Há alguns dias o apresentador José Luiz Datena, timoneiro de um programa de tevê cuja qualidade é questionável – ao menos para mim -, cuspiu sua fúria contra os ateus, chegando a compará-los aos criminosos que conseguiram escapar do morro do Alemão. A Atea – Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos – defendeu-se da forma mais ajuizada possível: interpelou-o judicialmente, exigindo que o referido apresentador retrate-se em frente às câmeras. Postei no Tuíter sobre isso e cheguei afirmar que a indulgência a assassinos e a ladrões é maior do que a ateus.
Li que a partir de 13 de dezembro uma campanha publicitária, veiculada em carrocerias de ônibus, provoca uma boa discussão acerca de um tema que, se realmente for levado a sério, levará a um ponto que merece toda a atenção: até que ponto o Estado Brasileiro é, de fato, laico? Caso não seja, e as evidências tendem justamente para isso, ateus e agnósticos podem passar a ser vistos como trangressores de uma ordem hegemônica com poder de punição.
Assim como há um quase imediato levante quando o preconceito aos afrodescendentes se mostra na prática, parece-me fundamental que as atitudes do apresentador José Luiz Datena sejam não somente repudiadas, mas punidas nas conformidades legais. Eu não sou ateu – ao contrário -; abraço, contudo, a causa da Atea. Mas quero realmente ver a cobertura jornalística sobre o evento. Noticiar uma reivindicação justa, fundamentada num postulado democrático de escolha, pode ser um prato cheio para as grandes redes. Mas duvido que haja sequer menção ao fato. Esperemos.

E termino por me lembrar de uma citação do brilhante jornalista e escritor Henry Louis Menken sobre crença, religião e variações, numa antiga postagem deste próprio e humilde blogue. Aí vai, de novo:
“A fé pode ser definida em resumo como uma crença ilógica na ocorrência do improvável. Ela contém um sabor patológico; extrapola o processo intelectual normal e atravessa o viscoso domínio da metafísica transcendental. O homem de fé é aquele que simplesmente perdeu (ou nunca teve) a capacidade para um pensamento claro e realista. Não que ele seja uma mula; é, na realidade, um doente. Pior ainda, é incurável, porque o desapontamento, sendo essencialmente um fenômeno objetivo, não consegue afetar sua enfermidade subjetiva. Sua fé se apodera da virulência de uma infecção crônica. O que ele diz, em suma é: ‘Vamos confiar em Deus, Aquele que sempre nos tapeou no passado’.”





on Dec 10th, 2010 at 10:15 pm
Concordo com o senhor, professor Grijó. E digo mais, essa discussão será necessária para tantas outras polêmicas como aborto e etc serem (talvez) decididas ou apenas debatidas com mais frequência. Porque se o estado é mesmo laico essas questões deveriam ser decididas sem intervenção de qualquer religião.
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Grijó Reply:
December 10th, 2010 at 11:48 pm
Perfeito, Thainá.
É isso aí.
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on Dec 10th, 2010 at 10:25 pm
Grijó, boas perguntas sempre geram ótimos diálogos. De cara, peço para responder ou, no mínimo, pensar sobre a indagação infracitada:
Jornais existem para informar ou para vender?
Enquanto pensa na resposta, engato outra pergunta, afinal é o atual lema do “aqui e agora” que manda: com a colocação preconceituosa, a audiência – ganha-pão da família Datena, do programa, dos patrocinadores e, por fim, da emissora – aumentou ou diminuiu?
Nunca é demais reforçar. Mesmo tendo aversão aos demodês dogmas religiosos, o Brasil é o país mais católico, por consequência, cristão do mundo. E não pára por aqui…
O que dizer sobre o popularesco conservadorismo da fé, caracteristíca quase que padrão do público de Datena?
Com tantas indagações, é melhor parar por aqui.
Ou poderia perguntar qual rima é mais sonora ao ouvido de âncoras jornalísticos: um preconceito acolá ou um dinheiro a depositar?
Abraços, mestre.
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Grijó Reply:
December 10th, 2010 at 11:50 pm
Sinceramente, amigo Matheus, creio que a frase infelicíssima do apresentador não tenha sido “pensada” com vistas a audiências. É fruto da ignorância, do preconceito e da impunidade. Fala-se o que se quer neste país.
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on Dec 11th, 2010 at 3:20 am
O programa do Datena é de qualidade questionável?
Grijo, sempre ponderado.
O Datena é um cara que transparece ser totalmente emotivo, falou na afobação. Ele nem pensa isso, acho eu.
