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A melhor parceria (entre brasileiros)

Num dos comentários à postagem anterior, um querido amigo (que conhece música) questionou por que alguns medalhões da emepebê se dão o trabalho de gravar canções – e até discos inteiros – em companhia de artistas de qualidade duvidosa. Argumentei que o mercado dá as cartas, e creio nisso realmente, embora chegue a levar em conta o fato de que, em falta do que fazer, esses medalhões queiram apenas se divertir ou dar uma mãozinha a seus colegas. Em algumas situações, frustram seus fãs mais irascíveis. Eu sou um deles.

Escrevi, há algum tempo, sobre encontros memoráveis. Sinatra & Ella Fitzgerald, Carmen McRae & Sammy Davis, Mabel Mercer & Bobby Short, Bing Crosby & Rosemary Clooney, Sarah Vaughan & Billy Eckstine, Ella & Louis. Qual seria, realmente, a melhor dupla (ou parceria), no Brasil? Na verdade, mesmo sendo uma pergunta retórica e inútil, vale como exercício memorial e subjetivo. Diversão também tem valor, e o Ipsis Litteris tem lá suas bobagens. Enfim, eu penso, de imediato, no duo Tom e Vinícius, mas sei que é uma escolha que gera dúvidas. E Tom e Newton Mendonça? E Vinícius e Toquinho?

Vêm-me à cabeça sublimes parcerias como Noel Rosa/Ismael Silva, Chico Buarque/Francis Hime, Roberto Carlos/Erasmo, Marcos/P. Sérgio Valle, João Bosco/Aldir Blanc, Milton Nascimento/Fernando Brant, Edu Lobo/Chico Buarque, Caetano Veloso/Gilberto Gil, Vinícius/Baden Powell, Toquinho/Mutinho. Se não são duplas efetivas, que se arrastaram pelo tempo com a devida qualidade tanto textual quanto melódica, ao menos apresentaram trabalhos de excelência enquanto a parceria durou.

É provável que eu tenha esquecido algumas boas duplas. Quem se dispuser a denunciar minha amnésia, sinta-se à vontade. E qual a melhor parceria?

46 Comentários on “A melhor parceria (entre brasileiros)”

  1. #1 Raul M.
    on Feb 7th, 2012 at 3:37 pm

    Caetano e Gilberto.. my favorite one !

    Reply

  2. #2 Lucas M. Lessa
    on Feb 7th, 2012 at 3:47 pm

    Tom Jobim/Vinicius e Edu/Chico. Essas duas, sem dúvida, professor. Um abraço.

    Reply

  3. #3 charlles campos
    on Feb 7th, 2012 at 3:53 pm

    Zezé de Camargo e Luciano.

    Reply

    Grijó Reply:

    Boa!!

    Reply

  4. #4 charlles campos
    on Feb 7th, 2012 at 4:08 pm

    Falando sério, agora: Tião Carreiro e Pardinho, Pena Branca e Xavantinho, Almir Sater e Renato Teixeira, Elis Regina e Belchior, Marisa Monte/Carlinhos Brown/Arnaldo Antunes (dupla de três, ou quatro, se contarmos aquele outro ruivo dos Titãs); Patativa do Assaré e Raimundo Fagner.

    Perdoe a sinceridade que vou usar abaixo, Grijó. Você sabe do meu grande respeito por você quanto a conhecedor de jazz e literatura. Aliás, por diversas vezes aprendi muito de jazz com você. Mas, me permita apontar que quanto a MPB você se revela um tanto elitista e esnobe, circunscrevendo seu cânone ao gosto da alta burguesia do eixo Rio-São Paulo. Quem gosta do velho blues, não pode descartar as enormes semelhanças étnicas (e estéticas) e de exclusão social catalizada para a arte, que existe entre Robert Johnson, p. ex., e Tião Carreiro. Não é forçação de barra ou ufanismo às avessas. Eu não sou nem um pouco ufanista e desprezo boa parte dessa sua lista aí de cima (tirando Noel, Caetano, e Milton). Mas é um tanto alienante ouvir blues limpando-o de seu estigma inevitável de “música de pretos pobres e analfabetos”, e não ouvir Tião Carreiro por saber demais através do preconceito consuetudinário de que se trata de “música de mulato caipira, pobre e analfabeto”. Há poemas do Patativa do Assaré que fala tão linda e comovedoramente da questão social que colocam esse panfletário de esquerda, vitrine da elite, do Chico Buarque,no chinelo.

