Dia desses fiquei sabendo que o SBT – ou outra emissora, não sei ao certo – quer saber quem é o “maior brasileiro de todos os tempos”. Creio que quer saber a opinião dos próprios habitantes do país, os quais irão votar, claro, via web. Acho difícil saber quem será o escolhido, embora tenha o palpite de que vai dar Santos Dumont, mas, claro, haverá votos para Roberto Carlos, Pelé, Ayrton Senna. É possível que nem citem Carlos Chagas, Tiradentes ou Pedro II. Há quem aposte que Lula ganha disparado. Enfim, esperemos – se é que vale a pena fazê-lo.
Mas por que digo isso? Lembrei-me de uma situação de adolescência, no Ensino Médio, antigo 2° grau, quando um professor de História perguntou para toda a sala quem teria sido o mais importante personagem que a História registrava. Jesus foi o campeão, mas Napoleão teve votos, assim como Júlio Cesar, Leonardo Da Vinci e Winston Churchill. Um colega chamado Cid Rosenthal votou em Moshe Dayan. Recordo-me de ter votado em Freud, acompanhando, evidentemente, a opinião da bonitinha ao meu lado. O neurologista austríaco, cujo portentoso e notável trabalho eu ignorava, teve dois votos.

Ninguém votou em Johannes Gutenberg, a quem se deve a criação do livro impresso. Aliás, nem foi citado pelo professor – cujo voto, salvo engano, foi dirigido a Isaac Newton. Tento, sem sucesso, imaginar como seria o Renascimento, o Iluminismo e a Revolução Científica e, fundamentalmente, ligado a isso, a disseminação de ideias – e aí se inclui, é claro, o pensamento cristão. Convenhamos: o que seria da Bíblia sem Gutenberg para difundi-la? Esse ilustríssimo alemão morreu há 544 anos, num dia 3 de fevereiro.
Sou um homem de livros. Além de professor de literatura, produzo-os criando histórias que deveriam, de fato, ser sempre dedicadas ao fantasma de Gutenberg. Talvez meu próximo livro seja dedicado a ele, uma forma de expressar o amor que todo escritor que aprecia os livros deve endereçar a quem verdadeiramente merece. Há algumas poucas postagens falei sobre Autran Dourado – o genial romancista mineiro que comemorou 86 anos há poucos dias. Foi ignorado pelas tevês e pela maioria dos jornais. E quanto a Johannes Gensfleisch zur Laden zum Gutenberg? Será que ele e os livros têm tanta importância assim? Meu ex-professor de História achava que não.






on Feb 2nd, 2012 at 11:47 pm
Fatalmente.
Uma memorável lembrança do dito pai da imprensa – ou esse conceito mal difundido e, levemente, resgatado aos poucos pela internet de “disseminação de ideias”.
Abs.
E viva os panfletos.
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Grijó Reply:
February 3rd, 2012 at 4:02 am
Dos quais ele, Gutenberg, também é pai.
Será que aprovaria alguns panfletos por aí?
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on Feb 2nd, 2012 at 11:47 pm
Em tempo, por que será que o professor votou em Isaac Newton, o pai das Exatas?
As colunas sociais não nos deixam imprimir o ritmo dedicado ao coração…
Uma pena.
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on Feb 2nd, 2012 at 11:48 pm
Engraçado que eu não vejo o Brasil com alguma personalidade ”unânime”. Como deve ser Da Vinci para a Itália, Napoleão para a França, Freud para a Áustria e até mesmo Darwin para o reino britânico. Sinceramente não sei se isso é bom ou ruim.
Se a ignorância do povo falar mais alto, creio que vencerá Lula, Pelé ou Roberto Carlos – não desmerecendo esses – mas vc há de convir comigo Grijó que Machado, Dumont e a turma do Tropicalismo são mais dignos deste ”título”.
Quanto a pergunta do seu professor, eu ficaria com algum inventor. Thomas Edison, Benjamin Franklin, Graham Bell e o não mais brilhante Wilhelm Roentgen, dentre outros.
Abraço, Grijó.
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Grijó Reply:
February 3rd, 2012 at 4:06 am
Darwin está longe de ser uma unanimidade, Arthur.
Aliás, os criacionistas estão se avolumando nas ilhas britânicas – mais do que em qualquer outra região do Ocidente.
A pergunta é: no quesito “invenção”, o que vale mais? Um enredo literário e seus personagens ou uma vacina?
abraço.
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on Feb 3rd, 2012 at 1:01 am
Uma errata: não menos brilhante. Acho que foi a empolgação hehe.
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Grijó Reply:
February 3rd, 2012 at 4:08 am
O velho do Raio X não se incomodaria.
Relaxe.
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on Feb 3rd, 2012 at 4:53 am
E Jesus tem registro histórico?
