Os três maiores Nelsons que conheço são o Rodrigues, o Freire e o Antônio da Silva, dito Nelson Cavaquinho. Este último faria, se vivo fosse, 101 anos, dia 29 de outubro. Gênio numa época em que o samba, marginal por essência, gerava pérolas d maneira mais corriqueira possível, como se fosse quase natural criar canções imortais. Algumas delas, como O Palhaço, Folhas Secas e A Flor e O Espinho, estão contidas no disco abaixo, um diamante polido dentre as joias que a espetacular Leny Andrade nos apresentou. Este é um disco recente, de 1995, no qual tudo é superlativo: as canções, a intérprete, os arranjos – a maioria a cargo de Gilson Peranzetta, mas alguns do violonista João de Aquino – e a sessão rítmica, que é um caso à parte.

Já escrevi sobre Leny Andrade – uma das maiores intérpretes que já ouvi. E se torna ainda maior quando acompanhada por Nico Assumpção (baixo), Téo Lima (bateria) e os teclados ora de Peranzetta, ora de Itamar Assiere. Há mais gente participando da festa, mas, para mais efetiva apreciação, sugiro que o disco seja ouvido. Várias vezes. Nelson Cavaquinho era um poeta – não no sentido acadêmico, professoral do termo, mas na sensibilidade criadora e no lirismo sofisticado camuflado de simplicidade. Algumas de suas composições, em especial aquelas da pareceria com Guilherme de Brito, ficarão para sempre na memória de quem aprecia o grande samba, ou a grande música.
Selecionei as três composições citadas no primeiro parágrafo. O Palhaço, Folhas Secas e A Flor e o Espinho. Os vídeos, como de costume, estão expostos no canto direito do visor, lá embaixo. As imagens, geradas pela TV Cultura, ajudam muito.

Outra canja: em 1969, o cineasta Leon Hirszman fez o documentário Nelson Cavaquinho, um filme tão polêmico quanto belo. E vale como registro desse gênio. Cavaquinho; não Leon. é possível vê-lo, na íntegra, AQUI e AQUI.





on Oct 29th, 2012 at 3:10 am
Um poeta.
Disseste tudo.
Quando se fala em grandes compositores neste Brasil, quase não se menciona Cartola, Pixinguinha, Nelson Cavaquinho, Paulinho da Viola, como se o samba não possuísse a aura da intelectualidade. É muito sinistro.
Quais os grandes sambistas para vc, Grijó?
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Grijó Reply:
October 29th, 2012 at 2:14 pm
Cartola e Noel são gênios, assim como são grandes o citado Nelson, Lamartine Babo, Assis Valente, Paulinho da Viola, Elton Medeiros, Moacyr Luz. E, claro, Chico Buarque.
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on Nov 1st, 2012 at 11:08 am
Gênio.
E o que fez este samba chinfrim atual ficar assim? E pensar que agora a moda é Diogo Nogueira.
Dá até dó.
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on Nov 1st, 2012 at 5:56 pm
Amigo Grijó,
Não consegui mandar meu último comentário pois não sou muito bom de computador e perdi o que havia escrito anteriormente.
Parabéns pela postagem!!!! Nunca soube deste disco e, sabendo o nível de Leny e de Nelson Cavaquinho, certamente procurarei ouvi-lo com a dedicada atenção que merece.
Aproveito para citar o outro Nelson, o Freire. Estive ausente em viagem pela Europa, de férias. Tive o prazer de ver, ouvir e apreciar um concerto no Concertgebouw de Amsterdam, uma das principais salas e certamente uma das melhores acústicas do mundo.
Lá, soube que Nelson Freite se apresentará na famosa casa em 2013. Farei o possível para coincidir minhas férias com o o concerto de Nelson Freire. Me senti orgulhoso de ser brasileiro e vê-lo tão admirado por um público tao seletivo.
Acho que isso renova as nossas esperanças no Brasil – especialmente a minha – abalada e envergonhada de ter ouvido em bares na França os estúpidos Michel Teló e aquele outro que canta uma tal de tche, tche, tche tchere e sei lá mais o que….como se isso representasse nossa verdadeira música.
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Grijó Reply:
November 1st, 2012 at 7:07 pm
O que eu posso dizer além de “você é merecidamente privilegiado”, meu caro.
Parabéns pela oportunidade.
Nelson Freire está entre minhas preferências também.
Grande abraço.
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