Sobre mídia pra vender ou informar, me lembrei de tal diálogo no programa Roda Vida há alguns meses.
- Jornalista Ricardo Noblat: O que vc acha sobre tal coisa(não lembro o que ele perguntou) ?
- Beluzzo(economista e presidente do Palmeiras) : Não sei, realmente não sei.
- Noblat: Como que não sabe? Vc é bem informado, lê jornais…
- Beluzzo: E vc acha que quem lê jornais é bem informado?
PS: Fé é uma paixão, é como time de futebol. Não é pra racionalizar.
Prefiro a frase do Lobão(o amigo do Grijó) à toda essa esplanação do Henry Menken.
Lobão sucinto – como poucas vezes é – e certeiro como sempre, diz:
“Se eu existo(serve pra qualquer um) por que é que Deus não existe?”
Nessa história toda de fé/ateu/laico o que estraga tudo são as religiões.
Deviam ser extintas da face da terra!
Abraço
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Grijó Reply:
December 11th, 2010 at 7:14 am
Datena transparece emotividade. Sim, e daí, meu caro José? Isso o imuniza de ser réu em dois processos em que é acusado de racismo? Não sou tão ponderado ssim. Na verdade, não acho que possa usar um espaço sobre o qual tenho poder absoluto – absoluto mesmo! – para desencanar agressivamente este ou aquele, embora mantenha o que disse sobre quem quer que seja, desde julho de 2007, quando o Ipsis nasceu.
Mas isso é apenas uma opinião.
Mas os caras da Atea não estão querendo discutir fé ou qualquer coisa que seja. Até onde percebo, querem penas não ser vítimas de uma opção.
Lobão é meu amigo? Sacanagem…
abraço.
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on Dec 11th, 2010 at 11:06 am
Grijó,
é muito vergonhoso ver tanto preconceito, ver a ignorancia e a falta de respeito em relação a qualquer tipo de diferença. O que vemos extrapola o limite da ridicularidade. Datena foi infeliz ao fazer tal julgamento, não sei o que se passava em sua cabeça.
Eu penso que é mais facil você encontrar ateus e agnósticos que respeitam as pessoas de fé do que religiosos que aceitam outras ideoloigias.
Você disse não ser ateu e que mesmo assim apoia essa causa, é disso que precisamos.
Uma pessoa diz que não acredita em Deus e os outros já olham estranho, fazem comentários da sua vida. Isso tem que acabar bixo.
Essa campanha da Atea me parece muito boa, espero que de os resultados esperados. Que chame mesmo a atenção.
Abraço.
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on Dec 11th, 2010 at 1:26 pm
Grijó, você acha que um ser que seja acéfalo e inteligente ao mesmo tempo pode existir?
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Grijó Reply:
December 11th, 2010 at 5:55 pm
Se a inteligência obrigatoriamente estiver ligada ao cérebro – e, portanto, à cabeça -, não.
Mas é nesse vácuo que entra a fé.
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João Marcos Toledo Reply:
December 11th, 2010 at 6:37 pm
Talvez você não conheça o professor Fracalossi, de física, que dá aula no UP, mas ele é bastante religioso. Certa vez o inquiri: “como a filosofia católica lida com o fato de Deus não possuir cérebro?”. Ele riu a princípio, sem querer zombar-me, mas depois ficou sério e disse que eles partem do pressuposto de que na alma vem já inteligência. A mim, é-me deveras irracional essa admissão. Não existe inteligência sem um cérebro ou algo que o valha. Se Deus é imaterial, ele necessariamente é acéfalo, pois todo cérebro é material; e, se é acéfalo, não pode ser inteligente. Aceitar-se-ia um Deus que não pensasse? Ou ainda: poder-se-ia chamar de Deus um ser sem cognição?
Desculpe-me o texto grande.
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Grijó Reply:
December 11th, 2010 at 6:53 pm
Dá aulas no UP?
João Marcos Toledo Reply:
December 12th, 2010 at 1:26 pm
De que importa?
Grijó Reply:
December 12th, 2010 at 8:16 pm
Bem, vc disse que professor Fracalossi dá aulas no UP. Eu dou aulas no UP.
Não sei quem é professor Fracalossi.
Não muda nadsa em termos de conteúdo sobre o que vc disse, mas atiçou-me a curiosidade.
Quem seria professor Fracalossi?