    Reply

    Grijó Reply:

    Não perdoo sua sinceridade porque não há o que perdoar, amigo Charlles. Claro que sou elitista. Discordo do “esnobismo”, porque esse termo se revela próximo de uma vaidade inútil. O Zé Henrique, que aparece nestes comentários descendo-me o malho, concorda com vc.
    Vc apontou algumas parcerias das quais gosto e as quais respeito, mas, em minha opinião – elitista, marcada por exigências textuais burguesas, sim -, não chegam às chinelas de um Jobim/Vinícius. Mas respeito quem opina neste blogue, vc sabe disso.
    Elis não compunha, de modo que a parceria em que ela participa – citada por vc – destoa um pouco da postagem, porque a ideia é letra/música (e não interpretação). Mas isso é pormenor.

    Não tenho qualquer afinação com Tião Carreiro (nem seu companheiro Pardinho) ou Patativa do Assaré, embora reconheça seu valor. Preferências, mesmo que marcadas pelo aspecto burguês, devem ser levadas em conta. Não, não é alienante ouvir blues limpando-o de seu estigma inevitável de música de pretos pobres e analfabetos. Johnny Winter, Eric Clapton e alguns outros já afirmaram isso, assim como Miles Davis disse certa vez que não era necessário saber da dor dos negros catadores de algodão para curtir o jazz.

    Chico é dos poucos poetas da emepebê, Charlles. Burguês ou não, o trabalho com a lapidação da linguagem (e a poesia é essencialmente linguagem) é infinitamente melhor do que o de Patativa, mas comparar linguagens é inútil. Chico, de esquerda? Há 30 anos, talvez. Quem, hoje, precisa disso?

    Abraço, amigo.
    Bom ter vc de volta.

    Reply

    João Marcos Toledo Theodoro Reply:

    Eu sou muito mais elitista.

    Reply

  5. #5 Gabriel Pessoa
    on Feb 7th, 2012 at 5:03 pm

    Charlles Campos, discordo. Apesar de não conhecer (por ignorância) alguns nomes citados por você, não acho que o gosto por Tom Jobim, João Gilberto, Vinícius, etc seja por “bairrismo musical” ou elitismo, mas sim por reconhecer a qualidade desses autores e não ouvir música apenas por um motivo político ou social, tratar música como arte, que pode se dar ao direito de falar sobre o que quiser.

    Reply

  6. #6 Zé Henrique
    on Feb 7th, 2012 at 5:12 pm

    Concordo mesmo! rsrsrs
    Mas, de fato, esse negócio de cor de pele e classe social tem sua importância, mas não é definidora de nada.

    Das que não foram citadas me lembrei dessas:

    Luiz Gonzaga e Humberto Texeira.
    Raul Seixas e Paulo Coelho
    Moraes e Galvão – Novos Baianos
    Cazuza e Frejat
    Gudin e P.C. Pinheiro
    Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito

    PS: Pra mim quando se fala em duplas nenhuma tem mais representatividade que Roberto & Erasmo.

    Reply

    Grijó Reply:

    Cazuza e Frejat fizeram música para adolescentes.
    Frejat, apesar de estar com 50, ainda faz.
    Aliás, o BRock tem essa clientela.

    Reply

    Zé Henrique Reply:

    Grijó, então ouça “O Tempo Não Pára” do Cazuza.
    Pra adolescentes era o Renato Russo. Com Cazuza p buraco era mais embaixo.
    Aliás, ouça mesmo, quam sabe o volte andar, ao menos culturalmente, pra vc.

    PS: Os primeiros discos dos Beatles eram mil vezes mais bobocas que os primeiros do Barão.

    Reply

    Zé Henrique Reply:

    faltou a palavrinha tempo aí.
    Quem sabe o tempo volte a andar…

    Grijó Reply:

    Sou elite, Zé.
    Não ouço Cazuza. Aliás, já ouvi o que era para ouvir, há uns 20 anos. O tempo passou.

    Reply

    Zé Henrique Reply:

    Rsrsrssrrs
    Mas a elite ouve Cazuza.
    Sério, era um belo poeta.
    Fez umas 15 músicas dignas de nota.

    -Todo amor que houver nessa vida, Faz Parte do meu show, Blues da Piedade, Brasil, Boas Novas…

    Eu vi a cara da morte e ela estava viva não tem nada de adolescente.

  7. #7 Elder Ferreira
    on Feb 7th, 2012 at 5:19 pm

    Não sou partidário dos “The best of”, mas como você mesmo escreveu “o Ipsis Litteris tem lá suas bobagens”.
    Segue uma dupla que não se candidata à melhor mas que esqueceram de citar: Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito.

    Abraços.