Um professor de História deixar passar essa?!
Vcs se apegaram demais a inventores. Podem ser, filosoficamente falando, umas bestas quadradas.
Tudo bem, mudaram o mundo com suas invenções.
Mas, mexeram com o mundo prático, o cotidiano.
Nessa questão, penso eu, tem que privilegiar as cabeças pensantes que mudam o mundo de forma indireta, porém de maneira mais poderosa.
Voto no Sócrates – o filósofo.
Atribuo a ele a frase mais sábia do mundo:
Só sei que nada sei.
Jesus dizia o oposto. Dizia que era a verdade. Coitado.
Deve ter sido excesso de vinho.
Vou dá esse desconto.
Abraço, Grijó
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Grijó Reply:
February 3rd, 2012 at 9:53 am
Senti sua falta aqui no Ipsis, amigo Zé.
Mas Jesus possui registro histórico, sim. Inclusive filosoficamente, como pensador religioso. É claro que não se pode, nem se deve, aqui, entrar no mérito da fé, que é o que geralmente acontece. Aí a coisa complica.
Platão, a meu ver, foi mais que o velho sábio Sócrates.
Grande abraço e seja bem-vindo.
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A.B. Reply:
February 3rd, 2012 at 11:58 am
Qual seria essa poderosa mudança?
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João Marcos Toledo Theodoro Reply:
February 4th, 2012 at 4:12 am
“Só sei que nada sei” é, para você, Zé Henrique, a frase mais sábia do mundo mesmo? Eu nunca a aceitei, a não ser se a tomarmos como uma expressão exagerada.
As discussões deste blog são uma maravilha!
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on Feb 3rd, 2012 at 10:48 pm
Quem vota em Jesus nem merece ser ouvido. Hitler foi muito mais útil que esse hippie subversivo.
Não é viável escolher o homem mais importante da humanidade, ainda que seja agradável discutir e dar opinião. Diria que Platão, por ter escrito as ideias de Sócrates e as próprias, foi mais útil que este. Kant merece ser considerado, e talvez tenha sido mais importante que qualquer clássico. Mas a lucidez (não sei se me entenderão), creio, só veio com Nietzsche, iluminado por Schopenhauer. É difícil dividir os méritos.
Eu poderia também dar meu voto tranquilamente a Galileu, o primeiro homem que aplicou matemática a movimento, além de ter criado o método de estudar fenômenos através da experiência empírica.
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Grijó Reply:
February 4th, 2012 at 12:41 am
Quem chamava Jesus de hippie arruaceiro era Waldick Soriano.
Quanto a Galileu, vc realmente ignora Copernicus, que já havia aplicado a metodologia matemática ao movimento e que deu origem a seu clássico “Das revoluções das esferas celestes”?
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João Marcos Toledo Theodoro Reply:
February 4th, 2012 at 4:06 am
Fui pesquisar na internet quem era esse Soriano.
Bem, me parece que você está tentando sugerir que quem julga Jesus um hippie subversivo é um chulo qualquer, só porque essa opinião era compartilhada por um artista brega. Se fosse para falar sério, eu diria que Jesus foi um homem altamente arguto, bom orador e político nato, pelo grande carisma. E que levou na conversa um monte de jumentos e continua levando os que querem ser enganados. Ovelhas não; jumentos, que buscam a verdade mais confortável para suas cabeças perturbadas.
Se Copérnico já havia feito isso antes de Galileu, minha fonte, um documentário do Discovery, se equivocou, me levando a esse erro. Ou talvez eu tenha interpretado errado o documentário. Obrigado pela informação.
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Grijó Reply:
February 4th, 2012 at 4:16 am
Não estou tentando sugerir nada. Apenas me lembrei de uma entrevista na qual Waldick, contrariando a maioria dos brasileiros, teceu comentários irônicos sobre JC.
Eu realmente não sei até que ponto as ideias de Jesus não devam ser consideradas filosoficamente. Calvino, que era, em minha opinião, um grande pensador religioso, formulou sua linha de raciocínio a partir do ensinamento cristão. Agostinho fez o mesmo. Lutero também. Creio que sua ideia “muar” esteja no fato de que a religião seja consumida por muitos sem critério filosófico – e sim o discutível (para muitos) reducionismo da fé.
João Marcos Toledo Theodoro Reply:
February 4th, 2012 at 4:23 am
Nenhum desses filósofos se sustentam razoavelmente. Nem Tomás de Aquino, que postulou um Deus que simplesmente não pode ser atacado, como a ideia do solipsismo. Pelo menos foi isso que entendi das conversas longas que tive com um entendido do assunto (que estava do lado católico da discussão).
on Feb 4th, 2012 at 12:04 am
A mudança do ser, cara.
Idéias libertárias e não aprisionantes.