João Marcos Toledo Reply:
December 12th, 2010 at 10:44 pm
Ok, ok. Divaguemos. No UP há um professor de física de nome Raphael Fracalossi, zombado por ter aversão a abraços e cujos espessos lábios, quando ele fala, involuntariamente fazem sinal de bico, donde saiu o seu epíteto de “biquinho”. Ele se diz católico conservador e dá aulas também de crisma, ou alguma merda dessas do catolicismo. Em sala, o Portela – este você conhece – uma vez disse que o Fracalossi já fez parte de um encontro dos professores, em que eles saem para beber, comer e conversar. Pelos relatos, esse tipo de encontro não é raro e suscita vários professores.
Por que ficou curioso? Eu sempre tive a impressão de que você não tinha muito contato com os professores do UP, porque me parecia que você dava pouquíssimas aulas por semana.
Grijó Reply:
December 12th, 2010 at 11:04 pm
Conheço-o como Rafael.
Mas não dou tão poucas aulas assim. Uma em cada turma, mas apenas para quem tenta vestibular.
João Marcos Toledo Reply:
December 13th, 2010 at 6:29 pm
No ano que vem, serei seu aluno. Eu já estava ansioso por isso, aí ouvi algumas pessoas dizerem que você é muito rude em sala e fora dela: fiquei mais ansioso ainda, mesmo se eles estiverem exagerando – que é no que creio.
Grijó Reply:
December 13th, 2010 at 8:24 pm
Não sei se estão exagerando.
Ansiedade é bom. Então vc faz 2ª série. Ok.
João Marcos Toledo Reply:
December 14th, 2010 at 2:34 am
Se não estão exagerando, tanto melhor. Mas espero que você não seja rude comigo ou me negligencie quando eu lhe pedir um grandíssimo favor que só confio em você para cumprir. Vou lhe explicar por e-mail ainda antes do término das férias, e não vou insistir, para não importunar.
on Dec 11th, 2010 at 2:40 pm
Ao longo do ano, escutei algumas partes do tal programa apresentado por Datena (graças a m eu pai que volta e meia assistia a ele), nao era dificil ouvir alguma coisa que me deixasse perpelxa:pra ele, parece que TODOS os policiais estao sempre dispostos a fazer o que eles deveriam fazer, sempre incorruptíveis e outros bla bla blas.
Infelismente, ele parece ter o apoio de uma parcela da populaçao(principalmente em Sao Paulo acredito), e ate consegui ver o motivo:fala de maneira furiosa, como se realmente estivesse indignado com determinada situação, chega a pedir providencias para N autoriades.
Agora,tambem infelismente, o brasileiro tem a mania (nao sei se a expressao será a correta)arcaica de associar carater a religiao, e nesse caso, quem nao é cristao leva desvantagem – nao digo nem mais católico pq, acho eu que ambas possuem poucas diferenças.
Quanto a mim, apoio à campanha da ATEA, a liberdade de expressao é garantida por lei e a religiao(ou a falta dela) faz parte da expressao humana.Tenho amigos ateus, e ate um que se diz anti-cristo, nem por isso comparo-os a assassinos, estupradores etc, muito menos adimito que o façam.
Enfim, é uma questao de ponto de vista.
Abraço Grijó!
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Grijó Reply:
December 11th, 2010 at 5:59 pm
E essa liberdade de expressão a que vc se refere, Luiza, é que faz brotar uma figura como Datena – e ter muitos entusiastas!
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on Dec 11th, 2010 at 5:05 pm
Não sabia que o Datena é réu em processos de racismo.
Bem, o Monteiro Lobato, se vivo fôsse, tb seria.
Tenho certeza que o Datena não é racista. É amigo do Sócrates(o ex-jogador), deve admirar o filósofo de mesmo nome e tem – vi certa vez – um poster de Che Guevara em casa.
Enfim, pese ao programa que apresenta, me parece boa pessoa.
Gosto muito de pessoas emotivas, agridem e pedem desculpas com a mesma intensidade/veracidade.
Os caras da Atea estão certos, aproveitaram uma oportunidade para expor melhor suas idéias. Fomentar o debate.
Há um preconceito muito grande com os ateus no Brasil, é quase como se fôssem maus caráter.
Quando o cara não é ateu por revolta, e sim, por convicção noto que acorre justamente o contrário. São, geralmente, pessoas de bem.
Afinal, se são honestas consigo têm bem mais chances de serem com o mundo.
PS: Quanto a ponderação, sua postura é correta. Além do que vc é um professor. Esse teu blog é o de melhor conteúdo e tb o mais bonito que já vi. É como uma coleção de livros, da gosto de ler e ver.
Engraçado, a ponderação é mesmo uma característica dúbia.
Sou pouco ponderado. :>)
Abraço!
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Grijó Reply:
December 11th, 2010 at 6:53 pm
Agradeço pelo antepenúltimo parágrafo, camarada.
