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Panem et circenses ou considerações pertinentes (?) acerca de Ronaldinho e de seu retorno à terra brasilis

Leio que um bando de papalvos rubro-negros manifesta-se, via tuíter, com o objetivo de sensibilizar o craque Ronaldinho Gaúcho a vestir o uniforme flamenguista na próxima temporada. É patético, mas complementa a cobertura jornalística exagerada em torno da transferência do jogador que, descartado pela Europa por motivos variados – o principal é a falha no rendimento profissional -, passa a ser considerado, em terras brasileiras, um semideus da bola. Não é, definitivamente. E, nos áureos tempos, com exceção do que jogou em algumas partidas pelo Barcelona, não sei se chegou a ser.

Já afirmei, numa postagem, o óbvio. Um jogador profissional brasileiro que atue nos gramados europeus só retorna ao Brasil porque os grandes clubes do velho continente não vêem serventia em seu futebol. Com Ronaldinho Gaúcho não é diferente. Vai fazer 31 anos. Se estivesse em plena forma, e atuando satisfatoriamente, já não valeria o investimento por mais dois ou três anos. Na Europa, claro. No Brasil, com essa estrutura subdesenvolvida, vale muito porque turbina outros interesses.

Outro Ronaldo – dito Fenômeno – multiplicou as finanças do Corinthians. Trouxe know-how de marketing e mostrou que é possível fazer dinheiro com uma marca forte. É só ter organização. Nem é preciso uma façanha de proporção bíblica para despertar no torcedor a paixão pelo clube. Ronaldinho Gaúcho vem pelo mesmo caminho, creio eu. Torna-se, com o perdão da hipérbole, uma usina capaz de atrair torcedores e – mais importante! – investidores. Dizem que vai para o Grêmio gaúcho – um retorno às origens. Não deveria. Rio de Janeiro e São Paulo são cidades em que o marketing funciona melhor.

Todo essa discussão acerca do retorno de Ronaldinho Gaúcho aos campos brasileiros provoca uma questão já antiga: seria realmente o Brasil uma potência futebolística? No apogeu de seu valor comercial, o craque vive na Europa e lá joga; assim que é desvalorizado, e que não interessa mais a um grande clube, retorna, com falsa pompa, ao país que o gerou. Não seria natural que uma potência futebolística conseguisse manter seus craques em terreno doméstico?

É claro que sempre há quem diga que os clubes brasileiros não têm dinheiro para manter aqui seus craques. Mas não é exatamente isso que caracteriza uma potência? Já ouvi dizer que o Brasil é um celeiro de craques. É mesmo, mas, e daí? Os bons jogadores, ávidos por uma carreira de sucesso, optam – quando podem, claro – por jogar num outro continente, seja ele Europa ou qualquer outro. Aqui não ficamos, dizem. Sem contar que, atuando em outras canchas, as chances de convocação para o selecionado tornam-se muito maiores.

Enfim, é esperar para ver como termina a novela e como começa outra: convencer o torcedor de que o que vale ainda é o pãozinho quente e o circo lotado.

13 Comentários on “Panem et circenses ou considerações pertinentes (?) acerca de Ronaldinho e de seu retorno à terra brasilis”

  1. #1 Fabricio Gimenes
    on Jan 7th, 2011 at 5:39 pm

    Ah… Camarada Grijó!

    Gostei muito do finalzinho do texto.
    O país há algum tempo vive uma carência de novos craques. É um momento de transição, tal qual foi a última copa do mundo. Bons jogadores velhos cansados em campo e técnicos sem culhões para colocar a molecada para jogar. Mas esse não é o ponto. O ponto é que, fenômeno ou não; Gaúcho, carioca ou paulistano o rapaz vai movimentar as coisas aqui no subúrbio.

    Resta esperar. Resta o que mais?

    Ah, uma última coisa… Certa vez vi uma reportagem que comparava a quantidade de torcedores de times europeus x o faturamento que eles geravam na compra de materiais e produtos oficiais. Uma fortuna. Fizeram o mesmo no Brasil. E vc imagina como foi o resultado. Se os times vissem as coisas um pouco mais comercialmente (e é arriscado dizer isso), acho que um fator iria puxar o outro. Dinheiro gera dinheiro que conserva craques, vende produtos e fortalece a coisa…

    Um abraço

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    Grijó Reply:

    A questão é que pouca gente admite que o futebol brasileiro é um reflexo do país: é subdesenvolvido. Produz craques, mas não os segura aqui. Faltam organização e visão comercial. É a mediocridade no marketing, é a cartolagem que quer ganhar a todo custo, é a bandidagem na transferência de jogadores para o exterior e assim por diante.

    Vamos ver se seguem o exemplo de Ronaldo Fenômeno, que se tornou marca.