    Reply

  8. #8 charlles campos
    on Feb 7th, 2012 at 5:37 pm

    Tá certo, Grijó. Eu também já me confessei elitista aqui. O que eu quis dizer, mas falhei, é o seguinte: vamos pegar uma declaração do Bolaño, e transplantá-la para a música. Bolaño disse que a literatura de gênero praticamente não existe na América Latina, porque somos subdesenvolvidos. Daí termos literatura-s nos EUA, que oferecem diversos níveis de classificação, mas todas são de altíssima qualidade. Não podemos colocar lado a lado Bukowski, Vonnegut, Faulkner, Bradbury, Assimov, Spiegelman, Stephen King, pois cada qual professa um nicho da literatura, mas todos são ótimos. O mesmo se faz em boa parte da Europa. Mas por aqui_ restrinjo-me ao Brasil_, não temos espaço para o desenvolvimento satisfatório de uma literatura de ficção científica, terror, erótica, e por aí vai. Apesar dos honrosos esforços, a literatura aqui patina sempre entre medalhões e apadrinhamentos, o que se reflete nos prêmios literários de carimbos batidos, que agraciam sempre os mesmos Buarques ou Bernardos Carvalhos. Todo restante de escritores que existe pelo país, e poderia ser incentivado a crescer, definham na falta de fé dos ágrafos. Não temos subdivisões porque nosso subdesenvolvimento não permite ver os matizes, ou os outros graus da beleza e da relevância, ou por o mercado editorial ser reflexo do monolitismo geral, ou por esses mistérios de nossa rudeza espiritual que determinam que os carros sejam o dobro de preço por aqui do que é em todo o restante das américas.

    Concordo com Bolaño, e isso daria uma tese de mestrado muito boa. O mesmo ocorre no âmbito da música. Eu não suporto o Chico_ e já me condicionei a quebrar esse pre-conceito ouvindo-lhe quase toda a discografia em download_, quase pelos mesmos motivos que não me dou bem com Machado de Assis (embora a esse reconheça plenamente a qualidade): por ser NORMA que deve-se adora-lo, que se deve vasculhar cada vírgula para absorver sua REFINADA GENIALIDADE. Por isso somos um povo tão canhestro, se comparado à amplitude de mercado para o gosto que existe nos EUA. Garcia Márquez, p. ex, disse que ao receber o Nobel, a academia sueca pôs para tocar uma peça de Bartók, pois sabia da admiração do autor pelo compositor; mas GGM diz que teria preferido muito mais um compositor de música valenata de seu país. Por isso, não vejo em que Chico seja melhor letrista que Patativa. Não sei porque qualquer coisa que Vinícios tenha escrito (e aquela merda da garota de Ipanema é letra, convenhamos! Qual a diferença entre Garota de Ipanema e Ai, se eu te pego? Ambas são odes veladas à masturbação, e muito ruins em suas reduções primitivas à mera escala rítmica) seja melhor que esse letra, do Carreiro:

    “O som da viola bateu, e meu peito doeu, meu irmão.
    Assim eu me fiz cantador, sem nenhum professor, aprendi a lição”

    Ambas são não mais que “letras de música”, não são poemas e nem literatura acadêmica. Cogitaram listar Bob Dylan para o Nobel, e vários críticos americanos escreveram que Dylan é um gênio, mas uma coisa não se mistura a outra. Muita gente por aqui, nesse nosso brasilzinho acabrestado, daria um braço para que o Chico fosse enfileirado ao Nobel.

    E a questão social, apesar de não ser determinante do gosto, não pode ser descartada. Como disse Faulkner, sem falar sobre as velhas questões primordiais do homem, como exclusão, sofrimento, amor, honra, dignidade, amizade, ódio…, o artista vira um mero propagandiador das paixões glandulares vazias.

    Reply

    Grijó Reply:

    Preciso deixar uma coisa clara, Charlles. Eu afirmei, e mantenho a afirmação, de que Chico Buarque é um dos grandes – senão o maior – poeta da MPB. Não coloco o Chico na categoria de um Drummond, de um Cabral. Embora saiba usar as palavras e criar linguagens e imagens, Chico não representaria a literatura – ao menos não em suas canções -, assim como Dylan. Ambos são excelentes, mas é preciso deixar claro o que é o quê.

    Faulkner tinha razão – parcial. é possível fazer grande literatura até sobre o nada. Mas isso é outro papo.

    Reply

    João Marcos Toledo Theodoro Reply:

    “E aquela merda da garota de Ipanema é letra, convenhamos! Qual a diferença entre Garota de Ipanema e Ai, se eu te pego? Ambas são odes veladas à masturbação, e muito ruins em suas reduções primitivas à mera escala rítmica.”

    Sim! Sim! Finalmente já não me acho sozinho!

