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185 anos sem o grande individualista

Ludwig van Beethoven é, possivelmente, a personalidade mais poderosa da arte. Shakespeare, Michelangelo, Cervantes, Bach, Leonardo, Dante e Mozart são-lhe parelhos, mas ainda fico com o velho alemão. Claro que qualquer comparação entre esses digníssimos senhores é absolutamente inútil. Útil, mesmo, é reverenciar sua obra, que chega ao ponto máximo, principalmente no que se refere aos quartetos de cordas. Abaixo, o IPSIS LITTERIS reitera a falta que Ludwig van Beethoven faz.

A gravação acima, com o austríaco Alban Berg Quartett, Opus 18. Abaixo, a Opus 127, com o Jasper String Quartet, norte-americano.

Beethoven morreu num dia 26 de março, há 185 anos. Ave, Ludwig!

17 Comentários on “185 anos sem o grande individualista”

  1. #1 Tálib
    on Mar 26th, 2012 at 5:09 pm

    Difícil colocar um como “o melhor”. Bach fez muito também e é superior em muitas modalidades. As fugas e contrapontos de Bach são insuperáveis.
    O quente de Beethoven mesmo para mim são suas obras orquestrais. Sejam acompanhadas de vozes, como na Fantasia Coral ou na Nona Sinfonia, sejam acompanhadas de instrumentos solistas como no magnífico Quinto COncerto para Piano ou no COncerto Triplo para piano, violino e cello. Ou mesmo “só” a orquestra como na obra prima e minha preferida do velho Beethoven: a Sinfonia Eroica.

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    Grijó Reply:

    Tenho os “Concertos Completos para Piano”, com o Alfred Brendel, que é um de seus grandes intérpretes. a sinfônica de Chicago acompanhando.
    Espetáculo.

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  2. #2 João Marcos T. Theodoro
    on Mar 26th, 2012 at 6:53 pm

    Quando eu ouvi a Grand Fuga Opus 133 pela primeira vez, senti Augusto dos Anjos. Não são atmosferas parecidas?

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    Grijó Reply:

    Não fiz essa conexão, Theodoro, mas cada um na sua.
    Grosse Fuge é, para muitos, o apogeu dos quartetos do homem.

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  3. #3 marcelo coelho
    on Mar 26th, 2012 at 8:28 pm

    Uma vez eu e o rodrigo morte [www.rodrigomorte.com], um grande amigo, compositor e arranjador da jazz sinfônica de são paulo, fomos a um ritual de candômble a convite de um outro amigo em comum, um consultor psíquico septagenário rubens queiroz. há um momento muito esperado neste tipo de ritual que é a conversa com a entidade. eu, assim como o rodrigo, gostamos de perguntar sobre o universo, a criação, a unicidade, o tempo e o espaço no plano relativo e no plano absoluto, e outras. uma vez quis saber sobre a sincronicidade do universo. a entidade, muito educadamente, falou como quem fala com um macaco, ou seja, teve que trazer o assunto para um nível mais adequado à minha compreensão: a música. e foi direta ao ponto: ‘a sincronicidade do universo funciona como uma composição onde todos os elementos trabalham juntos para a reprodução de uma música organizada, abstrata onde não é possível tocar, apenas apreciar’, e completou: ‘beethoven foi o único que compreendeu essa sincronicidade!’ eu e o rodrigo mergulhamos nas análises mas não deciframos nada, apenas concluímos que a sincronicidade não está, a sincronicidade é! beethoven é! abs

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    Grijó Reply:

    “Consultor psíquico”, Bam Bam?
    Em gramática, a ideia de que “Deus é” pressupõe que “Deus existe”, independentemente de crenças ou certezas. Enfim, concordo que Beethoven é.

    Abraço.

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    marcelo coelho Reply:

    pois é, foi um consultor psíquico (não conheço outra expressão para descrever um chaman urbano) que, também interessado em saber sobre as vertentes espirituais que conduziram o john coltrane e wayne shorter, nos levou a este barracão. uma grande legião de jazz players também estão atrás destas experiências. sobre o candomblé, disse o liebman: wanna check this out, man!! então já é!