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  2. #2 Cássius Alexandre Cipriano
    on Jan 7th, 2011 at 7:55 pm

    Grijó, não sou muito de ver ou me interessar por futebol, mas será que o Brasil precisa de ter a mesma limitação da NPB, a liga japonesa de beisebol? Atleta que entra pra liga japonesa só pode tentar ir para os EUA depois de 7 anos de contrato(ou 5, não me lembro exatamente). Alguns optam por sair do ensino médio ou faculdade e tentar as minors(times de base) nos EUA, mas é complicado.

    O que eu vejo é que o Brasil não possui uma política de esporte escolar, ou, se tem, não possui o mínimo interesse em divulgar. Talvez aqui no ES a coisa ainda esteja melhor que no resto do país devido ao projeto do governo estadual.

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  3. #3 Guilherme Rezende
    on Jan 8th, 2011 at 1:16 am

    Caro Francisco Amálio Grijó(Chicão para os íntimos),concordo parcialmente com o que você diz sobre o Ronaldinho Gaúcho,embora discorde em duas partes do seu artigo,pois o Gaúcho jogou três temporadas brilhantes(ganhando Liga dos Campeões,Campeonato Espanhol e foi o melhor o jogador do mundo por duas vezes) e para ir de encontro a idéia de que os jogadores brasileiros só voltam para o Brasil no ”bagaço da laranja”,cito como exemplo a volta do Romário aos gramados brasileiros em 1995 para jogar no Flamengo no auge de sua carreira.

    Abraços do inquietante Guilherme de Jardim Camburi

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    Grijó Reply:

    Bem, Guilherme. A vinda de Romário para o Flamengo, já próximo dos 30 anos (Romário; não o Flamengo), em 1995, sempre foi nebulosa, a ponto de, durante a sua estada no RJ, ele ter sido emprestado duas vezes ao Valencia, da Espanha, em transações duvidosíssimas que envolviam, inclusive, gente mafiosa (dizem).

    O porquê de ele ter voltado ao Brasil não chega a ser surpreendente. O investimento num jogador próximo dos 30, e com toda a problemática (para o clube) pessoal dele (baladas, mulheres, farra etc.), tornou-o inviável.

    Mas não deixei de enaltecer a passagem dele pelo Barcelona. No PSG e no Milan ele não rendeu o que deveria. Tudo bem que na França ele era novo, mas na Itália, já maduro, poderia ter rendido mais.

    Abraço, meu caro.

    Reply

  4. #4 Francisco Campos
    on Jan 8th, 2011 at 8:43 pm

    Concordo, e vou te dizer mais, Romário foi duramente criticado por Cruijjf, que o chamou de irresponsável, embora cracaço. Um dos motivos de Romário ter voltado pra cá foi que ele não interessava a nenhum clube europeu de peso porque era indisciplinado e curtia as noitadas. Cracão, sim, mas…

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  5. #5 Zé Henrique
    on Jan 9th, 2011 at 2:06 am

    Fala, Grijó, concordo com teu artigo.
    No entanto, como bem lembrou o Guilherme tem o caso do Romário – ele estava no auge do auge – mas é uma exceção.
    Tinha máfia? Se for procurar em outros casos…
    Sobre o Ronaldinho Gaúcho, o que o vi fazer nos seus 2/3 melhores anos de Barcelona só tinha visto Maradona fazer igual.
    Ele tem um lugar especial no meu coração amante de futebol, era circense.
    Vamos torcer para o circo voltar pra dentro de campo.

    Abraço

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  6. #6 Everaldo Dumas
    on Jan 9th, 2011 at 9:54 am
  7. #7 Gustavo Santos
    on Jan 9th, 2011 at 9:23 pm

    Grijó, veja este vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=z99y3BZQ0Wc

    Isso foi um jogo apenas! Nessa época (mais ou menos), o cara era inacreditavelmente bom. Como alguém pode cair de nível tão rapidamente? Até hoje não entendi. Minha teoria é falta de preparo físico + falta de motivação + idade, coisas assim…

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    Grijó Reply:

    Um grande artista, sem dúvidas.

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  8. #8 Tálib
    on Jan 10th, 2011 at 9:30 pm

    Eu, como flamenguista que sou, detestei sua vinda (prestes a fechar com o Fla).
    Era só o que faltava: mais uma estrela cheia de privilégios e um vaso sanitário por onde vai o dinheiro e o clube se endivida!
    Duvido que trará retorno em títulos (que é o que mais interessa), mas como flamenguista que sou, agora tenho que torcer por ele, embora preferisse que o Flamengo fizesse como antigamente: craques em casa!

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  9. #9 Zaqueu
    on Jan 14th, 2011 at 10:36 pm

    Vc disse tudo. Só os “velhos” ou “sem serventia” voltam a jogar no Brasil. Não vê Nilmar e Luis Fabiano? Estão bem na Espanha e nem pensam em voltar pra cá. Agora é o Alex, que vai deixar os turcos porque teve problemas para renovar o contrato. Não querem mais ele…

    Reply

  10. #10 Guilherme
    on Jan 20th, 2011 at 11:28 am

    é isso aí.
    gostei.

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