. Depois, só vi pela tevê e pelas retrospectivas quase anuais de seus golaços.

    Vc citou Reinaldo. Um craque, daqueles maiúsculos apesar da estatura. Grande mesmo. E Dario, bem, Dario era goleador. E ponto.

    Reply

  7. #7 João Marcos Toledo
    on Oct 23rd, 2010 at 6:24 pm

    Já me disseram que alguns jogadores hodiernos – não sei quais, e não quero saber – justificam sua inferioridade perante Pelé afirmando que “na época dele era mais fácil”. Eis uma desculpa débil.

    Reply

    Grijó Reply:

    Era um futebol de menos força, é fato, mas não justifica a frase.
    uma desculpa de quem não tem o que dizer.

    Reply

  8. #8 Gustavo Serra
    on Oct 23rd, 2010 at 6:29 pm

    Vc viu que muitos canais de TV e jornais por todo o planeta parabenizaram o rei? E o Cosmos?

    http://globoesporte.globo.com/pele-70/noticia/2010/10/cosmos-festeja-os-70-anos-de-pele-distribuindo-bolas-na-times-square.html

    http://www.facebook.com/TheNYCosmos

    http://www.bigapplesoccer.com/sections/youth2.php?article_id=25626

    Nem sabia que le era presidente de honra do time.
    Viva o rei!!
    (ainda bem que os americanos não valorizam Pelé mais do que os brazucas. Ia pegar mal)

    Reply

    Grijó Reply:

    Sem dúvidas, ia.
    Mas, pelo que vi, e li nos jornais, o mito vai se estender por décadas, afinal é uma das poucas coisas de que podemos nos orgulhar sem medo da concorrência.

    Reply

  9. #9 Caucasiano
    on Oct 24th, 2010 at 12:20 am

    Gostei da frase: “Pelé é a melhor coia que o futebol produziu”
    Resume tudo.

    Parabéns

    Reply

  10. #10 Felipe Mansur
    on Oct 25th, 2010 at 3:45 pm

    Como disse Armando Nogueira:

    “Este crioulo? Até em botão é indigesto…”

    Reply

  11. #11 Marina
    on Oct 26th, 2010 at 12:38 am

    os anos passam mas o Grijó saudosista de sempre permanece… parabéns ao grande Rei Pelé, o eterno “poeta de boca fechada”…

    Reply

  12. #12 Harley
    on Nov 1st, 2010 at 12:12 pm

    Não vi Pelé jogar mas o que a gente ouve é que foi o maior. Maradona foi bom mas tem de comer muito feijão com arroz. Ronaldo tem de se curvar diante do Rei. Ele, romário, Zico e cia.
    Ave, Pelé!!!!!

    Reply

  13. #13 Anderson
    on Nov 4th, 2010 at 7:24 pm

    Pelé é patrimônio nacional. O melhor jogador de todos os tempos e simplesmente incomparável não tem maradona,platini,nem zidane.Único tricampeão da história,atleta do século. Se alguém pode ser comparado a Pelé, é Garrincha e só Garrincha. A “discussão” começa do terceiro lugar pra baixo (Maradona, Beckembauer, Romário, Didi, Rivelino, etc.), porque os dois primeiros lugares têm dono. Feliz 70 anos e obrigado por ter feito tanto por nós!!! e parabens pelo blog grijó.
    Abraço.

    Reply

  14. #14 Juliano
    on Nov 19th, 2010 at 6:58 am

    li esta, de um jornal inglês: sabe como se soletra Pelé?
    G-O-D

    Reply

Deixe um comentário