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37 anos da Revolução dos Cravos ou Obrigado, amigo Getúlio!

Ao ler, no twitter, através de meu querido amigo e jurista Getúlio Neves, a providencial lembrança de que em 25 de abril comemora-se o aniversário da Revolução dos Cravos, fica aí meu registro: o texto original de Tanto Mar, composição de 1975, em que Chico Buarque homenageia o povo lusitano e sua luta:

Sei que estás em festa, pá
Fico contente
E enquanto estou ausente
Guarda um cravo para mim

Eu queria estar na festa, pá
Com a tua gente
E colher pessoalmente
Uma flor do teu jardim

Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também quanto é preciso, pá
Navegar, navegar

Lá faz primavera, pá
Cá estou doente
Manda urgentemente
Algum cheirinho de alecrim.

AQUI é possível ver e ouvir.

Valeu, Getúlio, pela lembrança.

22 Comentários on “37 anos da Revolução dos Cravos ou Obrigado, amigo Getúlio!”

  1. #1 Paulo
    on Apr 25th, 2011 at 2:51 am

    Grijó, desculpe a aula particular mas sempre tive essa dúvida, talvez você possa me ajudar:

    Por que Chico Buarque iria homenagear os portugueses ?
    E o mais importante, qual a influência dessa revolução sobre nossas vidas ?

    Reply

    Grijó Reply:

    Chico sempre foi um entusiasta das liberdades individuais, Paulo, e já que cpmpunha, à época, algumas canções de cunho político – relativas ao Brasil -, aproveitou para homenagear a queda do Salazarismo em Portugal. Aqui vc encontra o movimento bem explicado: http://www.enciclopedia.com.pt/articles.php?article_id=1094 E quanto ao impacto sobre nós, brasileiros, não se pode esquecer que vivíamos o gov. Geisel, imediatamente após a sangrenta e truculenta passagem de Garrastazu pelo poder. O conceito de liberdade é universal e, já que Portugal é um “país-irmão”, esse levante teve influência sobre nós.

    Abraço.

    Reply

  2. #2 Salsa
    on Apr 25th, 2011 at 9:14 am

    bela canção.

    Reply

  3. #3 Vitor Taveira
    on Apr 25th, 2011 at 10:59 am

    Boa lembrança! =)
    Eu gosto muito também do Fado Tropical, outra linda homenagem do Chico, nesse clip com imagens da Revolução dos Cravos: http://www.youtube.com/watch?v=HiN5AqGaSM8

    Reply

    Grijó Reply:

    Mas “Fado Tropical”, até onde sei, Vitor, nada tem a ver com a revolução, já que foi escrito um ano antes, em 1973, para a peça “Calabar – O Elogio da Traição”, dos parceiros Chico e Ruy Guerra.

    Mas que é uma bela canção, isso é.

    Reply

    Vitor Taveira Reply:

    Sim, achei estranho qndo descobri que a música havia sido feita antes da revoluçao, aí encontrei um texto aqui na net explicando o equívoco desse vídeo.. curioso que se possa fazer uma interpretaçao totalmente oposta ao sentido original e ainda assim parecer bastante coerente.. bom, isso é a arte..

    Reply

  4. #4 Marcelo Burmann
    on Apr 25th, 2011 at 7:18 pm

    Grijó, é uma bela canção, uma pena que foi censurada na época. O período histórico também impressiona- pessoas unidas. Chato é que quase não se estuda isso nas escolas.
    Ah, em tempo, fiquei sabendo que hoje, se viva, Ella Fitzgerald completaria noventa e quatro anos.
    Um grande abraço.

    Reply

    Grijó Reply:

    Que nada, Marcelo. As escolas, e os professores, estão cada vez menos alheios. E, por isso, trazem a público a problemática política de 40 anos atrás. Resta saber se há interesse por parte da alunada.

    Palmas para Ella, então.
    Abraço, camarada.

    Reply

  5. #5 Tálib
    on Apr 25th, 2011 at 8:44 pm

    Nunca soube que tinha uma versão original. A melodia também há que se louvar. É linda e, o jogo de palmas, como uma dança festiva portuguesa, dá um ar mais gracioso a uma canção de letra essencialmente inflamatória.

    Reply

  6. #6 Claudio
    on Apr 26th, 2011 at 10:49 pm

    Pois não é que sempre achei que Fado tropical tivesse a ver com a revolução dos Cravos? Vivendo e aprendendo…
    Grijó, vi num daqueles DVD’s de Chico Buarque que ele ter feito poucas músicas de protesto, mas foi justamente isso que o fez ser reconhecido, não acha?

