Submarino.com.br
Ipsis Litteris Rotating Header Image

Quando a MPB valia #4

Radamés Gnattali Raphael Rabello, 1982

Bom o tempo em que um grande encontro era um “acontecimento” por si só, um evento de proporções que as palavras não podiam, efetivamente, descrever com a exatidão necessária àqueles que não testemunharam tal encontro. Enfim, eis aí dois dos grandes. Um, ilustríssimo, compositor de erudição respeitada em todo o Ocidente – mas, infelizmente, um anônimo para a maioria da juventude que prefere que as coisas continuem na mesma. É a vida, Radamés.

O outro, violonista extraordinário, caiu nas graças do público exigente por contracenar com Paulo Moura, Dino 7 cordas e, claro, Radamés Gnattali. Todos ganharam com isso – principalmente nós.

23 Comentários on “Quando a MPB valia #4”

  1. #1 Zé Henrique
    on Feb 5th, 2012 at 1:09 am

    Tenho um só disco do Raphael – Todos os Tons – em que ele toca lindamente algumas pérolas do Tom.
    Tô aqui ouvindo Prelude do Deodato. Discaço!

    PS: Quinze anos da morte de Mr. Chico Science e esse belo e informativo blog comeu mosca.
    Essa iguaria não orna com o ambiente, Grijó.

    Reply

    Grijó Reply:

    É verdade. Acidente de carro.
    Embora ele nunca tenha significado muita coisa para mim – elitista, como vc diz -, sei que agradava a muita gente.
    Incluindo aí algumas de bom gosto.
    Uma perda, sem dúvidas. Fica o registro da mosca comida.

    Reply

    Grijó Reply:

    Gosto demais do “Prelude”.
    Um timaço tocando com ele, gente do jazz, grandes instrumentistas.

    Conhece o disco dele com o Donato? Soberbo.

    Reply

  2. #2 Zé Henrique
    on Feb 5th, 2012 at 4:04 am

    Sim! Um petardo e tanto o Deodato/Donato.
    E tem tb o A Bad Donato e os Catedráticos(safra73) na mesma pegada.

    PS: Os elitistas(rsrsrs) são os que mais gostavam de Chico Science, Grijó. Ele nunca foi popular.
    Sinceramente, acho que vc ia gostar do Afrociberdelia.
    É daqueles discos herméticos e ao mesmo tempo acessíveis.
    Mistura fina.

    Reply

    Grijó Reply:

    Sempre tive certa resistência àqueles jovens talentos instantâneos que a mídia alternativa venerava. Quando o Sciense surgiu eu já estava em outra há muito tempo, ouvindo música instrumental, jazz, e os eruditos.
    Ou seja, já era um chato.

    Já me disseram para ouvir o Mangue Beat, mas nunca tive real interesse.
    Quem sabe?

    Abraço.

    Reply

    Zé Henrique Reply:

    Pra que ser só chato? É bom ser simpático de vez em quando.
    Brincadeiras à parte, o bom mesmo, acho eu, é visitar vários mundos. A música nos permite isso tanto quanto sua amada literatura, Grijó.
    Bobagem negar essas possibilidades.
    Há vida inteligente em todos os cantos, não apenas na erudição. Aliás, nela, não raras vezes, existem coisas bem medíocres.
    Se um dia for ouvir Mr. Science, não esqueça: Afrociberdelia.

    Reply

    Grijó Reply:

    Minha amada literatura?
    Gosto mais de música, Zé.

    Realmente não conheço música erudita medíocre.

  3. #3 Tálib
    on Feb 5th, 2012 at 8:39 am

    Pena que Raphael foi embora tão cedo. O disco que ele gravou com Ney Matogrosso é espetacular. Só tem o violão dele, mas tem-se a impressão de se ter uma orquestra atrás de tão preenchido que é o som. “As Rosas não Falam” nas mãos dele ganha outra envergadura.
    Quanto a Radamés, só a gravação de “Uma Rosa para Pixinguinha” já seria o suficiente para colocá-lo no topo da música brasileira. Os arranjos e seu toque ao piano são incontestavelmente geniais. Não querer conhecê-lo é burrice – e muita.

    Reply

    Grijó Reply:

    Esse disco com o Ney é sensacional – a partir do repertório.
    Cartola, Herivelto, Lamartine, Noel e Ary, o quinteto fundamental da música popular brasileira.
    E o virtuosismo de Rabello adicionado à afinação absoluta de Ney.
    Discos como esse agradam a poucos. São feitas tiragens pequenas, infelizmente.

    Reply

  4. #4 Tálib
    on Feb 5th, 2012 at 8:44 am

    Perdão de ter esquecido: Radamés também sabia com quem gravava. A voz de Elizeth Cardoso dispensa comentários. A Divina não tinha par.
    Pergunto eu: por que músicos mais recentes, como Gil, Caetano e outros (o próprio Roberto Carlos) insistem em dar trela – fazendo ridículos duetos – para insignificâncias como Ivete Sanglo, Claudia Leite e Paula Fernandades?
    Melhor cantar sozinho do que mal acompanhado.

    Reply

    Grijó Reply:

    Porque o mercado exige, Tálib.
    São as regras imperturbáveis.