    Não deveria, Charles, ter posto na mesma linha o ilustre Machado e Chico Buarque… Nunca gostei deste, mesmo sem o ter ouvido. Dia desses, vegetando na internet, obriguei-me a ouvir suas músicas. Ouvi, com muito esforço, seis ou sete canções, acompanhando a letra. Eu já esperava uma música profundamente sem graça, até porque é popular, mas confesso que esperava uma letra de qualidade inquestionável. Decepcionei-me, e ele me caiu mais ainda no conceito. Eu queria que alguém me mostrasse onde está a qualidade incrível que tanto se atribui às letras dele. Umas sonoridades infantis e fáceis, umas rimas forçadas… Quanto à literatura dele, eu li, para escola, Budapeste. Na época gostei, mas tendo folheado o mesmo romance nestas férias, sua escrita me fez lembrar de mim com dezesseis anos tentando escrever bem. Lembra-se das minhas firulas, Grijó? Talvez fossem até melhores. Já estão extintas.

    Os que sabem minha idade talvez não levem minha crítica em conta. Não acho que não posso estar errado, mas tive de falar.

    Eu não diria que Machado de Assis foi genial, Charles.

    Reply

    Grijó Reply:

    João, meu caro, faça o seguinte: ouça os discos de Chico que vão de 1971 (Construção, obra-prima) até 1981 (Almanaque, seu último grande disco). Depois conversamos.

    Claro que me lembro de suas “firulas”, João. Embora eu não goste das narrativas de Chico, devo dizer que as suas – desculpe-me – não chegam nem perto.
    E suas opiniões são sempre muito bem-vindas. Aliás, sempre foram.

    Reply

    João Marcos Toledo Theodoro Reply:

    Farei o que disse ainda nestas férias.

    (É claro que eu não esperava escrever melhor que ele.)

    charlles campos Reply:

    Grijó, da música “Construção”, eu gosto dos arranjos de metal, à lá Mancini e Ellington. Mas, esses dias eu estava a estudar a letra, tida como “ABSOLUTAMENTE GENIAL E QUEM DISCORDAR É UM FILHO DA PUTA DE UM JUMENTO”, e percebi a grande pobreza do texto de Chico. O truque brilhante é a troca das palavras usadas dos primeiros versos para os seguintes. Note bem, parece muito bom, mas os encaixes não fazem sentido nas frases. Típica letra que dá ao brasileiro carente de cultura legítima a impressão de que está com um manjar nas mãos. Um manjar oco!

    Grijó Reply:

    Charlles, citei “Construção”, o disco.

    Ele inteiro é bom. Aliás, ótimo, também por conta dos arranjos do Duprat.
    E gosto muito da canção “Construção” também, que se liga justamente a essa troca de posições que revelam, em alguns momentos, a transição de um estado para outro. Isso sem contar, claro, que o texto é “construído” à base de versos alexandrinos e rimas esdrúxulas. Mas isso, a meu ver, quer dizer pouco. é papo de professor de literatura que não tem o que fazer.

    Há sambas magníficos no disco, e uma obra-prima chamada “Deus lhe pague”. Ouça de coração aberto.

    João Marcos Toledo Theodoro Reply:

    Mudei de ideia. Prefiro parar de falar mal de Chico por não o ter ouvido a ouvi-lo só para poder, talvez, falar alguma coisa. Tenho mais o que fazer, e minha estante está me causando muito tesão; não a trocarei por canções brasileiras.

    Quanto à minha narrativa, não se preocupe, aquilo lá eu já joguei fora. Estou reescrevendo. Se ainda formos conversar, lhe mostrarei o primeiro capítulo.

  9. #9 charlles campos
    on Feb 7th, 2012 at 5:42 pm

    Taí, concordo plenamente com a lista do Zé Henrique.

    Reply

  10. #10 olney
    on Feb 7th, 2012 at 5:59 pm

    Eu tb fico com Tom/Vinicius e J.Bosco/Aldir Blanc.