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  4. #4 Tálib
    on Mar 27th, 2012 at 4:08 pm

    Grijó,
    Aproveitando que estamos falando de música erudita, fica a dica: quinta feira vai ter um concerto no Carlos Gomes com um pianista capixaba de mão cheia, chamado Aleyson Scopel. Ele vai tocar o Terceiro Concerto para Piano de Prokofiev, com a Orquestra Filarmônica do Espírito Santo. Uma obra prima e espetacular – para os que apreciam música contemporânea – como eu.
    Ele também é aluno de Celinha Ottoni, minha professora. Mas com uma diferença abissal de técnica e interpretação – anos-luz a minha frente, óbvio. Fora que, nos dias de hoje, eu tenho uma aula de vez em nunca sobre algumas peças esporádicas e ele é concertista internacional – com um repertório de fazer inveja a muito marmanjo.
    O pianista eu garanto: é da mais alta qualidade musical.
    Quanto à OFES, infelizmente, é uma incógnita. Tem interpretações de gala e outras que vou te dizer….
    Um abraço

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    Grijó Reply:

    Valeu a dica, Tálib.
    Estarei lá. Ou tentarei, ao menos.

    Abraço.

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  5. #5 Luiza Thereza
    on Mar 28th, 2012 at 12:11 am

    Talib deu uma dica muito boa, adoro as quartas classicas, se pudesse ia toda semana. Tive a oportunidade de ver duas apresentações maravilhoras la no Carlo Gomes, e o melhor de tudo que é gratuito.

    Tive pouco contato com a obra de Beethoven, é verdade, mas pelas tres sinfonias que eu tenho em dvd, ja deu pra perceber pq ele é considerado um genio.

    Abraços!

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  6. #6 Tequila
    on Mar 28th, 2012 at 8:54 pm

    Seus posts impecáveis, Francisquinho. Boa trilha para a perda de ontem.

    Bjs.

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    Grijó Reply:

    Bom falar com vc, querida Tequila.
    Só falta vc aparecer mais.
    Bjo.

    Reply

  7. #7 Lucaskl
    on Mar 31st, 2012 at 11:21 am

    Antes as músicas de sucesso focavam a arte, natureza, nobreza…

    Hoje, as músicas que geralmente fazem sucesso, falam somente de sexo ou repetições enfadonhas de frases sem sentido.

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  8. #8 Everaldo Dumas
    on Apr 1st, 2012 at 3:24 pm

    Grijó, baixei os quartetos de cordas de Beethoven com um quarteto japonês. Dizem que é bom. vc tem algo a dizer sobre eles?

    Reply

    Grijó Reply:

    Everaldo, tenho os chamados “Late String Quartets” com esse quarteto – creio que vc esteja falando dele -, o Tokyo String Quartet, 3 discos, com as opi 127, 131, 130, 132, 133 e 135. Espetacular, camarada. Há outros, os “early”, por exemplo, que não tenho em disco, mas baixei com a autorização da BMG. Vale a pena ouvir o tal Sadao Harada, no violoncelo.

    Reply

  9. #9 Gustavo
    on May 8th, 2012 at 4:48 am

    Eu, que toco piano, pergunto-lhe por curiosidade: E em relação às obras dele com piano, do que gosta? Conhece os concertos para piano e orquestra? Conhece as sonatas para piano e violino e para piano e violoncelo? E as sonatas p/ piano? E o que acha? Poderia, inclusive, postar mais sobre isso (música erudita).

    É tudo belíssimo, mas, diferentemente de você, prefiro outros a Beethoven, apesar de reconhecer sua genialidade. Questão de estilo. Mozart é um deles. Chopin também, sim, admito hehe, dentre outros.

    Dá uma olhada nessa sonata para violoncelo e piano dele (Beethoven), uma das mais lindas que conheço, e com o adicional do LENDÁRIO Glenn Gould ao piano: http://www.youtube.com/watch?v=GchB9unYkOE (está dividido em parte, há todas no youtube).

    Valeu!!

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    Grijó Reply:

    Gustavo, tenho os Concertos para Piano completos, com o grande Alfred Brendel e a Sinfônica de Chicago sob a regência de James Levine. Acho-os fabulosos.

    Tenho as sonatas completas, com vários intérpretes. Arrau, Kempff e Baremboin são meus preferidos. Tenho também com aquele pianista húngaro sensacional, Jeno Jandó. Embora eu não curta muito as gravações da Naxos, a coleção está bastante satisfatória. E, claro, também as tenho com o Ashkenazy. Aí a coisa entra num outro patamar.

    Ouço sempre com extremos prazer.
    Vou checar o vídeo do Glenn agora. Valeu a dica.

    Abraço.

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