E concordo com vc sobre o ateísmo ser fruto da convicção e não do ódio, da fúria, da frustração etc. A convicção, quando abalizada pela racionalidade, deve ser levada em conta e merece ser debatida de forma saudável.
Abraço.
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on Dec 11th, 2010 at 9:15 pm
Deus acéfalo?!
A crença parte do absurdo e do irracional. Dois conceitos que devem ser entendidos não do ponto de vista da razão. O que mede a nossa parca e limitadíssima “razão”? A ciência, tão aclamada como referência a toda a verdade, só tem 300 anos. Três séculos em que 99% do pensado pelas melhores mentes mostrou-se errado. Para cada Newton, uma dezena de cientistas de fama passageira, e mesmo Newton foi desmentido depois (por Einstein, que por sua vez também foi desmentido).
A questão que nunca é vista pelos ateus e movimentos tais, é que ao homem é inconcebível uma percepção do mundo sem uma crença no abstrato. A foto do presidiário com uma bíblia, na campanha, para muitos detentos, a crença religiosa é a única coisa que os distinguem ainda como humanos. retirar isso deles é um desfavor cruel contra a sociedade, que receberá mais criminosos irrecuperáveis.
Essa campanha (que aliás foi barrada pelo MP), é leviana e má produzida. (Hitler “crente”!). E requerendi dízimo, dízimo a ateus!
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Grijó Reply:
December 12th, 2010 at 8:24 am
Discordo, Charlles.
A crença no abstrato pode, sim, ir além da necessidade da percepção do mundo. O elemento abstrato pode estar em nossas vidas por diversos fatores – incluindo o entretenimento. É claro que se podem aplacar angústias e melancolias a partir da crença em algo ou alguém invisível à nudez dos olhos, mas uma afirmação como a sua é, a meu ver, perigosa. Sob que circunstâncias o homem busca o Abstrato?
Como a verdade é subjetiva, não creio que a Ciência seja uma referência obrigatória a ela. Talvez o termo “realidade”, que também é questionável, seja mais adequado. E as convicções científicas são derrubadas por outras convicções, que, mais tarde, por sua vez, cairão por terra – mas, creio eu, sempre tendo como fundamento a concretude, a racionalidade, e não o elemento abstrato.
Há quem afirme que o que torna um marginal – e uso o termo generalizante, e não específico de um presidiário, detento etc. – uma criatura “humana” seja a própria compreensão de si mesmo e de suas artitudes. Isso pode, mas não necessariamente, distanciá-lo da crença no abstrato, já que usualmente se responsabiliza um ente superior – no caso Deus – como agente do destino. Como compreender-se e conhecer a si mesmo a partir do momento em que se responsabiliza “outro”?
Poxa, a Atea – com a qual concordo mas não partilho as idéias, já que creio em Deus – pede uma contribuição. Doa quem quer. Quanto à má produção da campanha, não acho tão ruim assim, embora se possa realmente melhorar. E é relevante questionar: homossexuais, negros e outras minorias têm o direito à manifestação pública. Ateus têm?
abraço.
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charlles campos Reply:
December 12th, 2010 at 11:35 am
Os ateus apostam suas cartas numa ciência oposicionista e infalível.
Li em “Dezembro Fatal”, de Saul Bellow, a seguinte cena: um senhor que fôra ateu a vida inteira, e que numa tarde numa prosaica viagem de ônibus, tem o seguinte insight: “nada é suficientemente absurdo para existir; talvez, então, Deus exista!”
A questão também é desvincular o discurso da existência de Deus da questão de se temos ua alma imortal. Eu creio em Deus, mas duvido que Charlles Campos prevalecerá infinitamente sobre a matéria.
Não me venha com essa: todo o anseio humano, do gosto, passando pela angústia, pela paranóia…é uma nostagia do Abstrato.
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Grijó Reply:
December 12th, 2010 at 11:43 am
“Vou com essa”, sim, Charlles. Tive um pai que se divertia em acreditar em Deus, e nunca o vi, em momentos de angústia – porque houve muitos -, apelar para qualquer abstração. Nessas horas, sabia que não poderia contar com nada.
Alma é outro papo: não percamos o foco. Para muitos, é “energia psíquica”. Para outros, doideira.
João Marcos Toledo Reply:
December 12th, 2010 at 10:59 pm
Pare de falar merda, Charlles. Nem Newton nem Einstein foram “desmentidos”. Aquele é o pai da física mecânica; este deu a correta explicação para o efeito fotoelétrico e criou a Lei da Relatividade Especial. Você queria o quê? Que eles estivessem certos em tudo o que na vida afirmaram?