    Reply

  11. #11 Tálib
    on Feb 7th, 2012 at 7:00 pm

    Grijó
    Agradeço o elogio como conhecedor de música, embora aprenda muito mais do que ensine por estas bandas.
    Acho que vc preencheu grande parte das principais duplas. Ficou faltando alguns poucos como Lamartine/Braguinha, mas que, salvo engano, não têm grandes volumes de obras em conjunto.
    Confesso que me senti um pouco atingido pela postagem acima que dizia vc ser um elitista.
    Acho que poucos se comparam a Chico no quesito letra e discordo também do Charles. Não gostar de alguém ou de algo é uma coisa, não admitir que a pessoa ou seu produto tem o seu devido valor é outra. Eu não gosto de João Gilberto, mas reconheço o seu valor – fundamental para a música brasileira . Ou alguém o colocaria em dúvida somente por ser um chato e cantar há 856 anos do mesmo modo?
    Chico está longe de ser uma unanimidade, mas que tem valor como compositor é indubitável. Bastaria “Construção” para que ele já merecesse ser citado eternamente como excelente compositor.
    Fora suas posições políticas – muito diferentes das minhas – o cara é um gênio. Não sou entendedor de poemas, literatura, mas não precisa ser muito para perceber que as letras dele são muito superiores a muitos que andam por aí.
    Também entendi como deboche (perdão se estiver errado) a comparação entre “Garota de Ipanema” e “Ai, se eu te pego” – a primeira é música no mais alto sentido da palvra, já a outra….é música?
    Quanto a Cazuza/Frejat, Moraes/Galvão: não entram na minha lista nunca. E pode colocar também neste mesmo balaio os sofríveis Renato Russo, Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown, que não sei como a minha geração consegue endeusar tanto. Me lembro de uma música completamente idiota que o povo adora que dizia uma parte “de amargo, então, o salgado ficou doce”…. Odair José faz coisas horríveis, porém muito melhores que isso.

    Reply

    charlles campos Reply:

    Tálib,

    Olha que coisa mais linda
    Mais cheia de graça
    É ela menina
    Que vem e que passa
    Num doce balanço
    A caminho do mar

    Moça do corpo dourado
    Do sol de lpanema
    O seu balançado é mais que um poema
    É a coisa mais linda que eu já vi passar

    Ah, por que estou tão sozinho?
    Ah, por que tudo é tão triste?
    Ah, a beleza que existe
    A beleza que não é só minha
    Que também passa sozinha

    Ah, se ela soubesse
    Que quando ela passa
    O mundo inteirinho se enche de graça
    E fica mais lindo
    Por causa do amor

    ———————

    Nossa, nossa
    Assim você me mata
    Ai, se eu te pego,
    Ai, ai, se eu te pego

    Delícia, delícia
    Assim você me mata
    Ai, se eu te pego
    Ai, ai, se eu te pego

    Sábado na balada
    A galera começou a dançar
    E passou a menina mais linda
    Tomei coragem e comecei a falar

    Nossa, nossa
    Assim você me mata
    Ai, se eu te pego
    Ai, ai se eu te pego

    Delícia, delicia
    Assim você me mata
    Ai, se eu te pego
    Ai, ai, se eu te pego

    ——

    Não vejo diferença nenhuma. As duas são péssimas letras. “Fica mais lindo por causa do amor”!!! Brega é pouco. “Por que estou tão sozinho, por que tudo é tão triste?”. Está longe de ter a sutileza de um “Tabacaria”.

    Trocando os jargões linguísticos de uma época e outra, Jobim e Teló construíram duas obras primas de ritmo puro. Apenas que Jobim se presta ao refinamento de uma classe abastada que acha que um piano branco e os troféus da alta diplomacia são atributos indiscutíveis de bom gosto.

    Não gosto de nenhum destes que vc citou em seu último parágrafo. Realmente, Renato Russo é um porre. Mas não vejo diferença alguma entre as músicas de Cor de Rosa e Carvão, da Marisa Monte, com o melhor de Elis Regina. Gosto de ambas, apesar de não tolerar ouvir os últimos discos de Marisa, e não me descer muitas das interpretações de Elis_ principalmente as que levam o nome de Jobim.

    Reply

    charlles campos Reply:

    Tálib,

    se tu queres saber de rimas ruins mesmo, que nem os bregas podem com elas, rimas tais como “sacrifício” com “mulher sem orifício” (da última pérola de Chico), veja essa ótima compilação aqui:

    http://flaviomorgen.blogspot.com/2011/06/chico-buarque-e-as-piores-rimas-de.html

    Odair José ganha de mil!

    Reply

    Grijó Reply:

    Nem vi que o link falava da Veja.
    Mas o Reinaldo Azevedo, desafeto de Chico há muito, andou implicando com as rimas do compositor. E bateu muito no fato de Chico ter levado o Jabuti.
    Chico, como sempre, não lhe deu a mínima.

    A rima é péssima, claro, mas uma ruim eclipsa tantas excelentes?
    Agora, cá pra nós, foda em rimas é Caetano. Ou será que o Zé Henrique me chamará de passadista?

    Grijó Reply:

    Charlles, vc está sendo tremendamente injusto com “Garota de Ipanema”, cujo maior mérito – assim como toda a Bossa Nova – é a riqueza harmônica (e muitas vezes melódica) das canções. A pobreza textual da maioria das composições bossanovistas é evidente e não há como negar. Mas todos, ou quase todos, sabem que o “jazz de subúrbio”, como muitos chamam o movimento, é, basicamente, instrumental.