    Reply

    Tálib Reply:

    É uma realidade triste, no mínimo.
    Rosa Passos lançou um novo CD “É luxo só”. Para a maioria dos brasileiros é uma cantora inexistente.

    Reply

  5. #5 Zé Henrique
    on Feb 6th, 2012 at 2:06 am

    Gosta mais de música?!
    Jurava que não.
    Bom saber.

    PS: Se é erudita é boa? São sinôminos?

    Reply

    Grijó Reply:

    Boa pergunta.
    Creio que não, mas repito: não conheço música erudita ruim.

    A música me agrada mais, e mais ligeiramente.

    Reply

    Zé Henrique Reply:

    Então já vi que conhece pouco, Grijó. rsrsr
    Porque em sendo assim seria o único estilo de música na face da Terra a não possuir música ruim.

    PS: Jurava que entre um bom disco e um bom livro – sem relativizar e contextualizar – vc ficava com o segundo.

    Reply

    Grijó Reply:

    Não, não, Zé. conheço bastante.
    Existe uma exigência, por parte das gravadoras – e também dos consumidores -, em relação à música erudita (também chamada clássica) que não há em relação ao jazz, ao rock, ao blues, à música popular. Elite mesmo. Centenas de anos de história, com grandes nomes do passado que acabaram criando a tal exigência a que me referi.

    É claro que há regentes, sinfônicas, filarmônicas e musicistas que podem agradar mais a uns que a outros. Mas eu não conheço nada que chegue a ser gravado por grandes selos que seja ruim, verdadeiramente, que não mereça qualquer menção ou que seja deixado às baratas.
    Entendeu?

    Livros, discos, filmes e quadros têm lugar especial em minhas preferências. Às vezes prefiro um ao outro.

  6. #6 pituco
    on Feb 6th, 2012 at 5:46 am

    sr.grijó,

    bacanuda homenagem e lembrança…depois de baden powell, pra meus ouvidos, o saudoso raphael rabello, que nos deixou no auge de sua música…enfim, assim caminha a humanidade…

    há vídeos no yt com a.c.jobim e maestro radamés…uma admiração mútua de dois enormes brasileiros…e esse encontros que prescindiam o glamour da mídia de hoje…enfim, mais uma vez…

    abrçsonoros

    Reply

    Grijó Reply:

    É por isso que há essa série “quando a mpb valia”. Sei que exagero, mas como houve grandes momentos que não voltam!!
    Já fui chamado de saudosista como se essa palavra indicasse uma contaminação, uma doença de terrores implacáveis. Sentir saudade do que é bom é ruim?

    Abraço.

    Reply

    Zé Henrique Reply:

    Respondendo a sua pergunta, Grijó.
    Nenhum um pouco. É até salutar.
    Doença de terrores implacáveis(velhice da alma) é só achar as coisas do passado boas e não se abrir para o novo que, como dizia Belchior, sempre vem.
    Quanto a música clássica, talvez por ser secular tenha mesmo essa depuração que se referiu.
    O axé um dia chega lá. :>)

    Reply

  7. #7 A.B.
    on Feb 6th, 2012 at 2:53 pm

    Quanto mais eu frequento este blog mais eu vejo que o meu conhecimento musical é mínimo. Mais uma vez procurarei saber sobre os ditos cujos.

    Quanto ao Chico Science, valeria a pena uma homenagem. Gosto muito, e junto com a Nação Zumbi fizeram um estilo musical muito peculiar – que até hoje a Nação Z. segue fazendo. Vale a pena conferir, Grijó.

    Abraço

    Reply

  8. #8 Wagner Barbosa
    on Feb 6th, 2012 at 7:58 pm

    Felizmente ouvi já muita coisa de Rafael Rabelo e também do grande Radamés. Os dois são inquestionáveis, sublimes.

    Já tive também a grande felicidade de assistir Luciana Rabelo tocando cavaquinho em uma platéia informal que contava com, nada mais, nada menos, que Hermínio Belo de Carvalho.

    Quem tiver a oportunidade de ver o ensaio da Escola Portátil de Música, no Rio de Janeiro, mais precisamente na Unirio da Urca. Se não me engano, todos os sábados pela manhã. Fui já umas 3 vezes, fica a dica.

    Reply

    Grijó Reply:

    Uma grande lembrança, Wagner.
    Lembro-me da Luciana Rabello fazendo parte da Camerata Carioca, mas ela saiu logo. Comprei, há alguns bons anos, “Uma Rosa para Pixinguinha”, um dos melhores discos de emepebê que ouvi na vida. Radamés, a Camerata (sem a Luciana, infelizmente, porque imaginei que ela constasse do disco) e Elizeth Cardoso. O Joel Nascimento e o Carrilho dão shows à parte.
    Luciana é uma grande instrumentista que tem muito a ver com jazz e com clássico. Improviso do choro + melodia erudita. Fabulosa.
    Valeu a dica.

    Reply

  9. #9 Jobeth
    on Feb 15th, 2012 at 9:53 am

    Bons tempos, antes de Luan Santana, Restart e michel Teló.

    Reply

Deixe um comentário