Pare também de generalizar os ateus.
Só posso chamar de insensato aquele que acha que sem um cérebro – ou algo que o valha – é possível ver, ouvir, sentir, pensar. Tudo isso parte de processos cerebrais.
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charlles campos Reply:
December 13th, 2010 at 9:11 am
Tá bom, João. Você sabe bem mais do que eu.
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Everaldo Dumas Reply:
December 13th, 2010 at 6:30 pm
Acho engraçado, com todo respeito, mestre Grijous, esses seus alunos, com 16 anos nas costinhas ainda infantes, quererem dar pitacos além do que podem…e tome google!!!, haha, tá bom!
João Marcos Toledo Reply:
December 14th, 2010 at 2:28 am
E você, Everaldo, usa o número de aniversários que fez como contra-argumento. Isso é que é risível.
Obs.: você deveria usar o Google para aprender a escrever corretamente.
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Everaldo Dumas Reply:
December 14th, 2010 at 8:43 pm
Aqui está cheio de garoto-prodígio, haha…por que no te calas, João?
Vamos fazer o seguinte, o Charlles tem razão, vc sabe tudo e eu não sei nada…
João Marcos Toledo Reply:
December 15th, 2010 at 10:37 am
Cara, você é chato…
on Dec 11th, 2010 at 9:30 pm
Entendo que cada um acredita, ou não, no que quiser.
A ATEA só precisa tomar algum cuidado para não se expor. Colocar de um lado Charles Chaplin e do outro a velha fórmula de “hitlerizar” tudo o que se julga condenável é, no mínimo, obsoleto e sem originalidade.
Não sei de onde se tirou que o referido artista é exemplo de vida para algu[em ou sinônimo de caráter.
De mais a mais, Charles Chaplin acreditava em Deus, tenha certeza. Não poderia ser de outra forma – ele é judeu. Então, pode não acreditar – e , mais que isso, banalizar – Cristo. Mas, em Deus, ele acreditava.
Sempre que se quer demonizar algo, se coloca a figura de Hitler. Tantos outros, piores que ele, surgiram, mas Hitler sobressai – cada que estude história para saber por que.
Sou católico ortodoxo e não abro mão da minha fé. Respeito os outros.
No entanto, com esses cartazes, a ATEA parece não respeitar…a inteligência alheia.
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Remo Reply:
December 28th, 2010 at 1:37 am
Você tem razão. Antes de tudo, deveria-se fazer uma espécie de votação da melhor personificação do mal do século passado. Talvez Hitler perdesse.
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on Dec 12th, 2010 at 8:26 am
Isso é verdade, Tálib. Chaplin nunca foi flor que se cheirasse. Era tirano, machista e odiava crianças.
Quanto ao judaísmo de Chaplin, a mulher dele, Oona, dizia que ele havia abandonado a crença, e que isso o prejudicaria. Não sei se prejudicou.
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Remo Reply:
December 27th, 2010 at 7:39 am
Por que você acha que não o prejudicou?
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Grijó Reply:
December 27th, 2010 at 8:50 am
Porque chaplin sempre se considerou (era o que diziam muitos que o cercavam) acima do bem e do mal. Talvez isso o tornasse quase intragável.
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on Dec 12th, 2010 at 9:53 am
Como sempre, fantástico o texto e o tema!! Falou e disse!
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on Dec 16th, 2010 at 8:35 pm
Grande Menken!
Ferino.
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on Dec 27th, 2010 at 9:12 am
Somos apenas cérebro/corpo. Todos os nossos pensamentos e emoçoes são configurações químico-elétricas. Ter fé só é racional quando pensamos “Vou fazer isto, vou fazer aquilo, etc.” Depois de ler Richard Dawkins, Antonio R. Damasio, Eduardo Gianetti (“A Ilusão da Alma”), Danah Zohar, Steven Pinker, etc e etc, só acredita em deuses, espíritos, alma, quem não tem capacidade intelectual para entender o que somos e de onde viemos.
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on Dec 28th, 2010 at 1:19 am
“…punidas nas conformidades legais”? Dificil. Basta lembrar que na maior parte dos tribunais do Brasil há um crucifixo pendurado na parede. No Rio houve uma tremenda confusão quando um presidente do tribunal de justiça mandou retira-los.
Estado laico só no papel.
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on Dec 28th, 2010 at 2:44 am
Já dizia H. L. Mencken: Faith may be defined briefly as an illogical belief in the occurrence of the improbable.
Não é mesmo?
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