    Ô, my brother Charlles, logo vc citando Reinaldo Azevedo?

    Reply

    charlles campos Reply:

    Não entendi nada, Grijó. Reinaldo Azevedo nem passou pela minha cabeça. Peço que me diga onde foi que o citei!!!

    charlles campos Reply:

    Ah, tá, a ficha caiu. O link fala da Veja, não é! Não sabia que o excerto é do Azevedo. Mas não é por vir do diabo que é menos verdade.

    Zé Henrique Reply:

    Charlles, a mim tb impressiona a queda de qualidade da Marisa Monte.
    Cor de Rosa e Carvão é um belíssimo disco.

    PS: Sempre achei Elis uma chata histriônica. Mil vezes Gal;
    Aliás, o que vcs acharam do novo da Gal?
    Ouviram?
    Um amigo definiu assim:
    “É igual minha tia coroa com uma calça coladinha se achando linda” rsrsrsrss

    Reply

    Grijó Reply:

    É um bom disco, sim, apesar da primeira faixa, um emaranhado mal feito por Carlinhos Brown.
    Mas, de resto, vale uma ouvida, sim.
    viu, Zé, como ouço coisa razoavelmente nova?

    Mas gosto mesmo quando ela canta música de Jimmy Cliff.

    Tálib Reply:

    Charlles,
    A letra de “Garota de Ipanema” eu já conhecia. A de “Ai se eu te pego”, gostaria – mas não posso – de te agradecer, pois não a conhecia e não me sinto nem um pouco melhor por conhecê-la.
    Mas, confesso que leio diversos comentários seus aqui no Ipsis e, apesar de não conhecê-lo pessoalmente, vejo que é uma pessoa extremamente culta.
    Por isso me preocupa o seu julgamento acerca de “Garota de Ipanema”. Se uma pessoa como vc a compara com “Ai, se eu te pego” é de se imaginar que muitos que sabem o subproduto de Teló por aí realmente sequer devem saber qeum foi Tom Jobim.
    Não preciso citar a grandiosidade da melodia de Jobim. Se a letra não é lá grandes coisas, também não compromete.
    Veja bem que, especificamente no caso de “Garota de Ipanema”, não só eu, nem Grijó, mas Frank Sinatra, Ella Fitzgerald, Stevie Wonder (para citar só alguns internacionais do mais alto gabarito) , Elis Regina, Leny Andrade devem estar todos errados e terem gosto ruim.
    Será que Stevie Wonder ou Leny – os únicos vivos dos que citei – se arriscariam a fazer uma versão do “clássico” de Teló? Ou a melodia é por demais elaborada para que consigam interpretar a belíssima canção?
    Quanto à comparação entre Elis e Marisa Monte, esta última ainda tem que comer muito feijão para chegar onde Elis chegou – e olha que não a considero a melhor cantora do Brasil, como muitos.
    Agora, implicar com Chico Buarque por causa de uma rima…é o mesmo que falar que Pelé não jogava bola porque perdeu um pênalti.

    Reply

    charlles campos Reply:

    Obrigado pelo elogio, Tálib. Sei que foi com boa intenção, mas aí é que está a questão. Eu trabalho em uma área completamente oposta à da cultura ou das letras, e adquiri, digamos, tal acervo cultural, através de leitura e audição de música motivado única e simplesmente por um enorme gosto pela coisa. Essa minha liberdade em conhecer, sem vínculos acadêmicos, me faz exercitar o tópico de que “nada e ninguém é sagrado”. Steve Wonder compôs aquela musiquinha pra lá de brega da trilha sonora de A Dama de Vermelho. Não curto Wonder, mas um de meus ícones é Miles Davis, que, sei, tem 25% de sua produção musical absolutamente descartável. Coisas como “Tutu”, e namoros constrangedores com o rap. Frank Sinatra também tem muita tralha em seu seu repertório. Até em um álbum dos Beatles é difícil encontrar 10 músicas encarreadas que sejam todas excepcionais. Para cada Lucy in the sky with diamonds vai haver uma Revolution 9, ou uma Obla-di-obla-dá. Então, carteirada de excelência não se dá através de um nome canônico. João Gilberto e Zeca Pagodinho fizeram propaganda da Brahma Chopp. A indústria cultural torna cada um desses grandes nomes, grandes prostitutas das tendências de vendas.Garota de Ipanema é o suprassumo do brega, assim como Teló, só que numa margem oposta: o brega das ditas “cenas sofisticadas” de novela da Globo em que o personagem da alta classe, com um whiskey 18 anos em mãos, vê as ondas se quebrarem na praia ao som desta canção do Jobim (já vi essa cena inúmeras vezes). Garota de Ipanema me lembra muito a Globo, a boçalidade, a alienação, o centro orgulhoso no umbigo dos privilegiados, a burrice e o mal gosto copiado fio a pavio das revistas de etiquetas norte-americanas por nossa “classe esclarecida”. É poesia e melodia das piores possíveis. O norte-americano fez o jazz ácido, avacalhado, desbocado, acintoso, violento, terno e frenético_ a trilha sonora que marcava o tempo de duração de uma trepada nos bordéis, para que o cliente do quarto de cima soubesse da hora de ir embora_ e o brasileiro sofisticado pega essa energia toda, a desproteiniza completamente, e cria a bossa nova: uma música insossa, monocórdia, de frouxo, de brocha, uma música em constante soprano cantada por homenzarrões domesticados demais pelo luxo para estufarem o peito. Uma música flácida. Uma música ambiente feita para fazer nuvem por cima das conversas nos sofás, aos goles de whiskey. Imagina uma apresentação de bossa-nova com a negra anônima famosa que quase parte o corpo na dança endemoninhada nas fotos do encarte do álbum Duke Ellington in Newport? Jamais combina. O que combina com Garota de Ipanema é o charuto, a foto da mulher nua da revista que aparece na mesa diante Vinícius na foto deste post, a pasmaceira e o pose de “grandes caras enfadados”. Não à toa_ você esqueceu de dizer_, que, além desses medalhões todos que citou, há também um outro intérprete de Garota de Ipanema que se acha genial: Roberto Justus.

    Letra sofisticada, exuberantemente genial, da música popular brasileira, pessoas “cool” da bossa-nova jamais iriam dar crédito: Ouro de Tolo, do Raul. Não à toa, Caetano, que lhe rendeu homenagem, é um dos únicos caras do cenário musical nacional de quem eu gosto pacas!

    Tálib Reply:

    Continuaremos discordando em muitos tópicos. Deculpe-me novamente, mas vc dizer que Stevie Wonder compôs “aquela musiquinha brega da Dama de Vermelho” é falta de conhecimento de um dos músicos mais completos do planeta. Vc provavelmente não conhece “Stay Gold” com um solo de gaita de fazer inveja a Toots Thielemans, não deve conhecer as interpretações de “Blowin inthe wind”, “Mr Tambourine”.
    Novamente peço perdão da minha interpretação, mas há uma certa revolta contra “elites”. Prefiro manter a neutralidade e aproveitar o que todos tem de bom.
    Não imagino nada do que vc disse ouvindo Garota de Ipanema…charutos, revista de mulher nua e etc. Somente ouço a melodia certamente chopiniana de Jobim. Nem me passa pela cabeça a Rede Globo – isso faz diferença para vc?
    O cara era tão fera que, se vc tocar somente a mão esquerda do Prelúdio op28 nº4 de Chopin – uma obra prima de apenas uma página – poderá facilmente cantar “Insensatez” pois a base harmônica é a mesma.
    Roberto Justus? Nem sabia que esse cara tentava cantar. Realmente – e graças a Deus – estou por fora (e assim prefiro continuar) de muita coisa.

    Grijó Reply:

    Comprei a caixa com os grandes discos do Zimbo Trio.
    Fenomenal. BN pura.

    charlles campos Reply:

    Tálib, a revista de mulher nua, o whiskey (ou vodka, sei lá), e o charuto fino, estão na foto aí de cima, repare bem. Sei do Justus porque assino a revista Piauí, na qual afigurou uma falsa ode ao dito “músico”. Há uma música famosa do Moacyr Franco que, também, repete a base harmônica de uma ária da Aida. A anedota musical Sabão-Crá-Crá, perpetuada pelos Mamonas Assassinas, repete também uma frase da terceira sinfonia de Beethoven. Eu não gosto do Wonder, como disse, e me inspirei na opinião dos adoradores do cara, que tem a trilha de Mulher de Vermelho como uma espécie de traição pop do músico. Reconheço que ele é muito bom, apesar de não gostar. Quanto a Mr Tambourine, concordo com Dylan, de que não há versão superior à dos Byrds, inclusive a própria do Dylan.

    Tentei ouvir o João Gilberto novamente hoje_ não sou cabeça dura. Ouvi o Chega de Saudade. A primeira música, até vai bem, mas quando começou a segunda, do lobo mau, não deu, meu amigo. Não deu, MESMO. Tive que voltar para meu Charles Mingus.

