
Ao ler, no twitter, através de meu querido amigo e jurista Getúlio Neves, a providencial lembrança de que em 25 de abril comemora-se o aniversário da Revolução dos Cravos, fica aí meu registro: o texto original de Tanto Mar, composição de 1975, em que Chico Buarque homenageia o povo lusitano e sua luta:
Sei que estás em festa, pá
Fico contente
E enquanto estou ausente
Guarda um cravo para mim
Eu queria estar na festa, pá
Com a tua gente
E colher pessoalmente
Uma flor do teu jardim
Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também quanto é preciso, pá
Navegar, navegar
Lá faz primavera, pá
Cá estou doente
Manda urgentemente
Algum cheirinho de alecrim.
AQUI é possível ver e ouvir.
Valeu, Getúlio, pela lembrança.

José Donoso




on Apr 25th, 2011 at 2:51 am
Grijó, desculpe a aula particular mas sempre tive essa dúvida, talvez você possa me ajudar:
Por que Chico Buarque iria homenagear os portugueses ?
E o mais importante, qual a influência dessa revolução sobre nossas vidas ?
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Grijó Reply:
April 25th, 2011 at 6:13 am
Chico sempre foi um entusiasta das liberdades individuais, Paulo, e já que cpmpunha, à época, algumas canções de cunho político – relativas ao Brasil -, aproveitou para homenagear a queda do Salazarismo em Portugal. Aqui vc encontra o movimento bem explicado: http://www.enciclopedia.com.pt/articles.php?article_id=1094 E quanto ao impacto sobre nós, brasileiros, não se pode esquecer que vivíamos o gov. Geisel, imediatamente após a sangrenta e truculenta passagem de Garrastazu pelo poder. O conceito de liberdade é universal e, já que Portugal é um “país-irmão”, esse levante teve influência sobre nós.
Abraço.
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on Apr 25th, 2011 at 9:14 am
bela canção.
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on Apr 25th, 2011 at 10:59 am
Boa lembrança! =)
Eu gosto muito também do Fado Tropical, outra linda homenagem do Chico, nesse clip com imagens da Revolução dos Cravos: http://www.youtube.com/watch?v=HiN5AqGaSM8
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Grijó Reply:
April 25th, 2011 at 11:22 am
Mas “Fado Tropical”, até onde sei, Vitor, nada tem a ver com a revolução, já que foi escrito um ano antes, em 1973, para a peça “Calabar – O Elogio da Traição”, dos parceiros Chico e Ruy Guerra.
Mas que é uma bela canção, isso é.
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Vitor Taveira Reply:
April 25th, 2011 at 11:37 am
Sim, achei estranho qndo descobri que a música havia sido feita antes da revoluçao, aí encontrei um texto aqui na net explicando o equívoco desse vídeo.. curioso que se possa fazer uma interpretaçao totalmente oposta ao sentido original e ainda assim parecer bastante coerente.. bom, isso é a arte..
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on Apr 25th, 2011 at 7:18 pm
Grijó, é uma bela canção, uma pena que foi censurada na época. O período histórico também impressiona- pessoas unidas. Chato é que quase não se estuda isso nas escolas.
Ah, em tempo, fiquei sabendo que hoje, se viva, Ella Fitzgerald completaria noventa e quatro anos.
Um grande abraço.
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Grijó Reply:
April 25th, 2011 at 7:51 pm
Que nada, Marcelo. As escolas, e os professores, estão cada vez menos alheios. E, por isso, trazem a público a problemática política de 40 anos atrás. Resta saber se há interesse por parte da alunada.
Palmas para Ella, então.
Abraço, camarada.
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on Apr 25th, 2011 at 8:44 pm
Nunca soube que tinha uma versão original. A melodia também há que se louvar. É linda e, o jogo de palmas, como uma dança festiva portuguesa, dá um ar mais gracioso a uma canção de letra essencialmente inflamatória.
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on Apr 26th, 2011 at 10:49 pm
Pois não é que sempre achei que Fado tropical tivesse a ver com a revolução dos Cravos? Vivendo e aprendendo…
Grijó, vi num daqueles DVD’s de Chico Buarque que ele ter feito poucas músicas de protesto, mas foi justamente isso que o fez ser reconhecido, não acha?