Imagina um fiel da igreja Universal, daqueles que mandam dinheiro pra fogueira santa de Israel, com seu mais novo Ipod(acho que o Steve Jobs ia entrar nessa lista) indo numa nave passear no espaço.
Estará cheio de acessórios, mas será o mesma idiota de sempre.
Dou bem mais valor a quem mexe com idéias.
As mudanças mais poderosas vêem delas.
PS: Nunca soube que o barbudinho tinha registro histórico. Enfim.
Valeu a consideração, amigo Grijó.
Tô na área de novo.
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A.B. Reply:
February 4th, 2012 at 12:56 am
Acredito que sem os inventores a divulgação dessas ideias não chegariam tão longe, até vc por exemplo haha e, provavelmente, vc não teria essa posição.
Mas é isso aí, ideias libertárias e arbitrárias. Fique com os que mudam o ser que eu fico com os que facilitam a vida desses. Ao meu ver, mais prestativos. Mas, isso é uma questão subjetiva, para isso existem votações como essas do SBT.
Abraço.
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on Feb 4th, 2012 at 1:00 am
Hippie subservivo, pra mim, é um baita elogio a se dar a uma pessoa.
Desse lado do “filho de Deus” eu gosto.
Afinal, mexe com idéias libertárias.
Waldick criticando arruaceiros?!
Pô, Waldcik, o cara não era cachorro, não! rsrrss
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on Feb 4th, 2012 at 4:17 am
Engraçado é que todos aqui gostam de arte – alguns são artistas – mas ninguém mencionou um. Os artistas parecem ser inúteis para a humanidade. Mas a verdade é que a Arte alivia as dores da existência. Pelo menos para mim.
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Grijó Reply:
February 4th, 2012 at 11:56 am
Talvez a máxima de Oscar Wilde, de que “toda arte é absolutamente inútil” não esteja tão longe da realidade assim.
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on Feb 4th, 2012 at 4:44 pm
Que que isso?!
Oscar Wilde disse essa idiotice?
Sabe, Grijó e colegas, ADORO quando sabichões dizem besteira.
Eu fico com o sorriso igual ao da Monalisa.
Acho o extremo oposto. Sem arte seriámos iguais as vacas.
É o que faz a vida valer a pena. É o que fica.
Edificações o tempo leva.
João Marcos, é que escolher UM artista seria muito injusto.
O fato de ficar difícil escolher um(acho que foi esse o motivo de não ter sido citado nenhum artísta) não diminui as artes. Pelo contrário, a aumenta. Toda vez que fico macambúzio com a humanidade penso no que ela(nós) já produzimos em termos de arte e sorrio bem mais que a monalisa.
Ela me torna humanista.
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Grijó Reply:
February 4th, 2012 at 8:10 pm
É claro que Wilde, provocador e irônico ao extremo, estava blefando. Até porque se eternizou através dessa “inutilidade” chamada arte.
Mas ele levanta uma questão que contradiz a ideia de que seríamos “vacas”, como vc propõe, Zé. A arte, de fato, influi muito pouco para a sustentação da riqueza e para o desenvolvimento financeiro – que é o que, para a maioria, vale. Essa “inutilidade”talvez diga respeito a isso.
Também discordo dele, naturalmente.
Este blogue não existiria sem arte.
E pensei: se tivesse de escolher um grande artista, ficaria entre Michelangelo, Shakespeare e Beethoven.
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João Marcos Toledo Theodoro Reply:
February 5th, 2012 at 2:51 am
Porra, o Zé Henrique está certo.
Na música, eu escolheria Beethoven sem hesitar. Na literatura, eu escolheria, hoje, Goethe ou algum latino. Mas, como a música é considerada a arte mais sublime, Beethoven ganha no geral.
“Sabe, Grijó e colegas, ADORO quando sabichões dizem besteira”.
Muito bom! Hauhauhauhauhauha!
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on Feb 5th, 2012 at 1:04 am
Vindo de quem vem eu até pensei que fosse ironia, Grijó.
O rei delas, né?
Mas, assim de supetão eu achei a frase bem enfática.
E vc sabe, a contradição é uma característica dos gênios.
Ué, vacas abastadas mais não menos vacas por isso.
“Eu avalio o preço me baseando no nível mental que você está usando” Raul Seixas em Metrô Linha 743
PS: Três belas escolhas, Grijó. Uma para os olhos, outra para os ouvidos e a outra para o resto do corpo humano. rsrsrrss
E todas para a alma. :>)
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on Feb 6th, 2012 at 5:39 am
sr.grijó,
nos dias de hoje, talvez alguém dissesse que seria mr.steve jobs…mas, quem inventou a roda, a locomotiva, o fogo, a eletricidade, o livro, o papel…benditos sejam
só questiono quem inventou a cidade e os sistemas dos poderes…enfim…
abrçsonoros
ps.e salve gutenberg…
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