    Os fatos da Globo tem muito a ver, sim. Como disse Nick Hornby, a maturidade nos impede de curtir tão levianamente felicidades de nossa adolescência espirocada, e coisas como Hot Salad, do Sabbath, não nos desce tão bem pela garganta. Ainda que restrinja a felicidade, a lucidez de que a música tem seus contextos sociais me torna mais apurado, mais sincero comigo mesmo.

    Grijó Reply:

    Stevie Wonder, Charlles, que pouco deu as caras aqui no Ipsis, é um dos maiores compositores de pop/soul/funk do mundo. Na minha opinião, só Dylan ombreia com ele. E olhe lá.

    Faça o seguinte, meu caro: esqueça os ícones (Gilberto, Jobim) e ouça Tenório Jr., Luiz Eça, Sergio Mendes (dos 50 e 60, claro, em trio ou, no máximo, sexteto). Restrinjo-me a 3 pianistas, apenas.
    Bossa Nova – que é, fundamentalmente, samba – e nada mais.

    Tálib Reply:

    Acho que fugimos do tópico que Grijó levantou sobre as duplas.
    Encerro minha participação aqui, pois entendo que não vamos concordar nunca em muitos aspectos, sobretudo em se pegar alguma pouca coisa que alguém fez de ruim e atribuir a isso uma grande importância.
    OBS: as interpretações que disse de” Blowin inthe wind” e “Mr Tambourine” são as de Stevie Wonder: perfeitas! Mas, pelo jeito, é melhor se ater à “musiquinha brega da Dama de Vermelho”

  12. #12 A.B.
    on Feb 8th, 2012 at 11:18 pm

    Ao ler o título, veio de imediato a minha cabeça Tom e Vinicius. Pensando melhor veio também Noel e Cartola e Gil e Caetano.

    Quanto as ”parcerias” recentes, tem umas que dá até vergonha mencionar. Caetano e a mulher macho, cujo o nome não me vem a mente, e a não menos pior entre Marcelo D2 e João Donato.

    Será que o João Donato e o Caetano acreditam realmente em uma boa parceria ou são puros mercenários? Eis a questão. Se bem que vindo de Caetano, como vc mesmo já citou neste blog, isto é absolutamente normal.

    Abraço, Grijó.

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    Grijó Reply:

    Arthur, há alguns anos ouvi um depoimento de Sérgio Mendes, o grande Sérgio, pianista de primeiríssima linha, autor de um dos melhores discos de samba-jazz que já ouvi, no qual ele dizia que um tal de Seu Jorge era um grande talento. Fui, então, à caça de ouvir as músicas desse senhor citado. Não deu pra engolir. Achei que fosse brincadeira de Sérgio Mendes, ou, talvez, que ele estivesse gagá. Ou, pior que isso: que eu estivesse fora do eixo, de órbita etc.

    Uns tempos depois, li uma matéria no NYT (que procurei, aqui, na web, mas não encontrei), na qual se mencionava o fato de Sérgio Mendes ter investido uma graninha na carreira do tal Seu Jorge.
    O romântico aqui (para não dizer babaca) ficou desapontado. Mas é assim mesmo. É claro que não afirmo que Caetano e João Donato estejam gagás ou tenham interesse financeiro nas carreiras desses seus “parceiros”. Vai ver que quiseram fazer parceria, e isso basta. É direito. Triste é saber que a garotada só vai conhecer o Donato porque ele toca com D2.

    Coisas da vida, meu amigo.

    Abraço.

    Reply

  13. #13 Wagner Barbosa
    on Feb 9th, 2012 at 6:50 pm

    Pixinguinha e Benedito Lacerda;

    Pixinguinha e João da Bahiana;

    Pixinguinha e Donga

    Reply

  14. #14 Lucas Quinamo
    on Feb 10th, 2012 at 6:31 pm

    Vou concordar com sua posição de que Tom e Vinícius é a mais memorável e a melhor, embora concorde que as outras citadas também são igualmente memoráveis.
    Mas também não vejo necessidade de esquecer de Elis e Tom, outra dupla que ficou na cabeça do povo.
    Na verdade eu acho que na música instrumental, talvez a dupla “Hermeto-Sivuca” seja imbatível. – e cá entre nós, os dois são os dois grandes gênios da música instrumental brasileira, tão bom quanto Moacir Santos.

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  15. #15 ademar amancio
    on Mar 25th, 2012 at 6:23 pm

    De cara eu percebi que a crítica que o charlles tem pra cima do chico era política e não artística,depois ele se entrega com Reinaldo não sei das quantas.É engraçado que eu sempre fui bóia fria,mas nunca me identifiquei com a cultura caipira,que por mais rica que seja vai ser sempre limitada.mudando de assunto,garota de ipanema é uma das músicas menores de tom e vinícius.

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