    Reply

    Grijó Reply:

    A questão aí, Claudio, reside no fato de que durante uma época, principalmente durante o governo Médici, boa parte da juventude interpretava os textos de Chico como se estes tivessem cunho político, e nem sempre era intencional.
    Segundo o próprio Chico – eu tenho o devedê! -, ele mesmo fez poucas músicas de cunho político. Não sei. Acho que ele minimiza essa veia artística dele.

    Mas dizer que Chico foi reconhecido justamente por isso é exagero. Chico é um grande sambista – dos melhores! – e um poeta de primeiríssima, na emepebê.

    Reply

    Tálib Reply:

    Do mesmo modo que Geraldo Vandré fala que não tinha nada contra a ditadura…puro cinismo deles. Então porque pararam a produção? Depois que fazem sucesso dizem que não tem nada a ver….isso é uma das coisas que me incomodam. São grandes artistas, mas não assumem o que fizeram.
    Só falta dizer que “Deus lhe pague” ou “Construção” foram meras coincidências da época em que se vivia ou que “Apesar de você” foi feita realmente para uma mulher e não para Garrastazu.

    Reply

    Grijó Reply:

    Não sei se chega a ser cinismo, Tálib. Acho que a coisa passa mais por negar que uma composição torne-se datada, típica de uma época e com valor duvidoso quando se extrapolam as circunstâncias em que foram concebidas.

    Não sabia que Vandré havia negado ter combatido a ditadura – ao menos com palavras.

    Tálib Reply:

    Grijó,
    Minha opinião diverge da sua, neste caso.
    Acho que eles querem de qualquer jeito fazer “tipo”
    Eram músicas de protesto e eles querem dizer que não: isso é nos chamar de idiotas.
    Olha a entrevista de Vandré aí: http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=138030&id_secao=11
    Grande abraço

  7. #7 érico cordeiro
    on Apr 27th, 2011 at 12:44 am

    Meu bom Grijó,
    Uma data memorável. Uma revolução pacífica e exemplar no aspecto da civilidade!
    E a trilha sonora era, Grândola, vila morena, de José Afonso (o 365, uma banda hardcore paulistana gravou uma versão nos anos 80):

    “Grândola, vila morena
    Terra da fraternidade
    O povo é quem mais ordena
    Dentro de ti, ó cidade”

    Aproveito para convidá-lo (e aos seus leitores) para as comemorações dos dois anos do Jazz + Bossa.
    Te espero lá, ok?
    Abração!

    Reply

    Grijó Reply:

    Estarei lá, Érico. Abraço.

    Reply

  8. #8 Lucas Quinamo
    on Apr 27th, 2011 at 2:33 pm

    Isso me fez lembrar que ontem fez 25 anos do acidente nuclear de Chernobil e 74 anos do bombardeio a Guernica, que inspirou Picasso a fazer sua mais famosa obra, intitulada Guernica. Aliás há um vídeo da “Guernica em 3D”
    http://youtu.be/zL7Z9T4bG8I

    Reply

  9. #9 acabar com espinhas
    on Jul 2nd, 2011 at 9:59 am

    Achei muito Bom o Post!!!! meus parabens por este lindo artigo, Achei muito Bom tambem o design deste website

    Reply

  10. #10 walter
    on Aug 25th, 2011 at 12:18 am

    Caro amigo, se reparar na foto, 25 de abril não se comemora em 25 março (ipsis litteris).
    Estou maravilhado com seu site.Agradecido

    Reply

    Grijó Reply:

    Devo estar senil.

    Devidamente corrigido, Walter.
    Valeu.
    Abraço.

    Reply

  11. #11 ademar amancio
    on Mar 29th, 2012 at 11:01 am

    O Chico disse que a única música de protesto que ele fez foi apesar de vc,as outras são sobre o Brasil e o povo Brasileiro,que não deixa de ser músicas engajadas.Achar que todo verso do chico há metáforas políticas é paranóia nossa,a música joão e maria por ex é uma música que versa sobre o universo infantíl,e só e ponto e fim.copiando vc.

    Reply

    Grijó Reply:

    Ao dizer isso Chico blefou. É claro que uma canção como “Tanto Mar” tem cunho político. Não só ela, mas canções até mais antigas como “Roda Viva”, “Cara a Cara”, “Samba de Orly”, “Deus lhe Pague”. Há outras, claro. A questão é que Chico afirmou que não queria ser reconhecido como um compositor de temas político-partidários. Isso sempre o incomodou. Aí saiu-se com essa.

    Reply

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