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Grijó Reply:
April 26th, 2011 at 11:43 pm
A questão aí, Claudio, reside no fato de que durante uma época, principalmente durante o governo Médici, boa parte da juventude interpretava os textos de Chico como se estes tivessem cunho político, e nem sempre era intencional.
Segundo o próprio Chico – eu tenho o devedê! -, ele mesmo fez poucas músicas de cunho político. Não sei. Acho que ele minimiza essa veia artística dele.
Mas dizer que Chico foi reconhecido justamente por isso é exagero. Chico é um grande sambista – dos melhores! – e um poeta de primeiríssima, na emepebê.
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Tálib Reply:
April 29th, 2011 at 9:03 pm
Do mesmo modo que Geraldo Vandré fala que não tinha nada contra a ditadura…puro cinismo deles. Então porque pararam a produção? Depois que fazem sucesso dizem que não tem nada a ver….isso é uma das coisas que me incomodam. São grandes artistas, mas não assumem o que fizeram.
Só falta dizer que “Deus lhe pague” ou “Construção” foram meras coincidências da época em que se vivia ou que “Apesar de você” foi feita realmente para uma mulher e não para Garrastazu.
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Grijó Reply:
April 29th, 2011 at 9:41 pm
Não sei se chega a ser cinismo, Tálib. Acho que a coisa passa mais por negar que uma composição torne-se datada, típica de uma época e com valor duvidoso quando se extrapolam as circunstâncias em que foram concebidas.
Não sabia que Vandré havia negado ter combatido a ditadura – ao menos com palavras.
Tálib Reply:
April 30th, 2011 at 9:26 pm
Grijó,
Minha opinião diverge da sua, neste caso.
Acho que eles querem de qualquer jeito fazer “tipo”
Eram músicas de protesto e eles querem dizer que não: isso é nos chamar de idiotas.
Olha a entrevista de Vandré aí: http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=138030&id_secao=11
Grande abraço
on Apr 27th, 2011 at 12:44 am
Meu bom Grijó,
Uma data memorável. Uma revolução pacífica e exemplar no aspecto da civilidade!
E a trilha sonora era, Grândola, vila morena, de José Afonso (o 365, uma banda hardcore paulistana gravou uma versão nos anos 80):
“Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade”
Aproveito para convidá-lo (e aos seus leitores) para as comemorações dos dois anos do Jazz + Bossa.
Te espero lá, ok?
Abração!
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Grijó Reply:
April 27th, 2011 at 12:58 am
Estarei lá, Érico. Abraço.
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on Apr 27th, 2011 at 2:33 pm
Isso me fez lembrar que ontem fez 25 anos do acidente nuclear de Chernobil e 74 anos do bombardeio a Guernica, que inspirou Picasso a fazer sua mais famosa obra, intitulada Guernica. Aliás há um vídeo da “Guernica em 3D”
http://youtu.be/zL7Z9T4bG8I
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on Jul 2nd, 2011 at 9:59 am
Achei muito Bom o Post!!!! meus parabens por este lindo artigo, Achei muito Bom tambem o design deste website
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on Aug 25th, 2011 at 12:18 am
Caro amigo, se reparar na foto, 25 de abril não se comemora em 25 março (ipsis litteris).
Estou maravilhado com seu site.Agradecido
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Grijó Reply:
August 25th, 2011 at 9:15 pm
Devo estar senil.
Devidamente corrigido, Walter.
Valeu.
Abraço.
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on Mar 29th, 2012 at 11:01 am
O Chico disse que a única música de protesto que ele fez foi apesar de vc,as outras são sobre o Brasil e o povo Brasileiro,que não deixa de ser músicas engajadas.Achar que todo verso do chico há metáforas políticas é paranóia nossa,a música joão e maria por ex é uma música que versa sobre o universo infantíl,e só e ponto e fim.copiando vc.
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Grijó Reply:
March 29th, 2012 at 2:28 pm
Ao dizer isso Chico blefou. É claro que uma canção como “Tanto Mar” tem cunho político. Não só ela, mas canções até mais antigas como “Roda Viva”, “Cara a Cara”, “Samba de Orly”, “Deus lhe Pague”. Há outras, claro. A questão é que Chico afirmou que não queria ser reconhecido como um compositor de temas político-partidários. Isso sempre o incomodou. Aí saiu-se com essa.
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