Pois que no Clube das Terças, há uma semana, conversávamos sobre pianistas de jazz – e, claro, a figura enevoada de Thelonious Monk, o monge louco do piano, pairou suave até estacionar numa das cadeiras do Centro da Praia. Por ali ficou. Falamos sobre predileções. Meu querido amigo Reinaldo Santos Neves boquiabriu-se quando afirmei que minha composição favorita de Monk é Something in Blue, uma faixa um tanto esquecida contida numa espatacular coletânea intitulada The Complete Black Lion and Vogue Recordings of Thelonious Monk. Eis sua cara:

O disco – triplo – foi um presente de meu outro grande amigo, John Lester, comandante-em-chefe do Jazzseen, o melhor blog jazzístico que há por essas bandas virtuais. Grande conhecedor que também embasbacou-se: imaginou que eu estaria entre aqueles que veneram Blue Monk, Misterioso e ‘Round Midnight. Enganou-se. A coletânea traz dois Monks: um de 1954, sentado em banquinhos da gravadora francesa Vogue, em solo só, só dedos; outro, em 1971, ao lado de uma inspirada bateria de Art Blakey, e de um contrabaixo estimulante de Al McKibbon. Apesar dos sidemen de primeiríssima, fico com as gravações solitárias – e é justamente uma delas que se chama Something inBlue, a escolhida.
(E por falar em escolhida, é no ano de 1954 que Monk, em Paris, mantém contato com - e é escolhido por ela – Pannonica de Koenigswarter, ou simplesmente Pannonica, baronesa e mecenas musical que, em breve, merecerá uma postagem só dela). Há os que amam a música de Monk porque vêem (e ouvem) nela a impetuosidade percussiva aliada a dissonâncias inovadoras que transformaram a harmonia do jazz que, para muitos, nunca mais foi o mesmo após o trio Parker-Gillespie-Monk. Não comungo dessa erudição. Ou, por outra: não vou por esse caminho espinhoso. Prefiro ouvir Thelonious Monk com o coração aberto – ou seja: ouvir aquele que massageia as vértebras de um Steinway & Sons e produz um dos sons mais líricos e límpidos do jazz. E ponto e fim.
O disco em questão traz 35 faixas, entre gravações definitivas e alternate takes. Something in Blue está lá, 6 minutos e 37 segundos, quinta faixa do segundo cedê. E, apesar do título ambíguo, enche de alegria qualquer coração.
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Thelonious Sphere Monk morreu no dia 17 de fevereiro de 1982. A postagem original e os comentários, à epoca: AQUI.






on Feb 17th, 2012 at 12:37 pm
Fugindo do assunto – pois acredito que seja do seu interesse. Caso tenha o canal pago A&E, esse domingo vai ser exibido um documentário sobre C.Buarque, intitulado ”Chico Buarque: meu caro amigo”, a propaganda deu destaque para algumas parcerias que ele teve, mas acredito que não seja só isso. Parece valer a pena, domingo 23h.
90 anos da Semana de Arte Moderna, Grijó. Oswald e Cia merecem uma homenagem.
Abraço, e bom feriado – desses que só existem no Brasil.
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Grijó Reply:
February 17th, 2012 at 6:53 pm
Vou checar. Valeu.
Rapaz, já falei tanto sobre a SAM que creio ser melhor me calar, agora.
Grande abraço e bom Carnaval.
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on Feb 20th, 2012 at 9:38 am
Já tinha lido essa.
T. Monk é um grande pianista, mas meu preferido é Bill Evans.
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Grijó Reply:
February 23rd, 2012 at 10:56 pm
Entre todos, no jazz, ainda fico com Earl Hines.
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on Feb 20th, 2012 at 11:27 am
Minha composição predileta de T. Monk é a balada Ruby, Dear.
Round Midnight é uma daquelas composições do jazz que foram feitas memoráveis por outros que não os seus criadores.
Como Coleman Hawkins “inventou” Body and Soul, Coltrane a balada In a Sentimental Mood e Billie Holiday “criou”, entre tantas outras, Sophisticated Lady.
Como o companheiro aí em cima, meu pianista é o Bill Evans também.
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Grijó Reply:
February 20th, 2012 at 12:05 pm
Dê uma checada nisto, Luiz:
http://ipsislitteris.opsblog.org/2010/03/06/no-canto-direito-6-round-midnight/
Abraço.
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Luiz Reply:
February 20th, 2012 at 12:45 pm
Bela homenagem, Grijó.
Aliás, os dois posts. Belíssimos.
Gostei muito do texto sobre o Round Midnight… me fez lembrar o Fifty Years of Body and Soul do Gary Giddins onde ele faz passar em revista as memoráveis versões da composição.
Acho que as minhas interpretações preferidas de Round Midnight são aquelas compostas por Miles, Shorter, Ron Carter, Tony Williams e Herbie Hancock naquelas noites sem início, meio, fim, quando em excursão pela Europa.
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on Feb 23rd, 2012 at 4:49 pm
Th. Monk…Crepuscule with Nellie…
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